devaneios viagem

Parrí (ou pra chorá?)

 Bom, para variar, aconteceram um milhão de coisas novas nesses últimos meses. Tô me sentindo igual cachorro quando cai de caminhão de mudança e mal sei por onde começar! Vamos dar nomes aos bois!
  • faz quase 4 meses que me mudei pra Suécia (o que já parece uma eternidade pra mim!)
  • Dei um pulo em 3 grandes capitais que eu não conhecia antes: Paris, Amsterdam e Oslo
  • Comecei meu curso de língua sueca
  • tô grávida, xenti. WHAT?!!!!!
Bom, eu quero falar de tantas coisas que vão render assunto pra manga. Mas vou tentar ser breve nos assuntos. (porque são coisas que eu não posso deixar passar batido!)
 

Paris
 Bom, que todo mundo fala que Paris é linda e romântica, a gente já tá careca de saber. Mas só indo até lá pra saber o quão estressante aquela cidade pode ser! Acho que a gente gastou mais tempo dentro do metrô gigante de Paris do que na própria cidade. A gente ficou na casa de um amigo do Alexander, na L’île de Saint Denis, no norte da cidade. A casa dele não ficava tão longe do centro, mas a gente gastava tanto tempo dentro do metrô sendo arrastado pela multidão sem fim de pessoas correndo pra lá e pra cá, de enlouquecer. Era pura via sacra chegar ao centro da cidade. a gente tinha que andar até o trem pra pegá-lo até a estação, de lá a gente ia para o metrô e se perdia nas linhas gigantes e imensas. Sem contar naquele cheirinho clássico de cc coletivo!

     O bairro em que ele morava era meio que o gueto organizado de Parrí, era um antigo bairro muçulmano. Tanto é que um dia a gente foi tomar café por lá, e eu pedi pra usar o banheiro do lugar. O-key. Ficava lá no fundão, dentro de um corredor gigante, sem luz.. aí tive que usar a lanterna do celular pra saber onde eu tava e descobri que o banheiro era *muslin style*, ou seja aqueles que só tem um buraco no chão.
 
Tive que dar uma chacoalhada básica no Alexander para ele ser um turista mais ativo, ele já foi umas dez vezes pra Paris e nunca tinha ido ao Louvre, por exemplo (e nem o amigo dele que nasceu lá e mora há 40 anos!). Bom, eu sou super clichê nessas coisas de visitar os must go dos lugares. Seu corpo fica podre, moído porque você quer ver tudo, quer andar por tudo até anoitecer e quando chega a noite, você quer festar. E como transporte em Paris é caro, forget about getting a cab! O mais em conta é comprar o bilhete de metrô+trem para vários dias. (5d custa €17,50).
E você é obrigado a se virar nos trinta! Quase ninguém fala inglês (ou sabe falar e não quer porque acha feio!), aí você tem que arriscar a falar francês. Trés tenso! Um dia a gente resolveu ficar na rua até mais tarde e pegar o último trem pra casa, só que a gente errou na última estação e tivemos que descer em uma desértica, onde não existia ônibus, taxi, nada! A bosta é que o metro pára de funcionar muito cedo, por volta de meia noite já parou de funcionar.. só nos finais de semana rola uma hora a mais de consolo. Aí tá, a gente olhou no mapa e viu que se a gente fosse andando pra casa iam pegar a gente e vender nossos órgãos pro mercado negro. Mas mesmo assim a gente resolveu ir a pé até onde dava, ficamos mega perdidos. Não passava nenhum taxi, e se passava não parava. Começou a ficar frio, a gente com fome, mal humor até umas horas.. aí veio a polícia parar um carro.. e a gente foi lá tentar falar com eles (rolou mais mímica do que qualquer outra coisa!) JE SUIS TOURISTE, JE SUIS PERDÚ!! ahahah.. enfim, os guardinhas da moto pegaram a lanterna de mão deles e ficaram fazendo ronda pra gente conseguir pegar um taxi! E conseguímos!
Só sei que se tem que ir a Paris inúmeras vezes pra poder curtir a cidade de fato. No começo, obviamente, a gente quer turistar ao máximo, e as vezes é impossível escapar das filas! Eu me informei antes e vi que dava pra entrar no Louvre sem ter que enfrentar aquela fila monstruosa, e o Pompidou também!
Tudo em Paris é imenso, a gente só consegue captar um pedacinho das coisas. O Louvre, por exemplo, é preciso sei lá, anos pra conseguir digerir tudo que tá lá dentro .Ok que dá pra ver todas as obras em uns 4 dias.. mas a maioria das pessoas só vê em um, e no final tá morto e não aguenta mais ver arte pela frente. “Oh! Uma múmia de 2938294839 anos atrás. Le-gal”,
 
