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Meu primeiro midsommar! :)

Oi, gente muniita! Depois de ter vindo num voo com um pintcher latindo quase todo o caminho de SP a Frankfurt, uma das minhas malas só chegar um dia depois (sendo que parte da minha bicicleta tava dentro de uma delas) vim aqui contar um pouco da minha vida de imigrante – sente o drama. Já fez quase duas semanas que tô bananando na gringolândia. Mas uma eu mal conto porque só fiquei dentro de casa. Agora tenho ca-sa! depois de me mudar umas 7 vezes em menos de dois anos. é perfeito. Fazendo altas orgias gastronômicas e matando a saudade do meu branquelo power e me perdendo na vizinhança fazendo caminhada.

Acho que nunca fiquei tão rodeada por tanto verde – isso no verão daqui, é claro (no inverno vou ficar cercada por branco e congelarei até a morte, amém). Por um ponto de vista, não foi-se lá uma ideia muito boa ir morar no Rio de Janeiro antes de me mudar pra cá, fiquei mega blaster mal acostumada. Agora qualquer ventinho me gela as paquera. Aliás, até agora acho que a Zuécia é o país perfeito para o que se passa na minha mente, mas o meu fisíco é todo fodido pra suportar o clima daqui. Tenho quase todos os ites da lista: sinusite, rinite.. pressão baixa (vivo igual defunto e me cago de frio abaixo de 16°). Pois é, o que a gente não faz por amoR, né rapeize?
Bom, vou dar meu panorama sueco versão poket:

  • é falta de educação entrar na casa de um sueco vestindo sapatos. Todo mundo os deixa na entrada e fica só de meias.
  • a água gira ao contrário nos ralos!
  • portas de entradas e de banheiros sempre abrem pra fora e ninguém ainda soube me explicar porquê.
  • quase todas as casas aqui são vermelhas. por 5 segundos cheguei a pensar que fosse lei, mas daí um passarinho me contou que é porque a tinta tem um derivado mineral que as fazem durar por mais tempo
  • é verão, então por isso o sol só se põe quase meia noite (dependendo de quão norte você está) e volta a brilhar 3 da manhã. Uma beleza se você tá jet lag todo perdido nos horários e não consegue dormir.. dias infinitos! Mas o sol continua a ser bastante tímido.
  • não tem lavanderia dentro dos apartamentos. ela é comunitária para um conjunto de prédios e a gente tem que agendar horário.
  • o prédio que eu moro foi construído durante a segunda guerra mundial e no subsolo tem uma sala sinistra pra se esconder em caso de bombardeios. E eu acho que ainda tem comida daquela época estocada lá embaixo.
  • todo mundo parece estar vivendo em um comercial de perfume da Dior, Ck, etc aqui.

Bom, ó, acabamos de voltar da viagem do nosso final de semana holidísiaco do Midsommar em Karlstad, uma cidadezinha com uns 70 mil habitantes a 250km ao norte de Gotemburgo. Essa festinha, que pelo visto é o feriado que mais caracteriza os swchuecos (21 de junho), é uma celebração do solstício de verão onde eles colocam coroas de flores na cabeça e dançam em volta de um pau erguido (opa, essa soou mal!), o midsommar pole (mas, segundo meu lindo namorado, nada mais é que uma grande representação do orgão fálico.


IKEA+MIDSOMMAR= mais sueco, impossível!

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Primeiro a gente foi ver a dança do Midsommar, onde também era tradição alguém fazer casamento junto com a festa. Eu fiquei querendo todos os bebes gordos pra mim! É

claro que eu nunca vou conseguir ter uma criança do cabelo branco. Do jeito que meu cabelo e o do Alex são ruins, se um dia a gente tiver, nossos babies vão ser rastas. Só sei que me senti um pouco durante a idade média com todo aquele povo vestindo roupas folclóricas levantando um pedaço de pau decorado com flores para o céu. Depois fomos pra casa de um dos filhos do namorado da mãe do Alex, que por sinal a casa dele também era vermelha.
A cada drink eram dedicadas canções com todo mundo em pé, quase me senti num barco viking! hahahaha! E daí que a gente acabou ficando para dormir lá, acampamos na barraca em frente a casa deles e tomamos banho em algo que parecia ser uma capsula do futuro. Jorrava água por todos os lados, tinha música, espelho e luz. Um luscho no meio do interioR.

No dia seguinte, que amanheceu nublado chuvoso, todo mundo resolveu ir dar um pulo no lago. Gente doida. Devia tar uns 12° e um vento do capeta de gelado. E lá foram eles se refrescar. HAHAH.. se fosse no Brasil, a gente nem teria saído de casa. Fizeram isso porque, teoricamente, o verão tinha começado mas ele esqueceu de chegar de fato. 
 
 
 
 
 
Só sei que foi nesse feriado que tive altas doses de gente falando sueco por todos os cantos. E ontem assisti a um filme de um artista muito curtido aqui na Zuécia que se apaixonou por um brasileiro lá du nordésti. E eu virei uma big fan dos dois porque o sueco é meio pinóia da cabeça (bem parecido com meu namorado) e o brasileiro é quase um travesti, muito fofo. No início, eles se comunicavam pelo computador e nunca tinham se conhecido. E quando o brasileiro decide vir da terra tupiniquim pra geladeira aqui, ele não sabe falar quase nada. Eu me identifiquei mega muito na relação dos dois, até porque logo depois que o Manoel se muda pra cá, eles tentam adotar um cachorro (o que tem sido a minha grande meta a ser traçada antes desse inverno mas pra isso eu tenho que convencer meu viking de 1,92cm a trazer uma bola de pelo pra dentro de casa)
Até agora tem sido um paradise aqui na berriesland. Na volta pra casa vi um alce comendo plantinhas. Essa semana chega meu personnumer pelo correio e vou ser uma imigrante registrada oficial. Nemcredito.
hej då!
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somalianos, rio de janeiro e meu visto

