All Posts By:

bruna piloto

decor Suécia

Sobre a história da Ikea, o cara que fez do limão uma caipirinha

Para quem não conhece Ikea é tipo uma casas Bahia sueca que existe no resto do mundo menos no Brasil. Ela é um bagulho fenomenal.

Nós podemos comparar o seu estilo com o das lojas Etna e Tok Stok – elas obviamente foram inspiradas na Ikea porém não são tão acessíveis quanto.

A IKEA foi criada no final da década de 50 quando o dono da cocada preta Ingvar Kamprad tinha só 17 aninhos já com um instinto de dominar o mundo.
Antes de fundar a Ikea, Ingvar já tinha o espírito empreendedor. Ele começou vendendo selos até que evoluiu para a venda de móveis. Aí ele viu que o negócio começou a crescer e resolveu fazer um armazém. Aí um belo dia ele decidiu fazer daquele armazém sua loja só que com uma ideia brilhante que virou o carro chefe da Ikea: os clientes iam direto no estoque aberto e pegavam os produtos que queriam adquirir. É o famoso ta det själv, “pegue você mesmo”. Isso facilitou a vida de muita gente porque não era necessário ter que ficar esperando uma cota para ter o produto entregue em casa. Até hoje é assim quando a gente compra em alguma outra loja aqui. Por exemplo, para comprar um sofá a gente tem que esperar por volta de 3 meses. Então além de o cliente ser responsável pelo transporte do produto ele também é quem faz a montagem do mesmo. Eu adoro fazer isso. É tipo um quebra cabeças versão adulto.

ikea-1Além da ideia do ta det själv, o que também a tornou popular foram os preços bem acessíveis dos produtos. E olha não tem que não se apaixone pelas coisas de lá. O design é maravilhoso e super funcional. Eles pensaram em tu-do. Eles vendem desde cozinhas planejadas, eletrodomésticos, móveis, brinquedos e até tem uma linha de alimentos chamada Ikea food. E é tudo muito manjado porque as lojas são gigantes, e eles sabem que nós vamos passar o dia lá lucycrazy namorando todos os produtos, enfrentando fila, cruzando o tráfico de carrinhos de compras, etc., que eles até bolaram um restaurante com comida típica sueca. Esse cardápio é valido em todas as lojas do planeta. Em todas eles servem a mesma coisa: almôndegas, purê de batatas e geleia de lingonberries (frutas silvestres típicas daqui). E ah, tem até um lugar em que os pais podem deixar os filhos acima de 3 anos para brincarem enquanto fazem compras.

E o nome dos produtos são todos em sueco, all over the world. Eu não sabia disso e achei sacanagem porque não é muito fácil pronunciar e lembrar os nomes para quem não fala a língua.

Obviamente que o Ingvar tornou-se uma das pessoas mais podres de rica do planeta. Sente só, ele é apenas o cara mais rico da Suíça (sim, ele é sueco mas mora lá).  Para se ter ideia ele é obviamente o dono da Ikea mas também do maior banco da Suécia, o Ikano.

Com certeza, uma outra coisa que ajudou muito no sucesso da Ikea foi o fato do Ingvar ter tido a brilhante ideia de trabalhar cada dia em um setor diferente da loja para ver o que poderia ser melhorado em cada um deles. Então, tipo, um dia ele era caixa, no outro era quem checava o estoque, etc. Ele sempre foi pau para toda obra. E apesar de ele ter rios de dinheiro, ele continua levando uma vida em uma casa modesta e tem o mesmo carro há um bom tempo (obviamente é um Volvo, aquele modelo clássico que cabe a família toda e uns móveis da Ikea atravessados no meio).

Até saiu uma reportagem no jornal inglês Daily Mail dizendo que ele barganha até no preço do mercadinho da esquina da casa dele. Modesto ou tio patinhas, nunca saberemos.

Um outro fato interessante é que a impressão anual do catálogo da Ikea supera a da Bíblia (que é o livro mais impresso do mundo).

E agora eles acabaram de lançar uma coleção inspirada nas cores do Brasil. Eu só achei que eles deveriam ter explorado mais a nossa palheta de cores e formas!

 

Se eu conseguir um emprego como designer lá dentro já tá MIR de bom!

E ah, uma coisa é certa: só volto para o Brasil quando tiver IKEA!

decor

Dona de casa dreams// decoração – ideias para a nossa cozinha

Alorr, pessoas!

A gente tá na pegada da reforma desde que nos mudamos para essa casa louca em Estocolmo. Falo assim porque a história dessa casa dá para fazer um enredo de novela mexicana versão leste europeu.

A parada é a seguinte, já que a mão de obra aqui na Suécia é loucamente cara (gira em torno de 500 coroas suecas a hora) decidimos botar a mão na massa nós mesmos. Por mim tudo bem, porque eu acho terapêutico fazer essas paradas e porque é algo que descobri que curto muito fazer. Juro que não vejo a hora de sair martelando todo aquele azulejo da cozinha bem no estilo girl power. A casa que nós moramos é da década de 60 e praticamente todos os cômodos precisam ser reformados. Se tivéssemos a mão de obra do Brasil com os materias daqui ia ser um sonho! Mas a realidade é que nós mesmos vamos refazer a cozinha e os banheiros num futuro próximo (falo isso porque no começo de março faço a minha cirurgia e vou virar um vegetal por um bom tempo, só depois que essa fase passar). E daí que a minha maior ocupação desde que me mudei para a Suécia é ficar sonhando high no Pinterest, fazendo wishlists em todos os sites de lojas de decoração maravilhosos daqui e stalkeando a casa da suecada pelo Instagram, que nunca?

