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esse negócio de gravidez

Ainda não caiu, totalmente, a ficha que vem vindo um pedacinho de gente que vai ser totalmente dependente de mim para viver.. Não, esse negócio de conexão mágica com o feijão que cresce dentro de você não surge de uma hora pra outra. É todo um processo, que no meu caso teve várias etapas. Eu mal respirei quando me mudei aqui pra Suécia e já engravidei logo depois de 2 semanas. A coisa é que foi totalmente não planejada. Eu interrompi o uso da minha pílula porque ela não estava mais sendo boa pra mim, e eu queria passar por uma consulta pra poder trocá-la por outra. Mas pra isso eu precisava do PS (o famoso personnummer) que ainda ia demorar pra ficar pronto.. e daí que nesse meio tempo eu recebi um *check in* inesperado! E eu nem me liguei que sentia um cansaço louco e que aquilo podia ser gravidez.. eu sempre fui muito dorminhoca, e como a gente estava viajando por Paris batendo perna o dia todo, nem me preocupei. Aí logo que a gente voltou de viagem, já com 5 semanas de atraso, eu resolvi comprar um teste de farmácia com o c* na mão e o Alexander com a maior tranquilidade de Buda. Como eu sentia meus peitcholas doloridos e tinha cólicas, pensei : *tá vindo!* Talvez viesse atrasada porque tinha parado com a pílula há pouco tempo.. e foram várias as manhãs em que o Alex olhou pra minha cara e perguntou: “e aí?” e eu respondi “nada. mas.. tá vindo! eu tô SENTINDO!”(usando a força do pensamento e unindo todas as forças do universo pra que isso fosse verdade) e nisso ele me dizia “eu acho que você tá super grávida!”. Daí que comprei o bendito teste de farmácia e fiz às 5 da manhã e quase tive um troço quando apareceram dois risquinhos. Assim, não pensei “tem um bebis se formando dentro de mim!”, pensei “to ferrada, agora é o meu que tá na reta!”.  Antes desse episódio, eu já tinha pensado em várias coisas metafísicas. Tipo, no infinito do universo, na existência de um deus, na morte da bezerra, mas nunca, nunca passou pela minha cabeça de cérebro de algodão se eu queria ter filhos um dia. Talvez eu não quisesse e fosse passar a vida toda sem filhos, se essa fosse minha escolha. Mas aí, já peguei o bonde andando e achei um pouco sacanagem pular. Os primeiros 3 meses não foram nem um pouco fáceis. Não me senti invadida por uma alegria maternal como muitas grávidas dizem por aí. Eu senti foi muito medo, insegurança, raiva, enjôos (a os enjôos, me fizeram pensar que eu poderia fazer dublê de “a exorcista”).. e o pior de tudo, solidão. Porque tô a 10 mil km longe de quem me dá segurança e tratar de um assunto delicado assim em chats ou em ligações pelo Skype não me pareceu lá muito satisfatório. O que eu sempre prezei foi pela minha liberdade, na ideia de que sempre quisesse fazer algo, nada me impedisse. Sei que o Alex vai tar do meu lado me dando apoio e tudo o que eu precisar para as coisas saírem bem. Ele vibrou com a notícia e me deu o abraço mais acolhedor do mundo. Já eu confesso que senti por um bom tempo um “parabéns” como se fosse “meus pêsames”. É meio tabu falar dessas coisas, de como a gente realmente se sente em relação a isso porque todo mundo espera que você se comporte igual as grávidas de capa de revista. Aqui a liberdade de escolha das mulheres é respeitada, então se tivesse optado por ter um aborto eu teria todo o apoio necessário – inclusive psicológico. Só por curiosidade: quem opta por não ter, antes que dê fim ao processo, a mulher tem um intervalo de 1 semana para repensar na decisão que ela tomou, se é isso mesmo que ela quer e não vai se arrepender depois. A gravidez pode ser interrompida até o 18o mês sem que você precise justificar o porque, depois disso só é liberado se o feto possuir algum problema, a mãe tiver alguma doença ou, raramente, por problemas sociais. Eu super sou a favor do aborto, PORÉM (antes que os conservadores machistas atirem tudo o que tiverem nas mãos em mim), sou contra a banalização do mesmo. E acho que apesar de muitos não apoiarem, que pelo menos houvesse respeito entre a diferença de opiniões e que o sistema pudesse permitir a liberdade de escolha (digo isso para o Brasil e outros países que ainda não legalizaram).
Eu não me sinto madura o suficiente para criar um filho, ainda não terminei meus estudos (ainda tô longe disso!) e não sei se meu psicológico tá pronto para isso. Eu sempre tive rodinhas nos pés e nunca fui de gostar de crianças. A ideia era começar com cachorros, e depois que tudo tivesse meio que sob controle, a gente começasse a digerir a ideia de ter filhos. Mas aí a cegonha fez um check in de emergência de última hora, pegou o hotel todo despreparado e agora a gente tenta arrumar a bagunça toda. Por mais que o campo esteja preparado pra ter um filho – tenho o cara que amo, a Suécia meio que adota o seu filho e te ajuda a criá-lo, apoio do governo para estudo e flexibilidade de horários – eu super me sinto andando em uma corda bamba em cima de uma piscina cheia de tubarões famintos. Eu não sei cuidar de plantas, as únicas que sempre me dei bem foram os cactos e eu sempre queimo o arroz. Mas parece que não é o fim do mundo e que existe vida pós-parto. Uma vida totalmente diferente, mas existe.
Bom, assim que o teste deu positivo a gente fez os procedimentos necessários aqui. Ligamos para o vårldcentral (tipo um centro de saúde) para agendar um horário. E aqui quem faz o pré natal é a barnmorska e não um ginecologista- a gente só encontra com um durante uma vez na gestação e depois só no dia do parto. A tradução mais livre para barnmorska é obstetriz. Eu achei estranho não terem feito teste de sangue em mim para confirmar a gravidez mas fui informada que os testes de farmácia são muito certeiros aqui. E o sangue que coletaram de mim foi usado para outros exames. Tudo lindo, corpitcho pronto para o descarrego. Só que na hora que a barnmorska me perguntou se eu consumia drogas, alcool e afins.. eu respondi que não, bebo socialmente, e drogas não uso nenhuma com frequência. Não, pera, mas acho que devia citar isso.. a gente meio que acabou de voltar de Amsterdã e … (o Alexander queria me matar nessa hora :)) comeu cogumelos mágicos  e sabe, né.. os coffes shops. Tipo, eu não sou de fazer isso, só curto uns bons drinks pra ficar alegrinha e quando faço isso pela primeira vez na vida, descubro que tem um brotinho crescendo dentro de mim. Mas eu achei necessário dizer porque fiquei muito na dúvida se aquilo podia prejudicar o feto, mãaaas, grazadeo, que como foi muito no começo e foram “poucas”vezes, as chances de algo dar errado eram mínimas. Mas o Alexander chutou meu pé pra me lembrar que se a gente fosse considerados narcóticos, assim que o bebis nascesse ia vir uma assistente social pegar o nosso bebê. Ainda bem que dessa vez a curiosidade não matou o gato. Eu me dei a chance de pensar no que ia fazer até a próxima consulta quando teríamos o primeiro ultrassom. Já tinha tomado a minha decisão, e ela tinha sido não ter. Mas quando a gente viu aquele fio de vida pulsando na tela, aquele pedacinho de vida se mexendo freneticamente, não teve como, eu me derreti, um cisco caiu no olho e as lágrimas desceram. É algo que não consigo explicar. Foi, tipo, todo aquele turbilhão de coisas negativas e contras que tinha pensado desapareceram em segundos. Mas foi aí que senti na pele que pra tudo a gente dá um jeito e que amor é uma coisa que não se explica.