Passei um perrenque danado nas últimas duas semanas. A coisa começou quando recebi um email bomba da imigração sueca depois que mandei o último documento faltante pra fechar a lista kilomêtrica de coisas que eles me pediram.. oks. “Brunitinha linda do nosso coração, seu lindo visto sueco vai demorar mais uns 3-5 meses para sair porque resolvemos dar prioridade aos refugiados somalianos e agora nosso desk atolou! Como você não sofre nenhum risco de vida (muito enganados eles, eu moro no Rio de Janeiro, entendeu.. cada dia é uma aventura), a gente vai te deixar de lado. Segura a ponta aí trabalhando no restaurante indo dormir 4 da manhã, acordando meio dia de muito mau humor pra ir trabalhar as 3 da tarde e reclamar todo dia que não tem vida.. continuar chorando as pitangas todo domingo quando vai trabalhar enquanto todo mundo vai pra praia” Foi mais ou menos isso que eu recebi deles. E daí que descabelei porque eu não podia entrar na Suécia durante o período de aprovação do meu visto. O meu tipo de vist é por laços familiares, eles chamam casos assim de juntar os trapos de “sambo”, eu prefiro chamar de samba. Nem o Alexander loverboy poderia vir pra cá de novo porque ele esgotou todas as férias dele nesses últimos 5 meses que passou comigo na terra do Sol. E daí que completei 3 meses no Copacabana Palace, e isso significa que a gente não se vê por esse tempo todo.. porque comecei a trabalhar um dia depois que ele voltou para Gotemburgo. E daí que a gente teve que recorrer a planos e planos alternativos. Ir pra Noruega e entrar na Suécia de carro porque ali não ia ter fiscalização. Essas coisas assim. Mas achei meio macumbado fazer isso. Até que. ATÉ QUE ele recebeu a cartinha dizendo que meu visto foi aprovado! (antes do tempo!) Ou seja, aquela punhetação do caso somaliano foi um estresse desnecessário (na verdade, fiquei torrando os agentes da imigração pra acelerarem meu caso porque eu preciso comprar um cachorro, mudar para uma casa de verdade, comer em uma mesa de verdade, essas coisas). E daí que agora é sério. O bagulho é doido. Eu tô mesmo indo e a ficha não caiu direito, porque eu ainda tô no clima tropical do Reow de Janeirow. E tô cumprindo aviso prévio de um mês no hotel para depois ir pra São Paulo no dia 18 de maio, ver azamiga, depois fazer a cruzada para o interior ver todo mundo até ficar enjoada porque não faço a mínima ideia de quando vou poder voltar ao Brasil pra ver meus queridos e daí eu me vou, assim. Agora pensa, eu tô surtando. Cada dia é um dia a menos, esse tem sido o pensamento. Tô vendo o que eu vou dar, o que vou ter que comprar (tipo lá não tem chá mate, e eu sou viciada.. lá não tem maracujá! não tem coco! não tem açaí, não tem.. não tem pal-mi-to!!)

Eu eu descobri que realmente moro no point onde as coisas acontecem.Tipo, em São Paulo eu morava em moema, grudada no aeroporto de Congonhas. Conseguia ver a pista da sacada do meu quarto e os aviões decolando, falar no skype era uma luta. Depois aqui na favela Sta Marta, morando grudada na escola de samba. Podendo dormir tranquilamente só depois das 3 da manhã quando o samba não tava tão empolgado e acordando as 10 da manhã com o pagode malandro das barraquinhas, querendo estrangular todo mundo me perguntando que foi que fiz de errrado nessa vida. E agora moro no Leblon, bem na rua onde eles fecharam para as obras do metrô que fazem parte da maquiagem que tão dando na cidade pra receber os jogos olímpicos. E tipo, é acordar com pipipipi maldito todo santo dia e britadeira, e trabalhador gritando, um caos. Seriously, tô ficando louca. Mas daí eu penso. Um dia a menos, um dia a menos. Mas ao mesmo tempo não quero que o tempo voe assim loucamente também, não. Porque só vou ter um titico de tempo pra ver minha família e amigos que já estão quase me deserdando porque nunca vivo por lá e perco todos os acontecimentos.. mas ao mesmo tempo eu me sinto meio lesada sem ter meu namorado por perto. E é um saco solidão, já comprei todas as revistas interessantes possíveis, alimentos felizes, essas coisas.. mas não funciona. E do jeito que tá a coisa eu não vou só direto para os braços do amado, vou para as pernas também! Aloca
E são coisas extremas porque é pisar na Suécia e começar uma vida do zero, vai ser pura diversão (nem tanto quando chegar o inverno e escuridão com aquele vento polar e 5 metros de neve na porta da casa). Vou ter que aprender sueco na velocidade 5, ver qual faculdade quero fazer mesmo, estudar matérias de vestibular tudinovo, fazer amiguinhos, levar o cachorro fazer xixi toda manhã, não dormir 15 horas por dia e nem comer todos os godis suecos – godis são os docinhos suecos ( Nádia, minha amiga, uma vez disse que eles eram tão ruins que eram o gosto da maldade), feitos geralmente de anis, que eu sou viciada e me vendo muito barato por eles. Em todo supermercado tem pra você comprar aos montes. Vai ser uma grande luta não entrar no ciclo urso num país tão frio e vou ter que achar uma saída pra conseguir tomar café.. comigo meio que não funciona tomar café, primeiro que o cheio me dá ânsia e segundo que eu acho que faço xixi de café.. não funciona. a parada comigo é mate, chimarrão, essas coisas.
Eu estava pensando com minhas bolas tentando ver em quantos tetos morei nesses últimos dois anos e foram muitos deles, e ainda não paro por aí, depois que me mudar pra Gotemburgo, vamos dar um tempinho por lá pra depois irmos pra Estocolmo de verdade. Ainda me pergunto quando é que vou ter minha casinha de verdade e ter uma vida de pessoa normal. 

 

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here and there: the loneliness issue

o tempo vai passando e eu vou me enforcando nele. Sabe aquela coisa de “corra, Lola, corra”?! Então. Já vi que essa é uma coisa que tá sempre na minha vida, tô sempre vivendo no pau da viola. Agora só tenho mais um mês de Rio de Janeiro. Um mês para conseguir meu personnumber da embaixada sueca, o RG dos vikings. Eu só paguei o aluguel até maio. E minha experiência no Copacabana Palace termina agora dia 16. E se eles não renovarem meu contrato vou ter que catar coquinho em outro lugar até meu visto sair (se ele não tiver saído até lá). E eu fiz uma merda power de ter comprado carta de habilitação no Peixe Urbano e me caguei toda pq além de eu ter comprado duas vezes (o site não deu compra concluída, fui lá e cliquei de novo) e lugar pra tirar a carta era muito zoado. E daí que pedi pra eles estornarem a compra e daí que agora toca o som “brasssiiil-meu-brasil-brasileiro”e eles não cancelaram. E dai que ta na minha fatura 1600 reais anos-luz pra eu pagar. Ou seja, não vou poder comprar uma bala, a não ser que seja a prestação.
E nesses quase 3 meses que fiquei sem dar as caras aqui, eu mudei de casa mais duas vezes. Do Rio de Fevereiro para o super Reow de janeirow de fato. Leblon é tudo de bom, só é o zóio da cara e os preços são uma piada. É de dar vontade de virar corrupta. Eu atendi o Jorge Ben Jor no Copa, vi o Morgan Freeman em carne e osso, vi vários caras da Fifa que nem sabiam que eram da Fifa porque acho futebol um saco. E sempre atendo a louca da Narcisa. Eu nem sabia quem era ela até o dia que ela invadiu a cozinha vestindo bikini falando “amor, que é que tem pra comer aqui?” Ela mora ao lado do hotel, e vez ou outra ela aparece gritando na janela.

Acho que vale a pena pelo menos ver um trechinho.. eu não me importo com a ideia de dizerem que ela é fútil, ela é muito das loucas. Eu acho que se fosse rica seria igual ela.. se pobre já sou assim… haha

Ah, tentaram roubar minha bicicleta e quase levaram o poste com ela.

