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bruna piloto

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A Romênia além Drácula: o lado verde do delta do Danúbio

Sempre quando se fala em Romênia vem a nossa cabeça a imagem do Drácula chupinhando pessoas. Tanto é que quando fui convidada para participar do #experienceRomania  logo pensei que iríamos para a Transilvânia. Mas acabamos cruzando o país para explorar outras regiões, incluindo o delta do Danúbio e o lado festeiro da costa do Mar Negro.

Fazia tempo que eu não escrevia aqui no blog sobre viagens, então vamos fazer jus ao nome! 🙂

Foi a minha primeira press trip da vida e eu fiquei tão feliz de ser sido selecionada para participar junto com outros 40 #blogayros, fotógrafos e jornalistas from all over the world. É o tipo de viagem em que todo mundo tira foto da comida antes de comer.

A nossa viagem começou em Viena porque de Estocolmo não tem nenhum voo direto para Bucareste (a não ser Ryanair mas a gente não estava muito afim de perrengue). Me arrependi de ter ido já com a passagem de volta marcada porque queria ter ficado muito mais tempo em Bucareste e ter dado uma esticada na Transilvânia mas fica para a próxima.

Para fazer essa viagem tem que estar preparado para andar de barco o tempo todo e sempre ter uma garrafinha de água e uns snacks se você também tem uma solitária na barriga que nem eu.

Como chegar:

Nós pegamos um ônibus de 5 horas partindo de Bucareste e um barco de aproximadamente 1 hora até uma cidadezinha já no delta do Danúbio: Crişan. Era mais um stop over lá para a viagem não ficar muito longa. Nós ficamos hospedados no Sunrise Hotel, um hotel bem gostosinho. Foi um lugar muito simpático com direito a apresentação das danças tradicionais da região durante o jantar.

Pareciam umas bonequinhas. Juro que quis levar uma pra casa.

 

Onde o Danúbio encontra o Mar Negro

No dia seguinte pegamos um outro barco de 1 hora e meia aprox. para chegar em Sfântu Georghe, na região de Tulcea que por sinal fica colado na divisa com a Ucrânia. Essa cidade é super pequena e tem por volta de mil habitantes. Eu simplesmente amei essa região que me deu muito aquele feeling de cidadezinha de interior onde a vida passa devagar.

 

 

Dessa vez ficamos hospedados no Green Village Hotel , um lugar maravilhoso que quando eu ficar ryca com certeza irei voltar! Eles oferecem aulas de yoga, as camas são de bambu, as vilas são tipo casa do Tarzan e Jane 5 estrelas. A noite a gente dorme com uma sinfonia de sapos na lagoa e de dia para chegar no restaurante para tomar café temos que dar passagem para as vacas. É um lugar perfeito se você quer dar aquela desligada do mundo lá fora, se conectar com a natureza, dar um relax. A 15 minutos andando do hotel fica uma prainha onde o Danúbio desemboca no mar Negro.

 

 

detalhe do teto de uma igrejinha de Sfantu Georghe

 

No hotel é possível alugar barcos com um guia para fazer passeios pelo Delta. Em Sfântu Georghe tem que ter permissão para poder entrar por conta de ser considerada património da Humanidade pela UNESCO. É um lugar perfeito para quem gosta de observar pássaros. Eu vi o primeiro pelicano da minha vida ao vivo e a cores, livre, leve e solto. ❤️

parece quase uma Amazônia hehe

Floresta de Tulcea

Pelas redondezas do hotel dá para fazer uma caminhada pela cidadezinha que tem ali ou pegar um barco para chegar até a floresta de Tulcea que há 400 anos atrás costumava ser o mar e pertencia ao Império Otomano (também sou cultura, gente). Lá ainda se podem ver cavalos selvagens e no chão nasce uma plantinha alucinógena.

a caminho da floresta

 

Antes de ir:

Quem tem passaporte brasileiro não precisa de visto e pode permanecer até 90 dias. A moeda local não é o euro e sim lei. As coisas no geral são bem mais baratas se comparadas com o resto da zooropa. Levar repelente é indispensável a não ser que você queria voltar cheio de lembranças pelo corpo todo 🙂
O povo romeno tem uma coisa especial, não sei. Eu senti uma vibe muito ancestral visitando essas áreas. Talvez eu tenha sido uma camponesinha lá em outras vidas.

Vegetarianos e veganos: Eles comem muita carne, pimentão e pepino. Foi meio sofrido conseguir comer direito, as vezes só me traziam salada como prato principal. E não é todo mundo que fala/entende inglês. Então a minha dica é leve nuts, um pó protéico, algo que vá te nutrir para não ficar com deficiência de proteínas.

Espero que você tenha curtido ler sobre essa mini aventura.  A gente se vê em breve! 😘

Espiritualidade

A minha jornada de auto-conhecimento, cura e aceitação

Eu sei que raramente tenho aparecido por aqui. O motivo disso é porque estou tentando dar um jeito na minha vida. É agora que estou digerindo melhor todas as coisas que aconteceram nesses últimos 5, 6 anos. Relacionamento, mudança de país, gravidez, o fato de ter virado mãe, ter aprendido mais uma língua, viver em uma sociedade completamente diferente a qual eu estava acostumada, meu despertar espiritual, 2 cirurgias que mudaram muito o meu rosto, ter iniciado o processo de parar de consumir alimentos de origem animal, lutar pela minha independência (coisa que ainda estou fazendo a todo vapor) e ao mesmo tempo encontrar o meu propósito. Sim, uma porrada de coisas.

Agora sinto um pouco mais de segurança no chão onde piso. Estou aprendendo a viver no meu tempo, a me respeitar do jeito que sou e isso leva tempo, dedicação e acima de tudo respeito por si própria. Eu sempre quis fazer muitas coisas mas nem sempre tive a confiança que precisava. Sempre achei que outra pessoa falaria por mim ou que se eu falasse o que pensasse, correria o risco de ganhar a antipatia dos outros.  Muitas neuras, medos e  inseguranças. Sempre  aquela sensação de não ser boa o bastante, de esse não ser o momento perfeito.

Mas esses perrengues todos que passei e ainda estou passando estão me fazendo aprender tantas coisas incríveis e revolucionárias. Hoje eu vejo com outros olhos as situações mais difíceis que passei e agradeço porque se não fossem por elas, eu não teria procurado ajuda e não saberia tudo o que aprendi nesse processo de cura e libertação. Mas as vezes dá vontade de desistir de tudo, de ir me isolar em algum internato ou ir para um retiro de novo. Mas o grande desafio mesmo é conseguir não pirar nas situações do dia a dia e conseguir dar conta daquilo que a gente pode conforme as nossas limitações.

