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sobre ser mãe.

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ser mãe é 50% trabalho 50% diversão. as noites inteiras de sono parecem fazer parte de uma vida muito muito distante. você não sabe mais o que é passar uma tarde lendo um livro. a ideia de se poder fazer o que te der na telha é um sonho para a outra encarnação. ser mãe é dolorido (literalmente). é entrar numa nova realidade geralmente em um corpo diferente. eu virei neurótica. sem contar a culpa. nasce uma mãe e com ela a culpa. ser mãe é se deixar de lado e criar um serzinho frágil desde o começo. e são fases. a fase em que você é hotel (gravidez), depois passa a ser restaurante (amamentação) e depois vira concierge. é ouvir criança chorando mesmo quando não tem nenhuma (mesma coisa quando você sente o seu celular vibrando e ele não tá!).

o choro e a galinha pitadinha passam a ser a trilha sonora da sua vida. as vezes você sente o amor maior do mundo, no outro dia você tem vontade de devolver a criança e se pergunta onde é que estava com a cabeça quando decidiu ser mãe. mas no outro dia você começa a pensar em ter outro filho. e no outro dia você quer fazer laqueadura. você emburrece um pouco no começo (minha terapeuta falou que aos poucos vai voltando ao que era antes). os hormônios tomam conta. você fica louca. muito louca. as vezes nem você se aguenta. e as vezes a sua rotina gira em torno de se a criança fez ou não coco para poder sair de casa. sim, ser mãe não é como um comercial de margarina.

eu fiquei muito mais sensível ao mundo depois que o Benjamin chegou no pedaço. e quando seu filho chega ativa um botão na sua caixa de memória e você começa a recordar coisas que nunca te passaram pela cabeça antes. histórias que te foram contadas e que agora fazem mais sentido. ser mãe as vezes é pirar e querer sumir. e daí quando você finalmente consegue sumir a sua cabeça só fica no pedacinho de gente que não está com você. e você sente saudades e começa a se perguntar se foi a coisa certa ter saído sem a criança. e vê um outro bebezinho e já quer voltar correndo pra casa agarrar o seu antes que ele cresça. e eles crescem e muito rápido. e você não acredita muito quando as pessoas te falam isso. e você quer aproveitar cada segundo mas ao mesmo tempo tem um mundo lá fora para ser conquistado. as vezes você quer que o tempo pare e que aquele bebezinho nunca cresça mas as vezes você também quer que aquele bebezinho cresça logo e você volte a ter a sua vida de novo (o que nunca vai acontecer mas você gosta de sonhar).

mas você também não se imagina mais sem aquele serzinho. e embora pareça que existisse liberdade na sua vida antes ela também se parecia vazia e sem sentindo. ser mãe é quase como ser um polvo. ter uma mão para segurar o bebê, uma para limpar a casa, outra para fazer comida, uma para poder ler um livro, outra para .. enfim. ser mãe não é fácil. mas quase ninguém tem coragem de dizer isso. e não tem um manual te ensinando como a fazer as coisas. você vai se achando. a vida fica mais complicada mas também muito mais bonita. você passa a ter um novo chefe: o seu filho. mas depois de um tempo você vai ressurgindo das trevas como uma fênix. e você vai redescobrindo o mundo com o novo serzinho que você trouxe pra cá. e são muitas coisas para pensar e repensar. se os seus princípios são os melhores para serem passados em frente. essas coisas. é ter esperança num mundo melhor mas também muito medo. ser mãe é fazer check list mental de coisas a serem feitas.

é, mesmo morrendo de cansaço, parar para observar cada detalhezinho do seu bebê enquanto ele dorme e se perguntar como é possível a gente poder fazer uma coisiquinha tão linda desse jeito. ser mãe é sentir que sua cabeça sempre vai estar em outro lugar. que você nunca mais vai ter sossego na vida. e as vezes, você deixa de ser você e passar a ser a mãe de fulano. ser mãe é chato. e também incrível. e as vezes uma merda. é sentir um orgulho que te preenche a alma. e sentir culpa, uma culpa que te domina mas que você esconde de todo mundo. ser mãe é descobrir que você é mais forte do que imaginava. as vezes eu acho que ler os do’s and don’ts só servem para ver o que não fiz e deveria ter feito. ser mãe é quase como ser um militar. e a rotina é a sua melhor aliada. ser mãe é doar-se. pessoas, ser mãe não é padecer no paraíso. parem com isso.

bom, acho que deu para entender que é mais ou menos isso.

se cuidem, crianças. 