Eu acho que fui enrolado a minha mudança pra Suécia porque a vida aqui tá muito boa e eu me apaixonei pelo Rio. Quem não? A coisa é que eu to morando a duas quadras da praia quanto da Lagoa R. de Freitas. E isso pra mim é estar no céu. Mesmo quando acordo, sei lá, 12:30 ainda dá tempo de ir pra uma caminhada pela praia e nadar lá no arpoador, boiar, pensar na vida e ir trabalhar. E na volta pra casa, eu venho de bicicleta porque todo o caminho do Copacabana pro meu ninho é pela ciclovia pela praia, aí eu paro comprar coco no quiosque e venho escutando musiquinha. Isso a uma da manhã. E ps. acho que todos os quiosqueiros são todos traficantes.
Então, é meio foda de pensar que daqui sei lá, no máximo 2 meses minha vida vai ser viver sob camadas de roupas e fugir das frestinhas porque o frio é de cagar bolinha preta. Mas eu tô doida pra ir pra lá porque toda vez que ouço  suecos falando por aí eu vou lá de pára-quedas “är du svenska”? meu sueco ainda é bem macarrônico, ainda esgasga na guela e eu não sei quase nada, me embanano toda. Mas a gente tenta. Dia desses apareceu um casal de suecos que me deixaram trezentos reais de gorjeta, parecia um leque de notas de 50. Coisa linda de se ver. Nada mau e olha que quebrei a rolha do vinho deles. Mas trabalhar lá é uma punhetação porque durante aqueles dias de calor de rachar, lá tô eu vestindo saia pelo joelho, meias calça em pleno Rio de Janeiro 40°, caamisa fechada vendo o mar de um lado e aquela piscina hollywoodiana de outro (onde até Lady Di já mergulhou). Mas não é tão fácil ganhar gorjetinhas não, as vezes vem uns filhos da p e fala “keep the change”e quando vou ver sobraram, tipo, 20 centavos. E ah, eu acho que tô virando uma orca porque quando retiram os doces do buffet eu não resisto ao carrinho de doces e é no mínimo um creme brûlée. Mas o Rio ainda me assusta, e eu vivo paranóica porque muitas coisas acontecem ao meu redor e eu desligada tento ficar esperta. Um dia é a hostess do restaurante que é atacada por um pivete voltando pra casa, no outro é a menina que mora comigo que é assaltada dentro do ônibus as 4 da tarde aqui no Leblon e agora essa história nojenta do casal de gringos que foram assediados e violentados nessas vans que andam por aí que eu pego as vezes. Eu tenho um kit assalto e vivo botando meu Iphone no sutiã. E eu tô tão aaaaah, cansada as vezes que quando pinta um famosão na área eu nem sou mais tiete, última vez eu fugi de atender a Gal Costa, só botei o cardápio na mesa dela e fui embora. Eu podia ter visto o Tom Cruise mas não quis, tá? As vezes, quando eu termino de atender uma mesa vem fulando falar e ai atendeu bem o ciclano? que ciclano? como assim que ciclano, ele é o jogador tal. Eu nem me ligo. E no dia que vi o Morgan Freeman o mundo parou por 5 segundos, não que eu ligasse muito, mas ele é o cara, ele é o dono da voz enfática digna de respeito. Deu uma vontade de falar “dooo the dance!” pra ele. Mas foi muito lusho, me senti como se tivesse vendo uma cena da entrega do Oscar, ele vestindo tuxedo passando assim, do meu ladinho com a mulher dele vestindo um longo preto, ao lado da piscina e simplesmente, todos os mortais que estavam nas mesas giraram o pescoço pra ver ele.. e depois que ele se foi, eu disse pra minha mesa mais legalzinha “God just passed!”. Pena que não posso pedir autógrafos, tirar selfies, pedir para eles mandarem beijo pra minha tia porque dá justa causa.
taí minha peixão.
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angústia.


Eu ainda estou a divagar no universo da minha vida. Só fazem 2 semanas que o Alexander se foi e minha rotina mudou completamente. Comecei o trabalho no restaurante do Copacabana Palace (o Copa) e mudei de casa pela zilhonésima vez. Sério, eu não aguento mais me mudar. As pessoas pensam que sou foragida da polícia ou cigana porque, é uma média de 6 meses para cada endereço novo. Nos últimos dois anos vivi em tantos tetos diferentes que gsus. E a cada leva dessa eu vou doando coisas, tudo. Só vai ficando o que realmente me interessa e necessito. E isso também tá servindo para minha vida. Vou ficando mais seletiva e agora estou sabendo mais do que gosto.
Estou em uma luta interna de querer que o tempo passe e não passe. Passe porque quero muito começar minha vida nova, da estaca zero ao lado do Alexander assim que me mudar para a Suécia. Vai ser uma coisa do tipo, renascer aos 23 anos. Outra cultura, vou ter que cativar novos amigos, dominar uma língua diferente, conquistar minha vaga na universidade sueca, conseguir um trabalho que me garanta como ser vivo. Só de pensar já fico sem fôlego. E on the other hand, eu quero que o tempo pare porque eu só tenho esse meio tempo de liberação burocrática (liberação do visto de permanência sueco) para poder curtir minha família, amigos, o sol que brilha até as 6 da tarde.. e, enquanto isso não acontece aqui tô eu no Rio, sozinha. Sozinha em uma nova casa, em um novo trabalho, rodeada de pessoas novas. As vezes isso cansa. Quero que minha vida comece logo pra valer. É até cômico dizer que sou waitress, é aquela coisa de ficar esperando.. não só o cliente me pedir o que ele quer.. mas tem um significado muito mais além. óh só. Agora me sinto naquele momento em que a gente tá prestes a nascer mas fica em um lugar estranho, sabe? Aqui tá tudo “bem”, moro com pessoas legais agora (finalmente, gsus), tenho um trabalho em um lugar legal (apesar de não ser o tipo de coisa que curto muito.. mas é o que tem pra hoje). Foi divertido ir ao consulado sueco semana passada ser entrevistada para o visto de permanência. Caiu a ficha que agora é pra valer. E isso ao mesmo tempo que me faz subir pelas paredes de alegria, também me apavora. Tive que dar tim tim por tim tim dos detalhes de como conheci o mister lova lova, e depois a entrevistadora leu o resultado de tudo o que eu disse. “São Paulo, dia 26 de março de 2011. Bruna estava com fulano, ciclano e beltrano em uma festa chamada pub crawl quando conheceu Alexander Sexy Wojdas”. Mês que vem já renovo meu passaporte. Acho que tô começando a ficar velha. E no meu novo trabalho não posso muito abrir o bico da minha vida, porque senão eles não vão me dar trela se souberem que very soon darei no pé da terra da banana. E daí que eu tô explodindo nos sentimentos e nem posso compartilhar muito com pessoas em carne e osso. E eu começo a me questionar porque botaram o nome do Rio de Rio de Janeiro, porque afinal aqui só chove em janeiro. Talvez seja por isso, porque chove tanto que formam Rios de janeiro. Ahaha.. but not. Sei lá. Ajuda dos universitários aí. Eu estava super empolgada pra vir escrever um post sobre a história do Rio e do Copa que me foi passada, mas perdi a empolgação. Acho que isso cheira uma bela tpm. Medo. E tô me sentindo paulista já porque desde que comecei a trabalhar não consegui mais ir a praia, porque só chove e quase nem dá tempo!

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SO..CO…rro!

