devaneios

eike sufoco! Open day da Emirates em SP – cabin crew (vulgo, créu)

Preciso antes de tudo compartilhar minha frustração de hoje. Fazia tempo que eu vinha abanando o rabo pra essa entrevista. Me preparei toda bonitinha, comprei um tailleur de risquinhas, um salto decente.. e fiquei parecendo gente. Bom, acho que estou passando por uma das piores fazes da minha vida. Meu avô faleceu semana passada, meu caso não classificado vai partir semana que vem para nunca mais voltar.. quase uma morte também. Daí tá, passei na entrevista com a Clinique e a boa desse fds seria a entrevista com a Emirates. Okay. Marcada para às 9 da manhã de um domingo. Diliça pura. Na noite passada acordei com uma insônia terrível, daquelas que fica um troço preso na goela e você não consegue dormir. Aí escrevi uma carta de amor que nunca vou entregar. Quando senti que vomitei todas as palavras que eu queria, fui dormir. Acordei com a minha mãe ligando aqui no Hostel 7:30 da manhã. Diliça pura². A entrevista seria em Moema e para ir pra lá de transporte público é um caos, tem que pegar no mínimo um mendigso’s bus. De zumbi recém acordada eu me transformei numa baita business woman. Ok. Cheguei no hotel na Av. Ibirapuera e logo já troquei olhares míopes com um ser que me parecia muito familiar. Quando vi era o Rafael que trabalhou comigo a bordo do Costa Mágica. Ê São Paulo, tem sido uma terra de muitos encontros e desencontros ultimamente nestes dias. Repetindo: minha entrevista era para as 9 horas da manhã.(guarda bem essa informação). Ok. A entrada do Hotel Intercity estava simplesmente cuspindo gente por todos os cantos. Todo mundo no look super business cat. Alguns sem noção (sempre tem uns, claro) vestindo calça jeans, cabelo solto (fala sério, flight attendants de cabelo solto??!), calça jeans (what?), PIRCE (eu arranquei todos os meus com dor no coração). Ai, tivemos a bela notícia de que havia 200 pessoas para serem entrevistadas por apenas  UM entrevistaDOR! Não é encrével essa (des)organização?
Antes de tudo, vou dar uma brief explanation de como a coisa deveria funcionar:

Como funfa o processo seletivo da *Emirates*: 
First of all, eles pedem que você:

  • Seja maior de 21 anos (ou esteja quase lá);
  • Fale inglês fluente (Fruent Engrish! Pris!);
  • Alcance 2.12 metros com os braços estendidos para cima – sem fazer pezinho de bailarina;
  • E seja doido o suficiente para ir morar em tadaaaam: DUBAI!

Aí tá, se encaixando em todas essas coisas aí, uma empresa terceirizada ( a http://flyrightintl.com/) fica comprometida a fazer a primeira entrevista. Aí se for aprovada nessa, você faz mais duas antes de ir para Dubai fazer o curso da Emirates. É mais ou menos isso. Aí, o curso é de umas 5 semanas, estuda-se pra caralho. Aí vc passa (pq tem que passar) e depois só alegria (ou não).

