viagem

voltei das Índias!

Namastê, bitches! (tava doida para soltar essa frase)

Gente bonita, super peço desculpas porque sempre deixo juntar teia de aranha por aqui. Juro que vou tentar dar um jeito nisso mas eu to numa super correria infinita. Sério! Eu estava louca para vir postar aqui enquanto estávamos na India (até tentei fazer uns videozin), mas a internet de lá era super mega ruim e sem contar que a queda de energia era constante aí eu ficava dias com os aparelhos descarregados. E como não curto escrever textão vendo em tela pequena acabei desanimando.

Mas agora estoy aquí.

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A gente passou 6 semanas na Índia (mais precisamente no sul do Estado de Goa). E tipo, para mim foi mais como ter visitado uma praia no Brasil com um toque indiano. Essa parte é a que eles chamam de India light, acho que lá eles deram um tapa para receber os turistas. Goa fica no lado oeste do país e também foi uma colônia portuguesa mas ninguém mais fala português. Tava até cogitando a ideia de encontrar umas coxinhas.. Mas muitas coisas ainda tem nomes de origem luso. E eles vez ou outra soltam alguma palavrinha em português.

Antes da gente embarcar, eu estava surtando porque vamos considerar que a India não tem uma fama lá muito boa para se viajar com um bebê de menos 2 anos. Em todo canto que eu pedia por dicas de viagem para a india com um bebe as pessoas falavam que eu era louca e que era para eu não ir.

Sinceramente, para mim não foi assim tão interessante porque as nossas praias do Brasil são bem mais bonitas. Mas só pelo fato de ter areia fofa, Sol all day long e praia sem ter que estar na sofrência do inverno sueco já era super ótimo. Foi uma viagem de fases. No começo eu detestei muito, queria muito voltar para a casa. Se no Brasil era ruim de ir pra lá e pra cá com um carrinho de bebe na India foi pior ainda. Era tipo pós apocalipse adventure. Sem contar nas vacas e búfalos vindo em nossa direção. A luz acaba a toda hora, então tava lá a gente no meio de um corredor todo esburacado, com chão de areia misturada com aquela terra vermelha e ruínas de concreto, segurando carrinho, bebe, bolsas, procurando a lanterna e daí pinta uma vaca no meio. Isso era uma coisa que acontecia todos os dias. Sem contar que a agua também poderia faltar a qualquer momento. Tinha até um balde com uma jarra de plástico no banheiro (foi assim em todos os lugares que ficamos). A gente quase mudou a passagem mas dai comecei a ver a galera postando fotos na minha timeline dizendo que estava fazendo menos 18 em Estocolmo aí resolvi abraçar o capeta. E é muito louco porque dezembro é inverno lá e se fazem quase 35 graus durante o dia (mas na região da Kashemira fica bem frio, quase estilo Suécia) e nunca chove durante essa época, acho que as chuvas ficam reservadas só para o período das monções. Graças a Ganesh, Shiva, e afins ninguém ficou doente. E olha que eu peguei o Benji com uma moeda indiana enfiada na boca! Os indianos adoram fazer uma queimada, então quase toda hora vem um fedor de plástico sendo queimado.

Nós fomos bem cuidadosos na escolha de onde comer. A maioria dos restaurantes usavam água filtrada no preparo dos alimentos. E tinha curry de todos os tipos e cores e pelo menos uma vez ao dia a gente comia algum prato com curry. Obviamente a coisa que fiz quando voltei para casa foi perguntar para a primeira pessoa que encontrei pelo caminho se eu estava cheirando a curry! 😛
Os passeios turísticos oferecidos dentro de Goa não eram lá muito atrativos porque tipo, para se ter uma ideia a primeira coisa na lista do trip advisor está uma igreja colonial construída pelos portugueses, a gente não ia pegar um trem para cruzar o Estado com a tralha toda, bebe e papagaio para ver uma igreja que eu tenho na minha terra! E dai pensei em ir fazer um tour de elefante numa fazenda de especiarias mas dai comecei a cavocar o Google e cheguei a conclusão de que eles sofreram torturas a vida toda para poderem servir os turistas. Eu não queria alimentar esse mercado. Então preferi ficar de boa aonde estava mesmo.