Resumindo acontecimentos desde o dia 1 de janeiro. Dia 1 a  gente pula porque foi de total ressaca. No dia 2 comecei a trabalhar em um restaurante chiquéééérrimo (but not) em Santa Tereza. Pra quem não sabe Santa Tereza fico no morro, era onde tinha o bondinho que ia para o Cristo e passava pelos Arcos (fedidos) da Lapa (porém bonitos na foto!). O restaurante era meio “é cilada, Bino” para gringos. O lugar era bem bacana, com uma vista bem legal, com mesas na árvore.. coisas desse tipo. Mas o zóio da cara. É quase impossível sair de lá sem deixar um salário mínimo pagando só por duas pessoas. Só um pastelzinho custa R$24. RUN FORREST, RUN! E daí que tudo bem que é caro, não sou eu quem vou pagar mesmo.. mas o problema é que os 10% nem vinham para a garconetchy e o lugar era chato pra inferno. Era passar a existência polindo taças, e diferenciar garfo de peixe, garfo de carne e garfo que eu ia atirar na cabeça do gerente mais chato do mundo. Pensei que só os novatos ficavam no polimento infinitum mode on, mas não.. tomo mundo ficava nessa chatice.. ô lugar chato da p…. Sem contar que  se pagam todas as penitências quando se sobe o morro. As vezes o ônibus quebra e se tem que subir o resto a pé e pra voltar a noite sem carro é o caos. Ou dá ou desce, beib. O restaurante é tão caro que até a Madona só ficou na caipirinha quando foi lá. Mas é sério, pode ser o que for, mas ficar em lugar chato com pessoas chatas eu não consigo. Eu me mato! E daí que mesmo vivendo no negativo eu disse No-no-no! E enquanto esperava as pessoas me ligarem para agendar uma entrevista eu ficava bundando na praia, vendo no horizonte se o vendedor do mate, açaí, o globo ia voltar. OLHA O MATE OLHA O MATE. GLOBOGLOBOGLOBO! ÁAAAAGUA, COOOOOCA COLA, CEEEEERVEJA. Esfiiiiiha do MUHAMAD, O LE-GÍ-TI-MO! É meio que impossível relaxar nas praias do Rio (a não ser que você tenha dormindo de bêbado na areia), porque fica todo mundo – tipo, os vendedores – ficam, literalmente, gritando na sua orelha e uns até tem microfone. Como o Alexander cismou em começar a gostar de fazer body surfing, eu tinha que ir lá no fundão do mar pra tentar ficar com ele. E até chegar lá eu já tinha sido atropelada por cinquenta tsunamis. Mas acho que a primeira quinzena do ano foi de total bundação, onde, basicamente, a única preocupação existencial era se eu peguei mais bronze na frente ou atrás. Mas não tinha caído a ficha que meu swedish lova lova ia-se embora logo. E daí que antes de partir para a geladeira sueca, ele tinha que ir para a cidade dos meus pais, Itapetininga, para pegar as coisas que ele deixou lá.. isso significava que ele ia embora mais CEDO e daí que eu parei de comer (na verdade, parei de comer porque tô com virose… “cidade maravilhosa.. cheio de encantos meus..”). Já até fui dar voltinha no hospital. O bom de ficar doente assim é que eu to emagrecendo na velocidade 20kilos/dia. Mas daí me ligaram do Copacabana Palace bem na hora, tipo na sexta, dizendo pra eu levar o mundo e o fundo de documentacão na segunda de manhã. Oi? Oi? E daí que eu queria levar o bofe pra Itape, ver todo mundo. E daí que eu tava toda borocoxô do Alexander ir pra lá sem mim e logo em seguida ir embora. E eu bem que me conheço, sabendo que ele ainda estaria em terra tupiniquim, eu bem que iria de última hora na louca dar outro tchau pra ele.. e daí que resolvi 4 horas antes de ele ir pegar o busão para Itape que eu também iria!  Foi tipo, sair daqui às 9 da noite chegar em Itapê quase 7 da manhã, igual um zumbi semi inconsciente, dormir um tico ir almoçar com a família na cidadezinha da vó, a noite voltar pra cidade natal, fazer malas, curtir um tico a família. Mas foi tão bom dormir em uma cama de verdade, com lençóis de verdade, sem barulho, sentar na mesa para comer (eu não sei o que é comer na mesa dentro de casa faz um bom tempo porque aqui na casa da favela.. já viu). E daí que a gente até foi premiado em dormir na king size bed da mama tchama! Foi muito divertido porque deitou eu, alexwonder, papi, mami, todos na mesma cama tranquilamente e ainda com espaço pra Mel pular na gente (mas ela tá velhinha e não consegue mais pular). E daí que tá sendo muita angústia, porque logo na segunda já viemos pra Guarulhos deixar meu lindão rumo a geladeira. E foi muito estranho, pra variar. E eu odeio aeroportos – só gosto quando tô saindo de férias rapidinho.. mas não pra despedidas. Mas a questão não é só a de que eu vou ter que ficar sem ele por alguns meses, é também o fato de que quando eu ir pra Suécia vai ser pra valer, vai ser para morar lá e eu não sei quando vou voltar para ver todo mundo no Brasil porque ainda não ganhei na loteria. E eu acho que vai ser assim daqui em diante.. saudade da família, amigos ou saudade do bofe. E eu to tentando me controlar emocionalmente. Mas nem chocolate tenho vontade de comer por conta dessas coisas que estão tirando férias dentro de mim. Só sei que foram 294894839 km percorridos em 2 dias e eu tô só o pó. Hoje assinei minha contratação no Copacabana Palace e começo a trabalhar no restaurante. Então fica aí de bituca que quando sair algum famozão curtindo a vida adoidado no hot hotel na capa de algum jornal dá um zoom pra ver se eu não tô de fundo. Mas vejo que será em breve o dia em que virei contar aqui quando derrubarei vinho tinto seco na camisa do Al Pacino. Oopsh. Mas espero que esse (o trabalho no Copa) seja um passatempo bom enquanto aguardo a saída do meu passaporte novo e visto de permanência sueco. Enquanto o bofe me mostra montes de neve eu quase morro desidratada desse lado do planeta. Amanhã vai ser meu primeiro dia de trabalho e espero que eu consiga segurar as pontas aqui.

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O Rio e o de Janeiro

E o Rio de janeiro continua lindo.. blah, mas acho que aqui onde a gente mora ele sempre foi feio! (aquela piscadinha malandra!)
Só pra deixar claro: existe o Rio e o de janeiro. Faz parte do Rio Ipanema, leblon, Copacabana (Copa, para os íntimos) sascoisa. O resto sobra para o de Janeiro. E o que fica mais longe ainda, ou fora de rota é o de fevereiro e é aí que eu participo na contagem do IBGE 2012. A nossa vida aqui na curva do início do morro continua tranquila. Pra quem não sabe, uma coisa que tá bem pop aqui no Rio para gringo é o tal “favela tour”, que nada mais é do que arrastá-los morro a cima. É como se fosse um safari sócio-econômico. É bom porque geralmente os fundos acumulados são revertidos em investimentos em melhorias para a comunidade local.
Mas enfim, vai fazer quase 2 meses que estamos aqui vivendo na terra do samba, bunda e caipirinha. Nós moramos coladinhos com a escola de samba da Dona Marta, o muro deles bate aqui com o nosso. Dá até pra ir lá dentro e instagranizar usando o wifi daqui (isso se fosse possível ficar mais de 5 minutos dentro da escola com eles tocando bateria que ecoa martelando nosso cérebro!). É uma maravilha porque, veja bem, eles tocam praticamente todos os dias e nós nem conseguimos assistir um filme. Eu até meio que desisti de tentar ver mais filmes do Ingmar Bergman (aproveitar pra estudar sueco um pouco mais) porque não dá pra ver a morte jogando xadrez numa tela sombria tendo cavaquinho tocando de fundo, né?
galpão da escola de samba Dona Marta