Benjamin, com 11 semanas. (agora ele já tá com 20!)
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Visto por laços familiares

Oi, pipol!
Muita gente me pergunta se eu vim morar aqui ilegal, qual tipo de visto eu tenho, até quando ele vale.. essas coisas. Vamos lá botar os pingos nos i’s. O tipo de permissão de residência que eu tenho é o por laços familiares. Só há 3 possibilidades de se conseguir um visto para morar na Suécia como manda o figurino:

  1. à estudos (com uma vaga já garantida)
  2. à trabalho (com uma oferta de emprego já garantida)
  3. ou quando você tem um relacionamento com alguém que mora aqui, pode ser namorado(a) ou algum familiar. E só.

E se vier pra cá como turista, não precisa de visto e é permitido ficar até 3 meses por conta do Tratado de Schengen. E para europeus que vem pra cá morar é o mesmo esquema, eles também precisam ter um dos 3 itens acima.
Para aplicar para o visto é preciso fazer os trâmites através deste site:
http://www.migrationsverket.se/info/flytta.html
Para que o processo corra mais rápido, eu super aconselho a fazer todo o processo on line! (o site te dá a opção de enviar a documentação via anexo ou correio, opte pela primeira!). Paga-se uma taxa no valor de SEK 1500, por volta de BRL 525 +-. Depois de pago, a pessoa que você disse ter algum tipo de laço vai receber um questionário também. Todo o processo é meeega tranquilo! Comigo foi o seguinte, eu apliquei em meados de novembro de 2012, e no começo de janeiro já fui fazer a entrevista no consulado sueco no Rio. A entrevista é super tranquila, você explica como conheceu fulano, quantas vezes já foi pra Suécia, quais são seus planos.. sascoisas. E tudo foi rapidex, exceto pelo fato de que tive que renovar meu passaporte e isso fez com que as coisas caminhassem um pouquinho mais lentas.. mas foi bom, consegui ficar morando por mais um tempo no Rio 🙂 Meu passaporte só foi ficar pronto em abril. Geralmente, todo o processo do visto leva geralmente de 3-6 meses e pode ser estendido para 9! Comigo foi dentro do prazo, PORÉM, eles me enlouqueceram dizendo que seria estendido para 9 meses, eu quase pari e liguei muito, mandei emails e tudo mais para saber em que pé a coisa tava. Fica a dica que o que mais leva tempo é quando sua documentação já foi enviada para a Suécia e lá que a coisa empaca, aí você tem que descobrir quem é o filho de deus que tá cuidando do seu caso. E eles sempre vão querer te dar a desculpa de que estão atolados porque receberam muitos refugiados.
Mas acredite, curta bastante o momento de espera no Brasil baronil. Sei que é angustiante mas quando você já tiver morando aqui, meu bem, te garanto que você vai ter sonhos eróticos com goiabada.. e morrer de saudade de muita coisa que você achava que nem era tão importante assim. Sem contar que a Suécia é totalmente o oposto do nosso país. Então se lambuze comendo doce de leite, tome bastante sol na laje, vá muito na manicure.. porque aqui, meu bem, não vai ter essas regalias não.

˜

Quando receber a aprovação da Migrationsvekert, você vai receber uma cartinha dizendo que poder mudar pra Suécia. Você só vai sair do Brasil com a carta de aprovação, o restante do processo é feito aqui. Relaxa e goza. Então assim que você botar seus lindos pés no país do Sol luz de geladeira, você, imediatamente, vai lá no Migrationsvekert (até perco o fôlego pra falar esse troço) e se registra (fala estoy aquí! chegay!) , faz a biometria e tira a fotenha. Você vai receber dois cartões, o primeiro vai ser referente a validade do seu visto e o segundo é o tão falado personnummer. E o ps demora um pouquinho para chegar, em média 4 semanas. Assim que isso acontecer, já corre lá no Vuxenutbildning e se inscreve para o SFI (svenska for invandrare/ sueco para imigrantes). O curso é gratuito, e demora, mais ou menos, um mês e meio pra que você possa começá-lo. Ou seja, leva aí uns 3 meses para você poder ficar mais ativo na parada… E mega importante, quanto te perguntarem quanto tempo de escola você fez, responda contando a partir da 1* série. Eu mongol, que fiz só até o ensino médio, disse que só tinha feito 9 anos de escola.. e ao total foram 11, na verdade. Digo isso porque existem escolas diferentes. Por exemplo, aqui em Gotemburgo, tem a Lernia e a Folkuniversitet e o ritmo do curso é diferente em ambas, na Folk é mais rapidinho. E é claro que eu paguei o pato e fui parar na Lernia. O SFI tem o A, B, C e o D. Geralmente a gente cai no C, alfabetizado, sabendo o básico ou nada de sueco. Dá para fazer o C e o D em média 6 meses. Poréééééém, pra conseguir isso você vai ter que pentear muito macaco e estudar SOZINHA porque o curso é só enrolação! Principalmente porque a maioria dos estudantes são refugiados e foram alfabetizados aqui, ou seja, eles vão levar muito mais tempo para aprender do que você. E as aulas são fraquinhas, fraquinhas. Então vai da sua boa vontade e esforço. E o melhor de tudo, se conseguir terminar todo o curso antes de ter completado 15 meses de residência na Suécia, você descola um bônu$$ de SEK 12.000 após ser aprovado no teste nacional. Mas essa mamata vai acabar no meio do ano que vem.

Importante: o visto te dá direito a viver aqui como qualquer outro cidadão, ou seja, você pode trabalhar, estudar.. enfim.
E para finalizar, eu posto aqui uma coisa muito viktig (importante):
Direitos do sambo – copiei da comunidade do Facebook “Brasileiros na Suécia”:
  • sambo não tem direito à herança do parceiro (somente através de testamento ou procuração)
  • no caso de separação, o sambo não tem direito aos bens materiais do parceiro
  • no caso de filhos em comum, só a mãe tem a guarda do filho (no entanto o casal pode solicitar o “gemensam vårdnad, a guarda em comum, no skattemyndigheter)
  • não se pode ser sambo e ao mesmo tempo ser casado
  • a relação de sambo se termina se um deles se casar ou entrar numa relação registrada
  • a relação de sambo também termina se eles se separarem ou se um deles, por exemplo, pedir dissolução do regime de sociedade de bens
  • sambo tem direito a tomar para si a residência mesmo não sendo bens do sambo – samboegendom
  • sambo não tem direito a pensão, mesmo eles tendo morado muito tempo juntos (diferente do Brasil)
  • sambos não podem adotar filhos em comum na Suécia
  • se um par sambo com filhos em comum decidem se separar, o pai tem que confirmar que ele é o pai. O mesmo não se aplica ao pai casado que se divorcia
  • se um par casado com filhos em comum se separar, ficará no apartamento alugado (hyresrätt) aquele que for ficar morando com os filhos. No caso de residência própria, aquele que decidir continuar morando na casa deverá resolver o problema de residência do outro.
  • se o casal de sambo se separar será sempre aquele que habitou a residência primeiro que permanecerá no local. Se eles compraram a propriedade juntos, então haverá a divisão da mesma e se um deles decidir permanecer na casa terá que resolver o problema de residência do outro.
  • se você é casado e paga uma previdência privada, você poderá ficar sem uma porte do que poupou em caso de uma separação, uma vez que hoje em dia essa conta faz parte dos “bens adquiridos”e pode, inclusive, ser transferido o total do valor ou parte dele para o parceiro. Isso não se aplica aos sambos
  • o visto de sambo dá direito a trabalhar e a estudar.
  • tem validade de 2 anos (antes do vencimento tem que ser marcada uma nova entrevista)

Só uma curiosidade:
aqui quem tem um relacionamento estável, é chamado de sambo (que pode ser definido como alguma coisa entre namorado-noivo-marido). E sueco meio que tem preguiça de se casar, já que a situação não muda muito quando pula de sambo para casados. (claro que os direitos aumentam..) Mas muita gente vive muitos anos como sambo, pelo simples fato de já morarem juntos e levarem uma vida idêntica a de casados. O visto para sambo é válido por 2 anos e é renovado automaticamente, e depois dá para aplicar para a cidadania após ter permanecido por 4 anos batidos no país sem ter se ausentado por mais de 3 meses durante esse período.
É isso! Hej då!