 

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coisinhas legais de se ter para o bebê

E aí, gente bonita!

Acho que faz um tempo danado que eu não dava as caras por aqui.

Resolvi listar algumas coisinhas bacanas que acabei encontrando nessa vida louca maternal 🙂

  • hoppgungahopp

Sei que de primeira pode parecer um objeto de tortura mas as criancinhas adoram! “Hopp”, em sueco, significa pular (att hoppa) e “gunga” balanço. Então é, mais ou menos, um balanço que pula! Ele é super prático de usar, nem precisa furar a parede. Ele vem com algo que parece um gancho, aí você só o coloca no batente de cima da porta, bem no meio.  Só tem que ter cuidado para notar se ele não fica muito perto da porta ou dos batentes laterais, aí o bebê corre risco de levar uma bordoada e ninguém quer que isso aconteça.
Já dá para começar o hoppgunga assim que o bebê estiver mais durinho, lá por uns 4 meses. A intenção é que o bebê fique pulando ali. Fortalece as pernas e eles gastam energia 😉

  • Bumbobumbo-seat-aqua-latest-model-with-restraining-kit-112-p

O bumbo é um banquinho de borracha. É bom usá-lo quando o bebê ainda não tá durinho o suficiente mas fica meio irritado porque não consegue se sentar sozinho. Eu comecei a usar quando o Benji tinha uns 3-4 meses. Mas lá pelo 7° mês ele já não curtia mais porque se sentia “preso”, acho que dava faniquito nele.

  • capacete
    item_XL_6619898_4169661Quando o Benji começou a engatinhar para valer e ficar em pé nas coisas, ele ainda não sabia cair. Ele caía igual um pedaço de madeira: reto. Ele não sabia cair de bunda. Aí era chororô a cada 2 minutos, sendo bem otimista. E eu ficava com a pulga atrás da orelha por ele ficar batendo a cabeça toda hora. Aí fui a busca de um capacete pra ele! Esse capacete é ajustável e dá para ser usado até por volta dos 2 anos (aí vai depender se a criança vai querer isso na cabeça dela ou não.. aí é outra história!). No começo ajudou bastante mas agora que o Benji está quase andando ele não quer mais ter esse troço na cabeça dele.
  • cadeira portátil “in the pocket baby”

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Essa cadeirinha é fantástchyca! Ela foi desenvolvida por designers suecos. Dobrada ela vira uma bolsinha bem pequena e leve. E quando você a abre toda ela se adapta em uma cadeira normal. O único requerimento é que a cadeira em que for usada tem que ser quadrada. Ela quebrou um galho enorme quando fomos ao brasil em alguns restaurantes onde não tinha cadeirão para bebê! E o melhor de tudo é que ela é ajustável! Dá para lavar na máquina normal e dá para usar de 6 meses a 2 anos. Super!

  • Abafador sonoro infantil

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Quando o Benji tinha uns 4 meses eu resolvi ir num festival de rua casamiga. Tinha um monte de gente com crianças e bebês (aqui na suécia criança dá como chuchu na cerca!), só que eu reparei que elas usavam esse protetor de ouvido! Comprei um desse para o Benji já pensando no carnaval e ano novo no Brasil 🙂 E ajudou muito! Na hora dos fogos ele dormiu igual uma pedra no carrinho usando um desses! E ah, o melhor de tudo é que ele não aperta a cabeça.

Bom, por hoje é isso!

Bisou

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Hipsterismos: quarto do Benjamin 

Considerando que só fui ter o meu quarto quando eu tinha uns 13 anos, o benji não demorou tanto pra ter o cantinho dele aos 3 meses..

O quarto que ia ser dele estava com um papel de parede muito velho e todo manchado. Eu e o Alexander botamos a mão na massa e arrancamos tudo, lavamos as paredes, pintamos e escolhemos o papel. Levando em conta que toda vez eu tinha que parar a obra para atender às necessidades da chefia, entenda-se: Benjamin.