As festas aqui são tão altas que a gente é meio que obrigado a sair na rua para ver o que tá acontecendo, porque é impossível assistir, ler ou dormir em casa. Tem um barzinho aqui na curva que a gente se sente em casa, é só chegar lá que os tiozinho nos oferecem churrasco, enchem nosso copo de cerveja, tudo 0800. É a comunidadji! E o sambão rolando solto e as tiazona mais louca que o Batman puxando o Alexander para dançar e tentando ensiná-lo a mexer a bunda que ele esqueceu na Suécia. E a gente ainda continua achando que samba é tudo igual (e vimos que não estamos sozinhos porque no filme Rio eles também falam a mesma coisa) Aqui tem uma coisa que vale ressaltar, apesar de ser uma cidade de praia, o Rio não transpira aquela atmosfera pela cidade toda pelo fato de ela ser meio grande. 
E falando em bunda, tenho observado muito a população brasileira em geral, e tudo o que eu tenho a dizer é que ela tá gorda (e eu também tô indo nessa onda..). Alexander fala que prefere Brasil, reclama do sol luz de geladeira da Suécia. Mas eu acho que bem prefiro o sol luz de geladeira, o silêncio e pouca gente de lá do que morar no forno, muvuca e barulho daqui! Sei não..
Agora o bicho tá pegando porque eu meio que to vivendo na tensão de conseguir um emprego que satisfaça minhas necessidades momentâneas em pleno festejo de fim de ano. Até vou fazer meu despacho e lançá-lo ao mar porque a coisa tá brava! Eu to me sentindo meio que quebrada porque as duas únicas coisas de valor (não contando os humanos que amo) que tenho são minha bicicleta dobrável que começou a enferrujar por causa da maré e meu macbook. Tipo, só. Nem faculdade fiz ainda e as outras coisas que eu tinha, perdi, vendi, dei um fim de alguma forma. E agora pra começar minha fortaleza, eu tenho que esperar porque me mudo pra Suécia ano que vem mas pra isso dependo do visto de residência que só vai ficar pronto lá por abril (espero eu!). E depois disso eu zarpo pra lá “com a mala cheia de ilusões, vou deixar alguma coisa velha esparramada pelo chão..”. E daí que eu tô numa ansiedade tremenda, me sentindo como se estivesse vivendo em uma bolha entre dois mundos. Dois mundos porque eu não tô com a minha família/amigos/cachorra e nem na Suécia, mas algo em between, pairando no ar. Mas a gente tá curtindo a cidade, explorando quando a preguiça tá domável e sol mais ameno.

pôr do sol no Arpoador.

Gosto do Rio porque mesmo que você não tenha um puto no bolso, a praia é de todos! E sempre tem umas moedinhas que você acaba achando em algum lugar que dão pra comprar uma água de coco e matar sua super sede power depois de uma boa pedalada no sol pela orla de Copacabana.

Mudo de assunto, gosto de azul. Foi muito incrível ver o fim do dia na pedra do Arpoador e quando o Sol se pôs por inteiro todo mundo aplaudiu. Isso é tradição lá. Teve uma noite quando a gente tava subindo o nosso morro rumo a nossa casa na rua dos Bobos, número 0, quando de repente eu vi um bicho andando na fiação do poste eu fiquei boba porque eu nunca tinha visto uma ratazana escalar poste! Mas aí começaram a vir mais pessoas e os tiozinho velho de praça que nos informaram que aquilo ali não era ratazana não e sim um gambá! E dia desses eu vi uma capivara na Lagoa no dia que resolvi ser Forrest Gump e percorrer todos os 7,5 km de percurso.

rodinha de capoeira, Arpoador
MAM do Rio

A gente deu um pulinho no Museu de arte moderna aqui do Reow. A construção é bem legal mas é muito espaço para pouca coisa. Acho que a gente foi em época de vaca magra. Porque, ó, as vezes (na maioria delas, na verdade..) arte moderna é tralha, mas quando dá sorte essa tralha é chique e faz algum sentindo. Mas nas outras.. ela não passa de tralha.

praia de Botafogo e eu pititica

Tem a praia de Botafogo mas ela é poluída por conta das embarcações, assim como a praia Vermelha também é, mas o pessoal parece não ligar muito e se joga na areia e me chama de sereia. Também com esse calor aqui apocalíptico de 200°. Logo ali na praia vermelha, no morro da Urca tem uma trilhinha chamada Pista Cláudio Coutinho, muito tranquila de andar (ela é reta e arborizada), oferece uma vista incrível e se você ficar esperto (e carregar umas bananinhas pra trazer mais “sorte”) você vai ver macaquinhos saguis bem pertinho de você!

Muita gente diz que o Rio é igual São Paulo mas só que com praia, but not. O Rio também tem muito mais área verde do que a capital paulista, onde você tem que camelar pra chegar ao parque Ibirapuera pra tentar limpar os seus pulmões. Mas até chegar lá de bicicleta, você já morreu no caminho atropelado por alguém!

dá uma reparadinha quando chegar nos 2:00 min. Um baita tabefe na cara dos paulistas. Mas eu assumo que tô com uma pontinha de saudade da cidade fedida e caótica, mas acho que essa saudade vai passar no dia que eu tiver lá por 5 minutos no trânsito sendo asfixiada pela fumaça dos carros estuprando meus pulmões.
Jardim botânico

Pela primeira vez uma árvore muito singular, a tal “bread tree”. Ela parece estar sempre enfeitada para o natal porque ela tem umas bolas gigantes e florzinhas meio avermelhadas. Vi também, pela primeira vez, ao vivo e a cores, vitória régias no Jardim Botânico.

cemitério São João

Já falei que no cemitério São João estão enterradas várias personalidades brasileiras, tais como Cazuza, Vinícius de Moraes, Zuzu Angel, etc. E tem um fato um pouquinho curioso, eu sabia que o Oscar Niemeyer estava internado em um hospital aqui em botafogo mas nem tchum que era perto aqui de casa, até uma noite quando eu e Alexwonder estávamos voltando para casa quando vimos várias vans de televisão estacionadas em frente ao hospital. Aí, dois geminianos unidos, curiosidade pra mais de metro, fomos lá perguntar de bituca para o pessoal das tvs o que tinha acontecido, porque tava todo mundo ali, e ele falou sabe o Oscar? Sei. Então, morreu. Foi uma pena, porque eu to seriamente pensando em estudar arquitetura, design e afins e queria muito bater um papo com ele depois que eu graduasse (isso daqui a uns 20 anos ainda). Mas agora é sério, o Oscar foi uma pessoa que podia ter vivido mais 104 anos, fazendo mais coisas fantásticas pra humanidade.

né, não?

Vale muito a pena assistir ao documentário “A vida é um sopro” e admirar a simplicidade do tio Oscar. E eu fui lá no enterro dele, já que moro grudada quase no cemitério São João e acabei encontrando a caravana da Bea, minha amiga de Itapê e saí na Folha de São Paulo. Mas a imprensa estava igual urubu durante o funeral, de início a ideia era ele ser fechado somente a familiares, mas aí desistiram porque a imprensa estava muito invasiva e não queria perder um click por nada. Tocou a banda de Ipanema e o Oscar foi sepultado durante o pôr do sol. Pessoa ilustre, mais um gênio que se vai.

oscar, cruz e eu

Hoje o Alexander voltou da aula me dizendo que viu um filhotinho de baleia morta em Ipanema. E isso me deixou muito triste só de lembrar que isso é uma coisa que sempre acontece, mas que nem sempre vemos. Eu trabalhei em navio de cruzeiros antes e fui informada dos danos que eles causam no fundo do mar.. imagina se um barquinho chinfrim já é capaz de destruir corais, imagina um monstro com uma hélice gigante o que não é capaz de fazer.

