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Dando o ar da graça

crédito da imagem: ofelipeguga

 

Lá vem ela depois de 500 anos sem escrever nada por essas bandas (como sempre). Gente, eu sou uma típica geminiana. Ou é 8 ou é 80. Os meus amigos são super acostumados com os meus sumiços e oscilações de humores e opinões. Sempre volto como se nada tivesse acontecido e consigo pegar o trem andando. No problem.

Agora posso voltar a escrever normalmente porque finalmente arrumei o Blog. Eeeee! Arrumei o pau gigante que tinha dado aqui e agora está tudo nos trinques de novo.

Então, eu tô muito louca para começar a gravar uns videozin porque acho que vou ser mais eficiente e poupar vocês dos textões. Porém, ainda não posso fazer isso apesar de eu ter um gazilhão de ideias na cabeça, eu não estou conseguindo falar direito e a minha cara está do tamanho da Lua. Na semana passada eu tirei duas próteses de titânio (10 cm cada uma!) da minha mandíbula, aí por conta disso estou de molho. Pra mim está sendo ótimo apesar de não conseguir sair de casa ainda por conta do inchaço. Já li dois livros e agora estou na metade do terceiro para vocês terem ideia! Eu estou curtindo esse tempinho para ficar em casa porque ultimamente ando trabalhando muito.

Esse ano tem sido muito incrível. Ele já começou bem intenso. Eu e o Alex passamos a virada no meio da Mata Atlântica porque eu decidi ir tomar o chá da floresta; Ayahuasca. Foi muito lindo e um tanto difícil também. Nós dormimos separados dentro de um templo usando os nossos colchões de yoga e para se ter ideia não havia nem água quente no chuveiro. Depois disso posso com todo o meu coração afirmar que a minha vida nunca será a mesma. Ainda bem. Pra mim foi uma das coisas mais maravilhosas que fiz. Foi mais uma experiência única de superação e auto conhecimento.

Eu juro que vou voltar aqui e contar tim tim por tim tim como foi a minha experiência (são taaantas coisas que ficaria falando pela eternidade!). Mas enfim, agora estou focando em ficar bem logo, e em junho eu e o Benji vamos ao Brasil. Vai rolar um curso muito especial no mesmo lugar em que eu tomei a aya e senti que eu precisava muito voltar lá. Vou aproveitar para matar as saudades infinitas de todo mundo também! E comprar uns 20 quilos de cristais de novo e renovar o meu estoque de livros em português!

Agora em maio eu estava inscrita em um curso de meditação Vispassana do grupo Dharma aqui da Suécia. Seriam 10 dias em silêncio, mas aí resolvi preferir ir para o Brasil e fazer o curso que terá a duração de 2 semanas nas quais irei ficar totalmente isolada do mundo. Vai ser puro love. Sei que não vai ser fácil, até então eu nunca fiquei mais de 4 dias longe do Benja. (e nem 5 minutos sem 4G hehe). Sim, eu virei muito bicho grilo. Aliás, sempre fui, agora que veio a tona mesmo..

Aqui chegou a primavera mas ainda continua nevando em pleno mês de abril porém os dias já estão ficando mais claros e a esperança começa a ressurgir no coração do povo. Eu estou bem feliz também porque ultimamente tenho me desafiado e comido praticamente só coisas veganas aqui em casa e já vi uma grande diferença no meu bem estar geral. Não é uma coisa fácil de se fazer e estou respeitando o meu tempo..

Bom, acho que é isso.

Um bejo no core.

 

 

 

SparaSpara

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fica a dica

Oi, hoje vou fazer daqui o meu divã.

Eu sou do tipo bem ansiosa. As vezes não tenho muita paciência para esperar por coisas e sou bem impulsiva. Prazer, sou geminiana. Acho que não estou sozinha nesse mundo não, né! Não vejo a hora de um dia poder voltar para a Índia e ficar quanto tempo for preciso em um ashram no Himalaya mas enquanto isso não acontece vou me auto hippiezando.

Li esses dias uma lista que pode ser de uso coletivo para o bem da humanidade. Ela é bem usada entre os praticantes de yoga e hinduístas.

Aqui vai ela dividida em duas partes:

Vamos começar com 5 yamas. Eles nada mais são do que códigos de conduta, de como a gente deve viver nesse mundo louco.

  1. Ahimsa, também conhecido por não violência. Seja gentil.
  2. Satya ou veracidade. Deixe de lado a baboseira e seja completo. Seja legal só quando você tiver a intenção de sê-lo! Não fique guardando tudo dentro de si mesmo porque uma hora isso vai explodir, aí hajam sessões de terapia para dar um jeito nisso.
  3. Asteya, ou o famoso não roubar. Assim, no sentido mais sério da palavra.
  4. Brahmacharya (para quem até então pensava que Brahma era só nome de cerveja ruim..), significa moderação. O famoso jargão “somente o necessário, o extraordinário é demais”
  5. Aparigraha, ou desapego. Essa é fácil, pelo menos para mim. Se tem uma coisa que não me agrada mais, eu passo adiante. Pode ser o que for.

E agora vão os niyamas. Eles são práticas para melhorar a nossa relação com as outras pessoas.

  1. Saucha, clareza, pureza. Tenha pessoas a sua volta que te deem um up na vida, que tragam o nosso melhor, que nos ajude a evoluir na vida e não o contrário.
  2. Santosha, ou contentamento. Ser grato por tudo o que conquistamos até hoje e tentar desfocar o pensamento de coisas que queremos o tempo todo.  (essa é difícil com todas essas wishlists salvas..)
  3. Tapas, ou auto disciplina. Não significa que a gente vai sair se auto estapeando quando não conseguirmos completar algo. É mais para darmos um tchau para a nossa zona de conforto e enfrentar o desconhecido. Porque com ele a gente apanha, quebra a cara e aprende na vida. Se a gente fica sempre na mesma acaba virando um bunda mole. Eu sei disso porque sou bem as duas coisas.
  4. Svadhyaya,  auto estudo, auto reflexão. Estar atento as nossas ações e pensamentos e ter uma ideia qual será o  resultado deles lá na frente. Tentar entender que tipo de pessoa somos.
  5. Isvara-pranidhana, ou devoção, fé. Eu nunca fui do tipo religiosa mas acredito muito na energia das coisas. Essa é para acreditar em algo superior a você, nem que sejam unicórnios..

 

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hey, fazedores de bullying do colegial: operay!

Olárr, pessoas!

Há oito dias atrás eu entrei na faca.

Desde que eu me conheço por gente sabia que esse dia iria chegar.. foi bem difícil o caminho mas finalmente aconteceu! Embora todo mundo da minha família fosse contra e muita gente falasse que eu não precisasse..

O problema era (felicidade é pouco dizer “era” e não “é” ) ser dentucinha e ter um queixo de pau, como diz a minha avó. Esteticamente falando, isso não me incomodava tanto mas a minha mordida era toda zoada. O dente de cima tinha uma distância de 2 dedos com o de baixo! Uma coisa gigante porque quem tem uma mordida normal a distancia é nula. Sem contar que eu nunca consegui fechar a boca direito. Aí a minha saída era sorrir 🙂 porque já que ia ter que ficar com a boca aberta, né.. Mas assim, volta e meia eu tinha dores de cabeça por conta da mordida toda errada e pelo cansaço dos músculos do meu rosto também. Sem contar que eu respirava pela boca. Enfim, foram quase 20 anos de dentucismo.
O drama foi longo. No Brasil eu tentei sem sucesso que o meu seguro de saúde na época, o Bradesco Saude, cobrisse a minha cirurgia. Foi uma baita perda de tempo e frustração. Até tinha dado entrada na ANS – agência nacional da saúde e dai que acabei me mudando aqui para a Suécia e tentei a sorte aqui para a cirurgia. Eu fiquei tão feliz quando soube que o governo cobriria toda a minha cirurgia! E também não precisei pagar pelo aparelho odontológico, somente pela manutenção – que não pode exceder a quantia superior a 1100 coroas anuais, depois disso nós recebemos  o que eles chamam de “frikort”. O frikort é um cartão coringa porque você com ele não precisará mais pagar por nenhuma consulta dentro dos próximos 12 meses. É muito incrível isso. É curioso que para usar o sistema de saúde publico sueco nós pagamos um valor simbólico pela consulta, que gira em torno de 200 a 350 coroas. Mas depois de ter atingido esse valor máximo de 1100 coroas tudo passa a ser de graça de fato!