Quando a gente mergulha nesse universo de auto-conhecimento/espiritualidade a gente acaba não só se deparando com o divino que habita dentro da gente mas o podre também. Coisas trevosas surgem do nada, coisas que a gente pensava que já tinha curado faz tempo vem à tona.

Enfim, só queria mesmo era vir dar um oizinho por aqui e dizer que as coisas vão melhorar e ficar cada vez mais claras. Talvez eu tenha escolhido o caminho mias longo mas tenho certeza de que vai valer a pena.

Um beijo no core e em breve voltarei aqui com um montão de coisas para compartilhar 💜

 

devaneios

Dando o ar da graça

crédito da imagem: ofelipeguga

 

Lá vem ela depois de 500 anos sem escrever nada por essas bandas (como sempre). Gente, eu sou uma típica geminiana. Ou é 8 ou é 80. Os meus amigos são super acostumados com os meus sumiços e oscilações de humores e opinões. Sempre volto como se nada tivesse acontecido e consigo pegar o trem andando. No problem.

Agora posso voltar a escrever normalmente porque finalmente arrumei o Blog. Eeeee! Arrumei o pau gigante que tinha dado aqui e agora está tudo nos trinques de novo.

Então, eu tô muito louca para começar a gravar uns videozin porque acho que vou ser mais eficiente e poupar vocês dos textões. Porém, ainda não posso fazer isso apesar de eu ter um gazilhão de ideias na cabeça, eu não estou conseguindo falar direito e a minha cara está do tamanho da Lua. Na semana passada eu tirei duas próteses de titânio (10 cm cada uma!) da minha mandíbula, aí por conta disso estou de molho. Pra mim está sendo ótimo apesar de não conseguir sair de casa ainda por conta do inchaço. Já li dois livros e agora estou na metade do terceiro para vocês terem ideia! Eu estou curtindo esse tempinho para ficar em casa porque ultimamente ando trabalhando muito.

Esse ano tem sido muito incrível. Ele já começou bem intenso. Eu e o Alex passamos a virada no meio da Mata Atlântica porque eu decidi ir tomar o chá da floresta; Ayahuasca. Foi muito lindo e um tanto difícil também. Nós dormimos separados dentro de um templo usando os nossos colchões de yoga e para se ter ideia não havia nem água quente no chuveiro. Depois disso posso com todo o meu coração afirmar que a minha vida nunca será a mesma. Ainda bem. Pra mim foi uma das coisas mais maravilhosas que fiz. Foi mais uma experiência única de superação e auto conhecimento.

Eu juro que vou voltar aqui e contar tim tim por tim tim como foi a minha experiência (são taaantas coisas que ficaria falando pela eternidade!). Mas enfim, agora estou focando em ficar bem logo, e em junho eu e o Benji vamos ao Brasil. Vai rolar um curso muito especial no mesmo lugar em que eu tomei a aya e senti que eu precisava muito voltar lá. Vou aproveitar para matar as saudades infinitas de todo mundo também! E comprar uns 20 quilos de cristais de novo e renovar o meu estoque de livros em português!

Agora em maio eu estava inscrita em um curso de meditação Vispassana do grupo Dharma aqui da Suécia. Seriam 10 dias em silêncio, mas aí resolvi preferir ir para o Brasil e fazer o curso que terá a duração de 2 semanas nas quais irei ficar totalmente isolada do mundo. Vai ser puro love. Sei que não vai ser fácil, até então eu nunca fiquei mais de 4 dias longe do Benja. (e nem 5 minutos sem 4G hehe). Sim, eu virei muito bicho grilo. Aliás, sempre fui, agora que veio a tona mesmo..

Aqui chegou a primavera mas ainda continua nevando em pleno mês de abril porém os dias já estão ficando mais claros e a esperança começa a ressurgir no coração do povo. Eu estou bem feliz também porque ultimamente tenho me desafiado e comido praticamente só coisas veganas aqui em casa e já vi uma grande diferença no meu bem estar geral. Não é uma coisa fácil de se fazer e estou respeitando o meu tempo..

Bom, acho que é isso.

Um bejo no core.

 

 

 

SparaSpara

devaneios

fica a dica

Oi, hoje vou fazer daqui o meu divã.

Eu sou do tipo bem ansiosa. As vezes não tenho muita paciência para esperar por coisas e sou bem impulsiva. Prazer, sou geminiana. Acho que não estou sozinha nesse mundo não, né! Não vejo a hora de um dia poder voltar para a Índia e ficar quanto tempo for preciso em um ashram no Himalaya mas enquanto isso não acontece vou me auto hippiezando.

Li esses dias uma lista que pode ser de uso coletivo para o bem da humanidade. Ela é bem usada entre os praticantes de yoga e hinduístas.

Aqui vai ela dividida em duas partes:

Vamos começar com 5 yamas. Eles nada mais são do que códigos de conduta, de como a gente deve viver nesse mundo louco.

  1. Ahimsa, também conhecido por não violência. Seja gentil.
  2. Satya ou veracidade. Deixe de lado a baboseira e seja completo. Seja legal só quando você tiver a intenção de sê-lo! Não fique guardando tudo dentro de si mesmo porque uma hora isso vai explodir, aí hajam sessões de terapia para dar um jeito nisso.
  3. Asteya, ou o famoso não roubar. Assim, no sentido mais sério da palavra.
  4. Brahmacharya (para quem até então pensava que Brahma era só nome de cerveja ruim..), significa moderação. O famoso jargão “somente o necessário, o extraordinário é demais”
  5. Aparigraha, ou desapego. Essa é fácil, pelo menos para mim. Se tem uma coisa que não me agrada mais, eu passo adiante. Pode ser o que for.

E agora vão os niyamas. Eles são práticas para melhorar a nossa relação com as outras pessoas.

  1. Saucha, clareza, pureza. Tenha pessoas a sua volta que te deem um up na vida, que tragam o nosso melhor, que nos ajude a evoluir na vida e não o contrário.
  2. Santosha, ou contentamento. Ser grato por tudo o que conquistamos até hoje e tentar desfocar o pensamento de coisas que queremos o tempo todo.  (essa é difícil com todas essas wishlists salvas..)
  3. Tapas, ou auto disciplina. Não significa que a gente vai sair se auto estapeando quando não conseguirmos completar algo. É mais para darmos um tchau para a nossa zona de conforto e enfrentar o desconhecido. Porque com ele a gente apanha, quebra a cara e aprende na vida. Se a gente fica sempre na mesma acaba virando um bunda mole. Eu sei disso porque sou bem as duas coisas.
  4. Svadhyaya,  auto estudo, auto reflexão. Estar atento as nossas ações e pensamentos e ter uma ideia qual será o  resultado deles lá na frente. Tentar entender que tipo de pessoa somos.
  5. Isvara-pranidhana, ou devoção, fé. Eu nunca fui do tipo religiosa mas acredito muito na energia das coisas. Essa é para acreditar em algo superior a você, nem que sejam unicórnios..

