devaneios

O Rio e o de Janeiro

E o Rio de janeiro continua lindo.. blah, mas acho que aqui onde a gente mora ele sempre foi feio! (aquela piscadinha malandra!)
Só pra deixar claro: existe o Rio e o de janeiro. Faz parte do Rio Ipanema, leblon, Copacabana (Copa, para os íntimos) sascoisa. O resto sobra para o de Janeiro. E o que fica mais longe ainda, ou fora de rota é o de fevereiro e é aí que eu participo na contagem do IBGE 2012. A nossa vida aqui na curva do início do morro continua tranquila. Pra quem não sabe, uma coisa que tá bem pop aqui no Rio para gringo é o tal “favela tour”, que nada mais é do que arrastá-los morro a cima. É como se fosse um safari sócio-econômico. É bom porque geralmente os fundos acumulados são revertidos em investimentos em melhorias para a comunidade local.
Mas enfim, vai fazer quase 2 meses que estamos aqui vivendo na terra do samba, bunda e caipirinha. Nós moramos coladinhos com a escola de samba da Dona Marta, o muro deles bate aqui com o nosso. Dá até pra ir lá dentro e instagranizar usando o wifi daqui (isso se fosse possível ficar mais de 5 minutos dentro da escola com eles tocando bateria que ecoa martelando nosso cérebro!). É uma maravilha porque, veja bem, eles tocam praticamente todos os dias e nós nem conseguimos assistir um filme. Eu até meio que desisti de tentar ver mais filmes do Ingmar Bergman (aproveitar pra estudar sueco um pouco mais) porque não dá pra ver a morte jogando xadrez numa tela sombria tendo cavaquinho tocando de fundo, né?
galpão da escola de samba Dona Marta

As festas aqui são tão altas que a gente é meio que obrigado a sair na rua para ver o que tá acontecendo, porque é impossível assistir, ler ou dormir em casa. Tem um barzinho aqui na curva que a gente se sente em casa, é só chegar lá que os tiozinho nos oferecem churrasco, enchem nosso copo de cerveja, tudo 0800. É a comunidadji! E o sambão rolando solto e as tiazona mais louca que o Batman puxando o Alexander para dançar e tentando ensiná-lo a mexer a bunda que ele esqueceu na Suécia. E a gente ainda continua achando que samba é tudo igual (e vimos que não estamos sozinhos porque no filme Rio eles também falam a mesma coisa) Aqui tem uma coisa que vale ressaltar, apesar de ser uma cidade de praia, o Rio não transpira aquela atmosfera pela cidade toda pelo fato de ela ser meio grande. 
E falando em bunda, tenho observado muito a população brasileira em geral, e tudo o que eu tenho a dizer é que ela tá gorda (e eu também tô indo nessa onda..). Alexander fala que prefere Brasil, reclama do sol luz de geladeira da Suécia. Mas eu acho que bem prefiro o sol luz de geladeira, o silêncio e pouca gente de lá do que morar no forno, muvuca e barulho daqui! Sei não..
Agora o bicho tá pegando porque eu meio que to vivendo na tensão de conseguir um emprego que satisfaça minhas necessidades momentâneas em pleno festejo de fim de ano. Até vou fazer meu despacho e lançá-lo ao mar porque a coisa tá brava! Eu to me sentindo meio que quebrada porque as duas únicas coisas de valor (não contando os humanos que amo) que tenho são minha bicicleta dobrável que começou a enferrujar por causa da maré e meu macbook. Tipo, só. Nem faculdade fiz ainda e as outras coisas que eu tinha, perdi, vendi, dei um fim de alguma forma. E agora pra começar minha fortaleza, eu tenho que esperar porque me mudo pra Suécia ano que vem mas pra isso dependo do visto de residência que só vai ficar pronto lá por abril (espero eu!). E depois disso eu zarpo pra lá “com a mala cheia de ilusões, vou deixar alguma coisa velha esparramada pelo chão..”. E daí que eu tô numa ansiedade tremenda, me sentindo como se estivesse vivendo em uma bolha entre dois mundos. Dois mundos porque eu não tô com a minha família/amigos/cachorra e nem na Suécia, mas algo em between, pairando no ar. Mas a gente tá curtindo a cidade, explorando quando a preguiça tá domável e sol mais ameno.

pôr do sol no Arpoador.

Gosto do Rio porque mesmo que você não tenha um puto no bolso, a praia é de todos! E sempre tem umas moedinhas que você acaba achando em algum lugar que dão pra comprar uma água de coco e matar sua super sede power depois de uma boa pedalada no sol pela orla de Copacabana.

