viagem

hola ¿que tal, boludos?

Vamos lá, começando a falar dos nossos vizinhos: os portenhos. Voltamos de Buenos Aires quinta passada e o que posso dizer no geral é que a segunda maior capital da América Latina não é assim tão diferente do nosso Brasil baronil. Dá pra ver que eles tentaram se “europeizar”. O que a gente sempre ouve daqueles lados? Futebol, churrasco (parrilla), tango, of course, e vinho nhami. Bom, sobre futebol eu pulo porque acho uma chatice danada a não ser assistir para olhar as pernas dos jogadores, mas depois de 5 minutos fica entediante o jogo (mas vale a pena, uma vez na vida, ir ao estádio ver uma partida). Churrasco: a famosa *parrilla* deles. Ó só nem é tão boa assim, nosso churrasquinho ganha largado deles. Fomos em vááários restaurantes a procura da parrilla perfeita e nada que considerássemos ser uma orgia em nossas bocas, e eu nem sou chegada tanto assim em carne, sou muito mais feliz indo em um lugar brócolis friendly.

Ficamos em um lugar muito simpático onde também era um estúdio de tango. O lugar era no segundo andar de um sobrado, que era tipo um casarão com grandes vidraças e tetos altos com um certo romantismo. O casal que mora lá são dançarinos de tango, então as vezes era meio tenso porque para ir ao banheiro tinha que cruzar o salão/cozinha/área social onde eles estavam ensinando alguém a dançar e eu não queriar atrapalhá-los..

Momô, um de nossos anfitriões
Ona, uma de nossas anfitriãs

ficamos no bairro chamado Constitución, era bem hard core andar por lá, mas era pertinho do metrô (que também é bem zoadão e as pessoas podem fumar dentro da estação, até vimos um policial fumado). Lá em Buenos Aires nem era tão buenos assim, a noite era um menu a la carte de travestis em ruas sombrias. O Alexander bonitão deu um de gringo doido e quis sacar a câmera dele para tirar foto dos travecos. Alooou, tá doido cara! Eles vem até você e te cortam com gilete e te passam aids e e e .. Já viu. Imaginação voa longe.
Nas estações é preciso que se carregue uma bola de cristal para saber onde comprar os bilhetes na boleteria, porque aquilo de lá é uma zona só. E o pior de brasileiro é que a gente pensa que sabe falar espanhol mas não sabe. Achamos o nosso lugar pra ficar pelo airbnb.com, que é muito bom! A gente ficou oito dias e foi uma média diária de, no mínimo, dois litros de alcool consumidos. Agora a garrafa de Brahma ficou tão magrela comparando a de 1L da Quilmes! Você acha vinhos super saborosos pela merreca de uns 50 pesos.  Prove o “La linda” e “33”, você vai fazer sua calcinha voar longe. Fizemos todos os passeios, praticamente, a pé. Visitamos o museu MALBA num dia de chuva e vi minha sister pintada, Frida Khalo. É lá também que fica o Abaporu, de Tarsila e alguns quadros do Di Cavalcanti, dentre outros.
Quando a gente chegou na cidade, já no taxi, bêbados de sono porque foi um voo noturno, eu pensei “olha, as ruas são tão limpinhas”, mas era porque a gente tava cruzando o bairro mais top da cidade, o da Recoleta.