Uma coisa que tem me ajudado bastante é o fato da casa em que nós moramos ser um padrão aqui na Suécia. Se você der um role aqui pela vizinhança verá que todas as casas são iguais! A que nós moramos é chamada de radhus, que significa casa em fileira. É uma grudadinha na outra e geralmente a disposição de cômodos é a mesma. Então eu sempre dou uma checada em sites de imobiliária para dar uma espiada nas fotos de dentro das casas gêmeas a nossa e ter uma inspiração. Como o nosso próximo grande projeto será fazer a cozinha, vou postar aqui o que andei me apaixonando ultimamente.

A nossa cozinha é exatamente assim, até os armários são os mesmos. Só que na nossa não tem essa bancada ainda mas super curtimos a ideia e queremos fazer uma também (só temos que descobrir como!). O que eu amei nessa cozinha foi a ideia de tudo branco na área de serviço e de quebra o papel de parede floral maravilhoso.

 

Eu gostei bastante da ideia do vitral para copos (mas não com esse vidro fosco estilo hospital). E nesse cantinho onde estão os pôsteres e o relógio que quase não dá para ver eu quero fazer uma coffee station. Eu acho que se tivessem pintando as escadas e esse teto de madeira de branco ia dar um super up na casa.

 

Lâmpada Kartell azul calcinha: puro love.

 

No Brasil eu sei que é bem comum esse estilo de azulejo em casas mais antigas, e sei que até muita gente chega até a pintar por cima deles..

Eu adoro tudo branco em casa mas tem que dar uma quebrada senão fica com cara de clínica e essa ideia das meninas do A beautiful mess de pintar dentro dos gabinetes da cozinha é uma ótima.

Meu sonho de ter uma Smeg azul calcinha na nossa cozinha foi por água abaixo. Até começamos a cogitar a ideia de ter uma mas apesar de serem lindas elas são super desengonçadas com aquela porta gorda porque se precisa de muito espaço para poder abri-la sem que bata no resto das coisas. E como o lugar para a geladeira na nossa cozinha é entre os armários isso se torna impossível. Ela é uma boa para quem pretende a ter sozinha em algum lugar da cozinha. (a gente depois que passa a ser adulta na paulada, acaba até tendo wet dreams com geladeira nova, gente. cuidado).

 

Bom, acho que por hoje é isso, pessoal!

Vou encostar a minha cabecinha no travesseiro e sonhar com um futuro próximo!

Bom resto de semana para vocês!

viagem

voltei das Índias!

Namastê, bitches! (tava doida para soltar essa frase)

Gente bonita, super peço desculpas porque sempre deixo juntar teia de aranha por aqui. Juro que vou tentar dar um jeito nisso mas eu to numa super correria infinita. Sério! Eu estava louca para vir postar aqui enquanto estávamos na India (até tentei fazer uns videozin), mas a internet de lá era super mega ruim e sem contar que a queda de energia era constante aí eu ficava dias com os aparelhos descarregados. E como não curto escrever textão vendo em tela pequena acabei desanimando.

Mas agora estoy aquí.

Processed with VSCOcam with a4 preset

A gente passou 6 semanas na Índia (mais precisamente no sul do Estado de Goa). E tipo, para mim foi mais como ter visitado uma praia no Brasil com um toque indiano. Essa parte é a que eles chamam de India light, acho que lá eles deram um tapa para receber os turistas. Goa fica no lado oeste do país e também foi uma colônia portuguesa mas ninguém mais fala português. Tava até cogitando a ideia de encontrar umas coxinhas.. Mas muitas coisas ainda tem nomes de origem luso. E eles vez ou outra soltam alguma palavrinha em português.

Antes da gente embarcar, eu estava surtando porque vamos considerar que a India não tem uma fama lá muito boa para se viajar com um bebê de menos 2 anos. Em todo canto que eu pedia por dicas de viagem para a india com um bebe as pessoas falavam que eu era louca e que era para eu não ir.

Sinceramente, para mim não foi assim tão interessante porque as nossas praias do Brasil são bem mais bonitas. Mas só pelo fato de ter areia fofa, Sol all day long e praia sem ter que estar na sofrência do inverno sueco já era super ótimo. Foi uma viagem de fases. No começo eu detestei muito, queria muito voltar para a casa. Se no Brasil era ruim de ir pra lá e pra cá com um carrinho de bebe na India foi pior ainda. Era tipo pós apocalipse adventure. Sem contar nas vacas e búfalos vindo em nossa direção. A luz acaba a toda hora, então tava lá a gente no meio de um corredor todo esburacado, com chão de areia misturada com aquela terra vermelha e ruínas de concreto, segurando carrinho, bebe, bolsas, procurando a lanterna e daí pinta uma vaca no meio. Isso era uma coisa que acontecia todos os dias. Sem contar que a agua também poderia faltar a qualquer momento. Tinha até um balde com uma jarra de plástico no banheiro (foi assim em todos os lugares que ficamos). A gente quase mudou a passagem mas dai comecei a ver a galera postando fotos na minha timeline dizendo que estava fazendo menos 18 em Estocolmo aí resolvi abraçar o capeta. E é muito louco porque dezembro é inverno lá e se fazem quase 35 graus durante o dia (mas na região da Kashemira fica bem frio, quase estilo Suécia) e nunca chove durante essa época, acho que as chuvas ficam reservadas só para o período das monções. Graças a Ganesh, Shiva, e afins ninguém ficou doente. E olha que eu peguei o Benji com uma moeda indiana enfiada na boca! Os indianos adoram fazer uma queimada, então quase toda hora vem um fedor de plástico sendo queimado.

Nós fomos bem cuidadosos na escolha de onde comer. A maioria dos restaurantes usavam água filtrada no preparo dos alimentos. E tinha curry de todos os tipos e cores e pelo menos uma vez ao dia a gente comia algum prato com curry. Obviamente a coisa que fiz quando voltei para casa foi perguntar para a primeira pessoa que encontrei pelo caminho se eu estava cheirando a curry! 😛
Os passeios turísticos oferecidos dentro de Goa não eram lá muito atrativos porque tipo, para se ter uma ideia a primeira coisa na lista do trip advisor está uma igreja colonial construída pelos portugueses, a gente não ia pegar um trem para cruzar o Estado com a tralha toda, bebe e papagaio para ver uma igreja que eu tenho na minha terra! E dai pensei em ir fazer um tour de elefante numa fazenda de especiarias mas dai comecei a cavocar o Google e cheguei a conclusão de que eles sofreram torturas a vida toda para poderem servir os turistas. Eu não queria alimentar esse mercado. Então preferi ficar de boa aonde estava mesmo.