Mudo de assunto, gosto de azul. Foi muito incrível ver o fim do dia na pedra do Arpoador e quando o Sol se pôs por inteiro todo mundo aplaudiu. Isso é tradição lá. Teve uma noite quando a gente tava subindo o nosso morro rumo a nossa casa na rua dos Bobos, número 0, quando de repente eu vi um bicho andando na fiação do poste eu fiquei boba porque eu nunca tinha visto uma ratazana escalar poste! Mas aí começaram a vir mais pessoas e os tiozinho velho de praça que nos informaram que aquilo ali não era ratazana não e sim um gambá! E dia desses eu vi uma capivara na Lagoa no dia que resolvi ser Forrest Gump e percorrer todos os 7,5 km de percurso.

rodinha de capoeira, Arpoador
MAM do Rio

A gente deu um pulinho no Museu de arte moderna aqui do Reow. A construção é bem legal mas é muito espaço para pouca coisa. Acho que a gente foi em época de vaca magra. Porque, ó, as vezes (na maioria delas, na verdade..) arte moderna é tralha, mas quando dá sorte essa tralha é chique e faz algum sentindo. Mas nas outras.. ela não passa de tralha.

praia de Botafogo e eu pititica

Tem a praia de Botafogo mas ela é poluída por conta das embarcações, assim como a praia Vermelha também é, mas o pessoal parece não ligar muito e se joga na areia e me chama de sereia. Também com esse calor aqui apocalíptico de 200°. Logo ali na praia vermelha, no morro da Urca tem uma trilhinha chamada Pista Cláudio Coutinho, muito tranquila de andar (ela é reta e arborizada), oferece uma vista incrível e se você ficar esperto (e carregar umas bananinhas pra trazer mais “sorte”) você vai ver macaquinhos saguis bem pertinho de você!

Muita gente diz que o Rio é igual São Paulo mas só que com praia, but not. O Rio também tem muito mais área verde do que a capital paulista, onde você tem que camelar pra chegar ao parque Ibirapuera pra tentar limpar os seus pulmões. Mas até chegar lá de bicicleta, você já morreu no caminho atropelado por alguém!

dá uma reparadinha quando chegar nos 2:00 min. Um baita tabefe na cara dos paulistas. Mas eu assumo que tô com uma pontinha de saudade da cidade fedida e caótica, mas acho que essa saudade vai passar no dia que eu tiver lá por 5 minutos no trânsito sendo asfixiada pela fumaça dos carros estuprando meus pulmões.
Jardim botânico

Pela primeira vez uma árvore muito singular, a tal “bread tree”. Ela parece estar sempre enfeitada para o natal porque ela tem umas bolas gigantes e florzinhas meio avermelhadas. Vi também, pela primeira vez, ao vivo e a cores, vitória régias no Jardim Botânico.

cemitério São João

Já falei que no cemitério São João estão enterradas várias personalidades brasileiras, tais como Cazuza, Vinícius de Moraes, Zuzu Angel, etc. E tem um fato um pouquinho curioso, eu sabia que o Oscar Niemeyer estava internado em um hospital aqui em botafogo mas nem tchum que era perto aqui de casa, até uma noite quando eu e Alexwonder estávamos voltando para casa quando vimos várias vans de televisão estacionadas em frente ao hospital. Aí, dois geminianos unidos, curiosidade pra mais de metro, fomos lá perguntar de bituca para o pessoal das tvs o que tinha acontecido, porque tava todo mundo ali, e ele falou sabe o Oscar? Sei. Então, morreu. Foi uma pena, porque eu to seriamente pensando em estudar arquitetura, design e afins e queria muito bater um papo com ele depois que eu graduasse (isso daqui a uns 20 anos ainda). Mas agora é sério, o Oscar foi uma pessoa que podia ter vivido mais 104 anos, fazendo mais coisas fantásticas pra humanidade.

né, não?

Vale muito a pena assistir ao documentário “A vida é um sopro” e admirar a simplicidade do tio Oscar. E eu fui lá no enterro dele, já que moro grudada quase no cemitério São João e acabei encontrando a caravana da Bea, minha amiga de Itapê e saí na Folha de São Paulo. Mas a imprensa estava igual urubu durante o funeral, de início a ideia era ele ser fechado somente a familiares, mas aí desistiram porque a imprensa estava muito invasiva e não queria perder um click por nada. Tocou a banda de Ipanema e o Oscar foi sepultado durante o pôr do sol. Pessoa ilustre, mais um gênio que se vai.

oscar, cruz e eu

Hoje o Alexander voltou da aula me dizendo que viu um filhotinho de baleia morta em Ipanema. E isso me deixou muito triste só de lembrar que isso é uma coisa que sempre acontece, mas que nem sempre vemos. Eu trabalhei em navio de cruzeiros antes e fui informada dos danos que eles causam no fundo do mar.. imagina se um barquinho chinfrim já é capaz de destruir corais, imagina um monstro com uma hélice gigante o que não é capaz de fazer.

:vergonha de nós!

Pra uma vida passiva, até que ela ta badalada.

Hello, goodbye!

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