Foram umas duas semanas até que as paredes estivessem nos trinques. Foi trabalho intenso a nível de navio de cruzeiro em época de carnaval hehe

E com vocês o quarto da quiança:

E daí quando terminamos tudo, o quarto dele ficou parecendo um oásis na casa. Ficou lendjo demais!

Acredite ou não, mas o berço do Jocks era do Alexander. E ele tá perfeito, no estrado tem até registrado a mão quantos kilos e o dia que o Alex nasceu.

Esse pôster fofis o Alex que me deu uma vez, quando eu era apaixonada pela Suécia (tem louco pra tudo nessa vida..) Bom, tirando o berço, o restante dos  móveis a gente comprou de segunda mão.

 

Esse guarda roupas foi um trampo para buscá-lo! Tivemos que botar no teto do nosso carro.

 

 

Essa prateleira é o que eles chamam aqui de “stringhylla” (string de Nils Strinning, que foi o cara quem fez) e é um clássico do design escandinavo. Ela estava lá jogadora no depósito da minha sogra. Eu daí resolvi trazê-las de volta a vida 😉 E pra se ver como a Suécia é uma roça mesmo, esse tal Strinning foi o avô de um amigo do Alexander na escola.

Eu fiquei tão mas tão feliz quando pude achar esse papel de parede. Já tinha visto alguma vez, em algum canto  no buraco negro da internet. Ai descobri que o cara que fez também é sueco. Pra quem quiser saber o nome é Mr Perswall. Eu pedi pela internet e chegou dentro de uma semana. Eles fazem sob medida. Tem vários modelos. E é bem fácil de aplicar, só a última parte que tivemos que cortá-la porque veio maior. Eu queria alguma coisa que não fosse tão bebê, que durasse até o benjocs crescer um pouco e começar a trazer as gatinhas pro quarto dele.. ;p (mas acho que o papel de parede não sobrevive até lá, vai ter aquela fase em que ele vai brincar de ser Picasso pelas paredes da casa..)

O papel é super alegre e fofo. Seria legal de usar pins e colocar fotinhas do benji pelos lugares que ele for passando (e principalmente marcar aonde fica Itapetininga no mapa! hehe) . O teto pintamos de branco e as outras paredes num azulzinho calcinha, tudo pra dar um up, considerando que passamos a maior parte do ano na escuridão aqui.

A “vasta” coleção de livrinhos do benji já é em português, inglês, sueco e polonês. Mas ele ainda continua se comunicando através da língua universal dos bebês: o choro.

Nós mal terminamos de montar tudo e já vamos ter que trocar várias coisas. Quarto de criança é o cômodo que mais passa por mudanças na casa. O Benjamin já tá quase escalando o berço, ele não pára mais no trocador.. Agora o próximo passo é organizar o quarto bem acessível ao dono dele, o bebê. A gente sempre projeta as coisas para os adultos.. E eu nem tinha me ligado disso. To doida pra fazer o método montessoriano. Botar o colchão no chão, espalhar uns brinquedos ali, deixar tudo ao alcance do mãozinha Addams ?

 

Bom, espero que tenham gostado! <3

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o que dar de presente para um bebê de 1 ano?

E aí, galeuris!

Benjamin está com quase 11 meses, prestes a completar 1 ano e eu nem perdi  a banha toda acumulada durante a gravidez. Mas é de pura gordurinha feliz porque eu estava quase nos trinques quando vim para o Brasil passar férias, mas a saudade por coxinha estava grande demais para ser negada! (nada que o isolamento na Suécia não me ajude depois..)

Bom, vir dar uma luz aos necessitados que não sabem o que dar para um baby de 1 ano. Essa história de que “ah, teu bebê tem tudo! nem precisa de nada!” é a pior e uma das coisas mais irritantes que uma mãe pode ouvir. Aí se você responde com um “mas você nem me perguntou se ele precisa de algo” te acham grosseira. Enfim, vou deixar a barraqueira de lado e vou dar o help.

