devaneios

Rua Augusta em uma terça à noite..

Muitos flashs urbanos. Sentir o metrô quase vazio embassar a vista enquanto ele chacoalha pelos trilhos. As garotas de programa que entram no boteco mega vagabundo pra pedir um café e prometer pagá-lo só no dia seguinte (e os outros cafés dos outros dias também) e aproveitar pra dar uma paradinha e retocar a maquiagem no reflexo da estufa de risóles. O cara que vem conversar com a gente com ar de aborrecido porque levou um fora da puta e agora parece que ele tá apaixonado por ela. Parece que ela não quis nada porque ele falou que tinha que passar em um caixa eletrônico antes. Quis ser nosso amigo nos oferecendo coca, mas nossa amizade não é bem assim que se ganha..(a triste realidade é que eu acho que é assim que ele acaba ganhando as pessoas..) Mais um pouco de caminhada e vários personagens. Aquele cara que deve passar pelo boteco todo santo dia que não fala nada com nada, um clássico. O pedreiro que entra de uniforme azul todo surrado e sujo de terra altas horas da madrugada, pedindo por um velho barreiro puro e tomando ele numa tacada só – depois não sabem porque os prédios saem tortos ou caem. São muitos os  esteriótipos que transitam por essa rua durante a madrugada, no meio da semana. As putas conversando com os taxistas parados na calçada enquanto não tem clientes para atender. Os letreiros vermelhos piscando desordenadamente. Gente perdida, gente sem rumo. A decadência. Uma vida que nunca queria ter. Eu não preciso cair nesse poço mas aconselho a ir observar um pouco disso e conhecer os personagens que falam tanto por aí.

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