O que eu vi em Goa foi só uma pontinha do Iceberg que a India oferece. Juro que me senti tanto na minha adolescência com aqueles terceiros olhos, tatuagem de henna, leitura das mãos, cartazes oferecendo tererês, até jogar can can todas as noites enquanto esperávamos pelo jantar na praia a gente jogou. Eu me enfiei em todo o tipo de coisa hippie transcendental que encontrei! As roupas, as pulseiras, os bagulho todo. Até leitura dos olhos tibetana eu fiz (até então nem sabia que isso existia). Fui até num festival da cura. E obviamente que não comi carne vermelha durante a viagem. Não comi porque não sou muito chegada e outra aquelas vacas todas pelo caminho querendo um carinho deixa qualquer um com a consciência pesada. Fiz consulta com uma medica ayrvédica (é assim que se fala?), soltei a franga com os tambores shamanistas. Depois que descobri o significado de ¨shanti¨ (do sâncristo: calma, alegria, tranquilidade..) quis que tudo meu tivesse isso impresso! Até comecei a dar mais bola para o poder dos cristais depois que segurei vários na mão e senti um troço diferente com cada um deles. Quis trazer todos para a casa e agora quero ter uma mina deles! Experimentei ir em um dentista que cantava durante a consulta. Goa também é famosa pelo turismo dental (tem cada coisa nesse mundo, gente), os tratamentos lá são umas 3 vezes mais baratos do que aqui na zooropa. E tive a infeliz experiência de ter ido na pior cabeleireira da minha vida. Quando eu fui viajar sabia que precisava de um corte de cabelo e deixei para arriscar fazer isso quando chegasse na India porque ia ser bem mais barato do que aqui.

Tá, fui lá procurei no Google por indicações e achei uma tal de “Vanessa pérola” e ainda escrito que a gente não deveria deixar passar essa oportunidade de dar um pulo no salão. As fotos do site pareciam ser de um salao profissional. Tá, fui para a rua e peguei um tuc tuc e fui encontrar a tal Vanessa. Eu pedi para ela cortar o meu cabelo como sempre costumo cortar: deixar bem mais comprido na frente. E o que ela fez? Passou a tesoura ao contrario! Ficou muito super mais curto na frente, tipo corte v só que muito toscamente feito. Meu cabelo estava bem abaixo no ombro. Eu não sei mas andei desenvolvendo uma paciência de Buda ultimamente, só pedi para ela terminar de cortar do jeito que ela queria, paguei 100 rúpias (13 coroas= uns 5 reais). E ah, para não esquecer de falar que as fotos que estavam no site do salão não eram reais. Cheguei no hotel olhei no espelho e vi que nem retas as pontas estavam. Nem um corte channel ia salvar aquilo ali. Acho que uma coisa que deva ter se passado pela cabeça de toda menina é ¨como será que eu ficaria se raspasse a cabeça?¨. Desde adolescente eu pensava em fazer isso uma vez na vida e escolhi esse o momento. Era perfeito, meu cabelo estava cagado, eu virei mãe e não tenho tempo para ficar 1 hora e meia em frente ao espelho tentando fazer a juba mais sociável, estava em um lugar onde ninguém me conhecia e não tinha nada importante programado para esse ano. E também porque finalmente vou conseguir fazer a minha cirurgia ortognatica que foi tão impossível de conseguir no Brasil. Eu sempre brincava que se eu conseguisse que algum convênio de saúde me desse carta verde para fazê-la eu rasparia a cabeça. Entendeu, né. Esse era o momento. Fui pra rua e achei um barbeador e falei ¨pó rapá ¨ dando aquela chacoalhadinha de cabeça que os indianos fazem.

Claro que ele me perguntou se era isso mesmo que eu queria da vida. Eu tinha certeza disso mas um gelinho subiu pela minha espinha. Ele cortou tudo e depois veio com a maquininha. Eu tremi, sério. Mas foi um alivio, uma felicidade. Era como ter se livrado de um carma ruim. Eu não pensei muito em como ia ser depois. Mas parecia que ia ser uma vida nova pela frente. Depois eu posso falar como é ser uma mulher careca e como foi ser uma mulher careca onde cabelo é tudo! (indianas amam seus cabelos). Budistas raspam a cabeça para diminuir 10 mil vidas em seus karmas.

Ainda falando sobre os salões de beleza de lá, eu também provei me depilar. Depilação é popular na India por conta da religião que diz que as mulheres tem que estar ¨atraentes¨ para os seus homens. Então elas fazem o desmatamento a cada 20 dias. Eles usam cera na depilação mas para retirar eles usam um pedaço de tecido. E para tirar o buço a mulher usou um pedaço de linha.