O que eu vi em Goa foi só uma pontinha do Iceberg que a India oferece. Juro que me senti tanto na minha adolescência com aqueles terceiros olhos, tatuagem de henna, leitura das mãos, cartazes oferecendo tererês, até jogar can can todas as noites enquanto esperávamos pelo jantar na praia a gente jogou. Eu me enfiei em todo o tipo de coisa hippie transcendental que encontrei! As roupas, as pulseiras, os bagulho todo. Até leitura dos olhos tibetana eu fiz (até então nem sabia que isso existia). Fui até num festival da cura. E obviamente que não comi carne vermelha durante a viagem. Não comi porque não sou muito chegada e outra aquelas vacas todas pelo caminho querendo um carinho deixa qualquer um com a consciência pesada. Fiz consulta com uma medica ayrvédica (é assim que se fala?), soltei a franga com os tambores shamanistas. Depois que descobri o significado de ¨shanti¨ (do sâncristo: calma, alegria, tranquilidade..) quis que tudo meu tivesse isso impresso! Até comecei a dar mais bola para o poder dos cristais depois que segurei vários na mão e senti um troço diferente com cada um deles. Quis trazer todos para a casa e agora quero ter uma mina deles! Experimentei ir em um dentista que cantava durante a consulta. Goa também é famosa pelo turismo dental (tem cada coisa nesse mundo, gente), os tratamentos lá são umas 3 vezes mais baratos do que aqui na zooropa. E tive a infeliz experiência de ter ido na pior cabeleireira da minha vida. Quando eu fui viajar sabia que precisava de um corte de cabelo e deixei para arriscar fazer isso quando chegasse na India porque ia ser bem mais barato do que aqui.

Tá, fui lá procurei no Google por indicações e achei uma tal de “Vanessa pérola” e ainda escrito que a gente não deveria deixar passar essa oportunidade de dar um pulo no salão. As fotos do site pareciam ser de um salao profissional. Tá, fui para a rua e peguei um tuc tuc e fui encontrar a tal Vanessa. Eu pedi para ela cortar o meu cabelo como sempre costumo cortar: deixar bem mais comprido na frente. E o que ela fez? Passou a tesoura ao contrario! Ficou muito super mais curto na frente, tipo corte v só que muito toscamente feito. Meu cabelo estava bem abaixo no ombro. Eu não sei mas andei desenvolvendo uma paciência de Buda ultimamente, só pedi para ela terminar de cortar do jeito que ela queria, paguei 100 rúpias (13 coroas= uns 5 reais). E ah, para não esquecer de falar que as fotos que estavam no site do salão não eram reais. Cheguei no hotel olhei no espelho e vi que nem retas as pontas estavam. Nem um corte channel ia salvar aquilo ali. Acho que uma coisa que deva ter se passado pela cabeça de toda menina é ¨como será que eu ficaria se raspasse a cabeça?¨. Desde adolescente eu pensava em fazer isso uma vez na vida e escolhi esse o momento. Era perfeito, meu cabelo estava cagado, eu virei mãe e não tenho tempo para ficar 1 hora e meia em frente ao espelho tentando fazer a juba mais sociável, estava em um lugar onde ninguém me conhecia e não tinha nada importante programado para esse ano. E também porque finalmente vou conseguir fazer a minha cirurgia ortognatica que foi tão impossível de conseguir no Brasil. Eu sempre brincava que se eu conseguisse que algum convênio de saúde me desse carta verde para fazê-la eu rasparia a cabeça. Entendeu, né. Esse era o momento. Fui pra rua e achei um barbeador e falei ¨pó rapá ¨ dando aquela chacoalhadinha de cabeça que os indianos fazem.

Claro que ele me perguntou se era isso mesmo que eu queria da vida. Eu tinha certeza disso mas um gelinho subiu pela minha espinha. Ele cortou tudo e depois veio com a maquininha. Eu tremi, sério. Mas foi um alivio, uma felicidade. Era como ter se livrado de um carma ruim. Eu não pensei muito em como ia ser depois. Mas parecia que ia ser uma vida nova pela frente. Depois eu posso falar como é ser uma mulher careca e como foi ser uma mulher careca onde cabelo é tudo! (indianas amam seus cabelos). Budistas raspam a cabeça para diminuir 10 mil vidas em seus karmas.

Ainda falando sobre os salões de beleza de lá, eu também provei me depilar. Depilação é popular na India por conta da religião que diz que as mulheres tem que estar ¨atraentes¨ para os seus homens. Então elas fazem o desmatamento a cada 20 dias. Eles usam cera na depilação mas para retirar eles usam um pedaço de tecido. E para tirar o buço a mulher usou um pedaço de linha.