Tudo andou muito rápido para a minha cirurgia aqui. Mais rápido do que eu esperava! Eu fui em um dentista comum para pedir uma “remiss” (referência) para encaminhamento cirúrgico. E dai depois disso já encontrei com o dentista que faria o meu tratamento odontológico visando já para a cirurgia. E isso começou no final de maio do ano passado, e agora dia 1 de março eu operei!

Fiz a cirurgia no mesmo hospital em que o Benji nasceu, o Karolinska. Estava quase me mudando para lá porque antes disso quase todos os dias tinha que dar um pulo lá para checarem algo em mim. Uma semana antes fiz ressonância magnética em uma máquina que parecia um donuts azul gigante. Dá um certo desespero ficar parada dentro daquele troço, e a gente ainda nem pode se mexer ou engolir. Tem que ficar com a língua no céu da boca o tempo todo. Eles queriam saber aonde estavam localizados os meus nervos do maxilar para saber qual tipo de cirurgia eles fariam.

E daí que eles abriram o meu maxilar de ponta a ponta! O corte começa atrás do último dente inferior direito e vai até o último da esquerda! Ontem consegui tirar um raio x para ver o que tenho na cara depois da cirurgia. Em cada lado colocaram uma placa de titânio de aproximadamente 4 cm (o que é grande pra caramba) em cada lado do meu maxilar, e eles também diminuíram o meu queixo e fizeram a ligação do osso mentoniano (tô craque já nas nomeações!) com quatro parafusos de titânio. O titânio é um metal incrível porque ele não é magnético (não vou apitar quando passar pelo detector de metais em aeroportos..) e nem corrosivo, e é geralmente bem aceito pelo corpo humano.

A cirurgia em si a gente não sente nada, thanks god! mas o pós operatório é hell. Eu fui internada no mesmo dia da cirurgia, o que foi bem ruim porque tive que ficar sem comer e beber desde a noite anterior. Aí antes de ir para o hospital me pediram para que eu tomasse dois banhos em casa com um sabonete e shampoo anti bactericida. Entrei no hospital as 7:30 e a cirurgia saiu ao meio dia. A operação demorou 5 horas! Fiquei com a boca lá  arregaçada por todo esse tempo. Fiz dois xixizinhos antes da cirurgia para evitar de ganhar um catéter dentro de mim! Não tem como não ficar uma pilha de nervo. Dá um medinho de nunca mais acordar mesmo. E você tá lá em um ambiente completamente estranho, com pessoas pegando em você, longe de todo mundo. Aí o sorinho na veia começou. Espalharam adesivos pelo meu corpo com cabinhos. Respondi ao 2938892 questionário e fomos para a sala de cirurgia. Tinham umas 7 pessoinhas lá, andando para todos os lados. Aeee o bife chegou! Uma das cirurgiãs, que nunca vi na vida, foi simpática e me disse para pensar em alguma coisa muito boa, uma coisa que eu queria sonhar durante a cirurgia, que era para eu ter aquilo em mente durante o tempo todo não importasse o que acontecesse. Obviamente, que eu comecei a chorar, né, pô. Aí nisso, você já está com uma mascara de oxigênio na tua cara, aquela holofote  nos teus olhos.. e daí vai ficando tudo calminho, gostosinho e PRETO.

Acordei deitada em uma maca dentro de uma salinha cheia de computadores e algumas pessoas. Eu estava igual a um cachorro no deserto de sede e fome! Aí uma das pessoas que eu pedi água falou para eu ter cuidado para não beber muita água porque eu tinha recebido muito soro na veia e a minha bexiga poderia meio que.. explodir, seria a palavra?! Aí dei uma vomitadinha básica de sangue. Isso tudo com a cara toda enfaixada, babando, tentando fazer que me entendessem falando desse jeito em sueco. A cara a gente não sente nada, já a garganta… Eu chorei três dias de dor só por engolir a saliva. Tudo incha muito. Absurdamente muito mesmo. Você super se sente como se fosse um integrante da família do Fofão. Mas eu fiquei tão feliz por meu nariz não estar congestionado. Muita gente diz que fica com as vias nasais super congestionadas por uns 10 dias por conta da sonda. Mais um sofrimento extra que escapei. meu nariz está levemente ralado, dá para ver que passou um monstro por ali. Bom, ainda bem que, miraculosamente, escapei dessa. E pelo contrário, acho que nunca respirei tão bem na minha vida!

Bom, resumindo a ópera, não vou poder comer nada sólido bom um bom tempo. Só suquinho e sopinha na canequinha. O meu maxilar não se mexe, tô me sentindo igual ao  homem de lata do mágico de Oz, faltando um óleozin nas articulações. Eu não sinto o lábio inferior e muito menos o meu queixo. Vai demorar um tempo para que eu comece a sentir novamente. Já sei que vou perder em torno de 30% da sensibilidade do queixo. Enquanto isso eu  tenho que comer usando a língua. É bem estranho. E nada de tentar comer coisas com pedaços porque além de não conseguir mastigar nada, para tudo dentro da boca nos cantos e é horrível para conseguir limpar sem sofrer. Eu tenho que escovar os dentes usando uma escova de bebê igual ao do Benji e uso uma garrafa de água para dar um jato no final da boca em lugares eu chamo de buraco negro porque não consigo alcançar com a escova.

Fiquei na morfina na veia por três dias. Esses três primeiros dias em que fiquei no hospital, foram um in-fer-no. As coisas básicas vitais eram bem difíceis de serem feitas. Agora eu voltei a dormir deitada mas até então era só sentada e ainda não consigo mexer muito o meu pescoço. Assim, to bem gata. Mas o que mais tem incomodado mesmo são as dores no pescoço e de garganta. É uma lutinha. E todos os remédios que eu tenho que tomar são em pílulas monstras que eu quebro no meio e mesmo assim as vezes eles param na garganta. Repito o processo 3 vezes ao dia. Eu tenho um roxo amarelado que começa no pescoço e desce até o meu peitoral. E a babação.. estou parecendo um bulldog. É sério.

Mas o que anima é que todo dia que acordo sinto uma melhora. O inchaço diminui, a abertura da boca aumenta um tiquinho, a pele do meu lábio começa a ficar um pouco melhor e assim vai. E acho que essa cirurgia foi tão mágica que até as minhas olheiras de Gretchen deram uma melhorada! É preciso de muita paciência de Buda porque para comer é bem incomodo, e todas as comidas duras são extremamente atrativas para a gente que tudo começa a ter até um que de pornô haha! Eu tenho sonhos eróticos com macarrons de pistache, por exemplo. E eu não consigo pronunciar as letras p e b. E eu tenho que repetir umas três vezes o que eu quero falar para me entenderem. Mas não preciso mais escrever na lousinha do Benji. Um espirro saiu como se fosse uma tosse. O bocejo só sai no pensamento. To quase me sentindo uma criança. Agora já to conseguindo comer uns purezinhos. Tudo com colher super pequena de plástico senão não dá. A vontade de sair arrancando todo esse aparelho da boca e que o tempo passe logo para eu poder comer um pedaço de aipo bem crocante é grande! Mas enquanto isso haja tempo, bepantol e paciência!