Sigam-me os bons:

  • Roupas e afins
    Isso! Como o bebê ainda não tem muita consciência então ele não vai te achar uma pessoa chata de galocha por dar roupas! Eles crescem numa velocidade louca e, consequentemente, as roupitchas duram pouco! É legal dar uma pesquisada na numeração do bebê antes e ver qual estação que a roupa poderá ser usada.
  • brinquedos psicodélicos
    Coloridos, que se mexam e toquem musiquinhas para deixar a criança hipnotizada por uns 15 minutos (pra mãe conseguir fofocar em paz haha!). Mas agora é sério, é bom ver se na caixa fala a idade para qual foi desenvolvido o brinquedo. Nessa idade os bebê adoram bater as coisas no chão, então é bom dar algo resistente que não vá estraçalhar tão breve. E também é bom testar o brinquedo antes e ver se ele não é loucamente barulhento (mas isso tem como ser resolvido depois: só botar uma fita onde sai o som para abafá-lo ou fingir que ele foi abduzido)
  • brinquedos educativos
    os bebês nessa idade já são bem espertinhos e já exploram o mundo das formas, cores e texturas. Aqueles brinquedos de encaixe para montar coisas é uma boa pedida 🙂
  • celular de mentirinha
    Bom, que toda criança fica vidrada nos nossos celulares, tablets e computadores da vida ninguém pode negar. Pra se ter ideia, o Benjamin destruiu o display do meu ipad e deixou meu iphone sem som por conta da baba (depois deixei dentro de um saco de arroz e a chinesada resolveu). As vezes não tem como escapar. Ele pega mesmo, ou eu acabo dando em momento de desespero (olha o acidental parenting aí, xenty!). Sem contar que eles adoram imitar tudo o que a gente faz e como essa é uma era de zumbis hipnotizados em frente a uma telinha fica meio difícil escapar. Então, seria bacaninha um telefone tipo aqueles tijolares para crianças que tocam mil musiquinhas e ficam no “piriri-piriri-piriri alguém ligou pra mim”. Os babies piram.
  • pacotes vazios de presentes
    essa com certeza a criança vai curtir pacas (quem não vai muito é a mãe..).
  • cacarecos para banho
    Eles garantem que a criança consiga ficar quase o tempo todo dentro da banheira sem querer fugir, explorar horizontes. Algures além mar. De livrinhos de plástico até giz de cera especial para azulejo.
  • presente para a mãe do bebis
    ma oeee?? Pois é, esse é o meu favorito nessa lista ahhaahahaha. Bom, também nasce uma mãe com o bebê, certo? E depois que o bebê nasce a mãe só ganha coisas para o filhote. Eu curti a ideia e resolvi levar adiante e dei para a minha amiga um mimo pra ela e para o baby. É uma coisa inesperada e super bem vinda!Bom, pipol, espero ter dado um help 🙂
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vida loka sobre 4 rodas (de um carrinho)