 

devaneios

hey, fazedores de bullying do colegial: operay!

Olárr, pessoas!

Há oito dias atrás eu entrei na faca.

Desde que eu me conheço por gente sabia que esse dia iria chegar.. foi bem difícil o caminho mas finalmente aconteceu! Embora todo mundo da minha família fosse contra e muita gente falasse que eu não precisasse..

O problema era (felicidade é pouco dizer “era” e não “é” ) ser dentucinha e ter um queixo de pau, como diz a minha avó. Esteticamente falando, isso não me incomodava tanto mas a minha mordida era toda zoada. O dente de cima tinha uma distância de 2 dedos com o de baixo! Uma coisa gigante porque quem tem uma mordida normal a distancia é nula. Sem contar que eu nunca consegui fechar a boca direito. Aí a minha saída era sorrir 🙂 porque já que ia ter que ficar com a boca aberta, né.. Mas assim, volta e meia eu tinha dores de cabeça por conta da mordida toda errada e pelo cansaço dos músculos do meu rosto também. Sem contar que eu respirava pela boca. Enfim, foram quase 20 anos de dentucismo.
O drama foi longo. No Brasil eu tentei sem sucesso que o meu seguro de saúde na época, o Bradesco Saude, cobrisse a minha cirurgia. Foi uma baita perda de tempo e frustração. Até tinha dado entrada na ANS – agência nacional da saúde e dai que acabei me mudando aqui para a Suécia e tentei a sorte aqui para a cirurgia. Eu fiquei tão feliz quando soube que o governo cobriria toda a minha cirurgia! E também não precisei pagar pelo aparelho odontológico, somente pela manutenção – que não pode exceder a quantia superior a 1100 coroas anuais, depois disso nós recebemos  o que eles chamam de “frikort”. O frikort é um cartão coringa porque você com ele não precisará mais pagar por nenhuma consulta dentro dos próximos 12 meses. É muito incrível isso. É curioso que para usar o sistema de saúde publico sueco nós pagamos um valor simbólico pela consulta, que gira em torno de 200 a 350 coroas. Mas depois de ter atingido esse valor máximo de 1100 coroas tudo passa a ser de graça de fato!

Tudo andou muito rápido para a minha cirurgia aqui. Mais rápido do que eu esperava! Eu fui em um dentista comum para pedir uma “remiss” (referência) para encaminhamento cirúrgico. E dai depois disso já encontrei com o dentista que faria o meu tratamento odontológico visando já para a cirurgia. E isso começou no final de maio do ano passado, e agora dia 1 de março eu operei!

Fiz a cirurgia no mesmo hospital em que o Benji nasceu, o Karolinska. Estava quase me mudando para lá porque antes disso quase todos os dias tinha que dar um pulo lá para checarem algo em mim. Uma semana antes fiz ressonância magnética em uma máquina que parecia um donuts azul gigante. Dá um certo desespero ficar parada dentro daquele troço, e a gente ainda nem pode se mexer ou engolir. Tem que ficar com a língua no céu da boca o tempo todo. Eles queriam saber aonde estavam localizados os meus nervos do maxilar para saber qual tipo de cirurgia eles fariam.

E daí que eles abriram o meu maxilar de ponta a ponta! O corte começa atrás do último dente inferior direito e vai até o último da esquerda! Ontem consegui tirar um raio x para ver o que tenho na cara depois da cirurgia. Em cada lado colocaram uma placa de titânio de aproximadamente 4 cm (o que é grande pra caramba) em cada lado do meu maxilar, e eles também diminuíram o meu queixo e fizeram a ligação do osso mentoniano (tô craque já nas nomeações!) com quatro parafusos de titânio. O titânio é um metal incrível porque ele não é magnético (não vou apitar quando passar pelo detector de metais em aeroportos..) e nem corrosivo, e é geralmente bem aceito pelo corpo humano.

A cirurgia em si a gente não sente nada, thanks god! mas o pós operatório é hell. Eu fui internada no mesmo dia da cirurgia, o que foi bem ruim porque tive que ficar sem comer e beber desde a noite anterior. Aí antes de ir para o hospital me pediram para que eu tomasse dois banhos em casa com um sabonete e shampoo anti bactericida. Entrei no hospital as 7:30 e a cirurgia saiu ao meio dia. A operação demorou 5 horas! Fiquei com a boca lá  arregaçada por todo esse tempo. Fiz dois xixizinhos antes da cirurgia para evitar de ganhar um catéter dentro de mim! Não tem como não ficar uma pilha de nervo. Dá um medinho de nunca mais acordar mesmo. E você tá lá em um ambiente completamente estranho, com pessoas pegando em você, longe de todo mundo. Aí o sorinho na veia começou. Espalharam adesivos pelo meu corpo com cabinhos. Respondi ao 2938892 questionário e fomos para a sala de cirurgia. Tinham umas 7 pessoinhas lá, andando para todos os lados. Aeee o bife chegou! Uma das cirurgiãs, que nunca vi na vida, foi simpática e me disse para pensar em alguma coisa muito boa, uma coisa que eu queria sonhar durante a cirurgia, que era para eu ter aquilo em mente durante o tempo todo não importasse o que acontecesse. Obviamente, que eu comecei a chorar, né, pô. Aí nisso, você já está com uma mascara de oxigênio na tua cara, aquela holofote  nos teus olhos.. e daí vai ficando tudo calminho, gostosinho e PRETO.

Acordei deitada em uma maca dentro de uma salinha cheia de computadores e algumas pessoas. Eu estava igual a um cachorro no deserto de sede e fome! Aí uma das pessoas que eu pedi água falou para eu ter cuidado para não beber muita água porque eu tinha recebido muito soro na veia e a minha bexiga poderia meio que.. explodir, seria a palavra?! Aí dei uma vomitadinha básica de sangue. Isso tudo com a cara toda enfaixada, babando, tentando fazer que me entendessem falando desse jeito em sueco. A cara a gente não sente nada, já a garganta… Eu chorei três dias de dor só por engolir a saliva. Tudo incha muito. Absurdamente muito mesmo. Você super se sente como se fosse um integrante da família do Fofão. Mas eu fiquei tão feliz por meu nariz não estar congestionado. Muita gente diz que fica com as vias nasais super congestionadas por uns 10 dias por conta da sonda. Mais um sofrimento extra que escapei. meu nariz está levemente ralado, dá para ver que passou um monstro por ali. Bom, ainda bem que, miraculosamente, escapei dessa. E pelo contrário, acho que nunca respirei tão bem na minha vida!