:vergonha de nós!

Pra uma vida passiva, até que ela ta badalada.

Hello, goodbye!

devaneios

a nossa vida no gueto!

IMG_0364

Olha só, a especulação imobiliária aqui no Rio tá lá no céu. Um absurdo-mudo. Um apartamento no Leblon é mais caro do que um em Nova York. E daí que tava super freuds de encontrar um lugar para morar, porque aqui tá tudo bem caro. O pessoal tá pedido por volta de R$1200 por um quarto chechelento com móveis casas Bahia. Depois de garimpar muito e passar a zona de fogo (imaginária), encontramos um teto numa república na *comunidade Dona Marta*. Até então, eu só tinha a visão que havia sido passada da situação das favelas no Tropa de Elite. Nós estamos morando bem no começo do morro, é uma rua comum mas é uma baita ladeira (ela existe no Google Maps!). Ah, gostaria de ressaltar que o hostel que ficamos antes de mudarmos para nosso novo ninho foi uma completa furada. Nunca fiquem no Tupiniquim Hostel em Botafogo. Fica a dica.
No guia do que fazer no Rio, a terceira coisa eleita na lista é ir fazer um “favela tour”. Pra quem tá de olho arregalado ainda porque pensa que as favelas do Rio são iguais nos filmes de faroeste versão tropical, com tiroteio entre inimigos no meio da rua, pode ficar tranquilo e vestir seus sapatos mais confortáveis, passar protetor na cara e se jogar morro a cima! Bom, foi Lula que resolveu dar um geral aqui por essas bandas e investiu nosso rico dinheirinho (e com cerveja, embolsou parte dele também) em infra-estrutura em torno de 9 favelas cariocas (mas no Rio existem mais de 100!!), tais como maior acessibilidade ao topo (aqui em Santa Marta foi instalado um “teleférico”funicular o que poupa boa parte dos habitantes de subirem seus 2039924 degraus), boa parte das casas foram reconstruídas ou totalmente derrubadas, foi melhorado o saneamento básico. Agora quem controla o local são os próprios moradores e não os traficantes. Comunidade 🙂 Lula foi o primeiro presidente ever a visitar uma favela, e foi aqui na Dona Marta onde o Michael Jackson gravou parte do clipe They don’t care about us!

(adoro a mulherzinha que agarra ele!)
E daí que as pessoas que me conhecem me perguntam “você mora no morro? tipo, na favela?”, e eu respondo “é quase, bem na entradinha da favela!”. Mas em inglês tudo soa mais chique, morro passa a ser Hill e.. e..
A praia de Botafogo é muito suja para nadar por causa das embarcações mas tem uma vista ótima, principalmente para um um pôr-do-sol.
Notei que é bem tranquilo andar de bicicleta pelas ruas daqui, até mesmo nas avenidas. O trânsito não é tão selvagem e infinito quanto o de São Paulo e os motoristas respeitam mais o ciclita e é muito delicioso sair andar pedalando pela orla de Copacabana, Ipanema e Leblon. O Alexander tá fazendo aulas em Ipanema, e o único trabalho árduo que tenho é o de esperá-lo na praia. Muito árduo, diríamos. O Rio também tá mais seguro, até agora eu não vi nenhum nóinha andando por aí, claro que se você for na Lapa você os encontra aos montes. Em casa tá morando um argentino tiozão massagista que fala carioquês com muita pompa, um belga que eu super indico para as solteiras (mas tem que deixar de molho por 1 semana e usa um perfume dos bom!) e mais dois mega fedidos que graças as forças cósmicas vão ser despejados dentro de 2 dias. É difícil ser a única mulher da casa, porque a tampa da privada tá sempre levantada e eu tive que fazer um bilhete pedindo gentilmente para que mirassem bem na hora de fazer xixi  e deixassem o lugar mais habitável, obrigada. O apartamento está passando por reformas então todo dia eu acordo com a linda sinfonia de britadeiras quebrando tudo, ecoando dentro da minha cabeça me fazendo levantar acampamento o mais rápido possível e ir para o único destino que me resta: a praia! Meu único objetivo para o momento é ficar negra, só aparecer os dentes. Vou aproveitar para bundear bastante durante esse mês porque no final dele estamos indo para Buenos Aires.
Cada dia tá ficando mais e mais perigoso Alexander e seu portugays. Um dia ele me chama de “locadora”(querendo me chamar de super louca), outro ele fala que “you are my fogão”, quidadi (querendo falar “cuidado”, aí eu deixei a dica do CU-idado. CU-idado.. agora ele fala certinho. Já tá fazendo um calor da porra e o verão nem começou oficialmente.

Na parede oposta do nosso prédio fica uma escola de samba e meu deus do céu, quase todo dia eles tocam bateria até altas horas de deixar qualquer um surdo. Já me sinto em pleno carnaval (e quando chegar o mesmo, eu já vou ter tido overdose de bateria). Sério não dá pra fazer quase nada quando eles tocam porque é muito alto, nós até tentamos ir lá assistí-los mas era impossível de entrar porque o barulho era um estupro para os nossos ouvidos. E ah, quase todo dia o tiozinho da barraquinha aqui da frente bota pra tocar um pagodão dos fortes.  Mas aqui na comunidadjy já tá tudo misturado, é barraquinha vendendo coisa velha, fruta, pinga, gringo transitando indo pra casa no morro, criançada, policial subindo de camburão botar ordem na casa. Tudo o que eu tenho a dizer sobre a minha nova morada na favela pop é que aqui é feio, mas é seguro e até um pouco exótico. O que a gente não faz por amor. Mas sou da crença que na falta de recursos a criatividade é estimulada. Ainda não subimos morro a cima porque tem feito um sol escandante, mas assim que eu subir e sobreviver pra contar o que vi lá em cima eu venho dar um testemunho mais detalhado aqui.
Já apliquei para meu visto sueco pra ir morar na terra dos branquelos dentro da geladeira mas não sei bem se vou conseguir me livrar da terra da banana. Como disse Tom Jobim uma vez “viver no exterior é bom mas é uma merda, viver no Brasil é uma merda mas é bom”. Vai de cada um.
Mas deu pra perceber que aqui dá pra fazer muito com pouco. Só de ir de bicicleta ao Arpoador fazer uma marmita e curtir a brisa do mar e olhar o infinito já basta para essa existência. 
Ah, só pra fechar com chave de ouro, deixo com vocês do “ai se eu te pego” versão sueca (essa coisa me deixou tão viciada que meio que se tornou como uma oração pra mim, todo dia tenho que escutá-la, nem que seja escondida, até eu aprender a cantá-la inteira)