hellows 🙂

eu já devo ter falado por aqui que na Suécia não tem preferencial, né?! todo mundo igual, alinhado na linha do meio. nem mais nem menos. aqui no Brasil existe preferencial mas quando é pra valer o sistema é muito capengo. Revoltante. Passei as últimas 3 semanas dando um rolê com o Benji pelo Riow e por Sp e gastei um rim só em taxi. A ideia era tentar rodar as cidades usando o transporte público. Como já morei no Rio e só queria mesmo era ficar bundando na praia eu nem esquentei o piolho pra sair pela cidade. Já em Sampa eu tava louca pra ir em todas as exposições, no centrão, bem na louca (isso com um bebê de 9 meses dependurado em mim, eu & ele, ele & eu). Primeiro de tudo que as calçadas do Brasil são todas bosteadas, é tipo um rali com o carrinho. Quando a minha sogra veio da Suécia nos visitar no Rio ela se esborrachou toda na calçada, tadinha. E para andar com um carrinho eu já sabia que não ia ser tarefa fácil. Era preciso um tanque de guerra. E foi bom ver que não é só na Suécia que as pessoas pulam em cima do carrinho, aqui isso também acontece. Tô doida pra botar uma buzina no carrinho – difícil vai ser quando eu querer usar e o benjoca estiver dormindo. Beleza, as calçadas até que foram ok (apesar de as vezes eu me sentir como se fosse o único ser fazendo isso na terra porque em sp eu não via nenhuma louca andando de carrinho por aí, me senti meio que um alien). No Rio a gente via muitos carrinhos na zona sul e dava pra perceber que era mais o creme de la creme carioca que usavam. Porque lá é preciso ter carro pra ir pra cima e pra baixo com um carrinho. Quem já andou de busão no Rio sabe que é quase como andar numa montanha russa, segura firme e cruza os dedos pra sair vivo. Tamanha burrice de quem resolveu botar a porta de cadeirantes do ônibus no lado esquerdo sendo que o embarque sempre é feito pelo direito. Comofas? A gente vai pelo meio da rua (os prrreferrencial) para poder entrar no busão, minha xente? Mas beleza, essa do busão em são paulo consegui me virar. Botei o Benjamin em mim e larguei o carrinho a deus dará. Sério, eu não sei como as pessoas com crianças fazem aqui. tem que ir de carro pra todo lugar, isso é terrível. aí eu fui pegar o metrô. o que eu tava com mais paranóia era da multidão. eu consigo de boa pegar escadas rolantes levando o carrinho, muita gente me acha louca mas depois que você pega o jeito a coisa vai de boa. eu prefiro mil vezes porque os elevadores sempre cheiram mijo. e daí beleza, fui tentar ver como é que rolava de fazer isso no metrô de sp. Primeiro que os elevadores, geralmente, são fechados e você tem que caçar um funcionário pra abrir pra você (as vezes aos berros porque eles só vão te ouvir na 5* vez). E a porta não abre automaticamente, não tem um botão que faça isso acontecer. E olha, levando em consideração que quem é preferencial são as pessoas que mais precisam de ajuda. Eu acho que um cadeirante mal consegue sair de casa. Entrei numa loja pra comprar calcinha e eram só escadas (eu não ia ficar pedindo pra algum filho de deus ficar carregando o carrinho pra mim pra cima e pra baixo toda hora). Mas o fim da picada foi ter que esperar por um elevador na estação da Luz por quase 15 minutos. Foi ridículo, a gente tem apertar um interfone (?) e pedir pro cara chamar o elevador pra você. E detalhe que sempre tem um povo nada a ver que pega o elevador sem precisar. Mas foi muito estranho me sentir a única pessoa andando de carrinho pelas estações de metro lotadas, em uma cidade onde há 20 milhões de habitantes. Eu acho bem é que esse povo que mais precisa desistiu de sair de casa.

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da experiência de trazer um bebê ao mundo

Deu 39 semanas e parecia que eu ainda estava grávida de 7 meses de tão tranquilo que tudo estava. O Benjamin estava previsto pra nascer dia 28 de março. Meus pais estavam vindo do Brasil especialmente pra ouvir o primeiro chorinho e me ajudar a trocar fraldas. Eu bem sem noção marquei a passagem deles para dia 22, só que tive a proeza de pegar um voo que durava 36 horas e eles tiveram que passar uma noite em Amsterdã e só foram chegar aqui dia 24. Jurei que se o parto começasse antes, eu ia virar de ponta cabeça pro bebê não nascer antes de eles chegarem.

Depois que completei 40 semanas de gestação a coisa meio que empacou. Cada dia parecia uma eternidade. Parecia que aquela pança me pertencia há muito tempo e Benjoca nem sinal de querer nascer. Parece que eu tinha me acostumado a andar meio desengonçada, a só vestir leggings e ir ao banheiro fazer xixi de 5 em 5 minutos, a dormir toda torta de lado. Queria muito que ele botasse o pé pra fora mas ao mesmo tempo eu entrava em pânico só com a ideia de pensar no parto que podia desembestar a qualquer hora. Cada dorzinha, pontada diferente que eu sentia já entrava em estado de alerta. Parece loucura mas me dava uma pontinha de felicidade quando sentia alguma fisgada porque eu sabia que a coisa poderia ter começado. Mas que nada. Consegui mostrar quase Estocolmo toda para os meus pais, as vezes rolava uma cãibra na virilha mas nada demais. A mala da maternidade já tava quase mofando. Quando completei 41 semanas de gestação (ninguém merece) já fui perdendo as esperanças de que a coisa ia ser parto normal. Fomos ver o preguiçoso pelo ultrassom pela última vez. Era quase impossível dizer o que era o que na telinha porque o coitado mal tinha espaço dentro da minha barriga mais. Parecia uma massa de pão disforme, só consegui identificar a espinha dele. Ok. Aí panz, depois disso comecei a sentir uma coliquinha fraca todos os dias sempre começando no mesmo horário, às 5:30 da manhã. Foi assim durante uns 4 dias. Se fosse no Brasil, ele já ia estar do lado de fora há mais de uma semana porque nenhum médico curte deixar passar de 41 semanas. E eu já estava quase completando 42 semanas, entrando no desespero.