Beijos só se for na testa!

 

devaneios

Direto do olho do furacão

Oi, gentes!

Se liga que nem sei por onde começar. Acho que fiquei sem escrever aqui desde a era paleolítica. Foi um trampo desgraçado instalar o WordPress e migrar o blog (de noobie total fui promovida a semi entendida, diríamos). Um troço que era pra levar 5 minutinhos acabou durando uns 4 meses. E olha que ainda tem muita coisa que quero mudar no layout mas to extremamente sem tempo. Alias, tempo é a coisa que mais quero na vida agora.

Eu devo tar muito macumabada no carma da tecnologia porque o Benjocs tacou o meu Ipad no chão umas trocentas vezes e ele resolveu passar dessa pra melhor. Ai no mes seguinte, eu comprei umas rosas lendjas durante a tpm from me to myself pra me alegrar mas botei o vaso bem ao lado do meu mac e a destrambelhada virou tudo como um diluvio em cima do computador. 6,700 coroas só para arrumar. E dai, que ne! Não tenho esse dinheirinho, non. Mais um pouco e dá pra comprar um novo. O bom é que tem espaço no jardim de casa e posso começar a plantar maçãs. (rir pra não chorar – e muito). E dai que agora to usando o pc do Alex com os teclado tudo doido em sueco e tenho que usar o teclado digital. Imagina a felicidade da crionça.  Mãs, como todo brasileiro que não desiste nunca resolvi voltar pra cá mesmo que na sofrencia (e vocês vão ter que me perdoar a digitação zoada pq não tem muito jeito).

Esses dois ultimos meses tem sido muito lucycrazy. Meus pais e minha avo vieram pra cá para uma visita relâmpago no final do julho e eu e o Benjoca ficamos detidos na policia da Estonia porque entrei ilegal sem querer por aquelas bandas (fiquei das 11 as 18 numa salinha de vidro entretendo o Benjamin. Não podia nem ir ao banheiro desacompanhada. whadafuuu) Isso foi porque o Alexwonder pensou que meu visto de permanecia iria se autorenovar e eu fiquei de buenas. Dai descobrimos too late e eu ja estava ilegal. E dai resolvi ir para Tallinn de navio com meus pais e dai fui barrada no baile. E tive que passar a tarde na maior chateação na policia. Pelo menos a gente fez um tour diferenciado com van da poliça por Tallinx. E detalhe que tudo era em estoniano. Ai teve uma interprete que fedia mais do que chaminé de fabrica de tijolo! Ate com a Interpol eles entraram em contato hahahaha. E dai você olhada para o ser super perigoso cantando galinha pitadinha e trocando fraldas dentro da sala da policia. E só pude voltar pra Suécia porque o benjoca nasceu aqui porque a tia lá falou que se não fosse por isso eu teria sido mandada de volta pra terra da banana. (já que meu visto tinha vencido na suecx, eles se basearam na ultima vez que eu entrei na zooropa e dai entrou no prazo do acordo de Schengen e dai que fuuuuuu) Eu so queria mesmo era ter ido tomar uma cervejinha no centro de tallin com a minha familinda. Mas rolou não e ainda tive que responder umas 50 vezes que não tinha intenções de querer ser parte daquela nação sem noção.

E agora que esto legalizada não to tendo tempo para respirar (isso só ta rolando mesmo porque é involuntario e não requer muito esforço). Benjamin teve que entrar na escolinha (que aqui eles chamam de dagis), a minha amiga me descolou um trampo meio período e eu ainda to estudando suecs no final do dia. Ou seja, chego em casa só caco da viola e o mais triste de tudo é que Beijoca ja ta dormindo. Eu só tenho visto ele de manhã e bate aquela culpa violenta de que ele ta crescendo e  não estou conseguindo acompanhar com esse lance de chupar e assobiar cana ao mesmo tempo. E dai que deu um rolo no meu curso de sueco. Eu ia começar um que tinha duração de 7 semanas, tempo integral. Belezinha. Dai de ultima hora me falaram que não ia ter mais vagas e dai me botaram em um outro que tem duração de 21 semanas e que só vai acabar no dia 18 de dezembro. Mãs no dia 5 de dezembro a gente vai embarcar para o Quatar e depois para India. Eike loucura, eike badalo. Destino mais exótico não há! Se a gente voltar sem malaria, piriri e afins eu juro que acendo velas para todos os santos! (mas só pelo fato de poder fugir do inferno-inverno sueco já tá valendo super). E dai que o lance é que vou ter que terminar em tempo recorde o curso de sueco, antes de everybody pra eu poder ir fazer o meu caminho das indias. Mas nem tempo para dormir estou tendo direito porque Benjocs ta nesse turbilhão de coisas novas acontecendo na escolinha que fica super agitado e acorda 293829 vezes a noite. Ai só resta o pó da bolacha.

Mas a coisa é que vou começar a botar mais coisas na roda aqui antes que esse computador também resolva passar dessa pra melhor 🙂

bêbe & cia devaneios

sobre ser mãe.

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ser mãe é 50% trabalho 50% diversão. as noites inteiras de sono parecem fazer parte de uma vida muito muito distante. você não sabe mais o que é passar uma tarde lendo um livro. a ideia de se poder fazer o que te der na telha é um sonho para a outra encarnação. ser mãe é dolorido (literalmente). é entrar numa nova realidade geralmente em um corpo diferente. eu virei neurótica. sem contar a culpa. nasce uma mãe e com ela a culpa. ser mãe é se deixar de lado e criar um serzinho frágil desde o começo. e são fases. a fase em que você é hotel (gravidez), depois passa a ser restaurante (amamentação) e depois vira concierge. é ouvir criança chorando mesmo quando não tem nenhuma (mesma coisa quando você sente o seu celular vibrando e ele não tá!).

o choro e a galinha pitadinha passam a ser a trilha sonora da sua vida. as vezes você sente o amor maior do mundo, no outro dia você tem vontade de devolver a criança e se pergunta onde é que estava com a cabeça quando decidiu ser mãe. mas no outro dia você começa a pensar em ter outro filho. e no outro dia você quer fazer laqueadura. você emburrece um pouco no começo (minha terapeuta falou que aos poucos vai voltando ao que era antes). os hormônios tomam conta. você fica louca. muito louca. as vezes nem você se aguenta. e as vezes a sua rotina gira em torno de se a criança fez ou não coco para poder sair de casa. sim, ser mãe não é como um comercial de margarina.

eu fiquei muito mais sensível ao mundo depois que o Benjamin chegou no pedaço. e quando seu filho chega ativa um botão na sua caixa de memória e você começa a recordar coisas que nunca te passaram pela cabeça antes. histórias que te foram contadas e que agora fazem mais sentido. ser mãe as vezes é pirar e querer sumir. e daí quando você finalmente consegue sumir a sua cabeça só fica no pedacinho de gente que não está com você. e você sente saudades e começa a se perguntar se foi a coisa certa ter saído sem a criança. e vê um outro bebezinho e já quer voltar correndo pra casa agarrar o seu antes que ele cresça. e eles crescem e muito rápido. e você não acredita muito quando as pessoas te falam isso. e você quer aproveitar cada segundo mas ao mesmo tempo tem um mundo lá fora para ser conquistado. as vezes você quer que o tempo pare e que aquele bebezinho nunca cresça mas as vezes você também quer que aquele bebezinho cresça logo e você volte a ter a sua vida de novo (o que nunca vai acontecer mas você gosta de sonhar).

mas você também não se imagina mais sem aquele serzinho. e embora pareça que existisse liberdade na sua vida antes ela também se parecia vazia e sem sentindo. ser mãe é quase como ser um polvo. ter uma mão para segurar o bebê, uma para limpar a casa, outra para fazer comida, uma para poder ler um livro, outra para .. enfim. ser mãe não é fácil. mas quase ninguém tem coragem de dizer isso. e não tem um manual te ensinando como a fazer as coisas. você vai se achando. a vida fica mais complicada mas também muito mais bonita. você passa a ter um novo chefe: o seu filho. mas depois de um tempo você vai ressurgindo das trevas como uma fênix. e você vai redescobrindo o mundo com o novo serzinho que você trouxe pra cá. e são muitas coisas para pensar e repensar. se os seus princípios são os melhores para serem passados em frente. essas coisas. é ter esperança num mundo melhor mas também muito medo. ser mãe é fazer check list mental de coisas a serem feitas.