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Parrí (ou pra chorá?)

 Bom, para variar, aconteceram um milhão de coisas novas nesses últimos meses. Tô me sentindo igual cachorro quando cai de caminhão de mudança e mal sei por onde começar! Vamos dar nomes aos bois!
  • faz quase 4 meses que me mudei pra Suécia (o que já parece uma eternidade pra mim!)
  • Dei um pulo em 3 grandes capitais que eu não conhecia antes: Paris, Amsterdam e Oslo
  • Comecei meu curso de língua sueca
  • tô grávida, xenti. WHAT?!!!!!
Bom, eu quero falar de tantas coisas que vão render assunto pra manga. Mas vou tentar ser breve nos assuntos. (porque são coisas que eu não posso deixar passar batido!)
 

Paris
 Bom, que todo mundo fala que Paris é linda e romântica, a gente já tá careca de saber. Mas só indo até lá pra saber o quão estressante aquela cidade pode ser! Acho que a gente gastou mais tempo dentro do metrô gigante de Paris do que na própria cidade. A gente ficou na casa de um amigo do Alexander, na L’île de Saint Denis, no norte da cidade. A casa dele não ficava tão longe do centro, mas a gente gastava tanto tempo dentro do metrô sendo arrastado pela multidão sem fim de pessoas correndo pra lá e pra cá, de enlouquecer. Era pura via sacra chegar ao centro da cidade. a gente tinha que andar até o trem pra pegá-lo até a estação, de lá a gente ia para o metrô e se perdia nas linhas gigantes e imensas. Sem contar naquele cheirinho clássico de cc coletivo!

     O bairro em que ele morava era meio que o gueto organizado de Parrí, era um antigo bairro muçulmano. Tanto é que um dia a gente foi tomar café por lá, e eu pedi pra usar o banheiro do lugar. O-key. Ficava lá no fundão, dentro de um corredor gigante, sem luz.. aí tive que usar a lanterna do celular pra saber onde eu tava e descobri que o banheiro era *muslin style*, ou seja aqueles que só tem um buraco no chão.
 
Tive que dar uma chacoalhada básica no Alexander para ele ser um turista mais ativo, ele já foi umas dez vezes pra Paris e nunca tinha ido ao Louvre, por exemplo (e nem o amigo dele que nasceu lá e mora há 40 anos!). Bom, eu sou super clichê nessas coisas de visitar os must go dos lugares. Seu corpo fica podre, moído porque você quer ver tudo, quer andar por tudo até anoitecer e quando chega a noite, você quer festar. E como transporte em Paris é caro, forget about getting a cab! O mais em conta é comprar o bilhete de metrô+trem para vários dias. (5d custa €17,50).
E você é obrigado a se virar nos trinta! Quase ninguém fala inglês (ou sabe falar e não quer porque acha feio!), aí você tem que arriscar a falar francês. Trés tenso! Um dia a gente resolveu ficar na rua até mais tarde e pegar o último trem pra casa, só que a gente errou na última estação e tivemos que descer em uma desértica, onde não existia ônibus, taxi, nada! A bosta é que o metro pára de funcionar muito cedo, por volta de meia noite já parou de funcionar.. só nos finais de semana rola uma hora a mais de consolo. Aí tá, a gente olhou no mapa e viu que se a gente fosse andando pra casa iam pegar a gente e vender nossos órgãos pro mercado negro. Mas mesmo assim a gente resolveu ir a pé até onde dava, ficamos mega perdidos. Não passava nenhum taxi, e se passava não parava. Começou a ficar frio, a gente com fome, mal humor até umas horas.. aí veio a polícia parar um carro.. e a gente foi lá tentar falar com eles (rolou mais mímica do que qualquer outra coisa!) JE SUIS TOURISTE, JE SUIS PERDÚ!! ahahah.. enfim, os guardinhas da moto pegaram a lanterna de mão deles e ficaram fazendo ronda pra gente conseguir pegar um taxi! E conseguímos!
Só sei que se tem que ir a Paris inúmeras vezes pra poder curtir a cidade de fato. No começo, obviamente, a gente quer turistar ao máximo, e as vezes é impossível escapar das filas! Eu me informei antes e vi que dava pra entrar no Louvre sem ter que enfrentar aquela fila monstruosa, e o Pompidou também!
Tudo em Paris é imenso, a gente só consegue captar um pedacinho das coisas. O Louvre, por exemplo, é preciso sei lá, anos pra conseguir digerir tudo que tá lá dentro .Ok que dá pra ver todas as obras em uns 4 dias.. mas a maioria das pessoas só vê em um, e no final tá morto e não aguenta mais ver arte pela frente. “Oh! Uma múmia de 2938294839 anos atrás. Le-gal”,
 
O caso Mona Lisa
Bom, eu tenho que falar sobre isso. Ela é a musa da arte. Na verdade, eu acho que existem quadros muito mais interessantes e bonitos do que ela.. mas ela é famosa pela polêmica que gera. Enfim, ela é a mais cobiçada pra ser vista no Louvre. Todo mundo fica lá em uma sala gigantesca tentando encontrar o melhor ângulo para poder fotografar o quadro (que é bem pequeno, por sinal!). Eu cansada com essa história toda, propus fazer um top less pra animar o dia haahahahaah.. “já que tava lá sem fazer nada!”. Só que na hora, deu um certo cagaço, obviamente, por que tem uns seguranças perto da Mona e eles podiam muito bem me botar pra fora (eu ainda queria ver a Venus de Milo, sascoisa). A gente só queria bater uma foto pro álbum de família e dar no pé. Foi questão de 2 segundos, abrir a blusa, clicar e fechar. E detalhe que tinha uns mulequinhos bem ao lado do Alexander.. eu falei pra ele “there are children here!” Ele não tava nem aí e começou a ficar p, ai resolvi deixar de cu doce e fazer logo a foto 🙂
Nosso plano era fazer todo o percurso até Varsóvia e de lá voltar pra Suécia, mas naquela muvuca de entra e sai de trem, um elemento* muito mão leve roubou a carteira do bolso do Alexander. Aí zicou legal, cartões, identidade/carteira de motorista.. os tickets de trem, dinheiro, tudo lá! Aí gente viu a viola em caco e teve que ficar dependente do western union pra sacar dinheiro (o que demorou pra gente poder pegar). Sem contar que a taxa de saque era alta (€60) e a gente pegava quantias razoavelmente altas, o que nos dava uma certa paranóia do tipo  “onde vamos guardar?”..Também tínhamos trazido muitas coisas nas malas, não cabia mais nada dentro delas.. e acabamos gastando mais do que o planejado. Aí assumimos que não estávamos devidamente preparados pra seguir a viagem até o final.. depois de Amsterdã ainda faltava Berlim, Cracóvia e Varsóvia.. Aí achamos melhor desistir e fazer isso mais pra frente com mais planejamento. 
Fica uma bela dica pra você seguira na lata: nunca, mas NUNCA mesmo, vá a Paris turistar durante o verão! Tudo fica absurdamente lotado – sem contar que faz um calor do cão também! E por conta disso a gente acaba se frustrando e cansando de ver gente pela frente! Vou dar um exemplo, a gente foi visitar o Palácio de Versalles (ele fica a 20km da cidade – pra não dizer na puta que pariu..), pra entrar não tem como escapar da fila kilométrica no sol (sem exageros!). Mesmo tendo comprado os bilhetes antes.. tem que ficar lá fritando no sol movendo a 2km/h. Aí não parou por aí, a gente entrou no castelo e tava uma sauna lá, pior do que metro da Sé em horário de pico, tinham japoneses sendo cuspidos pelas janelas. O que era pra ser curtido acabou virando tortura. Aí a gente optou em ir lá fora nos jardins, que eram maravilhosos e que fizeram valer a pena a nossa ida até lá.. apesar de tar um calor do cão! (e eles serem enoooormes). E os sanduíches que vendiam lá dentro era  mais pão do que qualquer outra coisa.. um panini por €8 recheado quase só por ar. Acho que calor só é bom quando se está na praia de bikini, caso contrário, a gente tem que ficar correndo do sol.
Confesso que pirei muito mais quando consegui achar minha loja favorita (a Forever 21, que ficava lá nos cu dos Judas de Paris) do que a Torre Eiffel! haaaaa