O caso Mona Lisa
Bom, eu tenho que falar sobre isso. Ela é a musa da arte. Na verdade, eu acho que existem quadros muito mais interessantes e bonitos do que ela.. mas ela é famosa pela polêmica que gera. Enfim, ela é a mais cobiçada pra ser vista no Louvre. Todo mundo fica lá em uma sala gigantesca tentando encontrar o melhor ângulo para poder fotografar o quadro (que é bem pequeno, por sinal!). Eu cansada com essa história toda, propus fazer um top less pra animar o dia haahahahaah.. “já que tava lá sem fazer nada!”. Só que na hora, deu um certo cagaço, obviamente, por que tem uns seguranças perto da Mona e eles podiam muito bem me botar pra fora (eu ainda queria ver a Venus de Milo, sascoisa). A gente só queria bater uma foto pro álbum de família e dar no pé. Foi questão de 2 segundos, abrir a blusa, clicar e fechar. E detalhe que tinha uns mulequinhos bem ao lado do Alexander.. eu falei pra ele “there are children here!” Ele não tava nem aí e começou a ficar p, ai resolvi deixar de cu doce e fazer logo a foto 🙂
Nosso plano era fazer todo o percurso até Varsóvia e de lá voltar pra Suécia, mas naquela muvuca de entra e sai de trem, um elemento* muito mão leve roubou a carteira do bolso do Alexander. Aí zicou legal, cartões, identidade/carteira de motorista.. os tickets de trem, dinheiro, tudo lá! Aí gente viu a viola em caco e teve que ficar dependente do western union pra sacar dinheiro (o que demorou pra gente poder pegar). Sem contar que a taxa de saque era alta (€60) e a gente pegava quantias razoavelmente altas, o que nos dava uma certa paranóia do tipo  “onde vamos guardar?”..Também tínhamos trazido muitas coisas nas malas, não cabia mais nada dentro delas.. e acabamos gastando mais do que o planejado. Aí assumimos que não estávamos devidamente preparados pra seguir a viagem até o final.. depois de Amsterdã ainda faltava Berlim, Cracóvia e Varsóvia.. Aí achamos melhor desistir e fazer isso mais pra frente com mais planejamento. 
Fica uma bela dica pra você seguira na lata: nunca, mas NUNCA mesmo, vá a Paris turistar durante o verão! Tudo fica absurdamente lotado – sem contar que faz um calor do cão também! E por conta disso a gente acaba se frustrando e cansando de ver gente pela frente! Vou dar um exemplo, a gente foi visitar o Palácio de Versalles (ele fica a 20km da cidade – pra não dizer na puta que pariu..), pra entrar não tem como escapar da fila kilométrica no sol (sem exageros!). Mesmo tendo comprado os bilhetes antes.. tem que ficar lá fritando no sol movendo a 2km/h. Aí não parou por aí, a gente entrou no castelo e tava uma sauna lá, pior do que metro da Sé em horário de pico, tinham japoneses sendo cuspidos pelas janelas. O que era pra ser curtido acabou virando tortura. Aí a gente optou em ir lá fora nos jardins, que eram maravilhosos e que fizeram valer a pena a nossa ida até lá.. apesar de tar um calor do cão! (e eles serem enoooormes). E os sanduíches que vendiam lá dentro era  mais pão do que qualquer outra coisa.. um panini por €8 recheado quase só por ar. Acho que calor só é bom quando se está na praia de bikini, caso contrário, a gente tem que ficar correndo do sol.
Confesso que pirei muito mais quando consegui achar minha loja favorita (a Forever 21, que ficava lá nos cu dos Judas de Paris) do que a Torre Eiffel! haaaaa

Uma coisa que eu fiquei na cabeça e queria muito ir visitar eram as Catacumbas (mesmo que a versão aberta ao público seja bem turística). Eu achei incrível – e um tanto creepy- a ideia de resolverem colocar os restos mortais das pessoas que estavam enterradas nos cemitérios durante o século XVIII. Fizeram isso por questões sanitárias e de super lotação. Aí resolveram botar as ossadas nos túneis que haviam debaixo da cidade (que tem uma extensão enoooorme!!!!) Os túneis são localizados muito além do que sete palmos de terra. Ficam a 20 metros de profundidade. Falando assim não parecem ser tão profundos, mas eles ficam bem abaixo dos metrôs, por exemplo. Nós fomos no nosso último dia e tivemos que enfrentar uma fila de, sem brincadeira, 3 horas pra poder entrar (já que eles não vendem bilhetes on line). Cômico foi quando eu pedi pra que o Alexander fosse pra fila enquanto eu ia procurar um banheiro, aí quando voltei fui para o começo da fila, ou seja, na entrada das Catacumbas, mas aí quando olho na esquina vejo que o final da fila era lá, ou seja, ela dava a volta no quarteirão! HÁ! Mas acho que vale muito a pena. Acho que foi a maneira mais simples de eu ter tido contato com a morte. Lá embaixo só há silêncio e escuridão. Dá uma certa angústia mas ao mesmo tempo desperta curiosidade. É um mar de ossos gigantesco, e alguns crânios até foram arranjados artisticamente para, tipo, formarem um coração. A conclusão mais simples que se pode tirar é a de que a vida é fugaz demais.

Dicas antes de ir a Paris:
Assista: Paris Je t’aime e 2 dias em Paris (esse filme dá pra captar muito o jeitinho francês!)
Foi aqui que consegui informações valiosas do tipo entrar em museus sem enfrentar filas.. e que moradores da união européia abaixo de 25 anos tem entrada gratuita em vários lugares culturais – tais como Louvre, Pompidou e Versailles.
Acho que é mais ou menos isso.

Aqui vão algumas fotos na cidade da baguete!

um lindo souvenir do Pigalle! 😉
 

 

restaurante da Amelie, fofo dimais.
 
É isso aí. Bisou!

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