é, mesmo morrendo de cansaço, parar para observar cada detalhezinho do seu bebê enquanto ele dorme e se perguntar como é possível a gente poder fazer uma coisiquinha tão linda desse jeito. ser mãe é sentir que sua cabeça sempre vai estar em outro lugar. que você nunca mais vai ter sossego na vida. e as vezes, você deixa de ser você e passar a ser a mãe de fulano. ser mãe é chato. e também incrível. e as vezes uma merda. é sentir um orgulho que te preenche a alma. e sentir culpa, uma culpa que te domina mas que você esconde de todo mundo. ser mãe é descobrir que você é mais forte do que imaginava. as vezes eu acho que ler os do’s and don’ts só servem para ver o que não fiz e deveria ter feito. ser mãe é quase como ser um militar. e a rotina é a sua melhor aliada. ser mãe é doar-se. pessoas, ser mãe não é padecer no paraíso. parem com isso.

bom, acho que deu para entender que é mais ou menos isso.

se cuidem, crianças. 

 

bêbe & cia devaneios

vida loka sobre 4 rodas (de um carrinho)

hellows 🙂

eu já devo ter falado por aqui que na Suécia não tem preferencial, né?! todo mundo igual, alinhado na linha do meio. nem mais nem menos. aqui no Brasil existe preferencial mas quando é pra valer o sistema é muito capengo. Revoltante. Passei as últimas 3 semanas dando um rolê com o Benji pelo Riow e por Sp e gastei um rim só em taxi. A ideia era tentar rodar as cidades usando o transporte público. Como já morei no Rio e só queria mesmo era ficar bundando na praia eu nem esquentei o piolho pra sair pela cidade. Já em Sampa eu tava louca pra ir em todas as exposições, no centrão, bem na louca (isso com um bebê de 9 meses dependurado em mim, eu & ele, ele & eu). Primeiro de tudo que as calçadas do Brasil são todas bosteadas, é tipo um rali com o carrinho. Quando a minha sogra veio da Suécia nos visitar no Rio ela se esborrachou toda na calçada, tadinha. E para andar com um carrinho eu já sabia que não ia ser tarefa fácil. Era preciso um tanque de guerra. E foi bom ver que não é só na Suécia que as pessoas pulam em cima do carrinho, aqui isso também acontece. Tô doida pra botar uma buzina no carrinho – difícil vai ser quando eu querer usar e o benjoca estiver dormindo. Beleza, as calçadas até que foram ok (apesar de as vezes eu me sentir como se fosse o único ser fazendo isso na terra porque em sp eu não via nenhuma louca andando de carrinho por aí, me senti meio que um alien). No Rio a gente via muitos carrinhos na zona sul e dava pra perceber que era mais o creme de la creme carioca que usavam. Porque lá é preciso ter carro pra ir pra cima e pra baixo com um carrinho. Quem já andou de busão no Rio sabe que é quase como andar numa montanha russa, segura firme e cruza os dedos pra sair vivo. Tamanha burrice de quem resolveu botar a porta de cadeirantes do ônibus no lado esquerdo sendo que o embarque sempre é feito pelo direito. Comofas? A gente vai pelo meio da rua (os prrreferrencial) para poder entrar no busão, minha xente? Mas beleza, essa do busão em são paulo consegui me virar. Botei o Benjamin em mim e larguei o carrinho a deus dará. Sério, eu não sei como as pessoas com crianças fazem aqui. tem que ir de carro pra todo lugar, isso é terrível. aí eu fui pegar o metrô. o que eu tava com mais paranóia era da multidão. eu consigo de boa pegar escadas rolantes levando o carrinho, muita gente me acha louca mas depois que você pega o jeito a coisa vai de boa. eu prefiro mil vezes porque os elevadores sempre cheiram mijo. e daí beleza, fui tentar ver como é que rolava de fazer isso no metrô de sp. Primeiro que os elevadores, geralmente, são fechados e você tem que caçar um funcionário pra abrir pra você (as vezes aos berros porque eles só vão te ouvir na 5* vez). E a porta não abre automaticamente, não tem um botão que faça isso acontecer. E olha, levando em consideração que quem é preferencial são as pessoas que mais precisam de ajuda. Eu acho que um cadeirante mal consegue sair de casa. Entrei numa loja pra comprar calcinha e eram só escadas (eu não ia ficar pedindo pra algum filho de deus ficar carregando o carrinho pra mim pra cima e pra baixo toda hora). Mas o fim da picada foi ter que esperar por um elevador na estação da Luz por quase 15 minutos. Foi ridículo, a gente tem apertar um interfone (?) e pedir pro cara chamar o elevador pra você. E detalhe que sempre tem um povo nada a ver que pega o elevador sem precisar. Mas foi muito estranho me sentir a única pessoa andando de carrinho pelas estações de metro lotadas, em uma cidade onde há 20 milhões de habitantes. Eu acho bem é que esse povo que mais precisa desistiu de sair de casa.

devaneios

Hi, pipol.

 

Tem tanta coisa que queria escrever sobre, dar tim tim por tim tim.. mas vamos lá dar uma prévia dos últimos acontecimentos:

  • vamos nos mudar para Estocolmo até o final do mês

Então o apartamento tá uma zona, tudo se transformando em caixas. E Alexander tá vendendo quase tudo no blocket. (blocket é tipo um OLX da vida, onde o povo vende de tudo, até a mãe). E daí que a gente não tem mais sofá desde ontem, nem cômoda, nem estantes de livros.. tá tipo *o* caos. E isso é só o começo, certo? Porque tem o começo (encaixotar, dar um fim nas coisas), meio (transportar as tralhas) e fim da mudança (explodir a bomba, ou seja, abrir as caixas). E a cada dia que se passa eu me sinto mais e mais grávida. E a ida de Gotemboring pra Stk leva em média 5 horas de carro. (mas com uma grávida junto, o tempo aumenta para 10 h, considerando que temos que parar a cada 20 minutos pra eu fazer um pipis.. mesmo que seja imaginário).

  • só faltam mais 5 semanas para o Benjamin nascer

Yey! É uma mistura de ansiedade louca, com felicidade, com cólicas e noites mal dormidas, dores nas costas intermináveis, roupas que não aguento mais usá-las (que quero fazer uma bela fogueira quando Benji nascer!), sono absurdo durante a tarde, chutes na costela, listas intermináveis de coisas para comprar.. e a maior novidade de todas: soluços! Sim, a coisa mais fofa do mundo! Sempre achei surreal a ideia de um bebê ficar te chutando dentro da sua barriga.. e agora descubro que eles também soluçam e que dá pra sentir isso! Incrédibol. E parece que eu tô grávida faz uma eternidade e saber que agora falta tão pouquinho.. que nem tinha caído a ficha. E o ninho ainda nem ficou pronto! E o povo daqui é tããããão sossegado com isso. Primeiro de tudo que eles só manifestam que estão esperando um bebê depois do 3°, 4° mês. (eu já abri a boca logo que soube pq queria apoio de todos os tipos). A maioria prefere não saber o sexo. E chá de bebê aqui não é nada comum. E aqui o que rola é parto normal (um pouco hard core mas acho super válido. e logo que der quero escrever mais como funciona o acompanhamento da gravidez aqui). E a ideia de o Benji ter um quarto todo bonitinho passa longe, porque a casa que vamos nos mudar tá lotada de coisas do papis do Alex, e ele só vai começar a liberar no verão.. ou seja, só em agosto? setembro.. ai, meu canivete!