Bom, resumindo a ópera, não vou poder comer nada sólido bom um bom tempo. Só suquinho e sopinha na canequinha. O meu maxilar não se mexe, tô me sentindo igual ao  homem de lata do mágico de Oz, faltando um óleozin nas articulações. Eu não sinto o lábio inferior e muito menos o meu queixo. Vai demorar um tempo para que eu comece a sentir novamente. Já sei que vou perder em torno de 30% da sensibilidade do queixo. Enquanto isso eu  tenho que comer usando a língua. É bem estranho. E nada de tentar comer coisas com pedaços porque além de não conseguir mastigar nada, para tudo dentro da boca nos cantos e é horrível para conseguir limpar sem sofrer. Eu tenho que escovar os dentes usando uma escova de bebê igual ao do Benji e uso uma garrafa de água para dar um jato no final da boca em lugares eu chamo de buraco negro porque não consigo alcançar com a escova.

Fiquei na morfina na veia por três dias. Esses três primeiros dias em que fiquei no hospital, foram um in-fer-no. As coisas básicas vitais eram bem difíceis de serem feitas. Agora eu voltei a dormir deitada mas até então era só sentada e ainda não consigo mexer muito o meu pescoço. Assim, to bem gata. Mas o que mais tem incomodado mesmo são as dores no pescoço e de garganta. É uma lutinha. E todos os remédios que eu tenho que tomar são em pílulas monstras que eu quebro no meio e mesmo assim as vezes eles param na garganta. Repito o processo 3 vezes ao dia. Eu tenho um roxo amarelado que começa no pescoço e desce até o meu peitoral. E a babação.. estou parecendo um bulldog. É sério.

Mas o que anima é que todo dia que acordo sinto uma melhora. O inchaço diminui, a abertura da boca aumenta um tiquinho, a pele do meu lábio começa a ficar um pouco melhor e assim vai. E acho que essa cirurgia foi tão mágica que até as minhas olheiras de Gretchen deram uma melhorada! É preciso de muita paciência de Buda porque para comer é bem incomodo, e todas as comidas duras são extremamente atrativas para a gente que tudo começa a ter até um que de pornô haha! Eu tenho sonhos eróticos com macarrons de pistache, por exemplo. E eu não consigo pronunciar as letras p e b. E eu tenho que repetir umas três vezes o que eu quero falar para me entenderem. Mas não preciso mais escrever na lousinha do Benji. Um espirro saiu como se fosse uma tosse. O bocejo só sai no pensamento. To quase me sentindo uma criança. Agora já to conseguindo comer uns purezinhos. Tudo com colher super pequena de plástico senão não dá. A vontade de sair arrancando todo esse aparelho da boca e que o tempo passe logo para eu poder comer um pedaço de aipo bem crocante é grande! Mas enquanto isso haja tempo, bepantol e paciência!

Beijos só se for na testa!

 

decor Suécia

Sobre a história da Ikea, o cara que fez do limão uma caipirinha

Para quem não conhece Ikea é tipo uma casas Bahia sueca que existe no resto do mundo menos no Brasil. Ela é um bagulho fenomenal.

Nós podemos comparar o seu estilo com o das lojas Etna e Tok Stok – elas obviamente foram inspiradas na Ikea porém não são tão acessíveis quanto.

A IKEA foi criada no final da década de 50 quando o dono da cocada preta Ingvar Kamprad tinha só 17 aninhos já com um instinto de dominar o mundo.
Antes de fundar a Ikea, Ingvar já tinha o espírito empreendedor. Ele começou vendendo selos até que evoluiu para a venda de móveis. Aí ele viu que o negócio começou a crescer e resolveu fazer um armazém. Aí um belo dia ele decidiu fazer daquele armazém sua loja só que com uma ideia brilhante que virou o carro chefe da Ikea: os clientes iam direto no estoque aberto e pegavam os produtos que queriam adquirir. É o famoso ta det själv, “pegue você mesmo”. Isso facilitou a vida de muita gente porque não era necessário ter que ficar esperando uma cota para ter o produto entregue em casa. Até hoje é assim quando a gente compra em alguma outra loja aqui. Por exemplo, para comprar um sofá a gente tem que esperar por volta de 3 meses. Então além de o cliente ser responsável pelo transporte do produto ele também é quem faz a montagem do mesmo. Eu adoro fazer isso. É tipo um quebra cabeças versão adulto.

ikea-1Além da ideia do ta det själv, o que também a tornou popular foram os preços bem acessíveis dos produtos. E olha não tem que não se apaixone pelas coisas de lá. O design é maravilhoso e super funcional. Eles pensaram em tu-do. Eles vendem desde cozinhas planejadas, eletrodomésticos, móveis, brinquedos e até tem uma linha de alimentos chamada Ikea food. E é tudo muito manjado porque as lojas são gigantes, e eles sabem que nós vamos passar o dia lá lucycrazy namorando todos os produtos, enfrentando fila, cruzando o tráfico de carrinhos de compras, etc., que eles até bolaram um restaurante com comida típica sueca. Esse cardápio é valido em todas as lojas do planeta. Em todas eles servem a mesma coisa: almôndegas, purê de batatas e geleia de lingonberries (frutas silvestres típicas daqui). E ah, tem até um lugar em que os pais podem deixar os filhos acima de 3 anos para brincarem enquanto fazem compras.

E o nome dos produtos são todos em sueco, all over the world. Eu não sabia disso e achei sacanagem porque não é muito fácil pronunciar e lembrar os nomes para quem não fala a língua.

Obviamente que o Ingvar tornou-se uma das pessoas mais podres de rica do planeta. Sente só, ele é apenas o cara mais rico da Suíça (sim, ele é sueco mas mora lá).  Para se ter ideia ele é obviamente o dono da Ikea mas também do maior banco da Suécia, o Ikano.

Com certeza, uma outra coisa que ajudou muito no sucesso da Ikea foi o fato do Ingvar ter tido a brilhante ideia de trabalhar cada dia em um setor diferente da loja para ver o que poderia ser melhorado em cada um deles. Então, tipo, um dia ele era caixa, no outro era quem checava o estoque, etc. Ele sempre foi pau para toda obra. E apesar de ele ter rios de dinheiro, ele continua levando uma vida em uma casa modesta e tem o mesmo carro há um bom tempo (obviamente é um Volvo, aquele modelo clássico que cabe a família toda e uns móveis da Ikea atravessados no meio).

Até saiu uma reportagem no jornal inglês Daily Mail dizendo que ele barganha até no preço do mercadinho da esquina da casa dele. Modesto ou tio patinhas, nunca saberemos.

Um outro fato interessante é que a impressão anual do catálogo da Ikea supera a da Bíblia (que é o livro mais impresso do mundo).