Uma coisa que eu fiquei na cabeça e queria muito ir visitar eram as Catacumbas (mesmo que a versão aberta ao público seja bem turística). Eu achei incrível – e um tanto creepy- a ideia de resolverem colocar os restos mortais das pessoas que estavam enterradas nos cemitérios durante o século XVIII. Fizeram isso por questões sanitárias e de super lotação. Aí resolveram botar as ossadas nos túneis que haviam debaixo da cidade (que tem uma extensão enoooorme!!!!) Os túneis são localizados muito além do que sete palmos de terra. Ficam a 20 metros de profundidade. Falando assim não parecem ser tão profundos, mas eles ficam bem abaixo dos metrôs, por exemplo. Nós fomos no nosso último dia e tivemos que enfrentar uma fila de, sem brincadeira, 3 horas pra poder entrar (já que eles não vendem bilhetes on line). Cômico foi quando eu pedi pra que o Alexander fosse pra fila enquanto eu ia procurar um banheiro, aí quando voltei fui para o começo da fila, ou seja, na entrada das Catacumbas, mas aí quando olho na esquina vejo que o final da fila era lá, ou seja, ela dava a volta no quarteirão! HÁ! Mas acho que vale muito a pena. Acho que foi a maneira mais simples de eu ter tido contato com a morte. Lá embaixo só há silêncio e escuridão. Dá uma certa angústia mas ao mesmo tempo desperta curiosidade. É um mar de ossos gigantesco, e alguns crânios até foram arranjados artisticamente para, tipo, formarem um coração. A conclusão mais simples que se pode tirar é a de que a vida é fugaz demais.

Dicas antes de ir a Paris:
Assista: Paris Je t’aime e 2 dias em Paris (esse filme dá pra captar muito o jeitinho francês!)
Foi aqui que consegui informações valiosas do tipo entrar em museus sem enfrentar filas.. e que moradores da união européia abaixo de 25 anos tem entrada gratuita em vários lugares culturais – tais como Louvre, Pompidou e Versailles.
Acho que é mais ou menos isso.

Aqui vão algumas fotos na cidade da baguete!

um lindo souvenir do Pigalle! 😉
 

 

restaurante da Amelie, fofo dimais.
 
É isso aí. Bisou!
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Meu primeiro midsommar! :)

Oi, gente muniita! Depois de ter vindo num voo com um pintcher latindo quase todo o caminho de SP a Frankfurt, uma das minhas malas só chegar um dia depois (sendo que parte da minha bicicleta tava dentro de uma delas) vim aqui contar um pouco da minha vida de imigrante – sente o drama. Já fez quase duas semanas que tô bananando na gringolândia. Mas uma eu mal conto porque só fiquei dentro de casa. Agora tenho ca-sa! depois de me mudar umas 7 vezes em menos de dois anos. é perfeito. Fazendo altas orgias gastronômicas e matando a saudade do meu branquelo power e me perdendo na vizinhança fazendo caminhada.

Acho que nunca fiquei tão rodeada por tanto verde – isso no verão daqui, é claro (no inverno vou ficar cercada por branco e congelarei até a morte, amém). Por um ponto de vista, não foi-se lá uma ideia muito boa ir morar no Rio de Janeiro antes de me mudar pra cá, fiquei mega blaster mal acostumada. Agora qualquer ventinho me gela as paquera. Aliás, até agora acho que a Zuécia é o país perfeito para o que se passa na minha mente, mas o meu fisíco é todo fodido pra suportar o clima daqui. Tenho quase todos os ites da lista: sinusite, rinite.. pressão baixa (vivo igual defunto e me cago de frio abaixo de 16°). Pois é, o que a gente não faz por amoR, né rapeize?
Bom, vou dar meu panorama sueco versão poket:

  • é falta de educação entrar na casa de um sueco vestindo sapatos. Todo mundo os deixa na entrada e fica só de meias.
  • a água gira ao contrário nos ralos!
  • portas de entradas e de banheiros sempre abrem pra fora e ninguém ainda soube me explicar porquê.
  • quase todas as casas aqui são vermelhas. por 5 segundos cheguei a pensar que fosse lei, mas daí um passarinho me contou que é porque a tinta tem um derivado mineral que as fazem durar por mais tempo
  • é verão, então por isso o sol só se põe quase meia noite (dependendo de quão norte você está) e volta a brilhar 3 da manhã. Uma beleza se você tá jet lag todo perdido nos horários e não consegue dormir.. dias infinitos! Mas o sol continua a ser bastante tímido.
  • não tem lavanderia dentro dos apartamentos. ela é comunitária para um conjunto de prédios e a gente tem que agendar horário.
  • o prédio que eu moro foi construído durante a segunda guerra mundial e no subsolo tem uma sala sinistra pra se esconder em caso de bombardeios. E eu acho que ainda tem comida daquela época estocada lá embaixo.
  • todo mundo parece estar vivendo em um comercial de perfume da Dior, Ck, etc aqui.

Bom, ó, acabamos de voltar da viagem do nosso final de semana holidísiaco do Midsommar em Karlstad, uma cidadezinha com uns 70 mil habitantes a 250km ao norte de Gotemburgo. Essa festinha, que pelo visto é o feriado que mais caracteriza os swchuecos (21 de junho), é uma celebração do solstício de verão onde eles colocam coroas de flores na cabeça e dançam em volta de um pau erguido (opa, essa soou mal!), o midsommar pole (mas, segundo meu lindo namorado, nada mais é que uma grande representação do orgão fálico.


IKEA+MIDSOMMAR= mais sueco, impossível!

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Primeiro a gente foi ver a dança do Midsommar, onde também era tradição alguém fazer casamento junto com a festa. Eu fiquei querendo todos os bebes gordos pra mim! É

claro que eu nunca vou conseguir ter uma criança do cabelo branco. Do jeito que meu cabelo e o do Alex são ruins, se um dia a gente tiver, nossos babies vão ser rastas. Só sei que me senti um pouco durante a idade média com todo aquele povo vestindo roupas folclóricas levantando um pedaço de pau decorado com flores para o céu. Depois fomos pra casa de um dos filhos do namorado da mãe do Alex, que por sinal a casa dele também era vermelha.
A cada drink eram dedicadas canções com todo mundo em pé, quase me senti num barco viking! hahahaha! E daí que a gente acabou ficando para dormir lá, acampamos na barraca em frente a casa deles e tomamos banho em algo que parecia ser uma capsula do futuro. Jorrava água por todos os lados, tinha música, espelho e luz. Um luscho no meio do interioR.

No dia seguinte, que amanheceu nublado chuvoso, todo mundo resolveu ir dar um pulo no lago. Gente doida. Devia tar uns 12° e um vento do capeta de gelado. E lá foram eles se refrescar. HAHAH.. se fosse no Brasil, a gente nem teria saído de casa. Fizeram isso porque, teoricamente, o verão tinha começado mas ele esqueceu de chegar de fato. 
 