E ah, Benjamin já quase tem o mesmo número de caixas do que eu! Tá 2×3!

 

  • SFI (curso de sueco para imigrantes)

Bom, desde que fui informada que o curso de sueco aqui na Zuézia era grátis achei ótimo. *Só que* é uma porcaria! Uma enrolação pura. E eu vi que não sou a única reclamona e vítima da parada. Eu tenho aula 4 vezes por semana, 4 horas por dia com um intervalo de 30 min. Eu comecei o curso em setembro do ano passado no nível C (vai do A ao D), e passei para o D logo que voltei do Brasil. Toda felizinha pensando que ia ter um professor melhor porque mudei de nível, que nada! Mudei da tarde para manhã e meu professor continuou o mesmo. E a aula dele é péssima! Ele demora zilhões de anos para escrever na lousa o que a gente vai fazer durante o dia, deixa um recadinho tosco lá do tipo “leia a lousa!”e dá no pé, só volta uma hora e meia depois.. aí o jeito é ficar traduzindo textos e tentando achar alguma maneira produtiva de aprender. Mas é foda! Pra quem não sabe, a Suécia acolheu um número significativo de refugiados. (uma coisa que gera muita discussão aqui de porque o governo faz isso, quais são as vantagens, obrigações, etc.. assunto para outro post). Enfim, o professor dá no pé e o povo fica falando em árabe super alto, enquanto quem quer estudar tenta se concentrar.. isso 8h, 9h da manhã. Sem contar que pra sair da cama é uma luta porque o sol agora só nasce depois das 8, aí dá aquela preguicite.. e ainda tem esse barrigão que dificulta tudo quando o assunto é ficar sentada por muito tempo. Aí vou pra aula e é essa zona. Sem contar que o livro que o professor me deu já está todo respondido e nem cd com audio de textos tem. A coisa é que a gente só vai pra aula assinar presença, o resto a gente aprende por conta própria! E eu tô pirando porque quero terminar esse curso chato logo antes do Benji vir, porque quando ele chegar vai rolar uma paralização das obras. E eu queria meu bônus de término! (que eles só vão liberar até 1 de julho, ou seja, cerveja). Enfim o curso é mais picareta do que coisa de feira do Paraguay.

  • agora o céu daqui só conhece um tom e ele é CINZA!

Xssus, como pode isso acontecer? Rá! Com um número infinito de cores e o céu insiste em ficar nesse cinza chato. Posso ser um pouco mais reclamona e apertar a ferida do povo que é falar do clima cagado daqui?!  Bom a neve foi embora (mas ela pode voltar, pelo menos fica tudo branquinho.. pelo menos no primeiro dia, antes de tudo começar a derreter e virar uma lamaceira só!). Os invernos daqui são loooooongos, escuros (dependendo da onde, o sol mal dá as caras), cinza e deprê! E ainda mais boring quando você tá uma baleia porque está grávida e não consegue se movimentar muito, ou seja, fazer atividades de inverno jamé! Sem contar na luta de botar no mínimo duas calças, cachecol te sufocando, jaqueta que pesa 10 kilos e sua barriguinha marota ameaçando cada vez mais a ficar de fora! (saudades do Brasil em que eu podia usar só os vestidinhos capa de botijão de gás!) Ok que a situação tá um pouco “melhor” depois que a barriga cresceu pra valer, agora debaixo de tanta roupa eu não pareço mais só gorda mas também grávida, obrigada. Voltando a falar do tempo, uma coisa que me enlouquece é que como tudo aqui na Suécia é meio padronizado, tudo acaba parecendo igual. Então é tipo, os predinhos estilo cohab, as casas amarelas/vermelhas, a Hm, a Ikea, o povo dirigindo Volvo e o céu cinza. Forever cinza. A mesma paisagem everywhere. Agora entendo porque o povo se mata tanto aqui 🙂

É isso aí. Hoje Suécia não é muito minha praia não.