Beleuza. Aí quinta de manhã acordei com as galinhas e com uma cólica do capeta, muito mais forte do que as que eu estava tendo. E as contrações sempre lá, firmes e fortes. Parece que a coisa tinha dado largada. Sofri quietinha por uma hora só pra ter certeza, aí quando vi que não melhorava foi a hora de dar um cutucão pra acordar o Alexander e fazer ele ligar lá no hospital pra ver se tinha vaga (aqui é assim, eles não reservam teu lugar. se o hospital tá cheio eles te mandam para outro). Pedi pra ele encher a banheira. Ele trouxe um estoque de barrinhas de cereais, água e meu telefone. Fiquei lá curtindo minha barriga ficar dura e tentar não pensar na cólica, e fazer a respiração que aprendi nas aulas de yoga. Aí parece que a coisa parou. Fiquei meio frustrada porque pensei que era o tal do alarme falso. Mas não era não. Fiquei assim o dia todo, numa montanha russa. Tentei ficar o mais tranqs possível. Fiz o doce que minha bisavó costumava fazer aos domingos: gelatina com creme de baunilha. Tirei um cochilo, tomei outro banho, sequei meu cabelo, chequei a tralhaiada pela milésima vez dentro da mala. Obviamente fiz isso tudo dando aquela paradinha básica pras contrações. Eu queria ir para ao hospital só quando tivesse meio caminho andado mas a gente nunca sabe muito bem quando é bem a hora. Chegou 7 da noite e a coisa foi ficando preta e foi assim até 11 horas quando não aguentei mais. Eu parecia uma panela de pressão quando vinha a dor da contração. Foi aí que marcamos que elas estavam vindo meio irregulares, meio que de 4 em 4 minutos. Entramos no batcarro e fomos para o Karolinska Sjukhuset (segura essa!). Esperei sentada na recepção uma meia hora até ser chamada pela barnmorska (a “obstetriz” daqui). Ainda bem que era uma hora em que as constrações pareciam ter dado uma trela. Elas ainda estavam irregulares e eu com o c* na mão de quererem me mandar de volta pra casa e esperar lá, até a coisa desembestar com mais força. Okey. Aí, meus camaradas, vão buscar a pipoca que é agora que começa a sessão de tortura! Fui para uma salinha, sentei na maca, já botaram aquela calcinha super sexy de hospital em mim e a barnmorska disse que ia ver quantos centímetros meu colo do útero tinha dilatado. Levei uma dedada fenomenal, mas essa barnmorska não tinha conseguido sentir quanto de dilatação eu tinha. Senti muito bem ela contornando a cabeça do bebê dentro de mim até chegar a cérvix. Ela tentou, tentou e nada. Saiu e voltou com uma loira que foi a assassina número 1 do dia. Ela botou o dedo dentro de mim que eu fui a lua e voltei. Achei estranho ela não ter saído com algum órgão meu nas mãos. Claro que depois dessa eu comecei a sangrar. Mas ela chegou pra botar ordem no barraco. Eu estava com 3 cm de dilatação, não iam me mandar de volta pra casa mas também me disseram que não sabiam se teriam vaga pra mim naquele hospital. Caso não tivesse, iam me mandar de ambulância para outro mais próximo da gente. Achei a ideia de andar de ambulância o máximo, só não curti muito a ideia de que eu ia ter as contrações em um lugar que se mexia. Eu não gostava nenhum pouco que me tocassem e que falassem enquanto elas vinham, mas eu ia conversando entre elas. Passou um bom tempo que fiquei naquela primeira salinha ouvindo o som dos batimentos cardíacos do Benji no aparelho, tendo as contrações e tentando me recuperar da maior dedada da minha vida. Aí voltou a barnmorska não assassina para dizer que eu ia ficar por lá mesmo e que já estavam preparando o palco para o grand finale. E de brinde ela me trouxe um daqueles andadores pra eu dar um rolê pelo hospital enquanto a coisa se desenrolava. A filha da princesa da Suécia nasceu lá. Aí tinha uma fotinha deles, uma carta e umas outras coisas bizarras nada amistosas (tipo, um fóceps, umas pinças, uma mala de barnmorska) em uma vitrine no corredor. Aí fomos para a sala de parto, tava