Mas vamos falar mais da viagy. Goa é boa para dar um reload. Muitos indianos também vão para lá a passeio, principalmente os que moram em Mumbai. Tinham também vários outros ¨survivors¨ ocidentais (entenda-se pais com crianças pequenas) viajando por lá. Fazer compras lá não era muito uma terapia e sim uma luta de quem tinha a melhor lábia na barganha. Puts grila! Os turistas são tipo notas de dólar desfilando pela rua para os vendedores indianos. Vendedores esses que vem geralmente do norte do país trabalhar só durante a alta temporada. Era passar em frente as lojinhas e ser abordada ¨come inside, madam¨.. ¨ill make you very special pricezz¨. Ahum, eles sempre te dão um preço 9389843 vezes mais caro do que você deveria estar pagando. Tipo, uma parada que custa umas mil rupias eles te pedem 5 mil. Dai você tem que ser bom no ping pong do preço. Depois de ter sido esfaqueada varias vezes nos preços das coisas eu fui aprendendo e no final eu já tava bem pro, e aprendi que eles so fazem o preço que a gente quer quando a gente sai da loja e vai embora. Eles vem atras com a coisa na mão! Eu encontrei com um casal de brasileiros que tinham acabado de chegar da Indonesia e eles me disseram que lá até no mercado as coisas não tinham preço, era no esquema da barganha pra tudo. Imagina fazer a compra do mês assim? Sem contar que as vezes a gente não queria comprar nada e os vendedores insistiam trocentas vezes só pra gente olhar. E eles adoravam bater um papo quando a gente estava com pressa, isso tudo no meio da rua, uma vez quase fui atropelada por uma moto porque fui andando enquanto tentava me livrar de um vendedor. Eu estava quase botando uma plaquinha na minha roupa dizendo ¨no shopping¨ no estilo como a gente faz quando vai ao rodízio e não quer mais que a comida passe na mesa. E se a gente decidia entrar em alguma loja só para ver uma coisa, eles nos mostravam até a mãe. E naquelas lojinhas pequenas era tipo um buraco negro que não parava de sair coisas, daí a gente ficava meio assim com dó porque o cara tava lá querendo mostrar tudo pra gente, ai ficava tudo uma zona. Me dava um alivio quando o Benjamin começava a reclamar e dai eu tinha uma desculpa boa para dar no pé.

E eu não posso esquecer de dizer que a coisa que mais sinto falta de lá é a massagem maravilhosa que eles fazem. A gente sai toda besuntada mas é super boa. Eu provei todas as que encontrei pelo caminho. E nem sempre foi uma boa experiência. Achei um lugar que oferecia massagem ¨kerala¨(que eu prefiro chamar de caralha.. vai vendo). Foi simplesmente uma hora de pancadaria e espremeção no meu corpo todo e sai de lá fedendo muito a curry e super besuntada. Sério as minhas roupas ficaram uma catinga. Mas eu queria provar coisas diferentes, sabe?

 

Uma coisa que notei é que apesar de todo o caos do país é que os indianos são bem pacíficos. Eu não vi nenhum quebra pau, briga, xingamento enquanto estive lá. Nem assalto, nem nada (eles tentam te arrancar dinheiro de outras formas, tipo, jogando os preços lá em cima). Até naquele trânsito louco que não sei como tudo no fim sai intacto. Deve ser porque na traseira dos carros eles não botam ¨jesus salva, ¨bêbe a bordo¨, ou sei lá o que e sim ¨BLOW HORN¨ (estoure a buzina). Era bibi por todo canto e os caras dão fina a toda hora! Quando cheguei sozinha no aeroporto peguei um taxi no meio da madruga e fomos por uma estrada muito estreita e cheia de curvas no meio de uma infinidade de coqueiros e eu juro que eu fosse partir dessa para melhor ali. Toda hora aparecia um puta farol vindo em nossa direção e por milagre do universo nada acontecia. Uma das coisas mais difíceis era atravessar a rua por lá. Mas só tinha uma coisa para a qual todos paravam: a sagrada vaca. Mas assim, ela é tipo deus para os indus mas a gente as ve pelas ruas comendo restos de lixos, geralmente plásticos. Para quem quer virar vegetariano lá é um dos lugares mais fáceis de se fazer isso acontecer. Eu estava com isso em mente até ver que eles tinham camarões jumbo. Aí não foi dessa vez. Mas a gente sempre tem a ideia de que comida vegetariana é saudável mas lá ela era gordurosa, eles usavam bastante creme de leite, fritura e tals. Se a gente queria escapar do curry nem sempre era uma tarefa facil porque era difícil encontrar um restaurante que conseguisse fazer algum outro prato considerado ocidental comível ou sem especiarias. Resumindo a gente comia curry e pasta.

Nós decidimos ficar na terceira cidade que passamos porque vimos que era muito role ter que ficar mudando a toda hora de hotel e tudo mais com todas as coisas que tínhamos e que isso tirava o Benji da rotina e a gente ficava só o pó da bolacha. A cidadezinha que ficamos se chamava Patnem e pelo que pude perceber depois de ter pego um trem sozinha para ir para uma cidade grande que ficava mais ao norte e visitar umas praias ali por perto é de que Patnem era puro luxo se comparada com os outros lugares. E Patnem não era nada de mais. Era fofa mas nada demais. Mas era super ¨shanti¨. Era a praia, os restaurantes da praia, a rua principal e os hostelzinhos. A gente já ate estava se sentindo moradores de lá, todo mundo conhecia todo mundo.