Hej då

devaneios

esse negócio de gravidez

Ainda não caiu, totalmente, a ficha que vem vindo um pedacinho de gente que vai ser totalmente dependente de mim para viver.. Não, esse negócio de conexão mágica com o feijão que cresce dentro de você não surge de uma hora pra outra. É todo um processo, que no meu caso teve várias etapas. Eu mal respirei quando me mudei aqui pra Suécia e já engravidei logo depois de 2 semanas. A coisa é que foi totalmente não planejada. Eu interrompi o uso da minha pílula porque ela não estava mais sendo boa pra mim, e eu queria passar por uma consulta pra poder trocá-la por outra. Mas pra isso eu precisava do PS (o famoso personnummer) que ainda ia demorar pra ficar pronto.. e daí que nesse meio tempo eu recebi um *check in* inesperado! E eu nem me liguei que sentia um cansaço louco e que aquilo podia ser gravidez.. eu sempre fui muito dorminhoca, e como a gente estava viajando por Paris batendo perna o dia todo, nem me preocupei. Aí logo que a gente voltou de viagem, já com 5 semanas de atraso, eu resolvi comprar um teste de farmácia com o c* na mão e o Alexander com a maior tranquilidade de Buda. Como eu sentia meus peitcholas doloridos e tinha cólicas, pensei : *tá vindo!* Talvez viesse atrasada porque tinha parado com a pílula há pouco tempo.. e foram várias as manhãs em que o Alex olhou pra minha cara e perguntou: “e aí?” e eu respondi “nada. mas.. tá vindo! eu tô SENTINDO!”(usando a força do pensamento e unindo todas as forças do universo pra que isso fosse verdade) e nisso ele me dizia “eu acho que você tá super grávida!”. Daí que comprei o bendito teste de farmácia e fiz às 5 da manhã e quase tive um troço quando apareceram dois risquinhos. Assim, não pensei “tem um bebis se formando dentro de mim!”, pensei “to ferrada, agora é o meu que tá na reta!”.  Antes desse episódio, eu já tinha pensado em várias coisas metafísicas. Tipo, no infinito do universo, na existência de um deus, na morte da bezerra, mas nunca, nunca passou pela minha cabeça de cérebro de algodão se eu queria ter filhos um dia. Talvez eu não quisesse e fosse passar a vida toda sem filhos, se essa fosse minha escolha. Mas aí, já peguei o bonde andando e achei um pouco sacanagem pular. Os primeiros 3 meses não foram nem um pouco fáceis. Não me senti invadida por uma alegria maternal como muitas grávidas dizem por aí. Eu senti foi muito medo, insegurança, raiva, enjôos (a os enjôos, me fizeram pensar que eu poderia fazer dublê de “a exorcista”).. e o pior de tudo, solidão. Porque tô a 10 mil km longe de quem me dá segurança e tratar de um assunto delicado assim em chats ou em ligações pelo Skype não me pareceu lá muito satisfatório. O que eu sempre prezei foi pela minha liberdade, na ideia de que sempre quisesse fazer algo, nada me impedisse. Sei que o Alex vai tar do meu lado me dando apoio e tudo o que eu precisar para as coisas saírem bem. Ele vibrou com a notícia e me deu o abraço mais acolhedor do mundo. Já eu confesso que senti por um bom tempo um “parabéns” como se fosse “meus pêsames”. É meio tabu falar dessas coisas, de como a gente realmente se sente em relação a isso porque todo mundo espera que você se comporte igual as grávidas de capa de revista. Aqui a liberdade de escolha das mulheres é respeitada, então se tivesse optado por ter um aborto eu teria todo o apoio necessário – inclusive psicológico. Só por curiosidade: quem opta por não ter, antes que dê fim ao processo, a mulher tem um intervalo de 1 semana para repensar na decisão que ela tomou, se é isso mesmo que ela quer e não vai se arrepender depois. A gravidez pode ser interrompida até o 18o mês sem que você precise justificar o porque, depois disso só é liberado se o feto possuir algum problema, a mãe tiver alguma doença ou, raramente, por problemas sociais. Eu super sou a favor do aborto, PORÉM (antes que os conservadores machistas atirem tudo o que tiverem nas mãos em mim), sou contra a banalização do mesmo. E acho que apesar de muitos não apoiarem, que pelo menos houvesse respeito entre a diferença de opiniões e que o sistema pudesse permitir a liberdade de escolha (digo isso para o Brasil e outros países que ainda não legalizaram).
Eu não me sinto madura o suficiente para criar um filho, ainda não terminei meus estudos (ainda tô longe disso!) e não sei se meu psicológico tá pronto para isso. Eu sempre tive rodinhas nos pés e nunca fui de gostar de crianças. A ideia era começar com cachorros, e depois que tudo tivesse meio que sob controle, a gente começasse a digerir a ideia de ter filhos. Mas aí a cegonha fez um check in de emergência de última hora, pegou o hotel todo despreparado e agora a gente tenta arrumar a bagunça toda. Por mais que o campo esteja preparado pra ter um filho – tenho o cara que amo, a Suécia meio que adota o seu filho e te ajuda a criá-lo, apoio do governo para estudo e flexibilidade de horários – eu super me sinto andando em uma corda bamba em cima de uma piscina cheia de tubarões famintos. Eu não sei cuidar de plantas, as únicas que sempre me dei bem foram os cactos e eu sempre queimo o arroz. Mas parece que não é o fim do mundo e que existe vida pós-parto. Uma vida totalmente diferente, mas existe.
Bom, assim que o teste deu positivo a gente fez os procedimentos necessários aqui. Ligamos para o vårldcentral (tipo um centro de saúde) para agendar um horário. E aqui quem faz o pré natal é a barnmorska e não um ginecologista- a gente só encontra com um durante uma vez na gestação e depois só no dia do parto. A tradução mais livre para barnmorska é obstetriz. Eu achei estranho não terem feito teste de sangue em mim para confirmar a gravidez mas fui informada que os testes de farmácia são muito certeiros aqui. E o sangue que coletaram de mim foi usado para outros exames. Tudo lindo, corpitcho pronto para o descarrego. Só que na hora que a barnmorska me perguntou se eu consumia drogas, alcool e afins.. eu respondi que não, bebo socialmente, e drogas não uso nenhuma com frequência. Não, pera, mas acho que devia citar isso.. a gente meio que acabou de voltar de Amsterdã e … (o Alexander queria me matar nessa hora :)) comeu cogumelos mágicos  e sabe, né.. os coffes shops. Tipo, eu não sou de fazer isso, só curto uns bons drinks pra ficar alegrinha e quando faço isso pela primeira vez na vida, descubro que tem um brotinho crescendo dentro de mim. Mas eu achei necessário dizer porque fiquei muito na dúvida se aquilo podia prejudicar o feto, mãaaas, grazadeo, que como foi muito no começo e foram “poucas”vezes, as chances de algo dar errado eram mínimas. Mas o Alexander chutou meu pé pra me lembrar que se a gente fosse considerados narcóticos, assim que o bebis nascesse ia vir uma assistente social pegar o nosso bebê. Ainda bem que dessa vez a curiosidade não matou o gato. Eu me dei a chance de pensar no que ia fazer até a próxima consulta quando teríamos o primeiro ultrassom. Já tinha tomado a minha decisão, e ela tinha sido não ter. Mas quando a gente viu aquele fio de vida pulsando na tela, aquele pedacinho de vida se mexendo freneticamente, não teve como, eu me derreti, um cisco caiu no olho e as lágrimas desceram. É algo que não consigo explicar. Foi, tipo, todo aquele turbilhão de coisas negativas e contras que tinha pensado desapareceram em segundos. Mas foi aí que senti na pele que pra tudo a gente dá um jeito e que amor é uma coisa que não se explica.

Benjamin, com 11 semanas. (agora ele já tá com 20!)
devaneios

Visto por laços familiares

Oi, pipol!
Muita gente me pergunta se eu vim morar aqui ilegal, qual tipo de visto eu tenho, até quando ele vale.. essas coisas. Vamos lá botar os pingos nos i’s. O tipo de permissão de residência que eu tenho é o por laços familiares. Só há 3 possibilidades de se conseguir um visto para morar na Suécia como manda o figurino:

  1. à estudos (com uma vaga já garantida)
  2. à trabalho (com uma oferta de emprego já garantida)
  3. ou quando você tem um relacionamento com alguém que mora aqui, pode ser namorado(a) ou algum familiar. E só.

E se vier pra cá como turista, não precisa de visto e é permitido ficar até 3 meses por conta do Tratado de Schengen. E para europeus que vem pra cá morar é o mesmo esquema, eles também precisam ter um dos 3 itens acima.
Para aplicar para o visto é preciso fazer os trâmites através deste site:
http://www.migrationsverket.se/info/flytta.html
Para que o processo corra mais rápido, eu super aconselho a fazer todo o processo on line! (o site te dá a opção de enviar a documentação via anexo ou correio, opte pela primeira!). Paga-se uma taxa no valor de SEK 1500, por volta de BRL 525 +-. Depois de pago, a pessoa que você disse ter algum tipo de laço vai receber um questionário também. Todo o processo é meeega tranquilo! Comigo foi o seguinte, eu apliquei em meados de novembro de 2012, e no começo de janeiro já fui fazer a entrevista no consulado sueco no Rio. A entrevista é super tranquila, você explica como conheceu fulano, quantas vezes já foi pra Suécia, quais são seus planos.. sascoisas. E tudo foi rapidex, exceto pelo fato de que tive que renovar meu passaporte e isso fez com que as coisas caminhassem um pouquinho mais lentas.. mas foi bom, consegui ficar morando por mais um tempo no Rio 🙂 Meu passaporte só foi ficar pronto em abril. Geralmente, todo o processo do visto leva geralmente de 3-6 meses e pode ser estendido para 9! Comigo foi dentro do prazo, PORÉM, eles me enlouqueceram dizendo que seria estendido para 9 meses, eu quase pari e liguei muito, mandei emails e tudo mais para saber em que pé a coisa tava. Fica a dica que o que mais leva tempo é quando sua documentação já foi enviada para a Suécia e lá que a coisa empaca, aí você tem que descobrir quem é o filho de deus que tá cuidando do seu caso. E eles sempre vão querer te dar a desculpa de que estão atolados porque receberam muitos refugiados.
Mas acredite, curta bastante o momento de espera no Brasil baronil. Sei que é angustiante mas quando você já tiver morando aqui, meu bem, te garanto que você vai ter sonhos eróticos com goiabada.. e morrer de saudade de muita coisa que você achava que nem era tão importante assim. Sem contar que a Suécia é totalmente o oposto do nosso país. Então se lambuze comendo doce de leite, tome bastante sol na laje, vá muito na manicure.. porque aqui, meu bem, não vai ter essas regalias não.

