devaneios

minha história: resumão da novela viking tropicana

Tudo começou… bem, eu acho que já escrevi todas as minhas histórias quase um milhão de vezes com a ideia de fechar um livro. Mas eu tenho medo de me expor e expor as outras personas e ser processada.    Vamos lá, super senta que lá vem história. Juro que vou ser breve.
E como eu tô trabalhando em um restaurante, acho que gostaria de dividir a históriazinha como se fosse um cardápio, só pra ter mais ideia de sensações.

Aperitivo: bom era um sábado, quando estava super entediada com a vida. Eu estava morando e trabalhando na recepção de um hostel em São Paulo (quando falei pra minha avó que eu ficava em um albergue, ela pensou que eu tava morando com os mendigos). Meio perdida em relação a o que eu ia/deveria fazer da vida. Se eu voltaria para a vida tresloucada de navios de cruzeiro ou se tentava a sorte na Emirates top top, tudo menos voltar para Itapetininga; a cidade pós-apocalíptica. E daí que depois de dormir quase o dia todo – fazer nada também cansa; eu resolvi mexer a minha bunda e topei ir num Pub crawl . (pra quem não sabe, pub significa = bar e (to) crawl =  significa rastejar – aí já dá pra ter uma ideia da coisa). Daí que você começa num lugar com open de pesticos e cervejada a vonts e depois vai de bar em bar com direito a um shot free por onde passa e para finalizar – se você ainda não tiver entrado em coma alcoólico – vai todo mundo se esbaldar na pista de dança de alguma baladinha descolada. Então tá, eu topei ir porque isso é um troço que envolve gringos e como eu trabalhava no hostel e sempre rolava passeios com eles. Era de graça, eu podia beber até morrer e fui vestida pra isso. Assim, like a boy. Resumindo, resumindo.. resumindo mesmo (imagina uma camiseta que encolheu tanto, mas tanto que um cara de 120 kg vai vesti-la e ela começa a rasgar dos lados, de tão apertada que ficou.. então compare tal situação ao meu resumo). E daí que nunca ia imaginar que eu encontraria a tampa da minha panela nessa noite. Ao invés de ser o “get drunk, get naked, get famous..” acabou sento o “got drunk, got naked, felt in love..” Aí o que tenho a dizer é que fodeu. Fodeu e não fodeu né, assim, em todos os sentidos da coisa. Eu “tinha” a minha vida e ele super tinha a dele. Ele era sueco, estava trabalhando sazonalmente aqui na terra do banana, era dono de um par dosolhos azuis acinzentados mais entorpecentes do universo, 0 filhos comprovados e um zilhão e 92 de outras qualidades, mas (sempre tem um *mas* enfático..) um big e gigantesco porém: ele tinha uma namorada, estavam juntos quase desde a idade da pedra. . Eu não queria roubar nada de ninguém, mas enquanto ele estava aqui, era como se ele saísse da bolha que a vida dele era lá, e eu saísse da minha bolha e fantasiasse um conto de fadas (numa versão mas pornô, mas tá valendo). E daí que a gente passou dias incríveis ao lado um do outro, aquele glamour todo de viver em hotel top top, lambusar a cara um do outro toda vez que fosse comer sobremesa, trocar 23923 emails por dia, esperar o dia de trabalho acabar pra um grudar no outro. Mas tudo um pouco que meio moderado da minha parte (e totalmente da dele), eu porque estava com a ideia de embarcar para trabalhar na Royal Caribbean, então liguei o carpe dien da vida.. but que acabou rolando de não voltar naquele tempo para a vida de maruja. E daí que eu surtei porque eu tava super nos loves desmedidos com o branquelo mas ele ia embora. E a gente sabia que era um amor de verão – só não sabia quanto tempo esse amor de verão ia durar.. ainda mais com esse lance de aquecimento global.. e.. e Ele ia voltar para a vida dele lá dentro do freezer polar enquanto eu ia começar a minha no poço das incertezas aqui no terceiro mundo. Enfim, ele foi e voltou de lá – voltou só pra me ver, deu um 171 no trabalho dele dizendo que tinha alguns business a serem terminados na terra da banana.. ele veio pra me dar um adiós que me doeu na alma por tempo infinito ( e ainda abre um buraco negro- mesmo que seja fictício agora – de desespero quando lembro dessa fase). Ao todo, ficamos uns 4 meses juntos.Prato principal: depois de toda aquela coisa de evitar contado, quebrar o contrato de não se falar mais, eu insisti, muito, mas muito mesmo. Porque meu grande lindo lema é “be like a postage stamp, stick to one thing until you get there”. Eu te garanto, até agora eu consegui tudo, mas tudinho que eu quis! Última maluquice foi ir atrás de um russo que eu conheci quando fui fazer intercâmbio na Cidade do Cabo em 2008, cujo caí nos amores loucamente, cruzei o deserto namibiano na garupa da moto dele, acampando 13 dias sem civilização – isso incluiu ficar sem água, dormir em barracas e em lugares ilegais.. aí como não tinha um puto no bolso, fui trabalhar em um navio de cruzeiro que por mega sorte do destino (ou não) ele passava por São Petersburgo, e lá fui eu atrás do enredo da minha novela mexicana na terra dos sovietes.. mas enfim, tive que ir lá pra depois da puta que pariu pra perceber que ele não era o “cara”- até tinha começado a aprender russo e essas maluquices todas – pelo menos serviu pra algo, consigo ler algumas coisas em grego pelo menos..- pra quem não sabe o alfabeto cirílico é muito parecido com o grego.. Mas voltando ao lance fresquinho e duradouro do sueco, era uma bela tarde chuvosa quando eu ainda tentava ter a atenção e contato dele por Skype quando ele pega e me fala que tinha resolvido se casar. Aí a música da Maísa começou a tocar com todo o pesadão dentro da minha cabeça “meu mundo caiuu.. ”

