devaneios

here and there: the loneliness issue

o tempo vai passando e eu vou me enforcando nele. Sabe aquela coisa de “corra, Lola, corra”?! Então. Já vi que essa é uma coisa que tá sempre na minha vida, tô sempre vivendo no pau da viola. Agora só tenho mais um mês de Rio de Janeiro. Um mês para conseguir meu personnumber da embaixada sueca, o RG dos vikings. Eu só paguei o aluguel até maio. E minha experiência no Copacabana Palace termina agora dia 16. E se eles não renovarem meu contrato vou ter que catar coquinho em outro lugar até meu visto sair (se ele não tiver saído até lá). E eu fiz uma merda power de ter comprado carta de habilitação no Peixe Urbano e me caguei toda pq além de eu ter comprado duas vezes (o site não deu compra concluída, fui lá e cliquei de novo) e lugar pra tirar a carta era muito zoado. E daí que pedi pra eles estornarem a compra e daí que agora toca o som “brasssiiil-meu-brasil-brasileiro”e eles não cancelaram. E dai que ta na minha fatura 1600 reais anos-luz pra eu pagar. Ou seja, não vou poder comprar uma bala, a não ser que seja a prestação.
E nesses quase 3 meses que fiquei sem dar as caras aqui, eu mudei de casa mais duas vezes. Do Rio de Fevereiro para o super Reow de janeirow de fato. Leblon é tudo de bom, só é o zóio da cara e os preços são uma piada. É de dar vontade de virar corrupta. Eu atendi o Jorge Ben Jor no Copa, vi o Morgan Freeman em carne e osso, vi vários caras da Fifa que nem sabiam que eram da Fifa porque acho futebol um saco. E sempre atendo a louca da Narcisa. Eu nem sabia quem era ela até o dia que ela invadiu a cozinha vestindo bikini falando “amor, que é que tem pra comer aqui?” Ela mora ao lado do hotel, e vez ou outra ela aparece gritando na janela.

Acho que vale a pena pelo menos ver um trechinho.. eu não me importo com a ideia de dizerem que ela é fútil, ela é muito das loucas. Eu acho que se fosse rica seria igual ela.. se pobre já sou assim… haha

Ah, tentaram roubar minha bicicleta e quase levaram o poste com ela.

Eu acho que fui enrolado a minha mudança pra Suécia porque a vida aqui tá muito boa e eu me apaixonei pelo Rio. Quem não? A coisa é que eu to morando a duas quadras da praia quanto da Lagoa R. de Freitas. E isso pra mim é estar no céu. Mesmo quando acordo, sei lá, 12:30 ainda dá tempo de ir pra uma caminhada pela praia e nadar lá no arpoador, boiar, pensar na vida e ir trabalhar. E na volta pra casa, eu venho de bicicleta porque todo o caminho do Copacabana pro meu ninho é pela ciclovia pela praia, aí eu paro comprar coco no quiosque e venho escutando musiquinha. Isso a uma da manhã. E ps. acho que todos os quiosqueiros são todos traficantes.
Então, é meio foda de pensar que daqui sei lá, no máximo 2 meses minha vida vai ser viver sob camadas de roupas e fugir das frestinhas porque o frio é de cagar bolinha preta. Mas eu tô doida pra ir pra lá porque toda vez que ouço  suecos falando por aí eu vou lá de pára-quedas “är du svenska”? meu sueco ainda é bem macarrônico, ainda esgasga na guela e eu não sei quase nada, me embanano toda. Mas a gente tenta. Dia desses apareceu um casal de suecos que me deixaram trezentos reais de gorjeta, parecia um leque de notas de 50. Coisa linda de se ver. Nada mau e olha que quebrei a rolha do vinho deles. Mas trabalhar lá é uma punhetação porque durante aqueles dias de calor de rachar, lá tô eu vestindo saia pelo joelho, meias calça em pleno Rio de Janeiro 40°, caamisa fechada vendo o mar de um lado e aquela piscina hollywoodiana de outro (onde até Lady Di já mergulhou). Mas não é tão fácil ganhar gorjetinhas não, as vezes vem uns filhos da p e fala “keep the change”e quando vou ver sobraram, tipo, 20 centavos. E ah, eu acho que tô virando uma orca porque quando retiram os doces do buffet eu não resisto ao carrinho de doces e é no mínimo um creme brûlée. Mas o Rio ainda me assusta, e eu vivo paranóica porque muitas coisas acontecem ao meu redor e eu desligada tento ficar esperta. Um dia é a hostess do restaurante que é atacada por um pivete voltando pra casa, no outro é a menina que mora comigo que é assaltada dentro do ônibus as 4 da tarde aqui no Leblon e agora essa história nojenta do casal de gringos que foram assediados e violentados nessas vans que andam por aí que eu pego as vezes. Eu tenho um kit assalto e vivo botando meu Iphone no sutiã. E eu tô tão aaaaah, cansada as vezes que quando pinta um famosão na área eu nem sou mais tiete, última vez eu fugi de atender a Gal Costa, só botei o cardápio na mesa dela e fui embora. Eu podia ter visto o Tom Cruise mas não quis, tá? As vezes, quando eu termino de atender uma mesa vem fulando falar e ai atendeu bem o ciclano? que ciclano? como assim que ciclano, ele é o jogador tal. Eu nem me ligo. E no dia que vi o Morgan Freeman o mundo parou por 5 segundos, não que eu ligasse muito, mas ele é o cara, ele é o dono da voz enfática digna de respeito. Deu uma vontade de falar “dooo the dance!” pra ele. Mas foi muito lusho, me senti como se tivesse vendo uma cena da entrega do Oscar, ele vestindo tuxedo passando assim, do meu ladinho com a mulher dele vestindo um longo preto, ao lado da piscina e simplesmente, todos os mortais que estavam nas mesas giraram o pescoço pra ver ele.. e depois que ele se foi, eu disse pra minha mesa mais legalzinha “God just passed!”. Pena que não posso pedir autógrafos, tirar selfies, pedir para eles mandarem beijo pra minha tia porque dá justa causa.
taí minha peixão.

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