Mas vamos falar mais da viagy. Goa é boa para dar um reload. Muitos indianos também vão para lá a passeio, principalmente os que moram em Mumbai. Tinham também vários outros ¨survivors¨ ocidentais (entenda-se pais com crianças pequenas) viajando por lá. Fazer compras lá não era muito uma terapia e sim uma luta de quem tinha a melhor lábia na barganha. Puts grila! Os turistas são tipo notas de dólar desfilando pela rua para os vendedores indianos. Vendedores esses que vem geralmente do norte do país trabalhar só durante a alta temporada. Era passar em frente as lojinhas e ser abordada ¨come inside, madam¨.. ¨ill make you very special pricezz¨. Ahum, eles sempre te dão um preço 9389843 vezes mais caro do que você deveria estar pagando. Tipo, uma parada que custa umas mil rupias eles te pedem 5 mil. Dai você tem que ser bom no ping pong do preço. Depois de ter sido esfaqueada varias vezes nos preços das coisas eu fui aprendendo e no final eu já tava bem pro, e aprendi que eles so fazem o preço que a gente quer quando a gente sai da loja e vai embora. Eles vem atras com a coisa na mão! Eu encontrei com um casal de brasileiros que tinham acabado de chegar da Indonesia e eles me disseram que lá até no mercado as coisas não tinham preço, era no esquema da barganha pra tudo. Imagina fazer a compra do mês assim? Sem contar que as vezes a gente não queria comprar nada e os vendedores insistiam trocentas vezes só pra gente olhar. E eles adoravam bater um papo quando a gente estava com pressa, isso tudo no meio da rua, uma vez quase fui atropelada por uma moto porque fui andando enquanto tentava me livrar de um vendedor. Eu estava quase botando uma plaquinha na minha roupa dizendo ¨no shopping¨ no estilo como a gente faz quando vai ao rodízio e não quer mais que a comida passe na mesa. E se a gente decidia entrar em alguma loja só para ver uma coisa, eles nos mostravam até a mãe. E naquelas lojinhas pequenas era tipo um buraco negro que não parava de sair coisas, daí a gente ficava meio assim com dó porque o cara tava lá querendo mostrar tudo pra gente, ai ficava tudo uma zona. Me dava um alivio quando o Benjamin começava a reclamar e dai eu tinha uma desculpa boa para dar no pé.

E eu não posso esquecer de dizer que a coisa que mais sinto falta de lá é a massagem maravilhosa que eles fazem. A gente sai toda besuntada mas é super boa. Eu provei todas as que encontrei pelo caminho. E nem sempre foi uma boa experiência. Achei um lugar que oferecia massagem ¨kerala¨(que eu prefiro chamar de caralha.. vai vendo). Foi simplesmente uma hora de pancadaria e espremeção no meu corpo todo e sai de lá fedendo muito a curry e super besuntada. Sério as minhas roupas ficaram uma catinga. Mas eu queria provar coisas diferentes, sabe?

 

Uma coisa que notei é que apesar de todo o caos do país é que os indianos são bem pacíficos. Eu não vi nenhum quebra pau, briga, xingamento enquanto estive lá. Nem assalto, nem nada (eles tentam te arrancar dinheiro de outras formas, tipo, jogando os preços lá em cima). Até naquele trânsito louco que não sei como tudo no fim sai intacto. Deve ser porque na traseira dos carros eles não botam ¨jesus salva, ¨bêbe a bordo¨, ou sei lá o que e sim ¨BLOW HORN¨ (estoure a buzina). Era bibi por todo canto e os caras dão fina a toda hora! Quando cheguei sozinha no aeroporto peguei um taxi no meio da madruga e fomos por uma estrada muito estreita e cheia de curvas no meio de uma infinidade de coqueiros e eu juro que eu fosse partir dessa para melhor ali. Toda hora aparecia um puta farol vindo em nossa direção e por milagre do universo nada acontecia. Uma das coisas mais difíceis era atravessar a rua por lá. Mas só tinha uma coisa para a qual todos paravam: a sagrada vaca. Mas assim, ela é tipo deus para os indus mas a gente as ve pelas ruas comendo restos de lixos, geralmente plásticos. Para quem quer virar vegetariano lá é um dos lugares mais fáceis de se fazer isso acontecer. Eu estava com isso em mente até ver que eles tinham camarões jumbo. Aí não foi dessa vez. Mas a gente sempre tem a ideia de que comida vegetariana é saudável mas lá ela era gordurosa, eles usavam bastante creme de leite, fritura e tals. Se a gente queria escapar do curry nem sempre era uma tarefa facil porque era difícil encontrar um restaurante que conseguisse fazer algum outro prato considerado ocidental comível ou sem especiarias. Resumindo a gente comia curry e pasta.

Nós decidimos ficar na terceira cidade que passamos porque vimos que era muito role ter que ficar mudando a toda hora de hotel e tudo mais com todas as coisas que tínhamos e que isso tirava o Benji da rotina e a gente ficava só o pó da bolacha. A cidadezinha que ficamos se chamava Patnem e pelo que pude perceber depois de ter pego um trem sozinha para ir para uma cidade grande que ficava mais ao norte e visitar umas praias ali por perto é de que Patnem era puro luxo se comparada com os outros lugares. E Patnem não era nada de mais. Era fofa mas nada demais. Mas era super ¨shanti¨. Era a praia, os restaurantes da praia, a rua principal e os hostelzinhos. A gente já ate estava se sentindo moradores de lá, todo mundo conhecia todo mundo.

Para se conseguir ter um chip pré pago funcionando no seu celular você precisava levar uma copia do passaporte, ter um endereço fixo, deixar um telefone de algum conhecido indiano para dar referencias sobre você, e dai depois de uma semana eles ligam para essa pessoa e liberam teu cartão. Deu para perceber que India também adora uma burocracia. Sem contar que para pagar as coisas era só com dinheiro (uma coisa que eu quase não vejo mais a cor porque aqui na Suecia a gente passa o cartão para tudo e quando não é cartão é swish). Ai para tirar dinheiro só tinha uma maquina atm com uma fila de virar a esquina de turistas. Dai ta la a gente plantado há uma hora quando sai alguém e diz “cabo dinheiro”. Vivi esse drama várias vezes.

Esse foi um grupo de estudantes que desceu em um dos barcos que atracou na praia. de Patnen. Acredite ou não todas elas carregaram o Benjamin!