 
 
 
 
Só sei que foi nesse feriado que tive altas doses de gente falando sueco por todos os cantos. E ontem assisti a um filme de um artista muito curtido aqui na Zuécia que se apaixonou por um brasileiro lá du nordésti. E eu virei uma big fan dos dois porque o sueco é meio pinóia da cabeça (bem parecido com meu namorado) e o brasileiro é quase um travesti, muito fofo. No início, eles se comunicavam pelo computador e nunca tinham se conhecido. E quando o brasileiro decide vir da terra tupiniquim pra geladeira aqui, ele não sabe falar quase nada. Eu me identifiquei mega muito na relação dos dois, até porque logo depois que o Manoel se muda pra cá, eles tentam adotar um cachorro (o que tem sido a minha grande meta a ser traçada antes desse inverno mas pra isso eu tenho que convencer meu viking de 1,92cm a trazer uma bola de pelo pra dentro de casa)
Até agora tem sido um paradise aqui na berriesland. Na volta pra casa vi um alce comendo plantinhas. Essa semana chega meu personnumer pelo correio e vou ser uma imigrante registrada oficial. Nemcredito.
hej då!
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somalianos, rio de janeiro e meu visto

Passei um perrenque danado nas últimas duas semanas. A coisa começou quando recebi um email bomba da imigração sueca depois que mandei o último documento faltante pra fechar a lista kilomêtrica de coisas que eles me pediram.. oks. “Brunitinha linda do nosso coração, seu lindo visto sueco vai demorar mais uns 3-5 meses para sair porque resolvemos dar prioridade aos refugiados somalianos e agora nosso desk atolou! Como você não sofre nenhum risco de vida (muito enganados eles, eu moro no Rio de Janeiro, entendeu.. cada dia é uma aventura), a gente vai te deixar de lado. Segura a ponta aí trabalhando no restaurante indo dormir 4 da manhã, acordando meio dia de muito mau humor pra ir trabalhar as 3 da tarde e reclamar todo dia que não tem vida.. continuar chorando as pitangas todo domingo quando vai trabalhar enquanto todo mundo vai pra praia” Foi mais ou menos isso que eu recebi deles. E daí que descabelei porque eu não podia entrar na Suécia durante o período de aprovação do meu visto. O meu tipo de vist é por laços familiares, eles chamam casos assim de juntar os trapos de “sambo”, eu prefiro chamar de samba. Nem o Alexander loverboy poderia vir pra cá de novo porque ele esgotou todas as férias dele nesses últimos 5 meses que passou comigo na terra do Sol. E daí que completei 3 meses no Copacabana Palace, e isso significa que a gente não se vê por esse tempo todo.. porque comecei a trabalhar um dia depois que ele voltou para Gotemburgo. E daí que a gente teve que recorrer a planos e planos alternativos. Ir pra Noruega e entrar na Suécia de carro porque ali não ia ter fiscalização. Essas coisas assim. Mas achei meio macumbado fazer isso. Até que. ATÉ QUE ele recebeu a cartinha dizendo que meu visto foi aprovado! (antes do tempo!) Ou seja, aquela punhetação do caso somaliano foi um estresse desnecessário (na verdade, fiquei torrando os agentes da imigração pra acelerarem meu caso porque eu preciso comprar um cachorro, mudar para uma casa de verdade, comer em uma mesa de verdade, essas coisas). E daí que agora é sério. O bagulho é doido. Eu tô mesmo indo e a ficha não caiu direito, porque eu ainda tô no clima tropical do Reow de Janeirow. E tô cumprindo aviso prévio de um mês no hotel para depois ir pra São Paulo no dia 18 de maio, ver azamiga, depois fazer a cruzada para o interior ver todo mundo até ficar enjoada porque não faço a mínima ideia de quando vou poder voltar ao Brasil pra ver meus queridos e daí eu me vou, assim. Agora pensa, eu tô surtando. Cada dia é um dia a menos, esse tem sido o pensamento. Tô vendo o que eu vou dar, o que vou ter que comprar (tipo lá não tem chá mate, e eu sou viciada.. lá não tem maracujá! não tem coco! não tem açaí, não tem.. não tem pal-mi-to!!)

Eu eu descobri que realmente moro no point onde as coisas acontecem.Tipo, em São Paulo eu morava em moema, grudada no aeroporto de Congonhas. Conseguia ver a pista da sacada do meu quarto e os aviões decolando, falar no skype era uma luta. Depois aqui na favela Sta Marta, morando grudada na escola de samba. Podendo dormir tranquilamente só depois das 3 da manhã quando o samba não tava tão empolgado e acordando as 10 da manhã com o pagode malandro das barraquinhas, querendo estrangular todo mundo me perguntando que foi que fiz de errrado nessa vida. E agora moro no Leblon, bem na rua onde eles fecharam para as obras do metrô que fazem parte da maquiagem que tão dando na cidade pra receber os jogos olímpicos. E tipo, é acordar com pipipipi maldito todo santo dia e britadeira, e trabalhador gritando, um caos. Seriously, tô ficando louca. Mas daí eu penso. Um dia a menos, um dia a menos. Mas ao mesmo tempo não quero que o tempo voe assim loucamente também, não. Porque só vou ter um titico de tempo pra ver minha família e amigos que já estão quase me deserdando porque nunca vivo por lá e perco todos os acontecimentos.. mas ao mesmo tempo eu me sinto meio lesada sem ter meu namorado por perto. E é um saco solidão, já comprei todas as revistas interessantes possíveis, alimentos felizes, essas coisas.. mas não funciona. E do jeito que tá a coisa eu não vou só direto para os braços do amado, vou para as pernas também! Aloca
E são coisas extremas porque é pisar na Suécia e começar uma vida do zero, vai ser pura diversão (nem tanto quando chegar o inverno e escuridão com aquele vento polar e 5 metros de neve na porta da casa). Vou ter que aprender sueco na velocidade 5, ver qual faculdade quero fazer mesmo, estudar matérias de vestibular tudinovo, fazer amiguinhos, levar o cachorro fazer xixi toda manhã, não dormir 15 horas por dia e nem comer todos os godis suecos – godis são os docinhos suecos ( Nádia, minha amiga, uma vez disse que eles eram tão ruins que eram o gosto da maldade), feitos geralmente de anis, que eu sou viciada e me vendo muito barato por eles. Em todo supermercado tem pra você comprar aos montes. Vai ser uma grande luta não entrar no ciclo urso num país tão frio e vou ter que achar uma saída pra conseguir tomar café.. comigo meio que não funciona tomar café, primeiro que o cheio me dá ânsia e segundo que eu acho que faço xixi de café.. não funciona. a parada comigo é mate, chimarrão, essas coisas.
Eu estava pensando com minhas bolas tentando ver em quantos tetos morei nesses últimos dois anos e foram muitos deles, e ainda não paro por aí, depois que me mudar pra Gotemburgo, vamos dar um tempinho por lá pra depois irmos pra Estocolmo de verdade. Ainda me pergunto quando é que vou ter minha casinha de verdade e ter uma vida de pessoa normal. 

 

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here and there: the loneliness issue

o tempo vai passando e eu vou me enforcando nele. Sabe aquela coisa de “corra, Lola, corra”?! Então. Já vi que essa é uma coisa que tá sempre na minha vida, tô sempre vivendo no pau da viola. Agora só tenho mais um mês de Rio de Janeiro. Um mês para conseguir meu personnumber da embaixada sueca, o RG dos vikings. Eu só paguei o aluguel até maio. E minha experiência no Copacabana Palace termina agora dia 16. E se eles não renovarem meu contrato vou ter que catar coquinho em outro lugar até meu visto sair (se ele não tiver saído até lá). E eu fiz uma merda power de ter comprado carta de habilitação no Peixe Urbano e me caguei toda pq além de eu ter comprado duas vezes (o site não deu compra concluída, fui lá e cliquei de novo) e lugar pra tirar a carta era muito zoado. E daí que pedi pra eles estornarem a compra e daí que agora toca o som “brasssiiil-meu-brasil-brasileiro”e eles não cancelaram. E dai que ta na minha fatura 1600 reais anos-luz pra eu pagar. Ou seja, não vou poder comprar uma bala, a não ser que seja a prestação.
E nesses quase 3 meses que fiquei sem dar as caras aqui, eu mudei de casa mais duas vezes. Do Rio de Fevereiro para o super Reow de janeirow de fato. Leblon é tudo de bom, só é o zóio da cara e os preços são uma piada. É de dar vontade de virar corrupta. Eu atendi o Jorge Ben Jor no Copa, vi o Morgan Freeman em carne e osso, vi vários caras da Fifa que nem sabiam que eram da Fifa porque acho futebol um saco. E sempre atendo a louca da Narcisa. Eu nem sabia quem era ela até o dia que ela invadiu a cozinha vestindo bikini falando “amor, que é que tem pra comer aqui?” Ela mora ao lado do hotel, e vez ou outra ela aparece gritando na janela.