Para se conseguir ter um chip pré pago funcionando no seu celular você precisava levar uma copia do passaporte, ter um endereço fixo, deixar um telefone de algum conhecido indiano para dar referencias sobre você, e dai depois de uma semana eles ligam para essa pessoa e liberam teu cartão. Deu para perceber que India também adora uma burocracia. Sem contar que para pagar as coisas era só com dinheiro (uma coisa que eu quase não vejo mais a cor porque aqui na Suecia a gente passa o cartão para tudo e quando não é cartão é swish). Ai para tirar dinheiro só tinha uma maquina atm com uma fila de virar a esquina de turistas. Dai ta la a gente plantado há uma hora quando sai alguém e diz “cabo dinheiro”. Vivi esse drama várias vezes.

Esse foi um grupo de estudantes que desceu em um dos barcos que atracou na praia. de Patnen. Acredite ou não todas elas carregaram o Benjamin!

E meu deus, como indianos adoram crianças que não são indianas. Muita gente vinha tirar selfies com o benjamin no carrinho, as vezes até sem pedir. Até encontramos um casal de recém casados que até ficamos um pouco desconfortáveis porque eles não queriam largar mais o Benjamin e o Benji começou a reclamar e lá estavam eles tirando fotos de todos os ângulos. Mas no ultimo hotel que a gente ficou, o benji virou o mascote. Era um hotel que tinham acabado de abrir (o que eu adorei porque era tudo novinho e super limpo). Toda hora o benjamin estava com algum funcionário na cozinha comendo panquecas ou em cima das motos ou dentro dos tuc tucs que ficavam estacionados em frente ao hotel. Era até engraçado porque de manhã era o maior horário de pico porque o café ainda não tinha feito efeito em mim ainda e o Benji já queria ir correr para a rua nos ¨brum brums¨(entenda-se tudo o que tem uma roda). Aí chegava um garçom e emprestava o benji por 5 minutos. Eu só ouvia as gargalhadas e brum bruns do Benjamin vindo lá da rua.

Uma curiosidade é que as cabaninhas que são os hotéis de lá tem que ser destruídas todos os anos antes das monções e depois disso reconstruídas para a temporada. Deu um só saber disso.

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Depois de um tempo lá, a gente acaba encontrando um certo charme no meio de todo o caos. Sim, como falei aqui rola um choque sim, ainda mais para nós brasileiros que temos mania de limpeza. Eu com certeza quero voltar para a India quando o Benjamin estiver maior e rodar o pais todo por uns 6 meses e fazer todos os cursos de yoga possíveis, de tantra, ir naqueles campos de medição e ficar 10 dias sem poder falar (na real eu meio que vou fazer isso involuntariamente depois da minha cirurgia já que não vou poder falar por umas duas semanas). Eu descobri que ir para a India faz bem para a alma. Eles importam corpos e exportam almas. Só basta a gente estar preparado para isso. Um livro que eu super recomendo e acho que dá uma ideia bem legal do que se é a India hoje é “holy cow”, de uma australiana chamada Sarah MacDonald. Eu não sei se deve ter a versão em português.

Desculpa pelo post tem ficado meio gigantão mas eu vou começar a ser mais organizada por aqui. Dia 1 de março vai ser a minha cirurgia e a coisa que eu mais vou poder fazer é ficar aqui em frente ao computador já que eu não vou poder falar. Aí vou poder atualizar as coisas aqui mais susse.

Por ora é isso!

hej då

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3 Comments

  • Reply
    Bree
    Fevereiro 15, 2016 at 11:54 am

    Que post incrível! Me deu vontade de ir pra Índia e fazer uma lavagem no espírito também haha. Parece uma viagem pra levar na memória pra vida toda. E você ficou linda careca! Já tive cabelo pixie bem curtinho por bastante tempo, mas nunca passei máquina, vontade não falta, quem sabe um dia! Beijos!!

  • Reply
    Camilla Drummond
    Março 3, 2017 at 2:25 pm

    Bom dia!

    Muito bom, amei. Aliás, sempre visito suas postagens e admiro muito, meus parabéns!
    Continue sempre assim…

    Bjos,
    Camilla Drummond

    • Reply
      bruna piloto
      Março 5, 2017 at 9:55 pm

      Que legal, Camilla! 🙂
      Seja sempre bem vinda!!
      Um bjo

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