Lá também tem o lugar que você diz “é muito américa latina”, música fogosa, gentarada transitando, pé sujo, chão sujo, água suja correndo, sascoisa, muitas barraquinhas vendendo coisas falsetas. É como infiltrar numa praça da Sé com gente falando espanhol. Bom, de novo, não é muito diferente do que se vê aqui por aqui. BA se resume a bares, restaurantes, teatros (o que tem aos montes), livrarias e casas de show. Tem  muito casarão por lá, e tem alguns lugares que você entra que parece que se foi transportado ao ano de 1930. Bom, da outra vez que fui pra BA, só tinha dado um pulo rápido daqueles que eu tava acostumada quando trabalhava no navio, na Rua Florida e no Caminito. Deus, Caminito é o safari pra gringo, é tipo, too much. Mesmo! As casinhas coloridas são simpáticas mas é isso. Não é mais autêntico, já deu o que tinha que dar. E o bairro Boca é meio zoadão para se andar, o que se pode achar de interessante por lá é grafiti, e ah, o estádio (mas pra mim grafiti é bem mais interessante! mwah)E a famosa Calle Florida, nem é interessante e já nem tá mais tão barata assim. Só vale a pena pra se comprar coisas de couro. E eu virei perita nesse assunto porque o Alexander namorou todas as bolsas possíveis em todas as lojas possíveis para escolher a melhor pelo melhor preço. E até fomos na rua fora do tráfego de turistas, a Rua Murilo, lá comprar couro é muito mais barato que a Florida. Mas pra quem quer comprar bolsas, vai pra Florida, na Murilo só se tem jaquetas, uma infinidade delas (a não ser que vc tenha mais tempo e pode pedir pra alguém fazer uma bolsa pra você e esperar ela ficar pronta). Eu que nem ligo muito pra bolsa, já me contento com sacolas de pano que se acha quase de graça em livrarias, comprar bolsa não é um troço que me comove muito. Acho que nesse mês de novembro vi tumba suficiente para a vida! (antes eu tinha ido “brincar” de caça ao tesouro no cemitério São João aqui no Rio, a busca do túmulo do Vinícius de Moraes, Carmen Miranda, Cazuza, dentre outros). Acho que é meio que um must ir no cemitério da Recoleta, que todo mundo fala. Agora é um mausoléu que virou museu a céu aberto.

túmulo da Evita

A única pessoa famosa que eu sabia que tava enterrada lá era a Evita (que antes eu pensava que Evita, e Eva Perón eram pessoas distintas, but not.) Encontra-se muita art-noveau pelos túmulos de lá, que te mostram bem a pompa de suas moradas eternas. E em alguns a coisa é bem macabra, porque lá eles não costumam enterrar os caixões (tipo, oi? oi?) Eles ficam à mostra. Então há alguns que estão até desfazendo sabe.. e acho que não tem mais ninguém pra cuidar. E eu mega curiosa como sempre, sempre ia lá espiar pelo buraco dos túmulos pra ver o que tinha dentro, e mano, dentro de alguns eu contei mais de 16 caixões, uma galera enterrada junta. E lá também tem 398457358 gatos, gatos macabros. Tipo, super filme de terror. E velinhas com pinta de bruxa dando comida para os gatos macabros. Sinistro. 

Eu não sabia que a Mafalda era argentina. Ela fica sentada em um banquinho no bairro de San Telmo. Na minha última noite, depois de duas garrafas de vinho (a gente pensou que não era capaz de tomar uma garrafa inteira a noite..) eu fui lá abraçá-la e bater um papo. Era meio tenso sempre aparecer nas fotos com os dentes roxos por causa do vinho. Ah, e é em San Telmo que acontece a maior feira dominical de quinquilharia da América! É tralha pra mais de metros! Eu tive overdose de antiguidades. Tem tralha para todos os gostos, de todas as épocas.
E é bom ficar esperto quando você pede a conta no restaurante porque eles sempre dão um jeitinho de aumentar os preços. De fazer a conta ficar mais cara no final. Não foi em um só restaurante em que tivemos problema desse tipo. Uma coisa que amei que eles servem de sobremesa lá é marmelada de batata com queijo. Um restaurante que eu indico que é bem localizado e tem uma comida bem boa, e preço bom é o La Maria, que fica na Calle Callao. Eles tem refeições completas (prato+vinho/água+café/sobremesa) por +- 60 pesos, e a qualidade de tudo é muito boa. O bom da Argentina é que você se regala nas comidas e vinhos 😀  e o resultado disso é que criei uma massa de pão na minha barriga. Eu até preferia estar grávida porque se eu não estiver (e eu não estou), serei somente gorda. Então, logo, prefiro estar grávida do que estar gorda. Mas o mais (des)interessante é que ainda tem gringo cara de pau que pensa que a capital do Brasil é Buenos Aires, pode um troço desses?!