Acho que vale a pena pelo menos ver um trechinho.. eu não me importo com a ideia de dizerem que ela é fútil, ela é muito das loucas. Eu acho que se fosse rica seria igual ela.. se pobre já sou assim… haha

Ah, tentaram roubar minha bicicleta e quase levaram o poste com ela.

Eu acho que fui enrolado a minha mudança pra Suécia porque a vida aqui tá muito boa e eu me apaixonei pelo Rio. Quem não? A coisa é que eu to morando a duas quadras da praia quanto da Lagoa R. de Freitas. E isso pra mim é estar no céu. Mesmo quando acordo, sei lá, 12:30 ainda dá tempo de ir pra uma caminhada pela praia e nadar lá no arpoador, boiar, pensar na vida e ir trabalhar. E na volta pra casa, eu venho de bicicleta porque todo o caminho do Copacabana pro meu ninho é pela ciclovia pela praia, aí eu paro comprar coco no quiosque e venho escutando musiquinha. Isso a uma da manhã. E ps. acho que todos os quiosqueiros são todos traficantes.
Então, é meio foda de pensar que daqui sei lá, no máximo 2 meses minha vida vai ser viver sob camadas de roupas e fugir das frestinhas porque o frio é de cagar bolinha preta. Mas eu tô doida pra ir pra lá porque toda vez que ouço  suecos falando por aí eu vou lá de pára-quedas “är du svenska”? meu sueco ainda é bem macarrônico, ainda esgasga na guela e eu não sei quase nada, me embanano toda. Mas a gente tenta. Dia desses apareceu um casal de suecos que me deixaram trezentos reais de gorjeta, parecia um leque de notas de 50. Coisa linda de se ver. Nada mau e olha que quebrei a rolha do vinho deles. Mas trabalhar lá é uma punhetação porque durante aqueles dias de calor de rachar, lá tô eu vestindo saia pelo joelho, meias calça em pleno Rio de Janeiro 40°, caamisa fechada vendo o mar de um lado e aquela piscina hollywoodiana de outro (onde até Lady Di já mergulhou). Mas não é tão fácil ganhar gorjetinhas não, as vezes vem uns filhos da p e fala “keep the change”e quando vou ver sobraram, tipo, 20 centavos. E ah, eu acho que tô virando uma orca porque quando retiram os doces do buffet eu não resisto ao carrinho de doces e é no mínimo um creme brûlée. Mas o Rio ainda me assusta, e eu vivo paranóica porque muitas coisas acontecem ao meu redor e eu desligada tento ficar esperta. Um dia é a hostess do restaurante que é atacada por um pivete voltando pra casa, no outro é a menina que mora comigo que é assaltada dentro do ônibus as 4 da tarde aqui no Leblon e agora essa história nojenta do casal de gringos que foram assediados e violentados nessas vans que andam por aí que eu pego as vezes. Eu tenho um kit assalto e vivo botando meu Iphone no sutiã. E eu tô tão aaaaah, cansada as vezes que quando pinta um famosão na área eu nem sou mais tiete, última vez eu fugi de atender a Gal Costa, só botei o cardápio na mesa dela e fui embora. Eu podia ter visto o Tom Cruise mas não quis, tá? As vezes, quando eu termino de atender uma mesa vem fulando falar e ai atendeu bem o ciclano? que ciclano? como assim que ciclano, ele é o jogador tal. Eu nem me ligo. E no dia que vi o Morgan Freeman o mundo parou por 5 segundos, não que eu ligasse muito, mas ele é o cara, ele é o dono da voz enfática digna de respeito. Deu uma vontade de falar “dooo the dance!” pra ele. Mas foi muito lusho, me senti como se tivesse vendo uma cena da entrega do Oscar, ele vestindo tuxedo passando assim, do meu ladinho com a mulher dele vestindo um longo preto, ao lado da piscina e simplesmente, todos os mortais que estavam nas mesas giraram o pescoço pra ver ele.. e depois que ele se foi, eu disse pra minha mesa mais legalzinha “God just passed!”. Pena que não posso pedir autógrafos, tirar selfies, pedir para eles mandarem beijo pra minha tia porque dá justa causa.
taí minha peixão.
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angústia.


Eu ainda estou a divagar no universo da minha vida. Só fazem 2 semanas que o Alexander se foi e minha rotina mudou completamente. Comecei o trabalho no restaurante do Copacabana Palace (o Copa) e mudei de casa pela zilhonésima vez. Sério, eu não aguento mais me mudar. As pessoas pensam que sou foragida da polícia ou cigana porque, é uma média de 6 meses para cada endereço novo. Nos últimos dois anos vivi em tantos tetos diferentes que gsus. E a cada leva dessa eu vou doando coisas, tudo. Só vai ficando o que realmente me interessa e necessito. E isso também tá servindo para minha vida. Vou ficando mais seletiva e agora estou sabendo mais do que gosto.
Estou em uma luta interna de querer que o tempo passe e não passe. Passe porque quero muito começar minha vida nova, da estaca zero ao lado do Alexander assim que me mudar para a Suécia. Vai ser uma coisa do tipo, renascer aos 23 anos. Outra cultura, vou ter que cativar novos amigos, dominar uma língua diferente, conquistar minha vaga na universidade sueca, conseguir um trabalho que me garanta como ser vivo. Só de pensar já fico sem fôlego. E on the other hand, eu quero que o tempo pare porque eu só tenho esse meio tempo de liberação burocrática (liberação do visto de permanência sueco) para poder curtir minha família, amigos, o sol que brilha até as 6 da tarde.. e, enquanto isso não acontece aqui tô eu no Rio, sozinha. Sozinha em uma nova casa, em um novo trabalho, rodeada de pessoas novas. As vezes isso cansa. Quero que minha vida comece logo pra valer. É até cômico dizer que sou waitress, é aquela coisa de ficar esperando.. não só o cliente me pedir o que ele quer.. mas tem um significado muito mais além. óh só. Agora me sinto naquele momento em que a gente tá prestes a nascer mas fica em um lugar estranho, sabe? Aqui tá tudo “bem”, moro com pessoas legais agora (finalmente, gsus), tenho um trabalho em um lugar legal (apesar de não ser o tipo de coisa que curto muito.. mas é o que tem pra hoje). Foi divertido ir ao consulado sueco semana passada ser entrevistada para o visto de permanência. Caiu a ficha que agora é pra valer. E isso ao mesmo tempo que me faz subir pelas paredes de alegria, também me apavora. Tive que dar tim tim por tim tim dos detalhes de como conheci o mister lova lova, e depois a entrevistadora leu o resultado de tudo o que eu disse. “São Paulo, dia 26 de março de 2011. Bruna estava com fulano, ciclano e beltrano em uma festa chamada pub crawl quando conheceu Alexander Sexy Wojdas”. Mês que vem já renovo meu passaporte. Acho que tô começando a ficar velha. E no meu novo trabalho não posso muito abrir o bico da minha vida, porque senão eles não vão me dar trela se souberem que very soon darei no pé da terra da banana. E daí que eu tô explodindo nos sentimentos e nem posso compartilhar muito com pessoas em carne e osso. E eu começo a me questionar porque botaram o nome do Rio de Rio de Janeiro, porque afinal aqui só chove em janeiro. Talvez seja por isso, porque chove tanto que formam Rios de janeiro. Ahaha.. but not. Sei lá. Ajuda dos universitários aí. Eu estava super empolgada pra vir escrever um post sobre a história do Rio e do Copa que me foi passada, mas perdi a empolgação. Acho que isso cheira uma bela tpm. Medo. E tô me sentindo paulista já porque desde que comecei a trabalhar não consegui mais ir a praia, porque só chove e quase nem dá tempo!