˜

Quando receber a aprovação da Migrationsvekert, você vai receber uma cartinha dizendo que poder mudar pra Suécia. Você só vai sair do Brasil com a carta de aprovação, o restante do processo é feito aqui. Relaxa e goza. Então assim que você botar seus lindos pés no país do Sol luz de geladeira, você, imediatamente, vai lá no Migrationsvekert (até perco o fôlego pra falar esse troço) e se registra (fala estoy aquí! chegay!) , faz a biometria e tira a fotenha. Você vai receber dois cartões, o primeiro vai ser referente a validade do seu visto e o segundo é o tão falado personnummer. E o ps demora um pouquinho para chegar, em média 4 semanas. Assim que isso acontecer, já corre lá no Vuxenutbildning e se inscreve para o SFI (svenska for invandrare/ sueco para imigrantes). O curso é gratuito, e demora, mais ou menos, um mês e meio pra que você possa começá-lo. Ou seja, leva aí uns 3 meses para você poder ficar mais ativo na parada… E mega importante, quanto te perguntarem quanto tempo de escola você fez, responda contando a partir da 1* série. Eu mongol, que fiz só até o ensino médio, disse que só tinha feito 9 anos de escola.. e ao total foram 11, na verdade. Digo isso porque existem escolas diferentes. Por exemplo, aqui em Gotemburgo, tem a Lernia e a Folkuniversitet e o ritmo do curso é diferente em ambas, na Folk é mais rapidinho. E é claro que eu paguei o pato e fui parar na Lernia. O SFI tem o A, B, C e o D. Geralmente a gente cai no C, alfabetizado, sabendo o básico ou nada de sueco. Dá para fazer o C e o D em média 6 meses. Poréééééém, pra conseguir isso você vai ter que pentear muito macaco e estudar SOZINHA porque o curso é só enrolação! Principalmente porque a maioria dos estudantes são refugiados e foram alfabetizados aqui, ou seja, eles vão levar muito mais tempo para aprender do que você. E as aulas são fraquinhas, fraquinhas. Então vai da sua boa vontade e esforço. E o melhor de tudo, se conseguir terminar todo o curso antes de ter completado 15 meses de residência na Suécia, você descola um bônu$$ de SEK 12.000 após ser aprovado no teste nacional. Mas essa mamata vai acabar no meio do ano que vem.

Importante: o visto te dá direito a viver aqui como qualquer outro cidadão, ou seja, você pode trabalhar, estudar.. enfim.
E para finalizar, eu posto aqui uma coisa muito viktig (importante):
Direitos do sambo – copiei da comunidade do Facebook “Brasileiros na Suécia”:
  • sambo não tem direito à herança do parceiro (somente através de testamento ou procuração)
  • no caso de separação, o sambo não tem direito aos bens materiais do parceiro
  • no caso de filhos em comum, só a mãe tem a guarda do filho (no entanto o casal pode solicitar o “gemensam vårdnad, a guarda em comum, no skattemyndigheter)
  • não se pode ser sambo e ao mesmo tempo ser casado
  • a relação de sambo se termina se um deles se casar ou entrar numa relação registrada
  • a relação de sambo também termina se eles se separarem ou se um deles, por exemplo, pedir dissolução do regime de sociedade de bens
  • sambo tem direito a tomar para si a residência mesmo não sendo bens do sambo – samboegendom
  • sambo não tem direito a pensão, mesmo eles tendo morado muito tempo juntos (diferente do Brasil)
  • sambos não podem adotar filhos em comum na Suécia
  • se um par sambo com filhos em comum decidem se separar, o pai tem que confirmar que ele é o pai. O mesmo não se aplica ao pai casado que se divorcia
  • se um par casado com filhos em comum se separar, ficará no apartamento alugado (hyresrätt) aquele que for ficar morando com os filhos. No caso de residência própria, aquele que decidir continuar morando na casa deverá resolver o problema de residência do outro.
  • se o casal de sambo se separar será sempre aquele que habitou a residência primeiro que permanecerá no local. Se eles compraram a propriedade juntos, então haverá a divisão da mesma e se um deles decidir permanecer na casa terá que resolver o problema de residência do outro.
  • se você é casado e paga uma previdência privada, você poderá ficar sem uma porte do que poupou em caso de uma separação, uma vez que hoje em dia essa conta faz parte dos “bens adquiridos”e pode, inclusive, ser transferido o total do valor ou parte dele para o parceiro. Isso não se aplica aos sambos
  • o visto de sambo dá direito a trabalhar e a estudar.
  • tem validade de 2 anos (antes do vencimento tem que ser marcada uma nova entrevista)

Só uma curiosidade:
aqui quem tem um relacionamento estável, é chamado de sambo (que pode ser definido como alguma coisa entre namorado-noivo-marido). E sueco meio que tem preguiça de se casar, já que a situação não muda muito quando pula de sambo para casados. (claro que os direitos aumentam..) Mas muita gente vive muitos anos como sambo, pelo simples fato de já morarem juntos e levarem uma vida idêntica a de casados. O visto para sambo é válido por 2 anos e é renovado automaticamente, e depois dá para aplicar para a cidadania após ter permanecido por 4 anos batidos no país sem ter se ausentado por mais de 3 meses durante esse período.
É isso! Hej då!

devaneios viagem

Parrí (ou pra chorá?)

 Bom, para variar, aconteceram um milhão de coisas novas nesses últimos meses. Tô me sentindo igual cachorro quando cai de caminhão de mudança e mal sei por onde começar! Vamos dar nomes aos bois!
  • faz quase 4 meses que me mudei pra Suécia (o que já parece uma eternidade pra mim!)
  • Dei um pulo em 3 grandes capitais que eu não conhecia antes: Paris, Amsterdam e Oslo
  • Comecei meu curso de língua sueca
  • tô grávida, xenti. WHAT?!!!!!
Bom, eu quero falar de tantas coisas que vão render assunto pra manga. Mas vou tentar ser breve nos assuntos. (porque são coisas que eu não posso deixar passar batido!)
 

Paris
 Bom, que todo mundo fala que Paris é linda e romântica, a gente já tá careca de saber. Mas só indo até lá pra saber o quão estressante aquela cidade pode ser! Acho que a gente gastou mais tempo dentro do metrô gigante de Paris do que na própria cidade. A gente ficou na casa de um amigo do Alexander, na L’île de Saint Denis, no norte da cidade. A casa dele não ficava tão longe do centro, mas a gente gastava tanto tempo dentro do metrô sendo arrastado pela multidão sem fim de pessoas correndo pra lá e pra cá, de enlouquecer. Era pura via sacra chegar ao centro da cidade. a gente tinha que andar até o trem pra pegá-lo até a estação, de lá a gente ia para o metrô e se perdia nas linhas gigantes e imensas. Sem contar naquele cheirinho clássico de cc coletivo!

     O bairro em que ele morava era meio que o gueto organizado de Parrí, era um antigo bairro muçulmano. Tanto é que um dia a gente foi tomar café por lá, e eu pedi pra usar o banheiro do lugar. O-key. Ficava lá no fundão, dentro de um corredor gigante, sem luz.. aí tive que usar a lanterna do celular pra saber onde eu tava e descobri que o banheiro era *muslin style*, ou seja aqueles que só tem um buraco no chão.
 