Tango. Quando se fala em tango a primeira coisa que vem na mente de 5,235  dos 6 bilhões habitantes da Terra é La Cumparsita e/ou a música do poderoso chefão, si o no? Pois então, é meio difícil ir assistir um show de tango que não seja muito comercial, porque todo mundo (pelo menos eu – faço de minha voz, a de todos) sempre quis ver um show de tango daqueles que não há quase ninguém em um lugar pequeno com bons dançarinos.
A maioria dos shows são meio caros, tipo Broadway, e muita gente disse por aí que a qualidade da comida que servem nos jantares é meio no chinelo. Fomos de última hora assistir um show no café Tortoni, que foi bem simpático, o cara até fez aquela coisa de segurar a mulher e fazer ela virar de ponta cabeça girando ela pelos braços, pareceu ser tão fácil. Mas não.
Até arrisquei ir a uma peluqueria (essa é minha mais nova palavra favorita em espanhol): cabeleireiro. Fui cortar a franja e acho que conclui que não vai ser nesse planeta que alguém vai conseguir fazer isso satisfatoriamente. O cara me disse “medialuna”que? “medialuna, así, és más linda”. Então tá, né. Ele fez um arco na minha franja e assim ficou. Tudo é válido nessa vida. Falando em medialuna, os argentinos tomam um cafézinho muito sem graça de manhã, só café com leite e medialunas, que são nada mais do que croissants sem nada dentro. Eu já curto um regalo quando acordo: suco de laranja, pão fresquinho da padaria, frios enroladinhos, mamão, queijo minas, mel, granola, café com leite, requeijão e geléia de amora. É assim que eu fico feliz.
Depois que a gente achou que já tinha visto tudo na cidade, pegamos o trem (com muito sono e babando no ombro do outro) para Tigre, uma cidadezinha que fica bem no delta do Rio da Prata. O lugar prometia ser interessante, sendo que é formado por várias ilhazinhas e toda a locomoção é feita através de barcos. Ok, fomos pra lá. Minha experiência: só andar de barco que é legal lá, porque o motorista bota uma musiquinha espanhola bem danada, e transporta melancia, cachorro, toda essas farofaiada no barco e você aprecia a paisagem. Fora isso não tem mais nada pra se fazer lá. Não desça nas ilhas, porque é cilada, Bino! Você vai morrer de tédio e FOME, deusdocéu. É só cazinhas de verão que tem lá, nem os únicos dois restaurantes da face da terra estavam abertos, nos sentimos em uma cidade fantasma, habitada por turistas. E era um calor da porra que eu quis morrer.

Acho que por hoje é só! Besos.

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2 Comments

  • Reply
    Guilherme Yamasaki
    dezembro 8, 2012 at 4:52 am

    Piriquitinha, adorei as dicas de Buenos, conhecemos a ciudad tão superficialmente… estou indo pra lá na semana q vem!! yuppi! passo somente 2 dias, vou com cruzeiro, me dá umas dicas pra absorver tudo da forma mais autentica possivel? ahh q e que fuja do comum… cafe tortoni abre todos os dias? beijos flor, amo seu jeito de escrever!

  • Reply
    Bruna Piloto
    dezembro 19, 2012 at 10:09 pm

    Oi Gui! 😀 Hur mår du? :p acho que agora vc já deve tar no mar, né?! Mas ó, se vc ainda ler a tempo antes de você chegar em BA! Leva sua mami no caminito só pra um look (eu aconselho não almoçar lá, não tem restaurante que vale a pena! nem no lonely guide diz algo!), e depois vão para o tour clássico no centrão (casa rosada, 9 de julho blá blá, é tudo perto), aí lá vcs passam pelo Tortoni pra ver se tem algum evento à noite, geralmente tem que comprar o ingresso com algumas horas de antecedência! E a noite dá um pulo em San telmo, que tem muito restaurante, barzinho bom lá. Também podia tentar arriscar achar um “milonga” (onde é tipo um tango social, todo mundo dança) – dá pra fazer essas coisas depois do Tortoni! Porque os shows são curtos e não muito tarde lá. E no dia seguinte, dá pra vocês irem pra Recoleta (clássicão) fuçar as tumbas chiques! Buenas!! =))
    hej då!

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