E agora eles acabaram de lançar uma coleção inspirada nas cores do Brasil. Eu só achei que eles deveriam ter explorado mais a nossa palheta de cores e formas!

 

Se eu conseguir um emprego como designer lá dentro já tá MIR de bom!

E ah, uma coisa é certa: só volto para o Brasil quando tiver IKEA!

decor

Dona de casa dreams// decoração – ideias para a nossa cozinha

Alorr, pessoas!

A gente tá na pegada da reforma desde que nos mudamos para essa casa louca em Estocolmo. Falo assim porque a história dessa casa dá para fazer um enredo de novela mexicana versão leste europeu.

A parada é a seguinte, já que a mão de obra aqui na Suécia é loucamente cara (gira em torno de 500 coroas suecas a hora) decidimos botar a mão na massa nós mesmos. Por mim tudo bem, porque eu acho terapêutico fazer essas paradas e porque é algo que descobri que curto muito fazer. Juro que não vejo a hora de sair martelando todo aquele azulejo da cozinha bem no estilo girl power. A casa que nós moramos é da década de 60 e praticamente todos os cômodos precisam ser reformados. Se tivéssemos a mão de obra do Brasil com os materias daqui ia ser um sonho! Mas a realidade é que nós mesmos vamos refazer a cozinha e os banheiros num futuro próximo (falo isso porque no começo de março faço a minha cirurgia e vou virar um vegetal por um bom tempo, só depois que essa fase passar). E daí que a minha maior ocupação desde que me mudei para a Suécia é ficar sonhando high no Pinterest, fazendo wishlists em todos os sites de lojas de decoração maravilhosos daqui e stalkeando a casa da suecada pelo Instagram, que nunca?

Uma coisa que tem me ajudado bastante é o fato da casa em que nós moramos ser um padrão aqui na Suécia. Se você der um role aqui pela vizinhança verá que todas as casas são iguais! A que nós moramos é chamada de radhus, que significa casa em fileira. É uma grudadinha na outra e geralmente a disposição de cômodos é a mesma. Então eu sempre dou uma checada em sites de imobiliária para dar uma espiada nas fotos de dentro das casas gêmeas a nossa e ter uma inspiração. Como o nosso próximo grande projeto será fazer a cozinha, vou postar aqui o que andei me apaixonando ultimamente.

A nossa cozinha é exatamente assim, até os armários são os mesmos. Só que na nossa não tem essa bancada ainda mas super curtimos a ideia e queremos fazer uma também (só temos que descobrir como!). O que eu amei nessa cozinha foi a ideia de tudo branco na área de serviço e de quebra o papel de parede floral maravilhoso.

 

Eu gostei bastante da ideia do vitral para copos (mas não com esse vidro fosco estilo hospital). E nesse cantinho onde estão os pôsteres e o relógio que quase não dá para ver eu quero fazer uma coffee station. Eu acho que se tivessem pintando as escadas e esse teto de madeira de branco ia dar um super up na casa.

 

Lâmpada Kartell azul calcinha: puro love.

 

No Brasil eu sei que é bem comum esse estilo de azulejo em casas mais antigas, e sei que até muita gente chega até a pintar por cima deles..

Eu adoro tudo branco em casa mas tem que dar uma quebrada senão fica com cara de clínica e essa ideia das meninas do A beautiful mess de pintar dentro dos gabinetes da cozinha é uma ótima.

Meu sonho de ter uma Smeg azul calcinha na nossa cozinha foi por água abaixo. Até começamos a cogitar a ideia de ter uma mas apesar de serem lindas elas são super desengonçadas com aquela porta gorda porque se precisa de muito espaço para poder abri-la sem que bata no resto das coisas. E como o lugar para a geladeira na nossa cozinha é entre os armários isso se torna impossível. Ela é uma boa para quem pretende a ter sozinha em algum lugar da cozinha. (a gente depois que passa a ser adulta na paulada, acaba até tendo wet dreams com geladeira nova, gente. cuidado).

 

Bom, acho que por hoje é isso, pessoal!

Vou encostar a minha cabecinha no travesseiro e sonhar com um futuro próximo!

Bom resto de semana para vocês!

viagem

voltei das Índias!

Namastê, bitches! (tava doida para soltar essa frase)

Gente bonita, super peço desculpas porque sempre deixo juntar teia de aranha por aqui. Juro que vou tentar dar um jeito nisso mas eu to numa super correria infinita. Sério! Eu estava louca para vir postar aqui enquanto estávamos na India (até tentei fazer uns videozin), mas a internet de lá era super mega ruim e sem contar que a queda de energia era constante aí eu ficava dias com os aparelhos descarregados. E como não curto escrever textão vendo em tela pequena acabei desanimando.

Mas agora estoy aquí.

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A gente passou 6 semanas na Índia (mais precisamente no sul do Estado de Goa). E tipo, para mim foi mais como ter visitado uma praia no Brasil com um toque indiano. Essa parte é a que eles chamam de India light, acho que lá eles deram um tapa para receber os turistas. Goa fica no lado oeste do país e também foi uma colônia portuguesa mas ninguém mais fala português. Tava até cogitando a ideia de encontrar umas coxinhas.. Mas muitas coisas ainda tem nomes de origem luso. E eles vez ou outra soltam alguma palavrinha em português.

Antes da gente embarcar, eu estava surtando porque vamos considerar que a India não tem uma fama lá muito boa para se viajar com um bebê de menos 2 anos. Em todo canto que eu pedia por dicas de viagem para a india com um bebe as pessoas falavam que eu era louca e que era para eu não ir.

Sinceramente, para mim não foi assim tão interessante porque as nossas praias do Brasil são bem mais bonitas. Mas só pelo fato de ter areia fofa, Sol all day long e praia sem ter que estar na sofrência do inverno sueco já era super ótimo. Foi uma viagem de fases. No começo eu detestei muito, queria muito voltar para a casa. Se no Brasil era ruim de ir pra lá e pra cá com um carrinho de bebe na India foi pior ainda. Era tipo pós apocalipse adventure. Sem contar nas vacas e búfalos vindo em nossa direção. A luz acaba a toda hora, então tava lá a gente no meio de um corredor todo esburacado, com chão de areia misturada com aquela terra vermelha e ruínas de concreto, segurando carrinho, bebe, bolsas, procurando a lanterna e daí pinta uma vaca no meio. Isso era uma coisa que acontecia todos os dias. Sem contar que a agua também poderia faltar a qualquer momento. Tinha até um balde com uma jarra de plástico no banheiro (foi assim em todos os lugares que ficamos). A gente quase mudou a passagem mas dai comecei a ver a galera postando fotos na minha timeline dizendo que estava fazendo menos 18 em Estocolmo aí resolvi abraçar o capeta. E é muito louco porque dezembro é inverno lá e se fazem quase 35 graus durante o dia (mas na região da Kashemira fica bem frio, quase estilo Suécia) e nunca chove durante essa época, acho que as chuvas ficam reservadas só para o período das monções. Graças a Ganesh, Shiva, e afins ninguém ficou doente. E olha que eu peguei o Benji com uma moeda indiana enfiada na boca! Os indianos adoram fazer uma queimada, então quase toda hora vem um fedor de plástico sendo queimado.