E meu deus, como indianos adoram crianças que não são indianas. Muita gente vinha tirar selfies com o benjamin no carrinho, as vezes até sem pedir. Até encontramos um casal de recém casados que até ficamos um pouco desconfortáveis porque eles não queriam largar mais o Benjamin e o Benji começou a reclamar e lá estavam eles tirando fotos de todos os ângulos. Mas no ultimo hotel que a gente ficou, o benji virou o mascote. Era um hotel que tinham acabado de abrir (o que eu adorei porque era tudo novinho e super limpo). Toda hora o benjamin estava com algum funcionário na cozinha comendo panquecas ou em cima das motos ou dentro dos tuc tucs que ficavam estacionados em frente ao hotel. Era até engraçado porque de manhã era o maior horário de pico porque o café ainda não tinha feito efeito em mim ainda e o Benji já queria ir correr para a rua nos ¨brum brums¨(entenda-se tudo o que tem uma roda). Aí chegava um garçom e emprestava o benji por 5 minutos. Eu só ouvia as gargalhadas e brum bruns do Benjamin vindo lá da rua.

Uma curiosidade é que as cabaninhas que são os hotéis de lá tem que ser destruídas todos os anos antes das monções e depois disso reconstruídas para a temporada. Deu um só saber disso.

Processed with VSCOcam with c1 preset

Depois de um tempo lá, a gente acaba encontrando um certo charme no meio de todo o caos. Sim, como falei aqui rola um choque sim, ainda mais para nós brasileiros que temos mania de limpeza. Eu com certeza quero voltar para a India quando o Benjamin estiver maior e rodar o pais todo por uns 6 meses e fazer todos os cursos de yoga possíveis, de tantra, ir naqueles campos de medição e ficar 10 dias sem poder falar (na real eu meio que vou fazer isso involuntariamente depois da minha cirurgia já que não vou poder falar por umas duas semanas). Eu descobri que ir para a India faz bem para a alma. Eles importam corpos e exportam almas. Só basta a gente estar preparado para isso. Um livro que eu super recomendo e acho que dá uma ideia bem legal do que se é a India hoje é “holy cow”, de uma australiana chamada Sarah MacDonald. Eu não sei se deve ter a versão em português.

Desculpa pelo post tem ficado meio gigantão mas eu vou começar a ser mais organizada por aqui. Dia 1 de março vai ser a minha cirurgia e a coisa que eu mais vou poder fazer é ficar aqui em frente ao computador já que eu não vou poder falar. Aí vou poder atualizar as coisas aqui mais susse.

Por ora é isso!

hej då

Suécia

As desvantagens de se morar nas gringa

Antes de me mudar pra valer para a Suécia, eu me achava “sabida” só porque andei cavocando todas as entradas possíveis no buraco negro da internerds sobre aqui, arranhava um pouco de sueco e também porque tinha vindo pra cá algumas vezes de visita relâmpago.. (sendo que nunca tinha vindo no inverno pra valer.. e até agora não fiquei um inverno se quer aqui).

O resultado? Meio que quebrei a cara no asfalto da BR. E olha isso porque sempre tive o Alexander do meu lado, sendo que ele é sueco e sabe dos paranauê das coisas. É muito diferente quando se muda para um país por tempo indeterminado do que quando se vai só por uma temporada, as pedrinhas no sapato incomodam muito mais.

A minha ideia não é cortar o barato de ninguém mas sim meio que dar um banho de realidade (algo que eu deveria ter tido). Todo mundo sabe que não existe lugar perfeito (por mais que a Gloria Maria tenha tentado convencer geral de que aqui é o paraíso).

E é claro que tem as coisas que valem a pena de ter dado o pé do Brasil. Mas acho que tudo é uma questão fazer um balanço nas prioridades que se têm na vida, porque yes, tudo tem um preço. Essa pequena lista não se trata somente da Suécia e sim da vida na gringolândia em geral. Sobre a Suécia eu falei neste post aqui.

O que eu quero dizer é que muita gente muda para outros pais pensando que vai escapar de todos os problemas, algumas vezes isso acontece mas os problemas se tornam outros. (Até nisso rola um exchange hehe!)

Vou lançar o top 3:

  • o tal do choque cultural

Vixe Maria, muita gente sempre vem me perguntar do tal. E não é uma coisa que vai acontecendo aos poucos até você pensar: pronto, adaptay! Não há ky no mundo que faça a coisa ficar mais fácil, a situação menos embaraçosa. É tipo como um banho de agua fria cada vez que isso acontece. Por exemplo, se você estava acostumado a vida toda a dar beijinho na bochecha das pessoas logo depois de conhecê-las e depois se vê em uma situação em que tal comportamento causa um certo desconforto nas pipol (aqui na Suécia só se beija no rosto as pessoas que tem intimidade entre si.. otherwise, só uma chacoalhada de mão e finito. sem um, nem dois e , muito menos, três beijinhos..).

É tipo, tentar cortar um comportamento que já é automático na gente e tentar substitui-lo por algo totalmente estranho.. e por ai vai. Por mais que você aprenda a língua, viva no pais durante décadas, vai ter uma hora que você não entendeu aquela piadinha interna porque fazia parte de um desenhinho que todo mundo viu menos você.

  • a saudade passa a ser um sentimento constante e dói mais do que você imaginava..

Eu nunca fui muito grudada com a minha família por conta de sempre ter tido formiga na bunda. Mas a gente sempre se reunia quando dava. Desde que eu me conheço por gente sempre queria ¨ir embora, morar algures alem mar¨. Mas eu fui bem na inocência e só queria enxergar o que me convinha sobre morar na Suécia. Morar em uma cidade diferente da sua família dentro do Brasil e se encontrar algumas vezes ao ano é uma coisa mas mudar para um país do outro lado do globo é totalmente outros quinhentos. E daí que quando passou a euforia de ter me mudado e tals, eu me senti como se estivesse dentro de uma bolha extremamente distante do resto de todas as pessoas queridas pra mim. Tipo, em uma outra galáxia. E por mais que exista FaceTime, Skype e a parafernália toda não tem nada nesse mundo que substitua a convivência. Sim, eles sempre vão vibrar com você a cada conquista que você fizer e também vão chorar quando alguma merda acontecer. Mas sempre vai ter nada alem de uma tela na nossa frente. Sem contar a diferença de fuso, a coneção ruim.. E agora, depois que tive o Benji eu sinto uma culpa constante de ter que criar o meu filho longe do resto da minha família. E isso tudo dói, e muito. Pode ter certeza.