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SO..CO…rro!

Resumindo acontecimentos desde o dia 1 de janeiro. Dia 1 a  gente pula porque foi de total ressaca. No dia 2 comecei a trabalhar em um restaurante chiquéééérrimo (but not) em Santa Tereza. Pra quem não sabe Santa Tereza fico no morro, era onde tinha o bondinho que ia para o Cristo e passava pelos Arcos (fedidos) da Lapa (porém bonitos na foto!). O restaurante era meio “é cilada, Bino” para gringos. O lugar era bem bacana, com uma vista bem legal, com mesas na árvore.. coisas desse tipo. Mas o zóio da cara. É quase impossível sair de lá sem deixar um salário mínimo pagando só por duas pessoas. Só um pastelzinho custa R$24. RUN FORREST, RUN! E daí que tudo bem que é caro, não sou eu quem vou pagar mesmo.. mas o problema é que os 10% nem vinham para a garconetchy e o lugar era chato pra inferno. Era passar a existência polindo taças, e diferenciar garfo de peixe, garfo de carne e garfo que eu ia atirar na cabeça do gerente mais chato do mundo. Pensei que só os novatos ficavam no polimento infinitum mode on, mas não.. tomo mundo ficava nessa chatice.. ô lugar chato da p…. Sem contar que  se pagam todas as penitências quando se sobe o morro. As vezes o ônibus quebra e se tem que subir o resto a pé e pra voltar a noite sem carro é o caos. Ou dá ou desce, beib. O restaurante é tão caro que até a Madona só ficou na caipirinha quando foi lá. Mas é sério, pode ser o que for, mas ficar em lugar chato com pessoas chatas eu não consigo. Eu me mato! E daí que mesmo vivendo no negativo eu disse No-no-no! E enquanto esperava as pessoas me ligarem para agendar uma entrevista eu ficava bundando na praia, vendo no horizonte se o vendedor do mate, açaí, o globo ia voltar. OLHA O MATE OLHA O MATE. GLOBOGLOBOGLOBO! ÁAAAAGUA, COOOOOCA COLA, CEEEEERVEJA. Esfiiiiiha do MUHAMAD, O LE-GÍ-TI-MO! É meio que impossível relaxar nas praias do Rio (a não ser que você tenha dormindo de bêbado na areia), porque fica todo mundo – tipo, os vendedores – ficam, literalmente, gritando na sua orelha e uns até tem microfone. Como o Alexander cismou em começar a gostar de fazer body surfing, eu tinha que ir lá no fundão do mar pra tentar ficar com ele. E até chegar lá eu já tinha sido atropelada por cinquenta tsunamis. Mas acho que a primeira quinzena do ano foi de total bundação, onde, basicamente, a única preocupação existencial era se eu peguei mais bronze na frente ou atrás. Mas não tinha caído a ficha que meu swedish lova lova ia-se embora logo. E daí que antes de partir para a geladeira sueca, ele tinha que ir para a cidade dos meus pais, Itapetininga, para pegar as coisas que ele deixou lá.. isso significava que ele ia embora mais CEDO e daí que eu parei de comer (na verdade, parei de comer porque tô com virose… “cidade maravilhosa.. cheio de encantos meus..”). Já até fui dar voltinha no hospital. O bom de ficar doente assim é que eu to emagrecendo na velocidade 20kilos/dia. Mas daí me ligaram do Copacabana Palace bem na hora, tipo na sexta, dizendo pra eu levar o mundo e o fundo de documentacão na segunda de manhã. Oi? Oi? E daí que eu queria levar o bofe pra Itape, ver todo mundo. E daí que eu tava toda borocoxô do Alexander ir pra lá sem mim e logo em seguida ir embora. E eu bem que me conheço, sabendo que ele ainda estaria em terra tupiniquim, eu bem que iria de última hora na louca dar outro tchau pra ele.. e daí que resolvi 4 horas antes de ele ir pegar o busão para Itape que eu também iria!  Foi tipo, sair daqui às 9 da noite chegar em Itapê quase 7 da manhã, igual um zumbi semi inconsciente, dormir um tico ir almoçar com a família na cidadezinha da vó, a noite voltar pra cidade natal, fazer malas, curtir um tico a família. Mas foi tão bom dormir em uma cama de verdade, com lençóis de verdade, sem barulho, sentar na mesa para comer (eu não sei o que é comer na mesa dentro de casa faz um bom tempo porque aqui na casa da favela.. já viu). E daí que a gente até foi premiado em dormir na king size bed da mama tchama! Foi muito divertido porque deitou eu, alexwonder, papi, mami, todos na mesma cama tranquilamente e ainda com espaço pra Mel pular na gente (mas ela tá velhinha e não consegue mais pular). E daí que tá sendo muita angústia, porque logo na segunda já viemos pra Guarulhos deixar meu lindão rumo a geladeira. E foi muito estranho, pra variar. E eu odeio aeroportos – só gosto quando tô saindo de férias rapidinho.. mas não pra despedidas. Mas a questão não é só a de que eu vou ter que ficar sem ele por alguns meses, é também o fato de que quando eu ir pra Suécia vai ser pra valer, vai ser para morar lá e eu não sei quando vou voltar para ver todo mundo no Brasil porque ainda não ganhei na loteria. E eu acho que vai ser assim daqui em diante.. saudade da família, amigos ou saudade do bofe. E eu to tentando me controlar emocionalmente. Mas nem chocolate tenho vontade de comer por conta dessas coisas que estão tirando férias dentro de mim. Só sei que foram 294894839 km percorridos em 2 dias e eu tô só o pó. Hoje assinei minha contratação no Copacabana Palace e começo a trabalhar no restaurante. Então fica aí de bituca que quando sair algum famozão curtindo a vida adoidado no hot hotel na capa de algum jornal dá um zoom pra ver se eu não tô de fundo. Mas vejo que será em breve o dia em que virei contar aqui quando derrubarei vinho tinto seco na camisa do Al Pacino. Oopsh. Mas espero que esse (o trabalho no Copa) seja um passatempo bom enquanto aguardo a saída do meu passaporte novo e visto de permanência sueco. Enquanto o bofe me mostra montes de neve eu quase morro desidratada desse lado do planeta. Amanhã vai ser meu primeiro dia de trabalho e espero que eu consiga segurar as pontas aqui.

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O Rio e o de Janeiro

E o Rio de janeiro continua lindo.. blah, mas acho que aqui onde a gente mora ele sempre foi feio! (aquela piscadinha malandra!)
Só pra deixar claro: existe o Rio e o de janeiro. Faz parte do Rio Ipanema, leblon, Copacabana (Copa, para os íntimos) sascoisa. O resto sobra para o de Janeiro. E o que fica mais longe ainda, ou fora de rota é o de fevereiro e é aí que eu participo na contagem do IBGE 2012. A nossa vida aqui na curva do início do morro continua tranquila. Pra quem não sabe, uma coisa que tá bem pop aqui no Rio para gringo é o tal “favela tour”, que nada mais é do que arrastá-los morro a cima. É como se fosse um safari sócio-econômico. É bom porque geralmente os fundos acumulados são revertidos em investimentos em melhorias para a comunidade local.
Mas enfim, vai fazer quase 2 meses que estamos aqui vivendo na terra do samba, bunda e caipirinha. Nós moramos coladinhos com a escola de samba da Dona Marta, o muro deles bate aqui com o nosso. Dá até pra ir lá dentro e instagranizar usando o wifi daqui (isso se fosse possível ficar mais de 5 minutos dentro da escola com eles tocando bateria que ecoa martelando nosso cérebro!). É uma maravilha porque, veja bem, eles tocam praticamente todos os dias e nós nem conseguimos assistir um filme. Eu até meio que desisti de tentar ver mais filmes do Ingmar Bergman (aproveitar pra estudar sueco um pouco mais) porque não dá pra ver a morte jogando xadrez numa tela sombria tendo cavaquinho tocando de fundo, né?
galpão da escola de samba Dona Marta