Tive que dar uma chacoalhada básica no Alexander para ele ser um turista mais ativo, ele já foi umas dez vezes pra Paris e nunca tinha ido ao Louvre, por exemplo (e nem o amigo dele que nasceu lá e mora há 40 anos!). Bom, eu sou super clichê nessas coisas de visitar os must go dos lugares. Seu corpo fica podre, moído porque você quer ver tudo, quer andar por tudo até anoitecer e quando chega a noite, você quer festar. E como transporte em Paris é caro, forget about getting a cab! O mais em conta é comprar o bilhete de metrô+trem para vários dias. (5d custa €17,50).
E você é obrigado a se virar nos trinta! Quase ninguém fala inglês (ou sabe falar e não quer porque acha feio!), aí você tem que arriscar a falar francês. Trés tenso! Um dia a gente resolveu ficar na rua até mais tarde e pegar o último trem pra casa, só que a gente errou na última estação e tivemos que descer em uma desértica, onde não existia ônibus, taxi, nada! A bosta é que o metro pára de funcionar muito cedo, por volta de meia noite já parou de funcionar.. só nos finais de semana rola uma hora a mais de consolo. Aí tá, a gente olhou no mapa e viu que se a gente fosse andando pra casa iam pegar a gente e vender nossos órgãos pro mercado negro. Mas mesmo assim a gente resolveu ir a pé até onde dava, ficamos mega perdidos. Não passava nenhum taxi, e se passava não parava. Começou a ficar frio, a gente com fome, mal humor até umas horas.. aí veio a polícia parar um carro.. e a gente foi lá tentar falar com eles (rolou mais mímica do que qualquer outra coisa!) JE SUIS TOURISTE, JE SUIS PERDÚ!! ahahah.. enfim, os guardinhas da moto pegaram a lanterna de mão deles e ficaram fazendo ronda pra gente conseguir pegar um taxi! E conseguímos!
Só sei que se tem que ir a Paris inúmeras vezes pra poder curtir a cidade de fato. No começo, obviamente, a gente quer turistar ao máximo, e as vezes é impossível escapar das filas! Eu me informei antes e vi que dava pra entrar no Louvre sem ter que enfrentar aquela fila monstruosa, e o Pompidou também!
Tudo em Paris é imenso, a gente só consegue captar um pedacinho das coisas. O Louvre, por exemplo, é preciso sei lá, anos pra conseguir digerir tudo que tá lá dentro .Ok que dá pra ver todas as obras em uns 4 dias.. mas a maioria das pessoas só vê em um, e no final tá morto e não aguenta mais ver arte pela frente. “Oh! Uma múmia de 2938294839 anos atrás. Le-gal”,
 
O caso Mona Lisa
Bom, eu tenho que falar sobre isso. Ela é a musa da arte. Na verdade, eu acho que existem quadros muito mais interessantes e bonitos do que ela.. mas ela é famosa pela polêmica que gera. Enfim, ela é a mais cobiçada pra ser vista no Louvre. Todo mundo fica lá em uma sala gigantesca tentando encontrar o melhor ângulo para poder fotografar o quadro (que é bem pequeno, por sinal!). Eu cansada com essa história toda, propus fazer um top less pra animar o dia haahahahaah.. “já que tava lá sem fazer nada!”. Só que na hora, deu um certo cagaço, obviamente, por que tem uns seguranças perto da Mona e eles podiam muito bem me botar pra fora (eu ainda queria ver a Venus de Milo, sascoisa). A gente só queria bater uma foto pro álbum de família e dar no pé. Foi questão de 2 segundos, abrir a blusa, clicar e fechar. E detalhe que tinha uns mulequinhos bem ao lado do Alexander.. eu falei pra ele “there are children here!” Ele não tava nem aí e começou a ficar p, ai resolvi deixar de cu doce e fazer logo a foto 🙂
Nosso plano era fazer todo o percurso até Varsóvia e de lá voltar pra Suécia, mas naquela muvuca de entra e sai de trem, um elemento* muito mão leve roubou a carteira do bolso do Alexander. Aí zicou legal, cartões, identidade/carteira de motorista.. os tickets de trem, dinheiro, tudo lá! Aí gente viu a viola em caco e teve que ficar dependente do western union pra sacar dinheiro (o que demorou pra gente poder pegar). Sem contar que a taxa de saque era alta (€60) e a gente pegava quantias razoavelmente altas, o que nos dava uma certa paranóia do tipo  “onde vamos guardar?”..Também tínhamos trazido muitas coisas nas malas, não cabia mais nada dentro delas.. e acabamos gastando mais do que o planejado. Aí assumimos que não estávamos devidamente preparados pra seguir a viagem até o final.. depois de Amsterdã ainda faltava Berlim, Cracóvia e Varsóvia.. Aí achamos melhor desistir e fazer isso mais pra frente com mais planejamento. 
Fica uma bela dica pra você seguira na lata: nunca, mas NUNCA mesmo, vá a Paris turistar durante o verão! Tudo fica absurdamente lotado – sem contar que faz um calor do cão também! E por conta disso a gente acaba se frustrando e cansando de ver gente pela frente! Vou dar um exemplo, a gente foi visitar o Palácio de Versalles (ele fica a 20km da cidade – pra não dizer na puta que pariu..), pra entrar não tem como escapar da fila kilométrica no sol (sem exageros!). Mesmo tendo comprado os bilhetes antes.. tem que ficar lá fritando no sol movendo a 2km/h. Aí não parou por aí, a gente entrou no castelo e tava uma sauna lá, pior do que metro da Sé em horário de pico, tinham japoneses sendo cuspidos pelas janelas. O que era pra ser curtido acabou virando tortura. Aí a gente optou em ir lá fora nos jardins, que eram maravilhosos e que fizeram valer a pena a nossa ida até lá.. apesar de tar um calor do cão! (e eles serem enoooormes). E os sanduíches que vendiam lá dentro era  mais pão do que qualquer outra coisa.. um panini por €8 recheado quase só por ar. Acho que calor só é bom quando se está na praia de bikini, caso contrário, a gente tem que ficar correndo do sol.
Confesso que pirei muito mais quando consegui achar minha loja favorita (a Forever 21, que ficava lá nos cu dos Judas de Paris) do que a Torre Eiffel! haaaaa

Uma coisa que eu fiquei na cabeça e queria muito ir visitar eram as Catacumbas (mesmo que a versão aberta ao público seja bem turística). Eu achei incrível – e um tanto creepy- a ideia de resolverem colocar os restos mortais das pessoas que estavam enterradas nos cemitérios durante o século XVIII. Fizeram isso por questões sanitárias e de super lotação. Aí resolveram botar as ossadas nos túneis que haviam debaixo da cidade (que tem uma extensão enoooorme!!!!) Os túneis são localizados muito além do que sete palmos de terra. Ficam a 20 metros de profundidade. Falando assim não parecem ser tão profundos, mas eles ficam bem abaixo dos metrôs, por exemplo. Nós fomos no nosso último dia e tivemos que enfrentar uma fila de, sem brincadeira, 3 horas pra poder entrar (já que eles não vendem bilhetes on line). Cômico foi quando eu pedi pra que o Alexander fosse pra fila enquanto eu ia procurar um banheiro, aí quando voltei fui para o começo da fila, ou seja, na entrada das Catacumbas, mas aí quando olho na esquina vejo que o final da fila era lá, ou seja, ela dava a volta no quarteirão! HÁ! Mas acho que vale muito a pena. Acho que foi a maneira mais simples de eu ter tido contato com a morte. Lá embaixo só há silêncio e escuridão. Dá uma certa angústia mas ao mesmo tempo desperta curiosidade. É um mar de ossos gigantesco, e alguns crânios até foram arranjados artisticamente para, tipo, formarem um coração. A conclusão mais simples que se pode tirar é a de que a vida é fugaz demais.

Dicas antes de ir a Paris:
Assista: Paris Je t’aime e 2 dias em Paris (esse filme dá pra captar muito o jeitinho francês!)
Foi aqui que consegui informações valiosas do tipo entrar em museus sem enfrentar filas.. e que moradores da união européia abaixo de 25 anos tem entrada gratuita em vários lugares culturais – tais como Louvre, Pompidou e Versailles.
Acho que é mais ou menos isso.

Aqui vão algumas fotos na cidade da baguete!

um lindo souvenir do Pigalle! 😉
 

 

restaurante da Amelie, fofo dimais.
 
É isso aí. Bisou!