Nós fomos bem cuidadosos na escolha de onde comer. A maioria dos restaurantes usavam água filtrada no preparo dos alimentos. E tinha curry de todos os tipos e cores e pelo menos uma vez ao dia a gente comia algum prato com curry. Obviamente a coisa que fiz quando voltei para casa foi perguntar para a primeira pessoa que encontrei pelo caminho se eu estava cheirando a curry! 😛
Os passeios turísticos oferecidos dentro de Goa não eram lá muito atrativos porque tipo, para se ter uma ideia a primeira coisa na lista do trip advisor está uma igreja colonial construída pelos portugueses, a gente não ia pegar um trem para cruzar o Estado com a tralha toda, bebe e papagaio para ver uma igreja que eu tenho na minha terra! E dai pensei em ir fazer um tour de elefante numa fazenda de especiarias mas dai comecei a cavocar o Google e cheguei a conclusão de que eles sofreram torturas a vida toda para poderem servir os turistas. Eu não queria alimentar esse mercado. Então preferi ficar de boa aonde estava mesmo.

O que eu vi em Goa foi só uma pontinha do Iceberg que a India oferece. Juro que me senti tanto na minha adolescência com aqueles terceiros olhos, tatuagem de henna, leitura das mãos, cartazes oferecendo tererês, até jogar can can todas as noites enquanto esperávamos pelo jantar na praia a gente jogou. Eu me enfiei em todo o tipo de coisa hippie transcendental que encontrei! As roupas, as pulseiras, os bagulho todo. Até leitura dos olhos tibetana eu fiz (até então nem sabia que isso existia). Fui até num festival da cura. E obviamente que não comi carne vermelha durante a viagem. Não comi porque não sou muito chegada e outra aquelas vacas todas pelo caminho querendo um carinho deixa qualquer um com a consciência pesada. Fiz consulta com uma medica ayrvédica (é assim que se fala?), soltei a franga com os tambores shamanistas. Depois que descobri o significado de ¨shanti¨ (do sâncristo: calma, alegria, tranquilidade..) quis que tudo meu tivesse isso impresso! Até comecei a dar mais bola para o poder dos cristais depois que segurei vários na mão e senti um troço diferente com cada um deles. Quis trazer todos para a casa e agora quero ter uma mina deles! Experimentei ir em um dentista que cantava durante a consulta. Goa também é famosa pelo turismo dental (tem cada coisa nesse mundo, gente), os tratamentos lá são umas 3 vezes mais baratos do que aqui na zooropa. E tive a infeliz experiência de ter ido na pior cabeleireira da minha vida. Quando eu fui viajar sabia que precisava de um corte de cabelo e deixei para arriscar fazer isso quando chegasse na India porque ia ser bem mais barato do que aqui.

Tá, fui lá procurei no Google por indicações e achei uma tal de “Vanessa pérola” e ainda escrito que a gente não deveria deixar passar essa oportunidade de dar um pulo no salão. As fotos do site pareciam ser de um salao profissional. Tá, fui para a rua e peguei um tuc tuc e fui encontrar a tal Vanessa. Eu pedi para ela cortar o meu cabelo como sempre costumo cortar: deixar bem mais comprido na frente. E o que ela fez? Passou a tesoura ao contrario! Ficou muito super mais curto na frente, tipo corte v só que muito toscamente feito. Meu cabelo estava bem abaixo no ombro. Eu não sei mas andei desenvolvendo uma paciência de Buda ultimamente, só pedi para ela terminar de cortar do jeito que ela queria, paguei 100 rúpias (13 coroas= uns 5 reais). E ah, para não esquecer de falar que as fotos que estavam no site do salão não eram reais. Cheguei no hotel olhei no espelho e vi que nem retas as pontas estavam. Nem um corte channel ia salvar aquilo ali. Acho que uma coisa que deva ter se passado pela cabeça de toda menina é ¨como será que eu ficaria se raspasse a cabeça?¨. Desde adolescente eu pensava em fazer isso uma vez na vida e escolhi esse o momento. Era perfeito, meu cabelo estava cagado, eu virei mãe e não tenho tempo para ficar 1 hora e meia em frente ao espelho tentando fazer a juba mais sociável, estava em um lugar onde ninguém me conhecia e não tinha nada importante programado para esse ano. E também porque finalmente vou conseguir fazer a minha cirurgia ortognatica que foi tão impossível de conseguir no Brasil. Eu sempre brincava que se eu conseguisse que algum convênio de saúde me desse carta verde para fazê-la eu rasparia a cabeça. Entendeu, né. Esse era o momento. Fui pra rua e achei um barbeador e falei ¨pó rapá ¨ dando aquela chacoalhadinha de cabeça que os indianos fazem.

Claro que ele me perguntou se era isso mesmo que eu queria da vida. Eu tinha certeza disso mas um gelinho subiu pela minha espinha. Ele cortou tudo e depois veio com a maquininha. Eu tremi, sério. Mas foi um alivio, uma felicidade. Era como ter se livrado de um carma ruim. Eu não pensei muito em como ia ser depois. Mas parecia que ia ser uma vida nova pela frente. Depois eu posso falar como é ser uma mulher careca e como foi ser uma mulher careca onde cabelo é tudo! (indianas amam seus cabelos). Budistas raspam a cabeça para diminuir 10 mil vidas em seus karmas.

Ainda falando sobre os salões de beleza de lá, eu também provei me depilar. Depilação é popular na India por conta da religião que diz que as mulheres tem que estar ¨atraentes¨ para os seus homens. Então elas fazem o desmatamento a cada 20 dias. Eles usam cera na depilação mas para retirar eles usam um pedaço de tecido. E para tirar o buço a mulher usou um pedaço de linha.

