devaneios

SO..CO…rro!

Resumindo acontecimentos desde o dia 1 de janeiro. Dia 1 a  gente pula porque foi de total ressaca. No dia 2 comecei a trabalhar em um restaurante chiquéééérrimo (but not) em Santa Tereza. Pra quem não sabe Santa Tereza fico no morro, era onde tinha o bondinho que ia para o Cristo e passava pelos Arcos (fedidos) da Lapa (porém bonitos na foto!). O restaurante era meio “é cilada, Bino” para gringos. O lugar era bem bacana, com uma vista bem legal, com mesas na árvore.. coisas desse tipo. Mas o zóio da cara. É quase impossível sair de lá sem deixar um salário mínimo pagando só por duas pessoas. Só um pastelzinho custa R$24. RUN FORREST, RUN! E daí que tudo bem que é caro, não sou eu quem vou pagar mesmo.. mas o problema é que os 10% nem vinham para a garconetchy e o lugar era chato pra inferno. Era passar a existência polindo taças, e diferenciar garfo de peixe, garfo de carne e garfo que eu ia atirar na cabeça do gerente mais chato do mundo. Pensei que só os novatos ficavam no polimento infinitum mode on, mas não.. tomo mundo ficava nessa chatice.. ô lugar chato da p…. Sem contar que  se pagam todas as penitências quando se sobe o morro. As vezes o ônibus quebra e se tem que subir o resto a pé e pra voltar a noite sem carro é o caos. Ou dá ou desce, beib. O restaurante é tão caro que até a Madona só ficou na caipirinha quando foi lá. Mas é sério, pode ser o que for, mas ficar em lugar chato com pessoas chatas eu não consigo. Eu me mato! E daí que mesmo vivendo no negativo eu disse No-no-no! E enquanto esperava as pessoas me ligarem para agendar uma entrevista eu ficava bundando na praia, vendo no horizonte se o vendedor do mate, açaí, o globo ia voltar. OLHA O MATE OLHA O MATE. GLOBOGLOBOGLOBO! ÁAAAAGUA, COOOOOCA COLA, CEEEEERVEJA. Esfiiiiiha do MUHAMAD, O LE-GÍ-TI-MO! É meio que impossível relaxar nas praias do Rio (a não ser que você tenha dormindo de bêbado na areia), porque fica todo mundo – tipo, os vendedores – ficam, literalmente, gritando na sua orelha e uns até tem microfone. Como o Alexander cismou em começar a gostar de fazer body surfing, eu tinha que ir lá no fundão do mar pra tentar ficar com ele. E até chegar lá eu já tinha sido atropelada por cinquenta tsunamis. Mas acho que a primeira quinzena do ano foi de total bundação, onde, basicamente, a única preocupação existencial era se eu peguei mais bronze na frente ou atrás. Mas não tinha caído a ficha que meu swedish lova lova ia-se embora logo. E daí que antes de partir para a geladeira sueca, ele tinha que ir para a cidade dos meus pais, Itapetininga, para pegar as coisas que ele deixou lá.. isso significava que ele ia embora mais CEDO e daí que eu parei de comer (na verdade, parei de comer porque tô com virose… “cidade maravilhosa.. cheio de encantos meus..”). Já até fui dar voltinha no hospital. O bom de ficar doente assim é que eu to emagrecendo na velocidade 20kilos/dia. Mas daí me ligaram do Copacabana Palace bem na hora, tipo na sexta, dizendo pra eu levar o mundo e o fundo de documentacão na segunda de manhã. Oi? Oi? E daí que eu queria levar o bofe pra Itape, ver todo mundo. E daí que eu tava toda borocoxô do Alexander ir pra lá sem mim e logo em seguida ir embora. E eu bem que me conheço, sabendo que ele ainda estaria em terra tupiniquim, eu bem que iria de última hora na louca dar outro tchau pra ele.. e daí que resolvi 4 horas antes de ele ir pegar o busão para Itape que eu também iria!  Foi tipo, sair daqui às 9 da noite chegar em Itapê quase 7 da manhã, igual um zumbi semi inconsciente, dormir um tico ir almoçar com a família na cidadezinha da vó, a noite voltar pra cidade natal, fazer malas, curtir um tico a família. Mas foi tão bom dormir em uma cama de verdade, com lençóis de verdade, sem barulho, sentar na mesa para comer (eu não sei o que é comer na mesa dentro de casa faz um bom tempo porque aqui na casa da favela.. já viu). E daí que a gente até foi premiado em dormir na king size bed da mama tchama! Foi muito divertido porque deitou eu, alexwonder, papi, mami, todos na mesma cama tranquilamente e ainda com espaço pra Mel pular na gente (mas ela tá velhinha e não consegue mais pular). E daí que tá sendo muita angústia, porque logo na segunda já viemos pra Guarulhos deixar meu lindão rumo a geladeira. E foi muito estranho, pra variar. E eu odeio aeroportos – só gosto quando tô saindo de férias rapidinho.. mas não pra despedidas. Mas a questão não é só a de que eu vou ter que ficar sem ele por alguns meses, é também o fato de que quando eu ir pra Suécia vai ser pra valer, vai ser para morar lá e eu não sei quando vou voltar para ver todo mundo no Brasil porque ainda não ganhei na loteria. E eu acho que vai ser assim daqui em diante.. saudade da família, amigos ou saudade do bofe. E eu to tentando me controlar emocionalmente. Mas nem chocolate tenho vontade de comer por conta dessas coisas que estão tirando férias dentro de mim. Só sei que foram 294894839 km percorridos em 2 dias e eu tô só o pó. Hoje assinei minha contratação no Copacabana Palace e começo a trabalhar no restaurante. Então fica aí de bituca que quando sair algum famozão curtindo a vida adoidado no hot hotel na capa de algum jornal dá um zoom pra ver se eu não tô de fundo. Mas vejo que será em breve o dia em que virei contar aqui quando derrubarei vinho tinto seco na camisa do Al Pacino. Oopsh. Mas espero que esse (o trabalho no Copa) seja um passatempo bom enquanto aguardo a saída do meu passaporte novo e visto de permanência sueco. Enquanto o bofe me mostra montes de neve eu quase morro desidratada desse lado do planeta. Amanhã vai ser meu primeiro dia de trabalho e espero que eu consiga segurar as pontas aqui.

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