  • começar do zero

No começo vai ser assim, a gente é um zé ninguém. Muita gente que era a pica das galáxias no pais de onde veio tem que abaixar a bola. Aqui, por exemplo, quase todo mundo fala um inglês perfeito. No Brasil, como um inglês nos trinques a gente já consegue descolar um trampo já por esses lados isso não é um diferencial. Sempre ter aquele feeling de ser o cego no meio de um tiroteio. Antes de vir pra cá eu estava super empolgada em como iriam ser as, vamos dizer, ¨diferenças¨ no dia a dia. Agora, rola uma certa penação. Uma simples atividade pode virar um projeto de aprendizado gigante (abençoado Google!). Isso leva tempo. E as vezes o sistema é lento! A média de tempo que um imigrante leva aqui na Suécia para conseguir um emprego na área, falar sueco fluente, ter um certo ciclo social é de 5 anos!

 

Eu acho que esse é o lado negro da moeda. Mas a gente tem que dar o cara a tapa e ver como se sai nisso tudo.. e estar preparado para o que pode vir, né non?

E um outro dia eu volto para contar o lado cor de rosa de morar nas zoropa, nas gringa, em geral. Ogay?!

Suécia

E o verão (versão amostra) se foi

Há mais ou menos um mês atrás estava acontecendo o que o povo chama aqui de ¨verão¨ (concordo que até tiveram uns dias em que eu pude glorificar de pé porque fez calor de verdade. tipo, no total, uns 13 dias no ano todo). Até tiveram umas pessoas otimistas dizendo que o melhor caminho para o verão na Suécia era o aeroporto. Mas então tá, agora já começou a fazer quase zero grau durante a madrugs. E também está na época em que Aurora Boreal começa a pintar o céu por essas bandas. Algumas pessoas conseguiram ver aqui em Estocolmo essa semana mas toda vez que a gente sai de excursão no meio do mato pra conseguir ver, ela desaparece (e eu fico loka). Meu sonho é subir para Tromso só para passar muito frio e ficar olhando as luzes brincarem no céu. Mas agora é momento nostalgia (é porque consegui sentar e dar uma organizada no buraco negro das fotos no meu hd.. entonces, vou postar algumas aqui)

Da série “nesse verão teve”:

Sorvete com pedaço de asfalto, vulgo lakritis ..porque a gente tem que se abrir a novas experiencias na vida!

Benjamin fazendo a rapa em todos os morangos e groselhas no jardim

   Melancia de colher

Super visita querida dos meus pais e da minha avó (e o benjoquinolds fazendo uma pose de birra para toda eternidade)

Essa ostentação toda de coleta diária de moranguinhos, cerejas e framboesas diretamente do nosso quintal

 

 

 

 

noite num barquinho fuleco e no meio da madrugada teve uma tempestade de fim de mundo que parecia que o barco ia arrebentar a corda e que eu ia ter que passar o resto da minha vida cantando ¨sail away, sail away, sail away¨da Enya no meio do oceano. 

tiveram cenouras, batatas, abóbora, coentro, cerejas, uvas… e tralala brotando nosso quintal. Foi de dar inveja a qualquer Bela Gil da vida.

visita relâmpago da Mo vinda direta da Austrália

IMG_5313e caça a arco íris!

 

Bom, acho que esses foram os 13 dias de Sol! 😛

devaneios

Direto do olho do furacão

Oi, gentes!

Se liga que nem sei por onde começar. Acho que fiquei sem escrever aqui desde a era paleolítica. Foi um trampo desgraçado instalar o WordPress e migrar o blog (de noobie total fui promovida a semi entendida, diríamos). Um troço que era pra levar 5 minutinhos acabou durando uns 4 meses. E olha que ainda tem muita coisa que quero mudar no layout mas to extremamente sem tempo. Alias, tempo é a coisa que mais quero na vida agora.

Eu devo tar muito macumabada no carma da tecnologia porque o Benjocs tacou o meu Ipad no chão umas trocentas vezes e ele resolveu passar dessa pra melhor. Ai no mes seguinte, eu comprei umas rosas lendjas durante a tpm from me to myself pra me alegrar mas botei o vaso bem ao lado do meu mac e a destrambelhada virou tudo como um diluvio em cima do computador. 6,700 coroas só para arrumar. E dai, que ne! Não tenho esse dinheirinho, non. Mais um pouco e dá pra comprar um novo. O bom é que tem espaço no jardim de casa e posso começar a plantar maçãs. (rir pra não chorar – e muito). E dai que agora to usando o pc do Alex com os teclado tudo doido em sueco e tenho que usar o teclado digital. Imagina a felicidade da crionça.  Mãs, como todo brasileiro que não desiste nunca resolvi voltar pra cá mesmo que na sofrencia (e vocês vão ter que me perdoar a digitação zoada pq não tem muito jeito).