As festas aqui são tão altas que a gente é meio que obrigado a sair na rua para ver o que tá acontecendo, porque é impossível assistir, ler ou dormir em casa. Tem um barzinho aqui na curva que a gente se sente em casa, é só chegar lá que os tiozinho nos oferecem churrasco, enchem nosso copo de cerveja, tudo 0800. É a comunidadji! E o sambão rolando solto e as tiazona mais louca que o Batman puxando o Alexander para dançar e tentando ensiná-lo a mexer a bunda que ele esqueceu na Suécia. E a gente ainda continua achando que samba é tudo igual (e vimos que não estamos sozinhos porque no filme Rio eles também falam a mesma coisa) Aqui tem uma coisa que vale ressaltar, apesar de ser uma cidade de praia, o Rio não transpira aquela atmosfera pela cidade toda pelo fato de ela ser meio grande. 
E falando em bunda, tenho observado muito a população brasileira em geral, e tudo o que eu tenho a dizer é que ela tá gorda (e eu também tô indo nessa onda..). Alexander fala que prefere Brasil, reclama do sol luz de geladeira da Suécia. Mas eu acho que bem prefiro o sol luz de geladeira, o silêncio e pouca gente de lá do que morar no forno, muvuca e barulho daqui! Sei não..
Agora o bicho tá pegando porque eu meio que to vivendo na tensão de conseguir um emprego que satisfaça minhas necessidades momentâneas em pleno festejo de fim de ano. Até vou fazer meu despacho e lançá-lo ao mar porque a coisa tá brava! Eu to me sentindo meio que quebrada porque as duas únicas coisas de valor (não contando os humanos que amo) que tenho são minha bicicleta dobrável que começou a enferrujar por causa da maré e meu macbook. Tipo, só. Nem faculdade fiz ainda e as outras coisas que eu tinha, perdi, vendi, dei um fim de alguma forma. E agora pra começar minha fortaleza, eu tenho que esperar porque me mudo pra Suécia ano que vem mas pra isso dependo do visto de residência que só vai ficar pronto lá por abril (espero eu!). E depois disso eu zarpo pra lá “com a mala cheia de ilusões, vou deixar alguma coisa velha esparramada pelo chão..”. E daí que eu tô numa ansiedade tremenda, me sentindo como se estivesse vivendo em uma bolha entre dois mundos. Dois mundos porque eu não tô com a minha família/amigos/cachorra e nem na Suécia, mas algo em between, pairando no ar. Mas a gente tá curtindo a cidade, explorando quando a preguiça tá domável e sol mais ameno.

pôr do sol no Arpoador.

Gosto do Rio porque mesmo que você não tenha um puto no bolso, a praia é de todos! E sempre tem umas moedinhas que você acaba achando em algum lugar que dão pra comprar uma água de coco e matar sua super sede power depois de uma boa pedalada no sol pela orla de Copacabana.

Mudo de assunto, gosto de azul. Foi muito incrível ver o fim do dia na pedra do Arpoador e quando o Sol se pôs por inteiro todo mundo aplaudiu. Isso é tradição lá. Teve uma noite quando a gente tava subindo o nosso morro rumo a nossa casa na rua dos Bobos, número 0, quando de repente eu vi um bicho andando na fiação do poste eu fiquei boba porque eu nunca tinha visto uma ratazana escalar poste! Mas aí começaram a vir mais pessoas e os tiozinho velho de praça que nos informaram que aquilo ali não era ratazana não e sim um gambá! E dia desses eu vi uma capivara na Lagoa no dia que resolvi ser Forrest Gump e percorrer todos os 7,5 km de percurso.

rodinha de capoeira, Arpoador
MAM do Rio

A gente deu um pulinho no Museu de arte moderna aqui do Reow. A construção é bem legal mas é muito espaço para pouca coisa. Acho que a gente foi em época de vaca magra. Porque, ó, as vezes (na maioria delas, na verdade..) arte moderna é tralha, mas quando dá sorte essa tralha é chique e faz algum sentindo. Mas nas outras.. ela não passa de tralha.

praia de Botafogo e eu pititica

Tem a praia de Botafogo mas ela é poluída por conta das embarcações, assim como a praia Vermelha também é, mas o pessoal parece não ligar muito e se joga na areia e me chama de sereia. Também com esse calor aqui apocalíptico de 200°. Logo ali na praia vermelha, no morro da Urca tem uma trilhinha chamada Pista Cláudio Coutinho, muito tranquila de andar (ela é reta e arborizada), oferece uma vista incrível e se você ficar esperto (e carregar umas bananinhas pra trazer mais “sorte”) você vai ver macaquinhos saguis bem pertinho de você!

Muita gente diz que o Rio é igual São Paulo mas só que com praia, but not. O Rio também tem muito mais área verde do que a capital paulista, onde você tem que camelar pra chegar ao parque Ibirapuera pra tentar limpar os seus pulmões. Mas até chegar lá de bicicleta, você já morreu no caminho atropelado por alguém!

dá uma reparadinha quando chegar nos 2:00 min. Um baita tabefe na cara dos paulistas. Mas eu assumo que tô com uma pontinha de saudade da cidade fedida e caótica, mas acho que essa saudade vai passar no dia que eu tiver lá por 5 minutos no trânsito sendo asfixiada pela fumaça dos carros estuprando meus pulmões.
Jardim botânico

Pela primeira vez uma árvore muito singular, a tal “bread tree”. Ela parece estar sempre enfeitada para o natal porque ela tem umas bolas gigantes e florzinhas meio avermelhadas. Vi também, pela primeira vez, ao vivo e a cores, vitória régias no Jardim Botânico.

cemitério São João

Já falei que no cemitério São João estão enterradas várias personalidades brasileiras, tais como Cazuza, Vinícius de Moraes, Zuzu Angel, etc. E tem um fato um pouquinho curioso, eu sabia que o Oscar Niemeyer estava internado em um hospital aqui em botafogo mas nem tchum que era perto aqui de casa, até uma noite quando eu e Alexwonder estávamos voltando para casa quando vimos várias vans de televisão estacionadas em frente ao hospital. Aí, dois geminianos unidos, curiosidade pra mais de metro, fomos lá perguntar de bituca para o pessoal das tvs o que tinha acontecido, porque tava todo mundo ali, e ele falou sabe o Oscar? Sei. Então, morreu. Foi uma pena, porque eu to seriamente pensando em estudar arquitetura, design e afins e queria muito bater um papo com ele depois que eu graduasse (isso daqui a uns 20 anos ainda). Mas agora é sério, o Oscar foi uma pessoa que podia ter vivido mais 104 anos, fazendo mais coisas fantásticas pra humanidade.

né, não?

Vale muito a pena assistir ao documentário “A vida é um sopro” e admirar a simplicidade do tio Oscar. E eu fui lá no enterro dele, já que moro grudada quase no cemitério São João e acabei encontrando a caravana da Bea, minha amiga de Itapê e saí na Folha de São Paulo. Mas a imprensa estava igual urubu durante o funeral, de início a ideia era ele ser fechado somente a familiares, mas aí desistiram porque a imprensa estava muito invasiva e não queria perder um click por nada. Tocou a banda de Ipanema e o Oscar foi sepultado durante o pôr do sol. Pessoa ilustre, mais um gênio que se vai.

oscar, cruz e eu

Hoje o Alexander voltou da aula me dizendo que viu um filhotinho de baleia morta em Ipanema. E isso me deixou muito triste só de lembrar que isso é uma coisa que sempre acontece, mas que nem sempre vemos. Eu trabalhei em navio de cruzeiros antes e fui informada dos danos que eles causam no fundo do mar.. imagina se um barquinho chinfrim já é capaz de destruir corais, imagina um monstro com uma hélice gigante o que não é capaz de fazer.

:vergonha de nós!

Pra uma vida passiva, até que ela ta badalada.

Hello, goodbye!