(ó que bonito os flights attendants wannabes.. behavior é com a gente mesmo)
Agora, minha experiência. Fiquei tagarelando com o Rafael e fazendo aquela zona clássica de ex-crew que se encontra do nada pela vida, usando as gírias que só os peão de navio conhece. Tá. Aí, subimos a escadinha, o que foi um desafio pra mim. A qualquer momento parecia que eu ia torcer meu tornozelo com aquele sapatão de travesti chique. Eu me perguntava a todo momento se eu conseguiria terminar aquele dia com os pés ilesos e com a meias calça sem furos. Aí tinha um mar de gente, uma fila sem fim. Aí um cara gritou com um vozerão em inglês falando pra metade do grupo entrar e a outra metade voltar às 10:30. Ok. Achei bom porque foi todo mundo no posto da esquina eu pude tomar *café* (entenda-se: evitar futuros desmaios). Voltamos. Só fomos entrar na sala às 11 horas. Eu já fui pro fundão. Ali a linha dos ex crews de navio. Quem fez a palestra e as entrevistas foi o Marcelo. Outro brasileiro que você jura que é gringo. Lá eles separam o joio do trigo mesmo. Aí ele mostrou videos da Cia (aquela coisa básica de tudo o que você não irá fazer – mesmo esquema dos videozinhos da Costa Crociere); aí um outro de como é Dubai (quente pra caralho, caro pra caralho, gente rica e materialista pra caralho e é pra lá que eu quero ir). Foram videos que despertam os sonhos das pessoas. Aí isso acabou meio dia e pouco. Éramos pra voltar 14:30. Quando voltamos tinha uma puta fila de chorar. Conversa vem, conversa vai. Encontro mais gente que conheço. Aí vou ao banheiro porque meus pés começam a me matar (isso porque fiz todo o trajeto não hotel de All Star). Aí no banheiro tem mina em cima da pia, debruçada no vaso, tudo sem sapato e vestindo social. Foi ali mesmo que fiquei. Isso já era umas quatro da tarde. E nada de a fila andar. Aí ela andou um titico. Às 5 da tarde eu tinha que estar trabalhando lá na recepção do Hostel. Não ia rolar. Ok. Chega 5 horas e a situação da fila é a mesma. A gente arranja um canto na virada do corredor quente para poder sentar no chão. Passei todos os sintomas de entrevistas: fome, calor, dor nos pés, ansiedade, hiperatividade, cansaço, indignação, blá blá. Às 6 da tarde meu dilema era ir ou não ir ao posto comprar uma barra de chocolate. E se a minha turma entrasse na sala quando eu saísse? E a cara das pessoas saindo daquela sala não era nada animadora. Ok. Depois de sentar em vários cantos pelo chão, ter ido ao posto comprar pão de mel, ter retocado a maquiagem milhões de vezes e ter tirado e colocado o salto alto 3473 de vezes, chegou a vez de nós pobres mortais flight attendats wannabess entrarem na p**** da sala de entrevista.

  1. Era mais de 7 p.m.
  2. O entrevistador estava blaster estressado
  3. a sala estava congelante
  4. não tem 4.

Nessa já éramos em torno de umas 60 pessoas. Ele nos dividiu em 4 grupos e deu os tópicos: Copa do Mundo e Olimpíadas no Brasil. Serviu só pra gente ficar tagarelando mesmo enquanto ele entrevistava um por um. Aí chegou minha vez.
Perguntas que ele me fez:

  • So, you work in a hotel (no, I work in a Hostel, it’s a bit diferent)
  • Where have u learned English?
  • Why do you wanna work for Emirates? (Particulamente, minha resposta foi bonita: Since I was a child I wanted to be a flight attendat – um pouco mentira, eu queria ser Piloto, só pra fazer jus ao meu sobrenome!- But by now, I cannot afford it and I know that the company Emirates covers everything. It’s a very good company – puxada de saco básica- and it’s growing faster and faster and it’s been being very well recognized all around the world not only for the quality they offer for their passengers but also for their employers). 
  • Aí ele me perguntou quanto tempo eu tinha morado em Cape Town:  4 “monts”. Aí ele me corrigiu: MONFS. Depois disso ele me mandou fazer um teste de Inglês. Foram 10 perguntas de gramática. Resumindo a novela toda: 5 minutos de entrevista e um teste mixuruca.

O que eu acho:

  1. No meu currículo estava que meu Engrish era upper intermediate (coloquei isso pq as vezes é melhor evitar e bancar a sabichona no inglês e o entrevistador estiver afins de te encher e falar só coisas difíceis e esperar o inglês mais perfeito vindo de você. Então achei melhor ser simplória). Cartão vermelho pra mim. Meu inglês é fluente. Não sei se ele vai se lembrar disso, depois de ter conversado com mais de 199 pessoas. Mas tá lá no meu Resume que meu inglês é upper. Merda 😀
  2. A minha foto de passaporte que deixei com eles tá horrível. Não só pela minha cara, como também pelo tratamento porco que deram naquele estúdio.
  3. Acho que errei umas questões de gramática do testinho.

Juro que quando chegou 7 da noite eu pensei: não vou passar. O cansaço era tanto que era capaz de eu dormir no colo do entrevistador, eu sabia que não ia vir muito esforço de mim depois daquilo. E tipo, se reprovar, tem que ter 6 meses de carência até o outro Open day. Mas fui., e acho que não passay :/
Mas tá válida a experiência. E entrou para o récorde a entrevista mais LONGA da minha vida. Quase DOZE horas. Aonde mesmo que posso pegar o meu prêmio?!

Ouvindo muita Marisa ultimamente. Hit do momento:

Ps. só para adicionar, eu fui sim aceita na entrevista e chamada para a segunda etapa. Mas aí já é oooutra história.

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