todo mundo meio bêbado de sono já. Vieram as duas barnmorskas que iriam me acompanhar na jornada. Elas colocaram um cinto em volta da minha barriga com um aparelhinho que ficava conectado ao computador pra que a gente ouvisse o coração do benji. Elas me apresentaram o que viria a ser meu melhor amigo pelas próximas horas: o gás óxido nitroso! (em português o nome dele é sem graça, prefiro “laughing gas”) Quando a dor viesse com força eu botava a cara lá e respirava fundo. Ganhei a primeira picada na mão para ganhar glicose na veia. Minha mãe fez ninho na poltrona e o Alex se desbundou no puff do chão. A partir desse momento eu super vou perder noção de horários. Suponho que isso era umas 3 da manhã. Aproveitei pedir algo pra comer porque eu tava varada de fome e sabia que se me dessem anestesia não ia poder comer mais nada. Quando a barnmorska voltou com o lanche eu já tava varada de dor e já não conseguia mais falar quando me perguntaram se eu queria a epidurial. Eu me entupia no gás, começava berrando e ficava respirando ali até ficar muito trilouca. Respirar aquele gás é a mesma coisa quando a gente já tá muito bêbado, meio flutuando, sem muita certeza se vai vomitar dali a 5 minutinhos. Quando elas chegaram com aquela agulha bruta, só vi o Alexander saindo de fininho da sala porque ele tem pavor de agulhas. A sensação que tive quando começaram a me dar a epidurial foi como se tivessem me botado em um balde cheio de gelo no meio de um monte de cerveja. Foi mágico. A dor sumiu. Eu era outra pessoa, agora só sentia minha barriga ficar dura durante as contraçoes mas necas de dor. Foi engraçado porque até então eu só tinha falado em inglês com as barnmorskas e depois que levei a epidurial e elas vieram perguntar se eu tava bem, comecei a desenrolar meu sueco. “Olha! tô tão bem que tô até falando sueco!”. Meu filho, parir e falar sueco ao mesmo tempo não é mole não! E a coisa foi assim por muito tempo, o efeito da epidurial durava em média uma hora. Aí quando  via que a dor estava voltando,  eu apertava o botãozinho para elas voltarem a me dar mais daquela droga boa. Eu já tava muito dopada já, super fraca, sem poder comer nada. O dia amanheceu e nada. Eu só acompanhava pelo computador a força das minhas contrações. Eu não sei qual medida é usada para medi-las mas só sei que quando cheguei no hospital elas estavam por volta de 0-90 depois passaram de 0-150! Enquanto minha mãe e o Alexander estavam exaustos cada um pra um canto, eu gritava dentro do bagulhete do gás e implorava por mais drogas. Puta que pariu, porque bebês não nascem como um espirro? Um orgasmo? Sei lá! Depois disso tudo tá meio nebuloso na minha cabeça o desenrolar dos acontecimentos. Só sei que vieram estourar a tão famosa bolsa d’água. Aí já não bastasse tudo o que eu já estava passando, parecia que tinha uma enchente saindo de mim. Aí ganhei mais um brinde: um fraldão! Eu já tava só o pó, já era tarde de sexta feira e a coisa parecia não ter fim. Não parecia que eu estava lutando para ter um bebê. Eu estava sem dormir, sem comer, só com glicose na veia. Aí o Alex foi buscar sorvete pra mim, que era a única coisa que eu podia comer. Sorvete e sopa aguada. A coisa foi ficando cada vez mais preta. E nada do cenário mudar. Eu encontrei tantas barnmorskas trocando de turno que essas que vieram me dar a ocitocina já era a terceira dupla que vinha cuidar de mim. Uma das desvantagens da epidurial é que se você toma muito, ela pode diminuir as contrações, aí foi por isso que vieram me dar ocitocina, justamente para aumentá-las. Foi uma batalha infinita de me darem mais epidurial e ocitocina. Eu não aguentava mais. Eu tremia, aquele gás me deixava zonza. Vomitei até as tripas. Tiveram que esvaziar a minha bexiga com cateter. Eu já tava muito mais pra lá de Bagdá, quando a barnmorska número 29398 olhava entre minhas pernas quando ela anunciou que era