Mas vamos falar mais da viagy. Goa é boa para dar um reload. Muitos indianos também vão para lá a passeio, principalmente os que moram em Mumbai. Tinham também vários outros ¨survivors¨ ocidentais (entenda-se pais com crianças pequenas) viajando por lá. Fazer compras lá não era muito uma terapia e sim uma luta de quem tinha a melhor lábia na barganha. Puts grila! Os turistas são tipo notas de dólar desfilando pela rua para os vendedores indianos. Vendedores esses que vem geralmente do norte do país trabalhar só durante a alta temporada. Era passar em frente as lojinhas e ser abordada ¨come inside, madam¨.. ¨ill make you very special pricezz¨. Ahum, eles sempre te dão um preço 9389843 vezes mais caro do que você deveria estar pagando. Tipo, uma parada que custa umas mil rupias eles te pedem 5 mil. Dai você tem que ser bom no ping pong do preço. Depois de ter sido esfaqueada varias vezes nos preços das coisas eu fui aprendendo e no final eu já tava bem pro, e aprendi que eles so fazem o preço que a gente quer quando a gente sai da loja e vai embora. Eles vem atras com a coisa na mão! Eu encontrei com um casal de brasileiros que tinham acabado de chegar da Indonesia e eles me disseram que lá até no mercado as coisas não tinham preço, era no esquema da barganha pra tudo. Imagina fazer a compra do mês assim? Sem contar que as vezes a gente não queria comprar nada e os vendedores insistiam trocentas vezes só pra gente olhar. E eles adoravam bater um papo quando a gente estava com pressa, isso tudo no meio da rua, uma vez quase fui atropelada por uma moto porque fui andando enquanto tentava me livrar de um vendedor. Eu estava quase botando uma plaquinha na minha roupa dizendo ¨no shopping¨ no estilo como a gente faz quando vai ao rodízio e não quer mais que a comida passe na mesa. E se a gente decidia entrar em alguma loja só para ver uma coisa, eles nos mostravam até a mãe. E naquelas lojinhas pequenas era tipo um buraco negro que não parava de sair coisas, daí a gente ficava meio assim com dó porque o cara tava lá querendo mostrar tudo pra gente, ai ficava tudo uma zona. Me dava um alivio quando o Benjamin começava a reclamar e dai eu tinha uma desculpa boa para dar no pé.

E eu não posso esquecer de dizer que a coisa que mais sinto falta de lá é a massagem maravilhosa que eles fazem. A gente sai toda besuntada mas é super boa. Eu provei todas as que encontrei pelo caminho. E nem sempre foi uma boa experiência. Achei um lugar que oferecia massagem ¨kerala¨(que eu prefiro chamar de caralha.. vai vendo). Foi simplesmente uma hora de pancadaria e espremeção no meu corpo todo e sai de lá fedendo muito a curry e super besuntada. Sério as minhas roupas ficaram uma catinga. Mas eu queria provar coisas diferentes, sabe?

 

Uma coisa que notei é que apesar de todo o caos do país é que os indianos são bem pacíficos. Eu não vi nenhum quebra pau, briga, xingamento enquanto estive lá. Nem assalto, nem nada (eles tentam te arrancar dinheiro de outras formas, tipo, jogando os preços lá em cima). Até naquele trânsito louco que não sei como tudo no fim sai intacto. Deve ser porque na traseira dos carros eles não botam ¨jesus salva, ¨bêbe a bordo¨, ou sei lá o que e sim ¨BLOW HORN¨ (estoure a buzina). Era bibi por todo canto e os caras dão fina a toda hora! Quando cheguei sozinha no aeroporto peguei um taxi no meio da madruga e fomos por uma estrada muito estreita e cheia de curvas no meio de uma infinidade de coqueiros e eu juro que eu fosse partir dessa para melhor ali. Toda hora aparecia um puta farol vindo em nossa direção e por milagre do universo nada acontecia. Uma das coisas mais difíceis era atravessar a rua por lá. Mas só tinha uma coisa para a qual todos paravam: a sagrada vaca. Mas assim, ela é tipo deus para os indus mas a gente as ve pelas ruas comendo restos de lixos, geralmente plásticos. Para quem quer virar vegetariano lá é um dos lugares mais fáceis de se fazer isso acontecer. Eu estava com isso em mente até ver que eles tinham camarões jumbo. Aí não foi dessa vez. Mas a gente sempre tem a ideia de que comida vegetariana é saudável mas lá ela era gordurosa, eles usavam bastante creme de leite, fritura e tals. Se a gente queria escapar do curry nem sempre era uma tarefa facil porque era difícil encontrar um restaurante que conseguisse fazer algum outro prato considerado ocidental comível ou sem especiarias. Resumindo a gente comia curry e pasta.

Nós decidimos ficar na terceira cidade que passamos porque vimos que era muito role ter que ficar mudando a toda hora de hotel e tudo mais com todas as coisas que tínhamos e que isso tirava o Benji da rotina e a gente ficava só o pó da bolacha. A cidadezinha que ficamos se chamava Patnem e pelo que pude perceber depois de ter pego um trem sozinha para ir para uma cidade grande que ficava mais ao norte e visitar umas praias ali por perto é de que Patnem era puro luxo se comparada com os outros lugares. E Patnem não era nada de mais. Era fofa mas nada demais. Mas era super ¨shanti¨. Era a praia, os restaurantes da praia, a rua principal e os hostelzinhos. A gente já ate estava se sentindo moradores de lá, todo mundo conhecia todo mundo.

Para se conseguir ter um chip pré pago funcionando no seu celular você precisava levar uma copia do passaporte, ter um endereço fixo, deixar um telefone de algum conhecido indiano para dar referencias sobre você, e dai depois de uma semana eles ligam para essa pessoa e liberam teu cartão. Deu para perceber que India também adora uma burocracia. Sem contar que para pagar as coisas era só com dinheiro (uma coisa que eu quase não vejo mais a cor porque aqui na Suecia a gente passa o cartão para tudo e quando não é cartão é swish). Ai para tirar dinheiro só tinha uma maquina atm com uma fila de virar a esquina de turistas. Dai ta la a gente plantado há uma hora quando sai alguém e diz “cabo dinheiro”. Vivi esse drama várias vezes.

Esse foi um grupo de estudantes que desceu em um dos barcos que atracou na praia. de Patnen. Acredite ou não todas elas carregaram o Benjamin!

E meu deus, como indianos adoram crianças que não são indianas. Muita gente vinha tirar selfies com o benjamin no carrinho, as vezes até sem pedir. Até encontramos um casal de recém casados que até ficamos um pouco desconfortáveis porque eles não queriam largar mais o Benjamin e o Benji começou a reclamar e lá estavam eles tirando fotos de todos os ângulos. Mas no ultimo hotel que a gente ficou, o benji virou o mascote. Era um hotel que tinham acabado de abrir (o que eu adorei porque era tudo novinho e super limpo). Toda hora o benjamin estava com algum funcionário na cozinha comendo panquecas ou em cima das motos ou dentro dos tuc tucs que ficavam estacionados em frente ao hotel. Era até engraçado porque de manhã era o maior horário de pico porque o café ainda não tinha feito efeito em mim ainda e o Benji já queria ir correr para a rua nos ¨brum brums¨(entenda-se tudo o que tem uma roda). Aí chegava um garçom e emprestava o benji por 5 minutos. Eu só ouvia as gargalhadas e brum bruns do Benjamin vindo lá da rua.