devaneios

vacaciones

Parrí: quase tive torcicólo por ter tentado ver pela janelinha do avião quando a torre Eiffel surgisse lá embaixo mas fail. Se você for para a França, tente pelo menos falar um Parlez vous anglais?, eles já vão te odiar desde já, mas pelo menos eles não vão ter como te ignorar porque você vai estar perguntando na língua deles, porque tive a experiência de ser ignorada na cara dura quando perguntei em bom e velho inglês “do-you-speak-English?”. É claro que qualquer mongol é capaz entender o que essa frase significa, mas eles dão um de João sem braço. E olha que eu estava no aeroporto Charles de Gaulle e nenhum funcionário me aideé, sabe como é. Eu fiz escala em Paris durante meu voo para Dublin. Foi um bate e volta mucho loco porque parei em Paris (me sinto muito rica falando *parei em Paaaris*) de manhã e ia fazer a conexão às 18:45. E eu queria conhecer a cidade Luz assim, num estalar de dedos. Eu já tinha feito esses bate e voltas quando trabalhei no cruzeiro, 3 horas para “conhecer” algum lugar. Tá bom. Só para conseguir encontrar o lugar onde vendia bilhetes e pegar o metrô dentro do aeroporto demorei uma hora, assim, igual uma retard saindo e voltando do aeroporto porque cada filho de deus me falava uma coisa diferente. E tava um calor, tipo Rio 40°, e meu look do dia era tipo “to indo para os Alpes esquiar”. Paris é muito uma cidade de verdade, uma metrópole onde mescla o moderno, o clássico, o sofisticado. No metrô você encontra todo tipo de gente (não é igual São Paulo, onde você também pode encontrar todo tipo de gente, mas é gente já misturada que não dá mais muito pra identificar a origem). É muito doido ver uma mulher toda de burca ao lado de uma cara de black power e um outro cara de terno e gravata suando dentro da roupa. Ver a ponta da torre Eiffel apontando no horizonte foi tão vibrante como quando eu vi a pontinha das pirâmides do Egito surgirem no meio do burbirinho da cidade, foi o feeling do *i did it! i did it!* Pena que não consegui entrar lá.
Na volta para o Brasil ouvi um cara dizer que pra ele a torre Eiffel era só um monte de ferro sem significado. Talvez até possa ser, mas é o monte de ferro mais elegante que já ergueram. A fila para subir nela era uma piada, ia demorar até o ano que vem. Em lugares tops, nunca tem aquela coisa de tipo “hoje é segunda, vai tar vazio”. O metrô de lá é ótimo, mas o ticket de passe livre de um dia com acesso ao aeroporto custa o zóio da cara: 20 euros! Vamos lá, finthy euros, tipos, 56 reais num ticket de metrô. Mas também o papel quase desfez na minha mão de tanto usar. É óbvio que nós, pela primeira vez lá, queremos ir nos pontos tops turísticos onde tem fila e tudo mais, e todo mundo quer ver. Entrar no Louvre também ia demorar dois dias, mas só de tar na porta dele já deu pra ter o feeling de *putaquepariuputaquepariuputaquepariu*. Daí você fica muito abobado, porque é tudo tão lindo, as obras arquitetônicas são tão orgásmicas que você não sabe se respira, tira foto, morre de sede, parece um cachorro quando cai de caminhão de mudança. E todo mundo, quase sempre, é muito elegante. Esse foi o glimpse que deu pra ter durante as poucas horas que tive lá. Só rezo sempre pra que não levantem o braço perto de mim.. porque parece que o uso de desodorante não é muito comum por essas bandas.
Dublin: se você ama cerveja, paga um de alternativo meio trash e não curte banho, fica a dica: vá para Dublin! Lá é o point. As minas acham lindo usar um kilo de blush, ter o cabelo parecendo um ninho de passarinho, usar shorts de cintura alta que deixam a bunda chupada e a polpa aparecendo. E elas andam de bandos. Meninas de uns, sei lá, 13 anos já parecem “eu, cristiane F, drogada e prostituída”. E elas tem a pele oleosa, ecs. A cidade é bonitinha mas dá pra ver que a Irlanda tá meio quebrada, o governo sustenta quem não quer trabalhar e parece que os brasileiros que moram lá apelidaram esse “povo diferenciado” que o governo sustenta, são os “knackers”. Vamos lá, direto do urban dictionary A knacker is your general scumbag from Ireland. Males wear caps balanced at an upright angle on their head, at least 5 gold rings and sovereigns on each hand, large gold chains around their necks, matching tracksuits or shirt under Satellite Sports stripey jumper. Adidas, puma, nike or burberry clothing essential to fit crowd. Females wear: Maternity clothes, knacker hoops (large earings that reach from earlobe to shoulder) Prams, belly tops and tracksuits with their knackery fat hanging off the side.” 
Ou seja, já deu pra perceber que o bagulho é tenso. Eles recebem dinheiro e moradia do governo, e não trabalham. Circulam pelas ruas como se fossem zumbis vestindo roupas de esporte. Gastam tudo em birita e tem uma cara péssima. Ah, Dublin é o paraíso pra se comprar roupas muito a preço de banana. Mesmo quem não é consumista, se corrompe. Você compra camisetinhas a 3 euros. A comida deles é muito estranha, nada tem muito sabor e é muito pesado. Basicamente, eles comem peixe e batata. Eu sobrevivi quase comendo só no sofisticadíssimo Burger King. O que eu detesto mas era muito divertido ir lá com a minha prima de madrugada só pra ver os bêbados irem comer. E eles comem hambúrguer com LEITE. As pessoas entram carregadas por amigos e ficam na fila por um hamburguer enquanto lutam para o vômito não sair. Alguns tentam entrar dirigindo carrinho de supermercado. Lá você tem muito a sensação de que é uma cidade só de jovens, onde acabaram de sair da casa dos pais e jesus do céu. Então durante o dia você dá a louca nas lojas comrpando tudo porque tudo é muito barato! e a noite você vai enxer a cara e conversar com os tiozões nos pubs. O baileys coffe é divino, é o orgasmo liquidificado. As vezes nem dá tempo/vontade de voltar para casa se trocar para sair e você já pega e pára num pub, abre as sacolas de roupas novas vai no banheiro e já sai com um look pronta pra náitchy! Se você é comprometido não vá para Dublin, lá é meio que a cidade da perdição. Mas tudo se resume a pubs. Pub adaptado dentro da igreja, do banco e bandas muito indies pelos cantos das ruas. Um paint de cerveja nos pubs custa em média 8 euros, é caro, então ache algum estranho pra pagar pra você (aquelas…)  Mesmo no verão é bem friozinho que faz gelar a ponta do nariz. São as ruas molhadas (porque lá chove 364 dias no ano), o vapor e a fumaça de cigarro saindo da porta dos pubs, povo comendo junkie food, pessoal doidão. E todos os pubs ficam, basicamente, no Temple Bar. Ah, e irlandês AMA abraçar as pessoas.
minas de Dublin
um close-up da bunda de uma delas
eu e a Ina, sempre com muita sede
          Giants of Causeway, formações rochosas muito loucas formadas a partir de lava solidificada
Fora os irlandeses, tem muito polonês, brasileiros (aos moooontes), indianos e assim vai.. morando lá.
Suécia: ah, Suécia é a cereja do bolo. (apesar de eu começar a pensar agora que a Suécia só é muito boa nas fotos porque lá é muito frio, mas é a freezer land do meu coração). Definitivamente, é o país mais hipster que existe e todo mundo parece estar participando de um comercial de perfume. (Islândia é o país hipster meio autista e Finlândia faz mais a linha hipster mongol) A Escandinávia só serve para deixar bem claro quão pobre e feia eu sou! Suecos são meio maluquinhos (não é a toa que namoro um!), eles adoram pular num lago durante o que eles costumam chamar de “verão”, assim no meio do nada. Eles param o carro num lugar x, ficam peladão lá mesmo, botam a roupinha de nadar e puft pro lago congelante. Eu experimentei isso no primeiro dia que conheci a minha sogra. Para me assuecar eu também pulei no lago, que é tipo, a praia deles. Me senti exatamente como se tivesse acabado de cair no mar do Alaska assim que o Titanic começou a afundar. E só para provar que eu era forte, eu pulei de novo. Mas dá um cagaço pular em lagos, eu sempre tenho a neura de que algo vai enconstar no meus pés e eu vou morrer. Eu vi uma mulher pulando com a filha no começo da noite no lago, sabe quando já tá frio a ponto da sua orelha começar a doer.. então, elas entraram no lago. Eles acham isso “refrescante”. Os suecos são muito tradicionais, todos eles comemoram o que é pra ser comemorado. Fui pra lá em agosto, mês que eles celebram o lagostim (coisa mais aleatória para se comemorar, né?) Eu com certeza já devia ter comido aquilo antes, mas já descascado, tudo bonitinho. Tivemos todo um ritual muito fofo, com direito a chapéuzinhos com o lagostim, solzinho de papel dependurado na parede, spirits, e outros drinks, e ah, eles sempre cantam musiquinhas vikings durante as celebrações, mesmo que só hajam 3 pessoas na mesa, é pura festa. É muito divertido, são fofos demais. Enfim, não comi o lagostim, para mim aquilo parecia uma barata com aquelas antenas gigantes. O Alexander só me falou “puxa assim e chupa o estômago”. OI?! Não consegui comer aquilo. Diferenças culturais. Eu abomino barata, quase não temo nada nessa vida, mas posso tacar fogo na minha casa por causa de barata.
As pessoas lá falam cochichando, dá até um certo desespero. Você até começa a sentir falta dos carros com som estourando tocando funk, sertanejo e essas outras coisas com melodias de dificuldade quase nula. No metrô as pessoas não te pedem licença, elas fazem contato com os olhos “tipo, quero passar”. Dá pra ir pra quase todo lugar de bicicleta, mas eu sofri nos primeiros dias porque as bikes de lá são feitas no estilo antigo, ou seja, pra brecar você pedala pra trás, e no começo eu quase caí várias vezes. Ah, quando cheguei no aeroporto meu namorado estava inteirinho vestido de árabe e me fez vestir uma burca negra que só deixava meus olhos à mostra. Parecíamos terroristas no aeroporto, a Suécia tem muitos poucos habitantes, e eu imagino que quase todos eles estivessem olhando pra gente. Fomos fazer check in em um hotel bem no centro da cidade assim. Eu toda de preto só mexendo os olhos e vendo as pessoas me olharem. Foi demais. Ah, e nunca viaje de Ryanair se você tem 500 milhões de kilos de bagagem, eu tive que pagar de última hora135 euros por uma mala extra. Tipo, oi? Lembrando que paguei 75 pela passagem.. e eu também perdi meu Iphone num pub. Da próxima vez que eu tiver um, vou colocar uma corrente nele.
Acho a Suécia um país muito incrível porque lá tudo é muito acessível (ou pelo menos parece ser), por exemplo, o local onde é celebrado a festa da entrega do prêmio nobel é aberto a visitas, e você pode entrar em to-dos os lugares, até lamber a parede! E até é possível fazer casamentos lá e de graça. Mas tem uma fila de 6 meses de espera e você tem que escolher uma das duas versões, a curta ou a longa. A curta dura 0,40 segundos e a longa parece que 2 minutos.
Ah, lá também é o país das frutinhas vermelhas – as berries; e dos cogumelos. Cada um tem seu lugar específico para colher seus cogumelinhos e ninguém conta pra ninguem onde é. E sempre é muito fácil ter contato com a natureza, mesmo nas cidades é bem acessível ir a bosques ou até mesmo florestas. Parece ser a terra perfeita se não fosse pelo frio do caralho que faz durante o inverno. E sem contar a escuridão. Neve sai bonita na foto mas no dia dia forever and ever, sei não. Mas nosso amor é forte e vai fazer derreter tudo. Not.
devaneios