hora de *empurrar*! Pediram pra eu largar o gás porque eu precisava estar 100% ali. Foi muito estranho porque eu já não sentia mais as contrações, então não sabia muito bem quando começar a fazer força. Só sei que a hora em que a barnmorska disse “ele tem cabelo preto!” e logo em seguida minha mãe “dá pra ver a cabeça! não para! vai! vai!” o Alexander dormia largado na poltrona. Eu tive que juntar fôlego pra pedir pra minha mãe ir dar um tapa pra ele acordar porque o filho dele estava nascendo! Me enganei quando pensei que a coisa não podia ficar pior que aquilo. Agora meu aliado era o computador, eu via quando uma contração vinha quando os números começavam a aumentar. Respirava o máximo de ar possível, segurava a respiração e empurrava a barriga. Coisa de louco. Não sei de onde surge toda essa força. Eu pedi muito durante toda a minha gestação pra que o Alexander não olhasse o “playground” enquanto eu tivesse parindo, mas de nada adiantou. Tava lá, minha mãe, alexander e as 2 barnmorskas, todas olhando para a atração do momento: o meio das minhas pernas. Vou ser bem sincera e um pouco escatológica, mas a mesma força que a gente faz para parir um bebê é a mesma usada quando a gente tá super constipada e a coisa não quer sair. Só que no meu caso eu tinha uma cabeça de bebê entalada entre as pernas. Ela não voltava e nem saia. Eu tava pirando já. E o efeito da epidurial estava passando, e daí ia ser tudo de novo: epidurial+ocitocina= infinitum. Porque passa um tempo e o efeito das coisas começa a falhar. Chegou uma hora que eu quis matar todo mundo. Todo mundo pedindo pra eu empurrar, e eu empurrando, quase explodindo as veias da minha testa. E nenhum progresso. Quando aparece mais uma barnmorska ali no meio me dando uma toalha. Era pra eu segurar como se fosse uma corda. Ela puxaria de um lado e eu do outro. Aquilo me ajudaria a empurrar mais o bebê pra fora. Ajudou um tico mas não muito. A gente não podia mais dar mole, o tempo já tinha passado demais. Eu não sabia pelo que implorar. Pensei como é que iriam fazer uma cesárea em mim com o bebê entalado.  “e se eu fizesse ele voltar pra dentro?”, no meio daquela loucura toda eu tentava pensar em alguma coisa. “e se me cortassem ao meio agora?” Eu queria me livrar daquilo mas não via solução, já não tinha mais força alguma quando apareceu a barnmorska assassina número 2. Ela veio com uma baita agulha e aplicou no centro das atenções: o meio das minhas pernas. E me fez um belo rasgo. A essa altura do campeonato “o que era um peido pra quem já tava cagado”, né? Depois disso foi meio que como uma luva, fiz umas forcinhas lá quando o Benji pulou pra fora. Foi uma sensação absurdamente estranha. Mas senti o maior alívio da minha vida para toda eternidade. Logo em seguida colocaram ele em cima de mim, e o Alexander veio do meu lado esquerdo e começou a chorar. Aí desembestei a chorar também mas entrei em pânico quando vi que o Benjamin não chorava. Aí ele voltou pra enfermeira, ela deu uns tapinhas na bunda dele e ele começou a dar um chorico. Aí chorei ainda mais. Mas aí eu vi que a cabeça dele tinha um formato muito estranho atrás. Parecia que ele tinha ficado com ela dentro de um pote de iogurte. Pensei “puts! agora a gente tá ferrado! ele tem algum problema na cabeça”. Aí até me esclarecem que isso era normal, demorou uma eternidade. Aí cortaram o cordão umbilical. (é bom deixar por um tempo até o sangue parar de passar porque aí o beibs tem mais oxigênação). E depois saiu a tão famosa placenta. Minha mãe disse que ela era muito bonita, que parecia uma Louis Vitton.

Benjamin nasceu com 3,6 kg às 18:43 do dia 11 de abril em uma sexta-feira. Posso dizer com certeza que fui ao inferno e voltei mas eu trouxe comigo a coisa mais rica e incrível da minha vida: meu baby (quem diria que um dia falaria um troço desses! até treme as pernas quando penso que agora sou mãe!).