Uma curiosidade é que as cabaninhas que são os hotéis de lá tem que ser destruídas todos os anos antes das monções e depois disso reconstruídas para a temporada. Deu um só saber disso.

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Depois de um tempo lá, a gente acaba encontrando um certo charme no meio de todo o caos. Sim, como falei aqui rola um choque sim, ainda mais para nós brasileiros que temos mania de limpeza. Eu com certeza quero voltar para a India quando o Benjamin estiver maior e rodar o pais todo por uns 6 meses e fazer todos os cursos de yoga possíveis, de tantra, ir naqueles campos de medição e ficar 10 dias sem poder falar (na real eu meio que vou fazer isso involuntariamente depois da minha cirurgia já que não vou poder falar por umas duas semanas). Eu descobri que ir para a India faz bem para a alma. Eles importam corpos e exportam almas. Só basta a gente estar preparado para isso. Um livro que eu super recomendo e acho que dá uma ideia bem legal do que se é a India hoje é “holy cow”, de uma australiana chamada Sarah MacDonald. Eu não sei se deve ter a versão em português.

Desculpa pelo post tem ficado meio gigantão mas eu vou começar a ser mais organizada por aqui. Dia 1 de março vai ser a minha cirurgia e a coisa que eu mais vou poder fazer é ficar aqui em frente ao computador já que eu não vou poder falar. Aí vou poder atualizar as coisas aqui mais susse.

Por ora é isso!

hej då

Suécia

As desvantagens de se morar nas gringa

Antes de me mudar pra valer para a Suécia, eu me achava “sabida” só porque andei cavocando todas as entradas possíveis no buraco negro da internerds sobre aqui, arranhava um pouco de sueco e também porque tinha vindo pra cá algumas vezes de visita relâmpago.. (sendo que nunca tinha vindo no inverno pra valer.. e até agora não fiquei um inverno se quer aqui).

O resultado? Meio que quebrei a cara no asfalto da BR. E olha isso porque sempre tive o Alexander do meu lado, sendo que ele é sueco e sabe dos paranauê das coisas. É muito diferente quando se muda para um país por tempo indeterminado do que quando se vai só por uma temporada, as pedrinhas no sapato incomodam muito mais.

A minha ideia não é cortar o barato de ninguém mas sim meio que dar um banho de realidade (algo que eu deveria ter tido). Todo mundo sabe que não existe lugar perfeito (por mais que a Gloria Maria tenha tentado convencer geral de que aqui é o paraíso).

E é claro que tem as coisas que valem a pena de ter dado o pé do Brasil. Mas acho que tudo é uma questão fazer um balanço nas prioridades que se têm na vida, porque yes, tudo tem um preço. Essa pequena lista não se trata somente da Suécia e sim da vida na gringolândia em geral. Sobre a Suécia eu falei neste post aqui.

O que eu quero dizer é que muita gente muda para outros pais pensando que vai escapar de todos os problemas, algumas vezes isso acontece mas os problemas se tornam outros. (Até nisso rola um exchange hehe!)

Vou lançar o top 3:

  • o tal do choque cultural

Vixe Maria, muita gente sempre vem me perguntar do tal. E não é uma coisa que vai acontecendo aos poucos até você pensar: pronto, adaptay! Não há ky no mundo que faça a coisa ficar mais fácil, a situação menos embaraçosa. É tipo como um banho de agua fria cada vez que isso acontece. Por exemplo, se você estava acostumado a vida toda a dar beijinho na bochecha das pessoas logo depois de conhecê-las e depois se vê em uma situação em que tal comportamento causa um certo desconforto nas pipol (aqui na Suécia só se beija no rosto as pessoas que tem intimidade entre si.. otherwise, só uma chacoalhada de mão e finito. sem um, nem dois e , muito menos, três beijinhos..).

É tipo, tentar cortar um comportamento que já é automático na gente e tentar substitui-lo por algo totalmente estranho.. e por ai vai. Por mais que você aprenda a língua, viva no pais durante décadas, vai ter uma hora que você não entendeu aquela piadinha interna porque fazia parte de um desenhinho que todo mundo viu menos você.

  • a saudade passa a ser um sentimento constante e dói mais do que você imaginava..

Eu nunca fui muito grudada com a minha família por conta de sempre ter tido formiga na bunda. Mas a gente sempre se reunia quando dava. Desde que eu me conheço por gente sempre queria ¨ir embora, morar algures alem mar¨. Mas eu fui bem na inocência e só queria enxergar o que me convinha sobre morar na Suécia. Morar em uma cidade diferente da sua família dentro do Brasil e se encontrar algumas vezes ao ano é uma coisa mas mudar para um país do outro lado do globo é totalmente outros quinhentos. E daí que quando passou a euforia de ter me mudado e tals, eu me senti como se estivesse dentro de uma bolha extremamente distante do resto de todas as pessoas queridas pra mim. Tipo, em uma outra galáxia. E por mais que exista FaceTime, Skype e a parafernália toda não tem nada nesse mundo que substitua a convivência. Sim, eles sempre vão vibrar com você a cada conquista que você fizer e também vão chorar quando alguma merda acontecer. Mas sempre vai ter nada alem de uma tela na nossa frente. Sem contar a diferença de fuso, a coneção ruim.. E agora, depois que tive o Benji eu sinto uma culpa constante de ter que criar o meu filho longe do resto da minha família. E isso tudo dói, e muito. Pode ter certeza.

  • começar do zero

No começo vai ser assim, a gente é um zé ninguém. Muita gente que era a pica das galáxias no pais de onde veio tem que abaixar a bola. Aqui, por exemplo, quase todo mundo fala um inglês perfeito. No Brasil, como um inglês nos trinques a gente já consegue descolar um trampo já por esses lados isso não é um diferencial. Sempre ter aquele feeling de ser o cego no meio de um tiroteio. Antes de vir pra cá eu estava super empolgada em como iriam ser as, vamos dizer, ¨diferenças¨ no dia a dia. Agora, rola uma certa penação. Uma simples atividade pode virar um projeto de aprendizado gigante (abençoado Google!). Isso leva tempo. E as vezes o sistema é lento! A média de tempo que um imigrante leva aqui na Suécia para conseguir um emprego na área, falar sueco fluente, ter um certo ciclo social é de 5 anos!

 

Eu acho que esse é o lado negro da moeda. Mas a gente tem que dar o cara a tapa e ver como se sai nisso tudo.. e estar preparado para o que pode vir, né non?

E um outro dia eu volto para contar o lado cor de rosa de morar nas zoropa, nas gringa, em geral. Ogay?!