TPM FEELINGS

Oi? Não sei por onde começar.. (aliás, eu nunca sei porque depois que comecei a ter vida a dois – já conto dessa história – descobri que sou a pessoa mais enrolona e indecisa da constelação!)
últimos estragos dessa TPM:

  • larguei meu trabalho. eu sabia que ia sair um dia mas não sabia que ia ser na louca assim. E um dia antes eu tinha decidido com o meu namorado que iríamos ficar em São Paulo mesmo. Ele chegou faz duas semanas e já engordamos uns 5 kg cada! E olha, descobri que servem picanha no rodízio de sushi do Ayoama – que por si só já é orgásmico! Poxa, larguei tudo no trabalho logo um dia depois que aprendi uma expressão bem bacana para descrever pratos quando os clientes me perguntassem se aquilo era bom, eu iria dizer “é como uma orgia na sua boca!” Mas ainda terei a oportunidade. Talvez eu até abra um restaurante no fim da minha vida com o nome “orgia na boca!”
  • Estávamos lindamente, Alexander e eu a tomar uma cervejinha no caminho do parque de volta para a casa quando eu parava as pessoas pra perguntar a opinião delas sobre o que deveria ser feito no cabelo dele. A minha vontade era que ele passasse a máquina 1 e fosse feliz. E daí que simplesmente aterrizou um cabeleireiro bem do outro lado da rua. “espera vou lá falar com ele!” E daí que ah, ah meu deus que foi que eu fiz com ele! Vai crescer mas.. ele só topou cortar assim porque eu disse que poderíamos ter uma relação a três..
  • gastei R$433 no cabeleireiro numa tarde. Sem mais. Pé mão cabelo e .. cílios POSTIÇOS! Tô me sentindo a Margarida batendo cílios toda hora para as pessoas verem.
  • Comemos três picanhas agora a noite. Tpm acabalogopeloamordedeus. Acho que eu deveria ficar em um quarto de isolamento durante esse período. Por isso que apóio totalmente quartos separados para casais que moram juntos porque tem dias que a gente não quer ver nem a sombra, não é nada com a outra pessoa.. mas sei lá, é com a gente, é com o mundo, porque a parede é azul, essas coisas.
  • Vou mudar para o Rio de Janeiro daqui umas 2 semanas. “Umas duas semanas” porque ainda vou ter que voltar para São paulo dar goodbye oficial a papelada do trabalho e parece que por milagre cósmico (já era HORA, carai) que minha cirurgia saiu! Vi o email só agora, quase meia noite do meu cirurgião falando que ela foi marcada pra amanhã, OI? Amanhã? Não posso!

Só sei que agora vou sair gritando “liberdade” pelada pela rua! Porque eu tô livre como um pombo (livre pra cagar na cabeça das pessoas – essa é a parte mais divertosa, eu acho). Não só do trabalho, mas de São Paulo, de tudo. E sinto que já tô com um pé na Suécia, antes era só o dedão.. não sei se isso é bom, não sei se vou sobreviver ao inverno e ter o winter blues mais forte da minha vida ou sei lá, mas por ora acho que vou vender coco verde na praia do Rio! =))