devaneios

a nossa vida no gueto!

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Olha só, a especulação imobiliária aqui no Rio tá lá no céu. Um absurdo-mudo. Um apartamento no Leblon é mais caro do que um em Nova York. E daí que tava super freuds de encontrar um lugar para morar, porque aqui tá tudo bem caro. O pessoal tá pedido por volta de R$1200 por um quarto chechelento com móveis casas Bahia. Depois de garimpar muito e passar a zona de fogo (imaginária), encontramos um teto numa república na *comunidade Dona Marta*. Até então, eu só tinha a visão que havia sido passada da situação das favelas no Tropa de Elite. Nós estamos morando bem no começo do morro, é uma rua comum mas é uma baita ladeira (ela existe no Google Maps!). Ah, gostaria de ressaltar que o hostel que ficamos antes de mudarmos para nosso novo ninho foi uma completa furada. Nunca fiquem no Tupiniquim Hostel em Botafogo. Fica a dica.
No guia do que fazer no Rio, a terceira coisa eleita na lista é ir fazer um “favela tour”. Pra quem tá de olho arregalado ainda porque pensa que as favelas do Rio são iguais nos filmes de faroeste versão tropical, com tiroteio entre inimigos no meio da rua, pode ficar tranquilo e vestir seus sapatos mais confortáveis, passar protetor na cara e se jogar morro a cima! Bom, foi Lula que resolveu dar um geral aqui por essas bandas e investiu nosso rico dinheirinho (e com cerveja, embolsou parte dele também) em infra-estrutura em torno de 9 favelas cariocas (mas no Rio existem mais de 100!!), tais como maior acessibilidade ao topo (aqui em Santa Marta foi instalado um “teleférico”funicular o que poupa boa parte dos habitantes de subirem seus 2039924 degraus), boa parte das casas foram reconstruídas ou totalmente derrubadas, foi melhorado o saneamento básico. Agora quem controla o local são os próprios moradores e não os traficantes. Comunidade 🙂 Lula foi o primeiro presidente ever a visitar uma favela, e foi aqui na Dona Marta onde o Michael Jackson gravou parte do clipe They don’t care about us!

(adoro a mulherzinha que agarra ele!)
E daí que as pessoas que me conhecem me perguntam “você mora no morro? tipo, na favela?”, e eu respondo “é quase, bem na entradinha da favela!”. Mas em inglês tudo soa mais chique, morro passa a ser Hill e.. e..
A praia de Botafogo é muito suja para nadar por causa das embarcações mas tem uma vista ótima, principalmente para um um pôr-do-sol.
Notei que é bem tranquilo andar de bicicleta pelas ruas daqui, até mesmo nas avenidas. O trânsito não é tão selvagem e infinito quanto o de São Paulo e os motoristas respeitam mais o ciclita e é muito delicioso sair andar pedalando pela orla de Copacabana, Ipanema e Leblon. O Alexander tá fazendo aulas em Ipanema, e o único trabalho árduo que tenho é o de esperá-lo na praia. Muito árduo, diríamos. O Rio também tá mais seguro, até agora eu não vi nenhum nóinha andando por aí, claro que se você for na Lapa você os encontra aos montes. Em casa tá morando um argentino tiozão massagista que fala carioquês com muita pompa, um belga que eu super indico para as solteiras (mas tem que deixar de molho por 1 semana e usa um perfume dos bom!) e mais dois mega fedidos que graças as forças cósmicas vão ser despejados dentro de 2 dias. É difícil ser a única mulher da casa, porque a tampa da privada tá sempre levantada e eu tive que fazer um bilhete pedindo gentilmente para que mirassem bem na hora de fazer xixi  e deixassem o lugar mais habitável, obrigada. O apartamento está passando por reformas então todo dia eu acordo com a linda sinfonia de britadeiras quebrando tudo, ecoando dentro da minha cabeça me fazendo levantar acampamento o mais rápido possível e ir para o único destino que me resta: a praia! Meu único objetivo para o momento é ficar negra, só aparecer os dentes. Vou aproveitar para bundear bastante durante esse mês porque no final dele estamos indo para Buenos Aires.
Cada dia tá ficando mais e mais perigoso Alexander e seu portugays. Um dia ele me chama de “locadora”(querendo me chamar de super louca), outro ele fala que “you are my fogão”, quidadi (querendo falar “cuidado”, aí eu deixei a dica do CU-idado. CU-idado.. agora ele fala certinho. Já tá fazendo um calor da porra e o verão nem começou oficialmente.

Na parede oposta do nosso prédio fica uma escola de samba e meu deus do céu, quase todo dia eles tocam bateria até altas horas de deixar qualquer um surdo. Já me sinto em pleno carnaval (e quando chegar o mesmo, eu já vou ter tido overdose de bateria). Sério não dá pra fazer quase nada quando eles tocam porque é muito alto, nós até tentamos ir lá assistí-los mas era impossível de entrar porque o barulho era um estupro para os nossos ouvidos. E ah, quase todo dia o tiozinho da barraquinha aqui da frente bota pra tocar um pagodão dos fortes.  Mas aqui na comunidadjy já tá tudo misturado, é barraquinha vendendo coisa velha, fruta, pinga, gringo transitando indo pra casa no morro, criançada, policial subindo de camburão botar ordem na casa. Tudo o que eu tenho a dizer sobre a minha nova morada na favela pop é que aqui é feio, mas é seguro e até um pouco exótico. O que a gente não faz por amor. Mas sou da crença que na falta de recursos a criatividade é estimulada. Ainda não subimos morro a cima porque tem feito um sol escandante, mas assim que eu subir e sobreviver pra contar o que vi lá em cima eu venho dar um testemunho mais detalhado aqui.
Já apliquei para meu visto sueco pra ir morar na terra dos branquelos dentro da geladeira mas não sei bem se vou conseguir me livrar da terra da banana. Como disse Tom Jobim uma vez “viver no exterior é bom mas é uma merda, viver no Brasil é uma merda mas é bom”. Vai de cada um.
Mas deu pra perceber que aqui dá pra fazer muito com pouco. Só de ir de bicicleta ao Arpoador fazer uma marmita e curtir a brisa do mar e olhar o infinito já basta para essa existência. 
Ah, só pra fechar com chave de ouro, deixo com vocês do “ai se eu te pego” versão sueca (essa coisa me deixou tão viciada que meio que se tornou como uma oração pra mim, todo dia tenho que escutá-la, nem que seja escondida, até eu aprender a cantá-la inteira)

1 Comment

  • Reply
    Guilherme Yamasaki
    novembro 25, 2012 at 9:02 pm

    aii aii aii jad alskar dig!

    nao vejo a hora de ver vc no Rioo fala prov Alex esperar até dia 20 p ir pra Sweden pleasee! beijoos

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