Não, não e não. Eu desliguei a ligação do skype na cara dele e sem pensar muito, entrei no site da Lufth(r)ansa e comprei minha linda passagem para Gotemburgo! Alocaa Mas comprei só pra novembro; dali 2 meses (ele não ia se casar até lá), porque eu tinha acabado de conseguir um novo emprego e não podia dizer “ei, me dá uns diazinhos semana que vem, vou tomar um cafezinho ali perto do pólo norte resolver uma questão pessoal e logo já to de volta”. Não, não ia rolar. Então eu tive que esperar. Esperei a poeira baixar e joguei um super verde e colhi mega maduro. Pedi desculpas por ter desligado na cara dele, resolvi ser civilizada e amiga dele mandando pelo correio uns balõezinhos artesanais que ele tinha gostado tanto em Paraty. Nessa consegui o endereço dele. Mas como confirmar se ele ia estar lá quando eu fosse? E se ele tivesse um novo projeto no trabalho que o mandasse lá pra ShanGAY? Better not take the risk.. Falei que eu tinha uma amiga que ia fazer um tour pela Escandinávia e podia me fazer o big favor de deixar o pacote com ele. Ele caiu feito um patinho, mas aí no final do drama todo, a gente voltou a se falar mais, e mais e mais e mais, e daí que viramos virtualmente bffs forever, e eu mandei a seguinte mensagem inbox pra ele: “are you ready for a coffe?!” e anexei os detalhes do meu voo.. apesar de eu ter recebido um WTF bruna, are you coming here? DON’T COME HERE! A situação se desenvolveu favorável até a minha chegada lá.

Mais pimenta, por favor. Por essa ninguém esperava. Só quando eu estava pousando em Gotemburgo, deixando aquele puta Sol brilhoso lá em cima e me adentrando a um monte de nuvens pra cair numa pista cinzenta, toda nebulosa e pessoas vestidas de preto.. é que fez aquele plim lá longe dentro do meu cerebrozinho de algodão, com aquela vozinha me dizendo “co-mo-sou-ma-lu-ca-de-pe-dra!eu-vim-mes-mo. TO QUI TO QUI!”. Já não bastasse eu ter feito toda aquela surrealidade de ter ido pro deserto, navio e chegar na Rússia pra provar a mim mesma que o tal russo não era pra mim. Mas o bofe russo foi quase irreal, era muito mais platônico do que qualquer outra coisa.. mas eu estava cega. Enfim, volta, Suécia. Eu passei uma semana na terra dos alces, tempo suficientemente perfeito pra mudar minha vida e espírito. Ele estava solteiro, status em que eu nunca imaginei que fosse encontrá-lo.. foi muito bom eu ter sido pessimista o tempo todo, porque todas as coisas que aconteceram, nenhuma delas eu esperei que fosse acontecer. E daí que a gente se inseriu tanto na vida um do outro, que se um se arrancasse ia ser preciso uma eternidade de terapia contínua pra superar..

Alguém pode me atender, por favor? Ficamos no chove não molha por aproximadamente um mês, cogitando possibilidades, listando pós e contras, ele tentando aceitar que.. a minha macumba do amor funcionou e ele tinha caído. (quem quiser a receita, depois eu posto aqui!). Até o belo dia em que resolvi capetar bem na véspera de ano novo dizendo que eu tinha comprado uma passagem para Paris (ele ia tar lá) pra ficar com ele no ano novo. Ele pirou de amores, e daí meu filho, foi bem nessa hora em que o Titanic bateu no icebergue. Resolvemos vestir a camisa do filme “Amor sem fronteiras”. E fazer a listagem de como realmente seriam nossas vidas, a minha lá ou a dele aqui. Tudin. E daí que a coisa que eu nunca pensei que fosse acontecer aconteceu. Ele voltou aqui pra terra da banana, conheceu toda a família buscapé (mesmo sendo um pouco difícil a comunicação porque todos eles mataram quase todas as aulas de inglês..). E daí que a gente foi pra uma mini lua de mel no Reow de Janeirow. Foi super lindo tudo e inacreditável. E daí que eu vivo nas nuvens. Ah, e ele também me confessou que a história do casamento era falsa.. ele só inventou ela pra tentar se livrar de alguma forma de mim, “but I’m glad that you came!”. Acho que passei muito tempo da minha infância vendo novela involuntariamente.. e queria chegar no meio do casamento.. vocês sabem bem..

Sobremesa: E daí tá tudo resolvido, agora só falta o tempo passar. Estou indo dar um pulo na Suécia durante o verão. Essas serão as minhas primeiras férias de um trabalho, nem acredito. E vou ser remunerada pra isso (salário de fome mas já é um mega progresso e avanço da minha espécie..)

Enfim, acho que foi mais ou menos isso e já fez mais de um ano que a gente  se conheceu, e mais de 6 meses (!) que estamos juntos. Eww. Nunca consegui ser tão breve em toda a minha vida – na verdade não gosto de ser breve nas minhas histórias, porque eu amo detalhes e amo expô-los e deixá-los bem claros para poderem captar a ideia que quero passar.. mas enfim..  vamos a rotina dos posts! E ah, o principal e mais sonhado de tudo, que eu não disse.. nós vamos morar juntos 🙂 aqui, lá, a-co-lá! aí, em todos os lugares.

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