Esses dois ultimos meses tem sido muito lucycrazy. Meus pais e minha avo vieram pra cá para uma visita relâmpago no final do julho e eu e o Benjoca ficamos detidos na policia da Estonia porque entrei ilegal sem querer por aquelas bandas (fiquei das 11 as 18 numa salinha de vidro entretendo o Benjamin. Não podia nem ir ao banheiro desacompanhada. whadafuuu) Isso foi porque o Alexwonder pensou que meu visto de permanecia iria se autorenovar e eu fiquei de buenas. Dai descobrimos too late e eu ja estava ilegal. E dai resolvi ir para Tallinn de navio com meus pais e dai fui barrada no baile. E tive que passar a tarde na maior chateação na policia. Pelo menos a gente fez um tour diferenciado com van da poliça por Tallinx. E detalhe que tudo era em estoniano. Ai teve uma interprete que fedia mais do que chaminé de fabrica de tijolo! Ate com a Interpol eles entraram em contato hahahaha. E dai você olhada para o ser super perigoso cantando galinha pitadinha e trocando fraldas dentro da sala da policia. E só pude voltar pra Suécia porque o benjoca nasceu aqui porque a tia lá falou que se não fosse por isso eu teria sido mandada de volta pra terra da banana. (já que meu visto tinha vencido na suecx, eles se basearam na ultima vez que eu entrei na zooropa e dai entrou no prazo do acordo de Schengen e dai que fuuuuuu) Eu so queria mesmo era ter ido tomar uma cervejinha no centro de tallin com a minha familinda. Mas rolou não e ainda tive que responder umas 50 vezes que não tinha intenções de querer ser parte daquela nação sem noção.

E agora que esto legalizada não to tendo tempo para respirar (isso só ta rolando mesmo porque é involuntario e não requer muito esforço). Benjamin teve que entrar na escolinha (que aqui eles chamam de dagis), a minha amiga me descolou um trampo meio período e eu ainda to estudando suecs no final do dia. Ou seja, chego em casa só caco da viola e o mais triste de tudo é que Beijoca ja ta dormindo. Eu só tenho visto ele de manhã e bate aquela culpa violenta de que ele ta crescendo e  não estou conseguindo acompanhar com esse lance de chupar e assobiar cana ao mesmo tempo. E dai que deu um rolo no meu curso de sueco. Eu ia começar um que tinha duração de 7 semanas, tempo integral. Belezinha. Dai de ultima hora me falaram que não ia ter mais vagas e dai me botaram em um outro que tem duração de 21 semanas e que só vai acabar no dia 18 de dezembro. Mãs no dia 5 de dezembro a gente vai embarcar para o Quatar e depois para India. Eike loucura, eike badalo. Destino mais exótico não há! Se a gente voltar sem malaria, piriri e afins eu juro que acendo velas para todos os santos! (mas só pelo fato de poder fugir do inferno-inverno sueco já tá valendo super). E dai que o lance é que vou ter que terminar em tempo recorde o curso de sueco, antes de everybody pra eu poder ir fazer o meu caminho das indias. Mas nem tempo para dormir estou tendo direito porque Benjocs ta nesse turbilhão de coisas novas acontecendo na escolinha que fica super agitado e acorda 293829 vezes a noite. Ai só resta o pó da bolacha.

Mas a coisa é que vou começar a botar mais coisas na roda aqui antes que esse computador também resolva passar dessa pra melhor 🙂

devaneios

sobre ser mãe.

Ler com Bloglovin

ser mãe é 50% trabalho 50% diversão. as noites inteiras de sono parecem fazer parte de uma vida muito muito distante. você não sabe mais o que é passar uma tarde lendo um livro. a ideia de se poder fazer o que te der na telha é um sonho para a outra encarnação. ser mãe é dolorido (literalmente). é entrar numa nova realidade geralmente em um corpo diferente. eu virei neurótica. sem contar a culpa. nasce uma mãe e com ela a culpa. ser mãe é se deixar de lado e criar um serzinho frágil desde o começo. e são fases. a fase em que você é hotel (gravidez), depois passa a ser restaurante (amamentação) e depois vira concierge. é ouvir criança chorando mesmo quando não tem nenhuma (mesma coisa quando você sente o seu celular vibrando e ele não tá!).

o choro e a galinha pitadinha passam a ser a trilha sonora da sua vida. as vezes você sente o amor maior do mundo, no outro dia você tem vontade de devolver a criança e se pergunta onde é que estava com a cabeça quando decidiu ser mãe. mas no outro dia você começa a pensar em ter outro filho. e no outro dia você quer fazer laqueadura. você emburrece um pouco no começo (minha terapeuta falou que aos poucos vai voltando ao que era antes). os hormônios tomam conta. você fica louca. muito louca. as vezes nem você se aguenta. e as vezes a sua rotina gira em torno de se a criança fez ou não coco para poder sair de casa. sim, ser mãe não é como um comercial de margarina.

eu fiquei muito mais sensível ao mundo depois que o Benjamin chegou no pedaço. e quando seu filho chega ativa um botão na sua caixa de memória e você começa a recordar coisas que nunca te passaram pela cabeça antes. histórias que te foram contadas e que agora fazem mais sentido. ser mãe as vezes é pirar e querer sumir. e daí quando você finalmente consegue sumir a sua cabeça só fica no pedacinho de gente que não está com você. e você sente saudades e começa a se perguntar se foi a coisa certa ter saído sem a criança. e vê um outro bebezinho e já quer voltar correndo pra casa agarrar o seu antes que ele cresça. e eles crescem e muito rápido. e você não acredita muito quando as pessoas te falam isso. e você quer aproveitar cada segundo mas ao mesmo tempo tem um mundo lá fora para ser conquistado. as vezes você quer que o tempo pare e que aquele bebezinho nunca cresça mas as vezes você também quer que aquele bebezinho cresça logo e você volte a ter a sua vida de novo (o que nunca vai acontecer mas você gosta de sonhar).

mas você também não se imagina mais sem aquele serzinho. e embora pareça que existisse liberdade na sua vida antes ela também se parecia vazia e sem sentindo. ser mãe é quase como ser um polvo. ter uma mão para segurar o bebê, uma para limpar a casa, outra para fazer comida, uma para poder ler um livro, outra para .. enfim. ser mãe não é fácil. mas quase ninguém tem coragem de dizer isso. e não tem um manual te ensinando como a fazer as coisas. você vai se achando. a vida fica mais complicada mas também muito mais bonita. você passa a ter um novo chefe: o seu filho. mas depois de um tempo você vai ressurgindo das trevas como uma fênix. e você vai redescobrindo o mundo com o novo serzinho que você trouxe pra cá. e são muitas coisas para pensar e repensar. se os seus princípios são os melhores para serem passados em frente. essas coisas. é ter esperança num mundo melhor mas também muito medo. ser mãe é fazer check list mental de coisas a serem feitas.

