devaneios

somalianos, rio de janeiro e meu visto

Passei um perrenque danado nas últimas duas semanas. A coisa começou quando recebi um email bomba da imigração sueca depois que mandei o último documento faltante pra fechar a lista kilomêtrica de coisas que eles me pediram.. oks. “Brunitinha linda do nosso coração, seu lindo visto sueco vai demorar mais uns 3-5 meses para sair porque resolvemos dar prioridade aos refugiados somalianos e agora nosso desk atolou! Como você não sofre nenhum risco de vida (muito enganados eles, eu moro no Rio de Janeiro, entendeu.. cada dia é uma aventura), a gente vai te deixar de lado. Segura a ponta aí trabalhando no restaurante indo dormir 4 da manhã, acordando meio dia de muito mau humor pra ir trabalhar as 3 da tarde e reclamar todo dia que não tem vida.. continuar chorando as pitangas todo domingo quando vai trabalhar enquanto todo mundo vai pra praia” Foi mais ou menos isso que eu recebi deles. E daí que descabelei porque eu não podia entrar na Suécia durante o período de aprovação do meu visto. O meu tipo de vist é por laços familiares, eles chamam casos assim de juntar os trapos de “sambo”, eu prefiro chamar de samba. Nem o Alexander loverboy poderia vir pra cá de novo porque ele esgotou todas as férias dele nesses últimos 5 meses que passou comigo na terra do Sol. E daí que completei 3 meses no Copacabana Palace, e isso significa que a gente não se vê por esse tempo todo.. porque comecei a trabalhar um dia depois que ele voltou para Gotemburgo. E daí que a gente teve que recorrer a planos e planos alternativos. Ir pra Noruega e entrar na Suécia de carro porque ali não ia ter fiscalização. Essas coisas assim. Mas achei meio macumbado fazer isso. Até que. ATÉ QUE ele recebeu a cartinha dizendo que meu visto foi aprovado! (antes do tempo!) Ou seja, aquela punhetação do caso somaliano foi um estresse desnecessário (na verdade, fiquei torrando os agentes da imigração pra acelerarem meu caso porque eu preciso comprar um cachorro, mudar para uma casa de verdade, comer em uma mesa de verdade, essas coisas). E daí que agora é sério. O bagulho é doido. Eu tô mesmo indo e a ficha não caiu direito, porque eu ainda tô no clima tropical do Reow de Janeirow. E tô cumprindo aviso prévio de um mês no hotel para depois ir pra São Paulo no dia 18 de maio, ver azamiga, depois fazer a cruzada para o interior ver todo mundo até ficar enjoada porque não faço a mínima ideia de quando vou poder voltar ao Brasil pra ver meus queridos e daí eu me vou, assim. Agora pensa, eu tô surtando. Cada dia é um dia a menos, esse tem sido o pensamento. Tô vendo o que eu vou dar, o que vou ter que comprar (tipo lá não tem chá mate, e eu sou viciada.. lá não tem maracujá! não tem coco! não tem açaí, não tem.. não tem pal-mi-to!!)

Eu eu descobri que realmente moro no point onde as coisas acontecem.Tipo, em São Paulo eu morava em moema, grudada no aeroporto de Congonhas. Conseguia ver a pista da sacada do meu quarto e os aviões decolando, falar no skype era uma luta. Depois aqui na favela Sta Marta, morando grudada na escola de samba. Podendo dormir tranquilamente só depois das 3 da manhã quando o samba não tava tão empolgado e acordando as 10 da manhã com o pagode malandro das barraquinhas, querendo estrangular todo mundo me perguntando que foi que fiz de errrado nessa vida. E agora moro no Leblon, bem na rua onde eles fecharam para as obras do metrô que fazem parte da maquiagem que tão dando na cidade pra receber os jogos olímpicos. E tipo, é acordar com pipipipi maldito todo santo dia e britadeira, e trabalhador gritando, um caos. Seriously, tô ficando louca. Mas daí eu penso. Um dia a menos, um dia a menos. Mas ao mesmo tempo não quero que o tempo voe assim loucamente também, não. Porque só vou ter um titico de tempo pra ver minha família e amigos que já estão quase me deserdando porque nunca vivo por lá e perco todos os acontecimentos.. mas ao mesmo tempo eu me sinto meio lesada sem ter meu namorado por perto. E é um saco solidão, já comprei todas as revistas interessantes possíveis, alimentos felizes, essas coisas.. mas não funciona. E do jeito que tá a coisa eu não vou só direto para os braços do amado, vou para as pernas também! Aloca
E são coisas extremas porque é pisar na Suécia e começar uma vida do zero, vai ser pura diversão (nem tanto quando chegar o inverno e escuridão com aquele vento polar e 5 metros de neve na porta da casa). Vou ter que aprender sueco na velocidade 5, ver qual faculdade quero fazer mesmo, estudar matérias de vestibular tudinovo, fazer amiguinhos, levar o cachorro fazer xixi toda manhã, não dormir 15 horas por dia e nem comer todos os godis suecos – godis são os docinhos suecos ( Nádia, minha amiga, uma vez disse que eles eram tão ruins que eram o gosto da maldade), feitos geralmente de anis, que eu sou viciada e me vendo muito barato por eles. Em todo supermercado tem pra você comprar aos montes. Vai ser uma grande luta não entrar no ciclo urso num país tão frio e vou ter que achar uma saída pra conseguir tomar café.. comigo meio que não funciona tomar café, primeiro que o cheio me dá ânsia e segundo que eu acho que faço xixi de café.. não funciona. a parada comigo é mate, chimarrão, essas coisas.
Eu estava pensando com minhas bolas tentando ver em quantos tetos morei nesses últimos dois anos e foram muitos deles, e ainda não paro por aí, depois que me mudar pra Gotemburgo, vamos dar um tempinho por lá pra depois irmos pra Estocolmo de verdade. Ainda me pergunto quando é que vou ter minha casinha de verdade e ter uma vida de pessoa normal. 

 

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