é, mesmo morrendo de cansaço, parar para observar cada detalhezinho do seu bebê enquanto ele dorme e se perguntar como é possível a gente poder fazer uma coisiquinha tão linda desse jeito. ser mãe é sentir que sua cabeça sempre vai estar em outro lugar. que você nunca mais vai ter sossego na vida. e as vezes, você deixa de ser você e passar a ser a mãe de fulano. ser mãe é chato. e também incrível. e as vezes uma merda. é sentir um orgulho que te preenche a alma. e sentir culpa, uma culpa que te domina mas que você esconde de todo mundo. ser mãe é descobrir que você é mais forte do que imaginava. as vezes eu acho que ler os do’s and don’ts só servem para ver o que não fiz e deveria ter feito. ser mãe é quase como ser um militar. e a rotina é a sua melhor aliada. ser mãe é doar-se. pessoas, ser mãe não é padecer no paraíso. parem com isso.

bom, acho que deu para entender que é mais ou menos isso.

se cuidem, crianças. 

 

decor

(De)coração 

 Hi, pipol

Esta semana a gente termina de pintar as paredes da sala, grazadeos. É que tem tanta coisa pra fazer e a gente acaba dando passos de tartaruga manca! haha

A gente resolveu só passar tinta branca dessa vez. O teto da sala é uma madeira escura que não me representa. E ele também é baixo então quando a gente pintá-lo de branco vai dar a impressão de ser mais alto. Mas só vamos poder fazer isso quando comprarmos a casa. Minha ideia era colocar papel de parede mas acho que ia ficar muita informação com o teto de madeira. Como aqui na Suécia temos poucos meses de luz é super importante que os cômodos da casa sejam bem iluminados e claros. Isso influencia muito o meu humor 🙂 Por mim eu deixo tudo branquinho. Acho tudo branco léndjo demais!
A sala é bem espaçosa, tem 25m2.

Eu sou uma ratinha de Instagram e Pinterest quando o assunto é decoração. E daí que vou dividir com vocês as coisas que eu me apaixonei e vou usar de inspiração para a nossa sala.


Essa é a praça mais conhecida de Estolcomo; a Sergels Torg (sérguels tóri). E a Ikea lançou um tapete com o mesmo padrão de triângulos dela. Eu quando vi agarrei e não soltei mais! E o tapete é gigantesco.

IMG_1352 IMG_1453 IMG_1489

Eu penso em ter um sofá monstro com uns três lugares e uma poltrona.

IMG_3396 IMG_3398

Acho que a nossa sala vai ser um pouco moderninha, retrô, boêmia e berçário!

No Brasil, o Benji desenterrou todas as plantas da minha mãe. Então fica meio que impossível ter plantas no chão em casa e a solução irá ser esses vasinhos pendurados no teto! Acho essencial ter plantas dentro de casa. Nem que elas não sejam de verdade mas elas deixam o ambiente mais alegre, com vida. Dá um ar a mais de que tem gente morando ali.

layout_tents

E é obvio que a gente não vai poder esquecer de fazer um puxadinho pro Benji também 😉

a75098f8522301955880b3121e21dd09

Outro dia eu vi em uma revista de decoração esse bercinho dependurado no meio da sala! Pena que o benji já não é mais titiquinho pra ter um desses. Mas achei muito demais.

Acho que é mais ou menos isso!

Aceito sugestões! Assim que as paredes estiverem pintadas e as luzes instaladas (não temos luz na sala, vivemos no século 12!) eu boto umas fotos aqui pra mostrar como ficou 🙂

hej då

 

receitas

Receita: sopa de cogumelos & estragão 

Hi, pipol

Gostaria de botar na roda essa maravilinda sopa de cogumelos e estragão que fiz ontem. Ela foi retirada do livro “Vegetarisk”. Tem cada receita vegetariana melhor do que a outra! Pode ser que a sopa não pareça muito atraente à vista mas ela ficou tão boa, mas tão boa mesmo, que até parecia ser de cogumelos mágicos! ?

Essa foi bem fácil de fazer e ficou show de bola! Pareceu mais um creminho de cogumelos. Eu nunca tinha usado estragão na cozinha antes e achei o nome bem estranho! Vai estragar a minha sopa não, cara! Em sueco o nome támbem é bem criativo: “dragon”

4 porções

  • 1 cebola picada em cubinhos
  • 50 g de manteiga
  • 700g de cogumelos frescos picados  (pode ser em conserva mas leve em consideração o peso drenado)
  • 850 ml de caldo de legumes
  • 3 col de sopa de estragão fresco  + um pouquinho extra para salpicar por cima
  • 150 ml de crème fraiche (na falta dele eu uso iogurte grego)
  • Azeite
  • Sal e pimenta
  1. Você vai derreter metade da manteiga em fogo médio e dourar as cebolas. Ai, bota o resto da manteiga  e os cogumelos. Faça um refogado por 5 min. ou até os cogumelos ficarem douradinhos.
  2. Adicione o caldo de legumes e o estragão e deixe ferver. Assim que começar a ferver, abaixe o fogo e deixe cozinhar por 20 min. logo em seguida use um mixer e bata tudo na panela mesmo. (Eu não tenho saco de colocar no liquidificador não!) depois de batido voltar ao fogo.
  3. Misture o crème fraiche a sopinha e tempere a gosto com sal e pimenta preta. Sirva em tigelas e salpique o restante de estragão e o azeite. (Também polvilhei umas sementes de girassol por cima – ótchymo pra quem tá de tpm!)

Enjoy!  🙂

%d blogueiros gostam disto: