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O que você precisa saber antes de visitar o Petar

Em janeiro estivemos no Petar. Pra quem não sabe, o Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR) é bem famoso por suas cavernas ( são mais de 300 catalogadas, sendo que uma delas tem a maior boca de caverna do mundo), cachoeiras e trilhas. Se você curte um mato e recarregar as energias em meio a natureza, esse é o programa perfeito para você! Mas antes de ir para lá brincar de Tarzan e Jane, tem algumas coisitas que você precisa saber antes de visitar o Petar.

Planeje a sua visita

É obrigatório ter um guia para poder visitar o parque. Então para não perder a viagem, já vá com tudo planejado e contate uma agência antes para evitar qualquer perrengue pois pode acontecer de na alta temporada não ter nenhum livre. Quem nos guiou foi o Cleber da agência Primatas, que por sinal, super recomendo. Pra se ter uma ideia, eu tive uma crise de pânico e jurava que ia morrer e foi ele quem conseguiu me acalmar 😅

Além de contatar um guia, é cobrado uma taxa de R$ 13,00 para entrar no parque e eles só aceitam o pagamento em dinheiro.

O sinal de telefone não pega dentro do parque, então isso é ótimo para se desligar completamente do mundo e estar ali 100% porém é bom ter em mente que se acontecer alguma emergência na trila a busca por ajuda terá que ser feita a pé. Eu só me liguei disso depois de ter feito a trilha mais perregue da minha vida hehe mas sai orgulhosa por ter sobrevivido!

Os núcleos

O parque do PETAR é dividido em quatro núcleos. Na cidade de Iporanga, ficam três: Santana, Ouro Grosso e Casa de Pedra. Já o Núcleo Caboclos fica em Apiaí.

Faz toda a diferença decidir quais você quer ir visitar e o que dá para encaixar no tempo que você irá ter. Cada núcleo tem um nível diferente de dificuldade. O núcleo Santana, onde fica a sede do parque, é o mais popular e também o mais acessível, suas trilhas beiram as margens do rio Betari, um rio de águas bem cristalinas, parece um vale encantado.

Rio Betari no Petar
Rio Betari

O núcleo Santana é fichinha perto dos outros, pois só para se ter ideia, dentro da caverna de Santana tinham até tablados para as pessoas caminharem. Lá dá para você nadar no rio (eu que nunca curti nadar em rio, acabei entrando nele por conta da água ser clarinha), fazer um piquenique, tomar banho de cachoeira e explorar as cavernas.

Dos quatro núcleos, nós tivemos a chance de visitar dois deles: o de Santana e dos Caboclos.

Nós alugamos um carro para poder ter mais liberdade e ir parando pelo caminho. A estrada que liga Iporanga a Eldorado é de terra e corta a Mata Atlântica. Pode acontecer de ela ficar interditada quando chove muito e há risco de desmoronamento. Tinham alguns trechos em que a estrada era super estreita e lá embaixo tinha um penhasco maravilhoso, meu anjo da guarda fez bastante trabalho extra nessa viagem 😅

Como foi a nossa experiência

Caverna do Diabo

Eu nunca tinha entrado em uma caverna antes e a sensação que tive quando se está dentro de uma é que você está acessando um mundo paralelo. É um mix de encanto com mistério. No caminho para o Petar, paramos na Caverna do Diabo que fica na cidade de Eldorado e é a maior caverna do Estado de São Paulo.

Tivemos a baita sorte de chegar quase na hora em que estavam fechando o parque e ainda conseguimos entrar. Lá a visita também é guiada e, como chegamos por último, acabamos tendo um tour vip e pudemos aproveitar para escutar os barulhos que acontecem dentro da caverna. Normalmente, os tours são de 12 pessoas.

A caverna é enorme e tem uns salões gigantescos maravilhosos. Foi muito tranquilo de andar dentro dela pois era tudo bem plano e tinham até escadas em alguns trechos. Esse bebezinho rochoso tem a idade estimada de mais de 2 milhões de anos! A caverna tem uma extensão de mais de 6 km mas somente 600 metros são abertos a visitação. Vale super a pena ir até lá, mesmo para quem não está acostumado a andar muito e/ou é claustrofóbico (ou tem medo do coisa ruim pois garanto que a visita a caverna será mágica e ela está mais para divina do que qualquer outra coisa).

Um dos salões da Caverna do diabo

Para visitar o parque você paga R$30,00, sendo que, metade é da entrada e a outra metade é do monitor.

Glamping Mangarito

Bom, nós ficamos hospedados no Margarito Glamping, uma pousada muito gracinha que fica no meio da mata atlântica, então ar mais puro não há. Ela também está bem ao lado da sede do Núcleo Santana.

Só sei que foi muito maravilhoso poder voltar a noite depois de ter passado um dia inteiro se estropiando no meio da floresta e ir dormir nessa cama de princesa. Eles tem até uma jacuzzi do lado de fora e servem caipirinhas com nomes de estalactites e estalagmites (depois desse rolê você vai sair bem sabido sobre o que é o quê).

A cama em que eu dormi igual uma princess
Café da manhã da realeza

Como nós só tínhamos dois dias inteiros para aproveitar o parque, dei a liberdade para o nosso guia escolher um roteiro bem legal que encaixasse no nosso tempo. No primeiro dia iríamos para o núcleo dos Caboclos visitar as cavernas Teminina e no segundo faríamos o núcleo Santana.

Caverna Teminina

Acordamos 5:30 da manhã para conseguirmos ir até a cidade de Iporanga encontrar com o nosso guia. A estrada até lá é tensa e bem perigosa.

Rodovia estadual de Eldorado. Sim, esta é uma rodovia estadual e não o caminho da roça!

A caverna da Teminina fica bem longe do centro de Iporanga e longe das cavernas mais turísticas do núcleo Santana. No dia em que fomos, fiquei sabendo que éramos só nós três no núcleo inteiro. A trilha é pauleira, é uma das mais difíceis, só perde para a da Casa de Pedra. Para fazer ela toda são estimadas 6 horas de trilha mas nós acabamos fazendo em 9.

Foram nove horas dentro da mata fechada, no-ve horas. Sabe quando você vê aqueles morros na estrada no meio da mata, então eu perdi as contas de quantos morros desse tipo nós subimos e descemos. O ar estava super úmido, eu que raramente transpiro, fiquei pingando. A mata era super densa e qualquer hora poderia aparecer um bichin para dar as caras (ou nos comer haha).

Eu realmente não sei como consegui fazer a trilha da Teminina pois passamos por paredões com penhascos, descemos segurando cordinhas e beiramos precipícios várias vezes (eu esqueci que eu tenho um certo medo de altura). Tinha chovido no dia anterior então tudo estava bem enlameado e bem mais difícil, me senti como se estivesse no O Limite.

Olha a cobraaaa!! Não é mentiraaa!

Bem quando eu estava engatinhando tentando subir um barranco todo cheio de lama (este da foto do lado esquerdo aí em cima), o Alex e o guia já estavam lá na frente quando uma cobra aparece do meu lado, na pior hora possível (na verdade, não sei se existe uma hora boa para as cobras aparecerem).

Eu não conseguiria tentar descer de novo porque estava escorregadio e eu tinha demorado uma eternidade para subir aquele lugar, abaixo de mim tinha um precipício e aí a cobra dá as caras bem perto do meu pescoço. Eu gritei tanto mas tanto que acho que ela se assustou mais do que eu. Depois desse episódio, fiquei umas duas semanas sonhando com cobras.

And the perrengue continues…

Para entrar nessa caverna não foi nada fácil, nós tivemos que descer super cuidadosamente um barranco de pedras na escuridão para chegar até as águas rio congelante que passava por dentro da caverna. Eu sempre tive uma certa aflição de entrar em água que não consigo ver bem o que tem dentro, então imagina o meu pavor 😬

Mas essa caverna tem uma coisa que a faz muito especial, dentro de um dos salões dela tem um chuveiro natural. Para poder chegar até até lá tivemos que passar por um vão rochoso no meio da água.

Infelizmente, eu não tirei fotos do chuveirão porque era um breu danado lá dentro e a minha câmera nessa hora estava na bolsa do Alex que estava perdido na escuridão hehe. É só dar jogar no Google “Caverna Teminina chuveiro” aí se você quiser ver.

Depois que saímos da caverna, eu já estava zerada de bateria porque tinham sido muitas emoções. Aí tivemos que subir todos os paredões que descemos e voltar para o sobe e desce de morros. Eu estava bem exausta já, pensando que ia acabar logo mas aí meu guia disse que ainda faltavam aproximadamente 3 horas de caminhada. Para a minha tristeza, ele não estava de zoeira.

Bom, como você já deve ter tido uma ideia, esta foi uma trilha super difícil e longa. Eu não tinha o preparo suficiente para ela e eu sou do tipo que não gosto muito de ficar passando por precipícios tendo que segurar nos galhinhos que estão no chão confiando que eles iriam me aguentar. Mas aí depois de tudo, conseguimos voltar para o nossa pousadinha (claro que com um pouco mais de perrengue porque ainda tinha aquela estradinha mara que a gente tinha que passar por mais de uma hora no pula pula dos buracos). Me afundei naquela jacuzzi, eu não sentia as minhas pernas.

Núcleo Santana: o vale encantado do Petar

A trilha do dia seguinte foi super Nutella comparada a da Teminina. Fomos para o Núcleo Santana. Estranhei ver tanta gente e barulho porque até então tínhamos tido exclusividade nas cavernas que tínhamos passado.

Uma formação de cristais very biltiful dentro da caverna de Santana 👍🏼

A caverna de santana é bem pop, até o Hermeto Pascoal gravou um videoclipe dentro dela utilizando as próprias formações da caverna para fazer músicas. Isso foi muito criticado depois porque uma batidinha na formações da caverna pode quebrar uma coisa que demorou milhões de anos para se formar.

É um mundo oculto e um tanto frágil que existe submerso nas cavernas.

piscininha natural do Betari
Interior da Caverna do Couto, que fica no Núcleo Santana (dá só um close nas pessoas ali embaixo, parecem formiguinhas 🐜🐜🐜).

O que levar

Pensa que você está indo andar no meio de mata fechada, então o ideal é ir o mais protegido possível porque já vai preparando o seu psicológico pois podem aparecer uns bichinhos peçonhentos pelo caminho. Não precisamos levar capacetes porque o nosso guia nos emprestou mas é bom poder levar uma lanterna extra. Fora isso, traga bolsa impermeável, lanches e água suficientes para as trilhas , repelente, protetor solar, uma calça bem fechada – lembre-se de que as cobras adoram uma canela, então leggings não é uma boa.

O ideal é ir com um sapato antiderrapante e que seque rápido pois tem trilhas que você tem que passar por rios. Leve um repelente bem bom, mas bem bom mesmo, daqueles que só de olhar a embalagem os mosquitos já morrem. É sério, os pernilongos não dão trégua e te picam até pela calça. Protetor solar e também um chapéu que fique bem preso a cabeça.

E se você for fazer as trilhas mais hard cores, tipo a da Teminina e Casa de Pedra, não seria exagero usar uma proteção de canelas. Eu falo isso porque a mata é super fechada e a qualquer hora pode aparecer uma cobra afim de te almoçar.

Cachoeira queda do meu deus

Na volta por Eldorado, paramos para dar um tibum na Cachoeira Queda do Meu Deus. Ela tem uma queda de mais de 50 metros e quando você dá de cara com ela fala “Meu Deus!” – por isso, o nome. Essa cachoeira é uma propriedade particular, para poder visitá-la, paga-se R$20. Para chegar até ela fizemos uma trilhazinha passando por água, segurando corda, mas foi bem tranquila.

Bom, essa foi a minha experiência geral no parque. A nossa visita foi curta porém intensa. Com certeza quero voltar e poder levar o Benjamin mas dessa vez irei fazer as trilhas mais tranquilas e ficar só de boa boiando ali no Betari. Espero que você tenha gostado da minha aventura 🙂

Brasil

A minha experiência em uma tribo indígena pataxó

Oies! Vim aqui contar como foi ter visitado a reserva índigena pataxó da Jaqueira, uma tribo que fica pertinho de Porto Seguro. Na reserva, mais de 30 famílias pataxó vivem de forma tradicional. Lá pude conhecer um pouco mais sobre sua cultura, seus rituais e história de luta para manter suas tradições vivas. Com certeza, foi uma experiência muito enriquecedora que guardarei com um carinho especial na minha memória até ela faiá um dia! haha

Esse passeio é ótimo para quem quer dar uma escapada das praias, fazer uma idéia de como era o Brasil antes de Cabral. É uma boa oportunidade de entrar em contato com as nossas origens e se conectar com a natureza.

cerimônia tribo indígena pataxó
os índios fazendo awê, um ritual de confraternização e agradecimento

Aberta a visitas

A reserva da Jaqueira recebe visitantes de segunda a sábado, sendo que a maioria das pessoas só resolve passar o dia lá. Geralmente, os visitantes chegam na parte da manhã, almoçam e vão embora. Como eu queria ter mais tempo para sentir como é a rotina deles de perto, decidimos passar uma noite na aldeia. Nós fomos através da agência da dona Luiza, a Pataxó Turismo, e escolhemos fazer o “dia de índio com pernoite“. No pacote estavam incluídos transfer de ida e volta partindo de Porto Seguro até a aldeia, entrada, pernoite e 3 refeições. Por adulto pagamos R$270,00 e o Benja pagou meia.

Foi bem roots e incrível ao mesmo tempo ter dormido em redes dentro de um quijeme (oca). Acordei toda zoada das costas no dia seguinte. E mesmo tendo me besuntada toda de repelente quase fui carregada pelos pernilongos mas valeu MUITO a pena o esforço .


Bom, assim que chegamos fomos convidados a fazer pintura corporal.

Os índios nos explicaram que quem é solteiro usa uma pintura diferente de quem é casado. Eu escolhi fazer a de estou em um relacionamento complicado, brinks.

pajé de uma tribo indígena fazendo defumação durante uma cerimônia na reserva da jaqueira

Depois disso, fomos recebidos com um ritual de boas vindas na oca onde as cerimônias acontecem. O pajé, que é o lider espiritual da tribo, rodou a oca defumando amescla, uma resina muito usada para purificar ambientes e pessoas.

Povo de luta

palestra tribo indígena pataxó

Logo em seguida, a Nitynawã, ativista da causa indígena e uma das 3 irmãs fundadoras da reserva, nos deu uma palestra de conscientização que me emocionou bastante. Ela nos contou sobre a situação de vulnerabilidade em que os indígenas se encontram atualmente. Nitynawã teve seu pai assasinado por um fazendeiro. Isso é um cenário muito comum porque muitos fazendeiros querem ocupar o território indígena para a criação de gado. Também ficamos sabendo sobre o massacre de 1951 dos Pataxó que aconteceu em Porto Seguro. Uma coisa que eu nem imaginava. Foi uma cilada planejada pela própria prefeitura da cidade na época com a intenção de extinguir a cultura deles. Depois desse episódio, eles foram proibidos até de falar o pathxôhã, sua língua nativa.

Em seguida participamos do awê que é uma cerimônia para entrar em contato com a natureza e o sagrado e quem quiser pode entrar na dança!

Turismo sustentável

Visitar a aldeia é uma oportunidade maravilhosa para nós conhecermos e ajudarmos a preservar a cultura da etnia pataxó. Visto que eles dependem muito do fluxo de turistas para tornar isso viável.

dois índios da tribo da reserva da jaqueira

Eles tem um senso de coletividade enorme, tudo o que eles fazem tem o intuito de trazer melhorias para a sua própria comunidade. Se alguém sai de lá para ir estudar na cidade grande, por exemplo, é porque eles precisam de alguém na aldeia com tais conhecimentos. E tudo bem se nós vermos um índio com celular, dirigindo carro, nós temos que levar em consideração que eles estão perdendo suas terras e aos poucos estão tendo que se adaptar a nova realidade. A aldeia de Coroa Vermelha, por exemplo, é a mais urbanizada de todas e os índios de lá já não vivem em modos tão tradicionais como antes.

Os rangos indígenas

Eles já não vivem mais da caça porque isso não é mais sustentável por conta do risco de extinção das espécies. Isso se deve ao fato de que o território onde eles vivem hoje não é grande o suficiente para que eles possam viver da caça de subsistência.

Um prato bem típico indígena é o peixe assado na folha de patioba. Eu não provei porque sou vegetariana mas o Alex gostou bastante. Eles não usam sal no peixe e nenhum outro tempero, é a folha que dá todo o sabor.

Já no café da manhã comemos banana da terra assada, mandioca cozida e bolo. Sério, o Benjamin comeu mais da metade desse bolo sozinho!

Passeio pela aldeia

Nós fomos para uma trilha em mata fechada. No percurso, vimos alguns tipos de armadilhas que eles utilizam para capturar alguns animais de porte pequeno. Também visitamos a escolinha bilíngue da aldeia e passamos pela oca do pajé, onde são vendidas ervas medicinais.

plantas medicinais vendidas na tribo indígena

Confesso que fiquei sim com medo de encontrar cobra, escorpião e afins por lá. Porém aprendi que é raro uma cobra se aproximar da aldeia por conta do barulho. Mas eles me disseram que no rio onde eles pescam, lá as vezes aparece jibóia! HAHAH! Eu ri de nervoso porque ele pediu para eu ter cuidado com o Benja porque ele é tipo um aperitivo no menu das jibóias.

Nós demos muita sorte por termos ido em uma sexta-feira pois é o dia em que eles fazem um ritual para seus antepassados. Foi tão lindo e mágico poder ver isso tudo de pertinho. Eles passaram horas dançando e cantando músicas tão lindas que contavam suas lutas, coragem e união. Depois que o ritual acabou, fui conversar com os outros índios, com a Nitynawã e sua mãe Taquara. Taquara tem 99 anos, é a índia mais velha e a benzedeira da tribo. Só sei que me senti tão imersa na experiência toda que, as vezes, até esquecia de tirar fotos. Eu queria estar ali 100% e não queria ser tão invasiva.
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Deu para notar que não era uma coisa montada, uma cilada para turistas. Foi uma convivência muito sincera e enriquecedora. Sai de lá com um quentinho no coração. Fiquei tão emocionada com a garra e coragem com que eles lutam para que sua cultura sobreviva. A Natynawã nos contou um pouco sobre como foi a sua trajetória. Para se formar em pedagogia, ela disse que sofreu muito preconceito nas escolas fora da tribo. Mas mesmo assim ela foi até o fim. Quando visitamos a reserva, eles estavam arrecadando fundos para a formatura na universidade.

Quem lembra do Poranga e Porunga?

Na aldeia eles também tem uma lojinha de artesanato para quem quiser levar algo para a casa de lembrança. É uma coisa mais linda que a outra. Nós trouxemos um cocar que agora está aqui na parede da nossa sala.

Para terminar, eu achei tudo muito bem organizado. Eles construíram um banheiro com chuveiro para receber os turistas, por exemplo. Foram também muito receptivos com a gente, sem contar na energia maravilhosa que senti naquele lugar. Fui embora de lá já querendo voltar e poder ficar muito mais tempo. Mas claro que antes de ir, eu pedi para a Taquara nos benzer com as ervinhas ancestrais dela.

Pajé tribo indígena
O pajé e o Benja (sim, o Benjamin está com uma tatto na perna)

Visitar uma aldeia era uma das coisas que sempre tive vontade de fazer. Desde pequenininha me encanto pela cultura indígena e sinto que tenho uma forte ligação com eles.
Eu torço muito para que cada vez mais as pessoas se conscientizem e respeitem suas raízes, seus povos e minorias. E desejo que os Pataxó e todas as outras tribos indígenas continuem resistindo e lutando até conquistarem novamente seu espaço.

Auêry por tudo! ❤️

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Como foi ter participado pela primeira vez do EEBB em Madrid

Entre os dias de 16 a 18 de novembro aconteceu a 5ª edição do Encontro Europeu de Blogueiros Brasileiros (EEBB) e  eu, super #blogayra, fui lá trocar figurinhas pela primeira vez.

Esse encontro, que acontece desde 2014,  foi criado com o intuito de reunir o pessoal que tem um blog de viagens e mora na zooropa para se encontrar, dividir conhecimento e dar uma desvirtualizada. Ah, e o mais legal é que a cada ano ele acontece em um lugar diferente e, nesse ano, Madrid foi a cidade escolhida.

Sobre a programação

Primeiramentchy, gostaria de agradecer mais uma vez as meninas do BLPM (Blogueiros da língua portuguesa em Madrid) pela responsa e dedicação de terem dado conta de realizar um evento desse porte. Elas ralaram por um ano para que esse encontro acontecesse.

de tudo um pouco

Bom, durante o VEEBB rolou muito networking, tours guiados em português pelas meninas do BLPM, experiências gastronômicas e culturais, um dia inteirinho recheado de palestras super inspiradoras e cheias de dicas maravigolds no Palácio de Cibeles, contato direto com parcerias e ainda de quebra pudemos curtir um pouquinho de Madrid. (Sem contar que, no final, teve a cereja do bolo, que para quem pode ficar mais um pouquinho – o que, infelizmente, não foi o meu caso -, teve a chance de passar a manhã bem madame tomando banho turco e recebendo massagem no Hammam Al Andalus)

 

Em frente a fachada do Museu de História de Madrid. Crédito: Martina Carvalho

Quem chegou um pouco antes da data oficial do encontro pode participar de algumas atividades extras. Eu escolhi ir no Museu de História de Madrid onde que fizemos uma visita muito animada guiada pela Juliana, que é professora de história e escreve no blog Rumo a Madrid.

Interior do Museu do Romatismo

Depois seguimos para o Museu do Romantismo que fica em um palacete do século 18. Nele pudemos ter uma ideia de como viviam os burgueses durante aquela época, sem contar que o museu é cheio de coisinhas que são praticamente idênticas as que nossas avós tem na casa delas.

A noite, quando todo mundo já tinha chego para o evento (éramos no total 40 blogayros), nos encontramos no Mercado San Ildefonso para uma Bienvenida oferecida pela Hotmart.


Eu fiquei hospedada no Hostal Persal, um hotel bem simpático e com ótimo custo benefício localizado bem no centro de Madrid, a 200m da Plaza Mayor. A hospedagem foi cortesia para os veteranos e palestrantes do evento, e como eu estava viajando com a Gi do Viajar pela Europa, fiquei lá também, olé!

Crédito: Juliana França

As palestras

O nosso dia começou bem cedinho, as 8:40 já estávamos fazendo o nosso credenciamento no Palácio de Cibelles, lugar cedido para o evento pelo Madrid Destino.

Além de poder conhecer muita gente que adora viajar e compartilhar isso com as pessoas, também podemos aprender muito com as palestras dadas durante o EEBB.

Crédito: All you need is photo

Foi graças as palestras que consegui ter muito mais clareza com os meus objetivos aqui no blog e nas minhas redes sociais. Elas me deram um gás tremendo, muitos insights e inspiração.

Créditos: All you need is photo

Pra quem não sabe, ter um blog e afins pode ser também um processo de auto conhecimento. Principalmente, quando onde tudo é rotulado e você tem que se descobrir no meio disso tudo. “Quem é você na fila do pão?” acaba se tornando uma pergunta muito profunda e eu sempre tive uma certa dificuldade em me rotular nas redes sociais, principalmente pelo fato de que ser geminiana e a cada hora querer alguma coisa. Mas, grazadeos (e aos palestrantes!), agora tudo está ficando bem mais claro.

Bom além das palestras terem me ajudado um bocado sobre qual seria o meu propósito, elas também nos deram muitas ideias de como profissionalizar o blog. Foram abordados diversos assuntos. Tivemos também uma palestra dos parceiros do evento, a Hotmart e a Civitatis, que nos apresentaram seus produtos e explicaram como poderíamos trabalhar juntos.

Na brecha entre uma palestra e outra, também degustamos azeite oferecido pelo Oro de Canava, me empanturrrei de churros (HAHA, que finesse!). Pra quem não sabe, o churros espanhol é um pouco diferente daquele que estamos acostumados a comer no Brasil. Ele é menos doce e sem recheio e é servido com chocolate quente cremoso para que você possa mergulhá-lo.

Churros da chocolataria San Guines ❤️

Depois das palestras, tivemos uma dinâmica sobre ética e profissionalismo, onde discutimos sobre temas polêmicos. Logo depois, tivemos um sorteio onde pudemos trocar lembrancinhas de diversos lugares das zooropa.

Crédito: All you need is photo

Em seguida, fomos para um workshop de flamenco e cajón (um instrumento de percussão muito usado, por exemplo, por Paco de Lucía) na Casa Patas. Foi muito legal poder ter sacudido o esqueleto um pouco para tentar aprender a dançar flamenco. “Cuanto más enfadada, mejor!” foi a dica que a profs nos passou, que era pra bater bastante os sapatos no chão, como se estivesse bem brava brigando com o marido! haha

Crédito: Bruna pra viagem

Logo em seguida descemos para a taverna-restaurante que ficava no piso térreo da escola para encerrar o nosso dia com chave de ouro: assistir a um show de flamenco bem tradicional, olé! Caraca, foi lindo de arrepiar!

Fiz um videozinho do show que você pode assistí-lo aqui:

Para finalizar, fomos curtir um pouco da noite madrileña. Achei Madrid muito um mix de Buenos Ayres com São Paulo. Tudo lá começa mais tarde, eles almoçam por volta das 2 da tarde, por exemplo, e só jantam lá pelas 21 (uma coisa que estranhei um pouco porque aqui na Suécia já estou até acostumada a almoçar as 11 e jantar por volta das 18h ?).

Infelizmente, no meu último dia não estava me sentido muito legal então não pude ir ao passeios. Só dei um pulinho no Parque del Retiro e por sorte pude pegar um finalzinho do tour. Depois ter feito a minha mala, aproveitei para dar um rolê pela cidade em um daqueles ônibus hop on hop off (#mejulguem!) já que eu tinha ganho um bilhete oferecido pela Madrid City Tour. Foi perfeito porque bem nesse dia estava caindo uma chuvinha fina, estava bem frio e era domingo a tarde então senhorinha aqui só queria mesmo era ficar de buenas. Então esse passeio foi ótimo porque pude ver os pontos turísticos da cidade durante as minhas últimas horinhas livres lá. Com certeza quero poder voltar a Madrid com mais tempo para poder aproveitar as coisas com mais tempo.

Fiquei muito feliz de ter sido aceita para participar desse encontro, conhecido tanta gente legal e, ao mesmo tempo, ter aprendido tanta coisa útil que irá nos ajudar bastante a produzir cada vez mais conteúdo de qualidade por essas bandas.

Sem eles nada disso teria sido possível: os parceiros do VEEBB

Quero deixar aqui um super obrigada as meninas do BLPM pela iniciativa e ralação por terem realizado esse encontro e terem pensando nos mínimos detalhes, e também ao pessoal do All you need is photo por terem fotografado todo o evento e ao Wifi Away por terem nos disponibilizado modens portáteis para podermos compartilhar tudo em tempo real.


Hotmart | Civitats | Guest to Guest | Hostal Persal | Madrid Destino | Casa Patas | Hammam Al Ándalus | Wifi Away | Madrid City tour | Ale Hop | Aceite Oro de Canava | Chocolatería San Ginés | Mercado de San Ildefonso | Far Home | 2060 Hostel & Market | Cerveza La Virgen | All you need is photoBLPM visitas | Fernando Gimenez – Design | Kellen Pohlmann – Redes Sociais

Quem tanto estava lá:

7 Cantos do Mundo |Ana de Amsterdam | Ana Krueger |Aqui se fala Português |BLPM | Bons ventos me levam | Brazuka | Claudias-welt| Contando Destinos |De café por Barcelona | Deguste seu Destino | Destino Munique | Destino Provence | Em Roma | Entre tapas y canas | Esto es Madrid Madrid| Estrangeira| Eu ando pelo Mundo | Holandesando |Grazie a te | Ligado em Viagem | Londres pra Você | Manaira Araujo |Mel a mil pelo Mundo | Melissa na Holanda | Michelle tão distante | Mochilou |O Porto encanta | Passaporte com Pimenta | Praga Boemia |Rumo Madrid |
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Kerala Blog Express: a minha chance de voltar para a Índia

Estou tão feliz e ansiosa ao mesmo tempo porque abriram as nomeações para a 6º temporada do Kerala Blog Express. Pra quem não sabe eu tenho um carinho muito especial pela Índia, acho que lá tem um poder de cura muito forte e uma energia surreal. E esta oportunidade é perfeita para poder voltar para lá.

barco kerala

Para o Kerala blog express serão selecionados 30 #blogayros do mundo todo para se juntarem em uma viagem de 2 semanas pelo Estado de Kerala que fica no sul da Índia. E eu adoraria poder participar dessa edição, só que para isso vou super precisar da sua ajuda. O processo é super simples e rápido!

Tudo o que você precisa fazer é:

1. Me nomear através desse link:
http://keralablogexpress.com/nominator/nominate

2. Inserir as minhas informações:

Meu nome: Bruna Piloto
Email: brunapraviagem@gmail.com
Nacionalidade: Sweden
Redes sociais: brunapraviagem.com
Instagram.com/brunapraviagem

3. Escrever o porque de você estar me indicando (se preferir vc pode copiar e colar a sugestão que deixarei logo abaixo*), seu nome e email.

 Depois disso é muito importante que confirme através do link que será enviado no seu email (⚠️ cheque a sua caixa de spam).

***Bruna is a very committed influencer with good engagement on her social media. She has been in a few blogger trips and her media is growing. She writes about travel, lifestyle, and spirituality. She has been to India before, Goa where she stayed för 2 months and there started her spiritual journey. Bruna is a perfect fit for Kerala Blog Express. I’m sure that it will be a trip of a lifetime for Bruna as well.

O processo é todo em inglês, quem precisar de ajuda é só me chamar. Leva dois palitos, juro.

Eu super agradeço desde já pelo seu tempo dedicado! Lembre-se que tudo que vai volta ?

Europa

As coisas mais legais de se fazer em Copenhague

Olá, gente!

Aqui neste post eu divido um pouquinho sobre o que fazer em Copenhague, essa cidadezinha que ganhou o meu coração. Apesar de ser bem cara, a capital da Dinamarca é o destino perfeito para um bate e volta. A cidade é relativamente pequena e as atrações ficam bem perto uma das outras.

Primeiramente, pra quem não sabe, Copenhague é o sonho de todo ciclista. A cidade é super acessível para quem pedala, chega até ser meio inacreditável de quão perfeito isso funciona. Lá são os ciclistas que mandam no trânsito e os carros super respeitam. E foi muito tranquilo alugar uma bike e descobrir a cidade. Juro que fiquei com um pouco de receio no início e pensei que os locais fossem ser um pouco selvagens, sem paciência com os turistas. Mas foi tudo super tranquilo e fiquei até emocionada em ver como tudo fluía tão bem. Para se ter ideia, até semáforos separados para os ciclistas existem.

A capital é pequena e para conseguir ver tudo com tranquilidade sugiro que você consiga ver tudo em 3 dias. Se você faz o tipo de pessoa que curte visitar todos os museus e atrações, o Copenhagen Card é uma ótima opção. Nele já estão incluídas todas as entradas e transporte público. Você pode ler mais sobre isso aqui.

O que fazer:

  • Alugue uma bike

Como fui para lá durante o verão, que por sinal nesse ano foi super quente, decidi fazer o máximo possível de bike. A cidade é plana e perfeita para andar de bicicleta. Eu aluguei a magrela mais high tech ever, a Donkey bike. Logo que você baixa o aplicativo e localiza a bike mais próxima e pá, sair pedalando. Foi surreal porque para destravar e travar a bike era só aproximar o celular, dar o comando no app e isso acontecia como num passe de mágica.

Quanto: eu achei o preço do aluguel bem bom, 110DKK por dia e eles tem esse serviço 24/7.

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Tô tão feliz de ter conhecido essa cidadezinha tão linda! 🇩🇰 Essa viagem foi super espontânea (decidi ir pra lá um dia antes, a passagem de trem saindo de Stk estava quase de graça). O melhor jeito de se explorar a cidade é pedalando. Lá quem mandam são os ciclistas e foi muito de boa alugar uma bike e sair andando (tive um pouco de medo que eles fossem ser meio selvagens com os turistas assim como em Amsterdam mas deu tudo certo). Os dinamarqueses pareceram ser mais relaxados do que os suecos (pelo menos foi essa a impressão que tive). Eu gostei muito de lá apesar de ser tudo o zóio da cara (bem mais caro do que a Suécia para se ter ideia). A única coisa que achei meio difícil foi achar opções vegetarianas para comer – nada Que um japa ou um italiano não resolva 😬. A cidade é bem pequena e tudo fica perto, em 4 dias dá tranquilo para conseguir ver tudo. E você, qual país da Escandinávia você tem mais vontade de conhecer?

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  • Faça um passeio de barco pelos canais

Durante o verão (ou dias não tão frios), a minha dica é pegar um passeio de barco pelos canais saindo do porto de Nyhavn ou Gammel Strand. Essa é uma boa oportunidade para se ter uma ideia da distância entre os pontos turísticos da cidade. Os passeios duram em média 1h e custam em torno de 60DKK. A vista é bacana e é um programa turistão nível nivel hard mas vale a pena. Você senta e relaxa e let it be, totalmente passivo. O barco passa pelos principais pontos turísticos: a Pequena sereia, a Ópera, Christianshavn, o Palácio de Amalienborg, entre outros.

Ah, vale deixar a dica de que a maioria desses barcos não tem cobertura, ou seja, se começar a chover todo mundo fica molhado então tenha pelo menos algo na bolsa para se protejer e manter seus eletrônicos secos.

parque tivoli em Copenhague

Crédito: Tivoli

 

  • conheça o Tivoli Gardens

Essa é uma opção caso você tenha uns bons dias na cidade e/ou esteja viajando com crianças (a criança interior também conta nessa). Lá além dos brinquedos, você também encontra restaurantes, barraquinhas vendendo coisas típicas, lojas cheia de cacarecos que não precisávamos ter até encontra-los (sério, eles até tem uma Illums bolighus, quem é apaixonado por design escandinavo sabe do que estou falando 😉

O parque é muito lindinho e sempre tem algum evento acontecendo. Se você não puder passar o dia lá, a minha dica é ir visitá-lo no final da tarde já que ele fica ainda mais maravilhoso todo iluminado durante a noite.

Quanto: entrada a partir de 120DKK *adulto e pulseira para andar nas atrações 230DKK.

porto de Nyhavn em Copenhague

  • Passeie por Nyhavn

Essa é um must, o cartão postal de Copenhague. É o lugar mais turístico de toda a cidade mas mesmo assim vale muito a pena porque é uma gracinha. Eu juro que voltei lá todos os dias para chupar um sorvete rs! Durante os dias quentes, os restaurantes colocam as mesas no lado de fora então dá para ter aquela refeição gostosa bem longa curtindo a vista. Só de andar por ali já vale muito a pena, é um lugar perfeito para people watching.

Compre uma Carlsberg e relaxe em algum lugar no porto 🙂

bicicletas em Christiania, Copenhague

  • Conheça a comunidade alternativa Christiania

Lá eles tem suas próprias leis e não se consideram como sendo parte da União Européia, é uma sociedade dentro da sociedade. O lugar que antes era uma base militar foi ocupado por hippies nos anos 70 que eram contrários ao sistema capitalista. O consumo de maconha é permitido e você vê pessoas a vendendo nas barraquinhas. Não é permitido fotografar dentro da comunidade. As pessoas que moram lá – que por sinal não são muitas, construíram as suas próprias casas. Eles têm várias regras no lugar: não ao consumo de drogas pesadas, a entrada de carro é proibida, não à violência e às armas, dentre outras regras.

Foi interessante conhecer esse lugar apesar de eu não ter sentido uma vibe muito boa. Perto da comunidade tem uma igreja, a the Saviour Church, que vale a pena conhecer se você curte vistas panorâmicas de cidades. Você sobe 40 degraus e tem uma vista bem legal de lá de cima.

estátua da pequena sereia em Copenhague

  • Veja a estátua da Pequena Sereia

Lembram do filminho da Disney da Pequena Sereia que assistimos umas 500 vezes? Então, ele foi baseado nos contos do dinamarquês Hans Cristian Andersen, Den lille havfrue.

Assim, a estátua é bem pequena mesmo e fica em um parque a uns 2 km do centro da cidade. No dia em que eu fui, ela estava lotada de turistas e eu nem me arrisquei em chegar muito perto porque não curto muito lugares muvucados (essa foto aí está cortando as 938493 pessoas posando ao redor dela).  Se você tem paciência e tempo de sobra, vale a pena ir, senão é dispensável. Não vale a pena ir caminhando de Nyhavn pra lá, alugue uma bike ou vá com os passeios de barco.

casas amarelas em Nyboder, Copenhague

  • Visite o bairro Nyboder

Esse lugar eu descobri totalmente sem querer quando estava pedalando. Na hora parei porque adorei a cor dele: todo cheio de casinhas amarelas. Elas foram construídas para marinheiros no séc XVII pelo rei e hoje em dia moram pessoas normais. Foi ali também que foram filmadas algumas cenas do filme Garota dinamarquesa. Bom, se você é apaixonado por arquitetura, vale a pena uma parada.

  • Gråbrodertorv

Essa é uma praça típica com aqueles predinhos de fachada gracinha que todo mundo geralmente se apaixona. Eu a encontrei meio escondida perto das ruas comerciais do centro e fiquei super feliz. Super charmosa, perfeita para um cafézinho ou almoço. Lá tem vários restaurantes e eu recomendo o simpleRaw que serve comidas veganas deliciosas e lyndas.

Fatos a serem considerados antes de ir:

A Dinamarca também faz parte do acordo de Schengen, ou seja, brasileiros podem permanecer até 90 dias com possibilidade de renovação de visto.

Como citado antes, a cidade é bem cara, então é bom fazer um planejamento legal para não sair muito fora do seu orçamento. Pra se ter idéia, Copenhague é mais cara do que Estocolmo, aonde moro – e aqui já é considerada uma capital cara. Uma refeição custava em média 120DKK, uma cerveja pint num bar, 55DKK e um hotel no centro custa em torno de 2000DKK.

Resumindo, fora essas dicas, também tem vários castelos que valem a pena conhecer para quem curte. Dessa vez, eu quis fazer uma coisa mais livre e não quis entrar em castelos. Na próxima vez que eu voltar, quero visitar o bairro de Norrebro que tem cara de ser bem legal também e quem sabe ver os castelos?

Bom, espero que você tenha gostado dessa cidade o tanto quanto eu gostei e se tiver alguém que quiser me dar umas dicas, também está valendo! 🙂

A gente se vê no próximo rolê!

viagem

A Romênia além Drácula: o lado verde do delta do Danúbio

Sempre quando se fala em Romênia vem a nossa cabeça a imagem do Drácula chupinhando pessoas. Tanto é que quando fui convidada para participar do #experienceRomania  logo pensei que iríamos para a Transilvânia. Mas acabamos cruzando o país para explorar outras regiões, incluindo o delta do Danúbio e o lado festeiro da costa do Mar Negro.

Fazia tempo que eu não escrevia aqui no blog sobre viagens, então vamos fazer jus ao nome! 🙂

Foi a minha primeira press trip da vida e eu fiquei tão feliz de ser sido selecionada para participar junto com outros 40 #blogayros, fotógrafos e jornalistas from all over the world. É o tipo de viagem em que todo mundo tira foto da comida antes de comer.

A nossa viagem começou em Viena porque de Estocolmo não tem nenhum voo direto para Bucareste (a não ser Ryanair mas a gente não estava muito afim de perrengue). Me arrependi de ter ido já com a passagem de volta marcada porque queria ter ficado muito mais tempo em Bucareste e ter dado uma esticada na Transilvânia mas fica para a próxima.

Para fazer essa viagem tem que estar preparado para andar de barco o tempo todo e sempre ter uma garrafinha de água e uns snacks se você também tem uma solitária na barriga que nem eu.

Como chegar:

Nós pegamos um ônibus de 5 horas partindo de Bucareste e um barco de aproximadamente 1 hora até uma cidadezinha já no delta do Danúbio: Crişan. Era mais um stop over lá para a viagem não ficar muito longa. Nós ficamos hospedados no Sunrise Hotel, um hotel bem gostosinho. Foi um lugar muito simpático com direito a apresentação das danças tradicionais da região durante o jantar.

Pareciam umas bonequinhas. Juro que quis levar uma pra casa.

 

Onde o Danúbio encontra o Mar Negro

No dia seguinte pegamos um outro barco de 1 hora e meia aprox. para chegar em Sfântu Georghe, na região de Tulcea que por sinal fica colado na divisa com a Ucrânia. Essa cidade é super pequena e tem por volta de mil habitantes. Eu simplesmente amei essa região que me deu muito aquele feeling de cidadezinha de interior onde a vida passa devagar.

 

 

Dessa vez ficamos hospedados no Green Village Hotel , um lugar maravilhoso que quando eu ficar ryca com certeza irei voltar! Eles oferecem aulas de yoga, as camas são de bambu, as vilas são tipo casa do Tarzan e Jane 5 estrelas. A noite a gente dorme com uma sinfonia de sapos na lagoa e de dia para chegar no restaurante para tomar café temos que dar passagem para as vacas. É um lugar perfeito se você quer dar aquela desligada do mundo lá fora, se conectar com a natureza, dar um relax. A 15 minutos andando do hotel fica uma prainha onde o Danúbio desemboca no mar Negro.

 

 

detalhe do teto de uma igrejinha de Sfantu Georghe

 

No hotel é possível alugar barcos com um guia para fazer passeios pelo Delta. Em Sfântu Georghe tem que ter permissão para poder entrar por conta de ser considerada património da Humanidade pela UNESCO. É um lugar perfeito para quem gosta de observar pássaros. Eu vi o primeiro pelicano da minha vida ao vivo e a cores, livre, leve e solto. ❤️

parece quase uma Amazônia hehe

Floresta de Tulcea

Pelas redondezas do hotel dá para fazer uma caminhada pela cidadezinha que tem ali ou pegar um barco para chegar até a floresta de Tulcea que há 400 anos atrás costumava ser o mar e pertencia ao Império Otomano (também sou cultura, gente). Lá ainda se podem ver cavalos selvagens e no chão nasce uma plantinha alucinógena.

a caminho da floresta

 

Antes de ir:

Quem tem passaporte brasileiro não precisa de visto e pode permanecer até 90 dias. A moeda local não é o euro e sim lei. As coisas no geral são bem mais baratas se comparadas com o resto da zooropa. Levar repelente é indispensável a não ser que você queria voltar cheio de lembranças pelo corpo todo 🙂
O povo romeno tem uma coisa especial, não sei. Eu senti uma vibe muito ancestral visitando essas áreas. Talvez eu tenha sido uma camponesinha lá em outras vidas.

Vegetarianos e veganos: Eles comem muita carne, pimentão e pepino. Foi meio sofrido conseguir comer direito, as vezes só me traziam salada como prato principal. E não é todo mundo que fala/entende inglês. Então a minha dica é leve nuts, um pó protéico, algo que vá te nutrir para não ficar com deficiência de proteínas.

Espero que você tenha curtido ler sobre essa mini aventura.  A gente se vê em breve! ?

viagem

voltei das Índias!

Namastê, bitches! (tava doida para soltar essa frase)

Gente bonita, super peço desculpas porque sempre deixo juntar teia de aranha por aqui. Juro que vou tentar dar um jeito nisso mas eu to numa super correria infinita. Sério! Eu estava louca para vir postar aqui enquanto estávamos na India (até tentei fazer uns videozin), mas a internet de lá era super mega ruim e sem contar que a queda de energia era constante aí eu ficava dias com os aparelhos descarregados. E como não curto escrever textão vendo em tela pequena acabei desanimando.

Mas agora estoy aquí.

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A gente passou 6 semanas na Índia (mais precisamente no sul do Estado de Goa). E tipo, para mim foi mais como ter visitado uma praia no Brasil com um toque indiano. Essa parte é a que eles chamam de India light, acho que lá eles deram um tapa para receber os turistas. Goa fica no lado oeste do país e também foi uma colônia portuguesa mas ninguém mais fala português. Tava até cogitando a ideia de encontrar umas coxinhas.. Mas muitas coisas ainda tem nomes de origem luso. E eles vez ou outra soltam alguma palavrinha em português.

Antes da gente embarcar, eu estava surtando porque vamos considerar que a India não tem uma fama lá muito boa para se viajar com um bebê de menos 2 anos. Em todo canto que eu pedia por dicas de viagem para a india com um bebe as pessoas falavam que eu era louca e que era para eu não ir.

Sinceramente, para mim não foi assim tão interessante porque as nossas praias do Brasil são bem mais bonitas. Mas só pelo fato de ter areia fofa, Sol all day long e praia sem ter que estar na sofrência do inverno sueco já era super ótimo. Foi uma viagem de fases. No começo eu detestei muito, queria muito voltar para a casa. Se no Brasil era ruim de ir pra lá e pra cá com um carrinho de bebe na India foi pior ainda. Era tipo pós apocalipse adventure. Sem contar nas vacas e búfalos vindo em nossa direção. A luz acaba a toda hora, então tava lá a gente no meio de um corredor todo esburacado, com chão de areia misturada com aquela terra vermelha e ruínas de concreto, segurando carrinho, bebe, bolsas, procurando a lanterna e daí pinta uma vaca no meio. Isso era uma coisa que acontecia todos os dias. Sem contar que a agua também poderia faltar a qualquer momento. Tinha até um balde com uma jarra de plástico no banheiro (foi assim em todos os lugares que ficamos). A gente quase mudou a passagem mas dai comecei a ver a galera postando fotos na minha timeline dizendo que estava fazendo menos 18 em Estocolmo aí resolvi abraçar o capeta. E é muito louco porque dezembro é inverno lá e se fazem quase 35 graus durante o dia (mas na região da Kashemira fica bem frio, quase estilo Suécia) e nunca chove durante essa época, acho que as chuvas ficam reservadas só para o período das monções. Graças a Ganesh, Shiva, e afins ninguém ficou doente. E olha que eu peguei o Benji com uma moeda indiana enfiada na boca! Os indianos adoram fazer uma queimada, então quase toda hora vem um fedor de plástico sendo queimado.

Nós fomos bem cuidadosos na escolha de onde comer. A maioria dos restaurantes usavam água filtrada no preparo dos alimentos. E tinha curry de todos os tipos e cores e pelo menos uma vez ao dia a gente comia algum prato com curry. Obviamente a coisa que fiz quando voltei para casa foi perguntar para a primeira pessoa que encontrei pelo caminho se eu estava cheirando a curry! 😛
Os passeios turísticos oferecidos dentro de Goa não eram lá muito atrativos porque tipo, para se ter uma ideia a primeira coisa na lista do trip advisor está uma igreja colonial construída pelos portugueses, a gente não ia pegar um trem para cruzar o Estado com a tralha toda, bebe e papagaio para ver uma igreja que eu tenho na minha terra! E dai pensei em ir fazer um tour de elefante numa fazenda de especiarias mas dai comecei a cavocar o Google e cheguei a conclusão de que eles sofreram torturas a vida toda para poderem servir os turistas. Eu não queria alimentar esse mercado. Então preferi ficar de boa aonde estava mesmo.

O que eu vi em Goa foi só uma pontinha do Iceberg que a India oferece. Juro que me senti tanto na minha adolescência com aqueles terceiros olhos, tatuagem de henna, leitura das mãos, cartazes oferecendo tererês, até jogar can can todas as noites enquanto esperávamos pelo jantar na praia a gente jogou. Eu me enfiei em todo o tipo de coisa hippie transcendental que encontrei! As roupas, as pulseiras, os bagulho todo. Até leitura dos olhos tibetana eu fiz (até então nem sabia que isso existia). Fui até num festival da cura. E obviamente que não comi carne vermelha durante a viagem. Não comi porque não sou muito chegada e outra aquelas vacas todas pelo caminho querendo um carinho deixa qualquer um com a consciência pesada. Fiz consulta com uma medica ayrvédica (é assim que se fala?), soltei a franga com os tambores shamanistas. Depois que descobri o significado de ¨shanti¨ (do sâncristo: calma, alegria, tranquilidade..) quis que tudo meu tivesse isso impresso! Até comecei a dar mais bola para o poder dos cristais depois que segurei vários na mão e senti um troço diferente com cada um deles. Quis trazer todos para a casa e agora quero ter uma mina deles! Experimentei ir em um dentista que cantava durante a consulta. Goa também é famosa pelo turismo dental (tem cada coisa nesse mundo, gente), os tratamentos lá são umas 3 vezes mais baratos do que aqui na zooropa. E tive a infeliz experiência de ter ido na pior cabeleireira da minha vida. Quando eu fui viajar sabia que precisava de um corte de cabelo e deixei para arriscar fazer isso quando chegasse na India porque ia ser bem mais barato do que aqui.

Tá, fui lá procurei no Google por indicações e achei uma tal de “Vanessa pérola” e ainda escrito que a gente não deveria deixar passar essa oportunidade de dar um pulo no salão. As fotos do site pareciam ser de um salao profissional. Tá, fui para a rua e peguei um tuc tuc e fui encontrar a tal Vanessa. Eu pedi para ela cortar o meu cabelo como sempre costumo cortar: deixar bem mais comprido na frente. E o que ela fez? Passou a tesoura ao contrario! Ficou muito super mais curto na frente, tipo corte v só que muito toscamente feito. Meu cabelo estava bem abaixo no ombro. Eu não sei mas andei desenvolvendo uma paciência de Buda ultimamente, só pedi para ela terminar de cortar do jeito que ela queria, paguei 100 rúpias (13 coroas= uns 5 reais). E ah, para não esquecer de falar que as fotos que estavam no site do salão não eram reais. Cheguei no hotel olhei no espelho e vi que nem retas as pontas estavam. Nem um corte channel ia salvar aquilo ali. Acho que uma coisa que deva ter se passado pela cabeça de toda menina é ¨como será que eu ficaria se raspasse a cabeça?¨. Desde adolescente eu pensava em fazer isso uma vez na vida e escolhi esse o momento. Era perfeito, meu cabelo estava cagado, eu virei mãe e não tenho tempo para ficar 1 hora e meia em frente ao espelho tentando fazer a juba mais sociável, estava em um lugar onde ninguém me conhecia e não tinha nada importante programado para esse ano. E também porque finalmente vou conseguir fazer a minha cirurgia ortognatica que foi tão impossível de conseguir no Brasil. Eu sempre brincava que se eu conseguisse que algum convênio de saúde me desse carta verde para fazê-la eu rasparia a cabeça. Entendeu, né. Esse era o momento. Fui pra rua e achei um barbeador e falei ¨pó rapá ¨ dando aquela chacoalhadinha de cabeça que os indianos fazem.

Claro que ele me perguntou se era isso mesmo que eu queria da vida. Eu tinha certeza disso mas um gelinho subiu pela minha espinha. Ele cortou tudo e depois veio com a maquininha. Eu tremi, sério. Mas foi um alivio, uma felicidade. Era como ter se livrado de um carma ruim. Eu não pensei muito em como ia ser depois. Mas parecia que ia ser uma vida nova pela frente. Depois eu posso falar como é ser uma mulher careca e como foi ser uma mulher careca onde cabelo é tudo! (indianas amam seus cabelos). Budistas raspam a cabeça para diminuir 10 mil vidas em seus karmas.

Ainda falando sobre os salões de beleza de lá, eu também provei me depilar. Depilação é popular na India por conta da religião que diz que as mulheres tem que estar ¨atraentes¨ para os seus homens. Então elas fazem o desmatamento a cada 20 dias. Eles usam cera na depilação mas para retirar eles usam um pedaço de tecido. E para tirar o buço a mulher usou um pedaço de linha.

Mas vamos falar mais da viagy. Goa é boa para dar um reload. Muitos indianos também vão para lá a passeio, principalmente os que moram em Mumbai. Tinham também vários outros ¨survivors¨ ocidentais (entenda-se pais com crianças pequenas) viajando por lá. Fazer compras lá não era muito uma terapia e sim uma luta de quem tinha a melhor lábia na barganha. Puts grila! Os turistas são tipo notas de dólar desfilando pela rua para os vendedores indianos. Vendedores esses que vem geralmente do norte do país trabalhar só durante a alta temporada. Era passar em frente as lojinhas e ser abordada ¨come inside, madam¨.. ¨ill make you very special pricezz¨. Ahum, eles sempre te dão um preço 9389843 vezes mais caro do que você deveria estar pagando. Tipo, uma parada que custa umas mil rupias eles te pedem 5 mil. Dai você tem que ser bom no ping pong do preço. Depois de ter sido esfaqueada varias vezes nos preços das coisas eu fui aprendendo e no final eu já tava bem pro, e aprendi que eles so fazem o preço que a gente quer quando a gente sai da loja e vai embora. Eles vem atras com a coisa na mão! Eu encontrei com um casal de brasileiros que tinham acabado de chegar da Indonesia e eles me disseram que lá até no mercado as coisas não tinham preço, era no esquema da barganha pra tudo. Imagina fazer a compra do mês assim? Sem contar que as vezes a gente não queria comprar nada e os vendedores insistiam trocentas vezes só pra gente olhar. E eles adoravam bater um papo quando a gente estava com pressa, isso tudo no meio da rua, uma vez quase fui atropelada por uma moto porque fui andando enquanto tentava me livrar de um vendedor. Eu estava quase botando uma plaquinha na minha roupa dizendo ¨no shopping¨ no estilo como a gente faz quando vai ao rodízio e não quer mais que a comida passe na mesa. E se a gente decidia entrar em alguma loja só para ver uma coisa, eles nos mostravam até a mãe. E naquelas lojinhas pequenas era tipo um buraco negro que não parava de sair coisas, daí a gente ficava meio assim com dó porque o cara tava lá querendo mostrar tudo pra gente, ai ficava tudo uma zona. Me dava um alivio quando o Benjamin começava a reclamar e dai eu tinha uma desculpa boa para dar no pé.

E eu não posso esquecer de dizer que a coisa que mais sinto falta de lá é a massagem maravilhosa que eles fazem. A gente sai toda besuntada mas é super boa. Eu provei todas as que encontrei pelo caminho. E nem sempre foi uma boa experiência. Achei um lugar que oferecia massagem ¨kerala¨(que eu prefiro chamar de caralha.. vai vendo). Foi simplesmente uma hora de pancadaria e espremeção no meu corpo todo e sai de lá fedendo muito a curry e super besuntada. Sério as minhas roupas ficaram uma catinga. Mas eu queria provar coisas diferentes, sabe?

 

Uma coisa que notei é que apesar de todo o caos do país é que os indianos são bem pacíficos. Eu não vi nenhum quebra pau, briga, xingamento enquanto estive lá. Nem assalto, nem nada (eles tentam te arrancar dinheiro de outras formas, tipo, jogando os preços lá em cima). Até naquele trânsito louco que não sei como tudo no fim sai intacto. Deve ser porque na traseira dos carros eles não botam ¨jesus salva, ¨bêbe a bordo¨, ou sei lá o que e sim ¨BLOW HORN¨ (estoure a buzina). Era bibi por todo canto e os caras dão fina a toda hora! Quando cheguei sozinha no aeroporto peguei um taxi no meio da madruga e fomos por uma estrada muito estreita e cheia de curvas no meio de uma infinidade de coqueiros e eu juro que eu fosse partir dessa para melhor ali. Toda hora aparecia um puta farol vindo em nossa direção e por milagre do universo nada acontecia. Uma das coisas mais difíceis era atravessar a rua por lá. Mas só tinha uma coisa para a qual todos paravam: a sagrada vaca. Mas assim, ela é tipo deus para os indus mas a gente as ve pelas ruas comendo restos de lixos, geralmente plásticos. Para quem quer virar vegetariano lá é um dos lugares mais fáceis de se fazer isso acontecer. Eu estava com isso em mente até ver que eles tinham camarões jumbo. Aí não foi dessa vez. Mas a gente sempre tem a ideia de que comida vegetariana é saudável mas lá ela era gordurosa, eles usavam bastante creme de leite, fritura e tals. Se a gente queria escapar do curry nem sempre era uma tarefa facil porque era difícil encontrar um restaurante que conseguisse fazer algum outro prato considerado ocidental comível ou sem especiarias. Resumindo a gente comia curry e pasta.

Nós decidimos ficar na terceira cidade que passamos porque vimos que era muito role ter que ficar mudando a toda hora de hotel e tudo mais com todas as coisas que tínhamos e que isso tirava o Benji da rotina e a gente ficava só o pó da bolacha. A cidadezinha que ficamos se chamava Patnem e pelo que pude perceber depois de ter pego um trem sozinha para ir para uma cidade grande que ficava mais ao norte e visitar umas praias ali por perto é de que Patnem era puro luxo se comparada com os outros lugares. E Patnem não era nada de mais. Era fofa mas nada demais. Mas era super ¨shanti¨. Era a praia, os restaurantes da praia, a rua principal e os hostelzinhos. A gente já ate estava se sentindo moradores de lá, todo mundo conhecia todo mundo.

Para se conseguir ter um chip pré pago funcionando no seu celular você precisava levar uma copia do passaporte, ter um endereço fixo, deixar um telefone de algum conhecido indiano para dar referencias sobre você, e dai depois de uma semana eles ligam para essa pessoa e liberam teu cartão. Deu para perceber que India também adora uma burocracia. Sem contar que para pagar as coisas era só com dinheiro (uma coisa que eu quase não vejo mais a cor porque aqui na Suecia a gente passa o cartão para tudo e quando não é cartão é swish). Ai para tirar dinheiro só tinha uma maquina atm com uma fila de virar a esquina de turistas. Dai ta la a gente plantado há uma hora quando sai alguém e diz “cabo dinheiro”. Vivi esse drama várias vezes.

Esse foi um grupo de estudantes que desceu em um dos barcos que atracou na praia. de Patnen. Acredite ou não todas elas carregaram o Benjamin!

E meu deus, como indianos adoram crianças que não são indianas. Muita gente vinha tirar selfies com o benjamin no carrinho, as vezes até sem pedir. Até encontramos um casal de recém casados que até ficamos um pouco desconfortáveis porque eles não queriam largar mais o Benjamin e o Benji começou a reclamar e lá estavam eles tirando fotos de todos os ângulos. Mas no ultimo hotel que a gente ficou, o benji virou o mascote. Era um hotel que tinham acabado de abrir (o que eu adorei porque era tudo novinho e super limpo). Toda hora o benjamin estava com algum funcionário na cozinha comendo panquecas ou em cima das motos ou dentro dos tuc tucs que ficavam estacionados em frente ao hotel. Era até engraçado porque de manhã era o maior horário de pico porque o café ainda não tinha feito efeito em mim ainda e o Benji já queria ir correr para a rua nos ¨brum brums¨(entenda-se tudo o que tem uma roda). Aí chegava um garçom e emprestava o benji por 5 minutos. Eu só ouvia as gargalhadas e brum bruns do Benjamin vindo lá da rua.

Uma curiosidade é que as cabaninhas que são os hotéis de lá tem que ser destruídas todos os anos antes das monções e depois disso reconstruídas para a temporada. Deu um só saber disso.

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Depois de um tempo lá, a gente acaba encontrando um certo charme no meio de todo o caos. Sim, como falei aqui rola um choque sim, ainda mais para nós brasileiros que temos mania de limpeza. Eu com certeza quero voltar para a India quando o Benjamin estiver maior e rodar o pais todo por uns 6 meses e fazer todos os cursos de yoga possíveis, de tantra, ir naqueles campos de medição e ficar 10 dias sem poder falar (na real eu meio que vou fazer isso involuntariamente depois da minha cirurgia já que não vou poder falar por umas duas semanas). Eu descobri que ir para a India faz bem para a alma. Eles importam corpos e exportam almas. Só basta a gente estar preparado para isso. Um livro que eu super recomendo e acho que dá uma ideia bem legal do que se é a India hoje é “holy cow”, de uma australiana chamada Sarah MacDonald. Eu não sei se deve ter a versão em português.

Desculpa pelo post tem ficado meio gigantão mas eu vou começar a ser mais organizada por aqui. Dia 1 de março vai ser a minha cirurgia e a coisa que eu mais vou poder fazer é ficar aqui em frente ao computador já que eu não vou poder falar. Aí vou poder atualizar as coisas aqui mais susse.

Por ora é isso!

hej då

viagem

3 dicas preciosas de Paris

Oi, gente bonita! Aqui em casa quem tem o papel de organizadora de viagens sou eu. E aí que estava dando uma olhadinha nas minhas coisas e achei muito válido botar na roda umas dicas que me ajudaram muito quando dei um pulo em Paris. São poucas mas de muita, mas muita mexmo! utilidade pública 🙂

  • o ônibus 69

thumb_IMG_0184_1024 Bom, esse busão é ótimo porque ele faz a rota de, praticamente, todos os points must turísticos de Paris. A rota dele começa na torre Eiffel e termina no cemitério Pére Lachaise. Eu acho ele uma ótima alternativa aos ônibus de turismo que dão rolê pela cidade que cobram quase 10x mais do que o ônibus comum.

  •  entrada gratuita em museus para menores de 26 anos e estudantes (residentes na União Européia)

Bom, novinhos, se preparem para uma overdose de museus porque vocês não vão precisar pagar para entrar nos “museus nacionais” (tipo, o  Louvre, Pompidou e o Musée d’Orsay entram nesta lista – coisa bem básica). Se você não reside na UE, a entrada no Louvre é for free todas as sextas para todas as personas!

  • entrada secreta do Louvre

Se tiver indo a Paris e conseguir ler essa dica linda de ouro a tempo, você vai querer me dar um beijo! *Isso vale se você não tiver comprado o bilhete online que aí você também não precisa pegar fila.

Se liga, o Louvre tem uma outra entrada pela Rue de Rivoli. Lá é uma calmaria infinita e você não precisa fica na chuva-sol de rachar-tornado naquela fila chata kilométrica lá em cima. Assim que você pega a entrada pela Rue de Rivoli vire a sua direita e vai ter uma lojinha de souvenirs e tabaco te esperando ali. Lá dá para comprar as entradas sem nenhuma fila! E daí é só seguir em frente e entrar no Louvre e dar tchauzinho para a fila de mortais lá fora. Viu só e nem foi preciso furá-la 😉

Gostou?

Obrigada. De nada.  

viagem

Amsterdã!

Rapidinhas sobre Amstedã. Segura, lá vai:

 

  • É permitido o consumo de drogas leves, tais como: maconha, cogumelos mágicos, etc.. assim como, também é permitido o plantio de até 2 pés de maconha dentro de casa, tanto que seja para consumo próprio.
  • A prostituição é legalizada e quem é do ramo paga impostos para o governo e tem direito a seguro de saúde, aposentadoria.. sascoisa.
  • Para a alegria dos Hemp lovers, existem as coffee shop’s que nada mais são do que lugares onde você pode ir lá jogar conversa fora e fumar unzinho numa boa.
  • O holandês já nasce em cima de uma bicicleta
  • Casamento entre pessoas do mesmo sexo é permitido
  • É permitido fazer sexo em parques mas você não pode estacionar o seu carro no centro! (vê só!)

Ok, por mais que essas peculiaridades soem pra muita gente absurdas, ou um tanto liberais demais.. as coisas em Amsterdã funcionam em perfeita harmonia e as pessoas respeitam umas as outras, por mais diferentes que elas sejam (não que a paz sempre impere por lá, mas essa questão de que “gosto é igual c*. cada um tem o seu” é muito respeitada).
Com cerveja, foi um dos lugares mais legais e surreais que já visitei. Conseguimos desestressar da viagem a Paris que quebrou com a gente. Amsterdã foi acolhedora. Foram aproximadamente 7 horas dentro do ônibus, o qual era puro lusho porque tinha wifi. Desde aí já senti o clima, quando o ônibus parou no meio do caminho quase todo mundo desceu e fumou um baseado! Sem brincadeiras. (sem contar que tinha gente fumando dentro do banheiro do ônibus também! haaa!) Atravessamos a Bélgica em umas 2 horas, paísinho curto e plano demais!
Ficamos hospedados mais uma vez em um quarto que alugamos pelo Airbnb e pra nossa sorte as donas  (um casal de garotas) tinham ido viajar para o Sri Lanka, ou seja, o apê todo pra gente! E ele ficava a 2 quadras do Vondelpark, o famoso parque da cidade.
Amsterdã é destino de muita gente que procura diversão. É o Playcenter para adultos na Europa. Muita gente vai pra lá só pra passar o final de semana no estilo “se beber, não case”.

Essa bicicleta gigante é um PUB ambulante. Isso mesmo! Ali no meio tem uma mesa que sai cerveja! É muito comum as pessoas alugarem ela e saírem andando pelas ruas. 

Praticamente, a cidade toda flutua (e seus habitantes também, as vezes..). São muitos canais, e trocentas pontes os conectando. Assim como os carros estão para São Paulo, as bicicletas estão para Amsterdã. Ou seja, também um caos. Há falta de vagas para estacioná-las. E o taxi mais comum por lá (e o mais divertido de todos que já andei) é o da bicicleta!
Existem muitos estrangeiros morando na cidade, a qual tem 112 diferentes nacionalidades. Antes que você taxe a Holanda de mega liberal, ela é, antes de mais nada, super mercenária. Sempre agindo da seguinte forma “quer pagar quanto?”. Só liberaram a prostituição, por exemplo, porque as mulheres da vida rendem dinheiro para o Estado, ou seja, pagam impostos. As coisas são mega organizadas. A área onde elas trabalham é conhecida como “Distrito da luz vermelha”, por causa das luzes das cabines. O lugar é surreal. São vitrines da carne, as mulheres ficam lá expondo o que elas tem pra hoje. O preço do programa varia de mulher pra mulher. Só por curiosidade, o aluguel de uma cabine (pra você ir lá e trabalhar) é de €40/hora. E é expressamente proibido bancar o espertinho e tentar fotografar as moças trabalhando nas vitrines. (dá muita vontade de tirar fotos porque é um troço totalmente surreal).. Mas é típico, se elas te verem fazendo isso – e elas sempre conseguem.. – elas simplesmente não te deixam escapar e mijam em você. The end.

Red Light Distric. Fonte: Google Images (viu, não venham pipizar em mim!)
Há “pay and go” para todos os gostos, desde a bonitinha gostosinha até as big mamas. Nessa área (De Wallen), além das amiga, também existem sex-shops, cinemas eróticos, bares de streap tease e um museu do sexo – que por sinal, vale a pena visitar!
Ams é um lugar muito comum pra galera ir ter despedida de solteiro, ficar doidão. Eu me pergunto como deve ser pro pessoal que mora lá, sempre ver gente doida o tempo todo.
Lá as pessoas se soltam e soltam a franga junto! Entramos num pub porque tava rolando música boa e tinham umas pessoas gritando empolgadas, fomos lá ver o que tinha. Juro, era como se minha avó tivesse dançando no meio da pista com um mocinho viado muito bonito na maior curtição, e daí antes de acabar a múscia, um final inesperado por todos: a velhinha arranca a blusa e fica só de sutiã. Ganhei meu dia com aquilo 🙂

Vamos lá descrever o que viria a ser o paraíso dos que curtem uma erva. É permitido fumar somente dentro dos coffee shops, dizem que na rua não pode.. mas todo mundo faz. Na loja você compra o Bob (como eu carinhosamente chamo a erva, apesar de não gostar) já pronto para o consumo e custa em média €5 – o que é caro, preço de turista. Nessas lojinhas você encontra coisas muito além da sua imaginação… pirulito de Bob, shampoo de Bob, chocolate de Bob, sào infitas opções. Também tem os estimulantes: os lindos cogumelos mágicos. Você escolhe de acordo com o que você quer sentir: explosão de cores, energia, sensação de estar flutando. E o mais divertido são os folders desses cogumelos. São vários tipos e cada um tem um nome tipo “Atlantis: find the lost world”, “Mexicana: fiesta del color”, e por aí vai. (se quiser mais, tem aqui: http://www.mushmagic.com/ ). São totalmente naturais, e eu, particularmente, super aconselho a experimentar uma vez na vida. Escolhemos um lindo dia de sol pra fazer isso, compramos o “Atlantis”. Devíamos estar de estômago vazio pra comer aquelas coisinhas. Ok. Cogumelos mágicos tem um gosto horroroso. Não consegui me decidir bem se eles tem gosto de batom, ou de fruta podre ou de terra com raízes. Sem contar que deixa um gosto ácido na boca, pra conseguir comer aquilo eu tomei muita água durante. Não pode ingerir nada com açúcar para que não seja cortado o efeito. Ok. Vestimos nossas roupitchas mais confortáveis, só saímos com um par de cangas na mochila e garrafas d’água. Não pegamos mais nada, porque não sabíamos como iríamos reagir.. vai que a gente perde tudo. Até a chave do apê nós fizemos a manha de escondê-la. Seguimos rumo ao Vondelpark, o parque mais Alice país das maravilhas. No começo, eu me senti muito estranha. Um pouco de náusea, senti meus braços leves e de repende as sombras das árvores começaram a ficar incríveis. O cheiro das coisas ficou mais aguçado, parecia que eu tinha um gramado dentro do meu nariz. Amsterdã também é muito um gay paradise, e eles fazem isso com muito estilo por lá. Então tá, a gente escolheu um spot bem na área super gay do parque. Cinquentões de sunga pink passando protetor solar nas costas de seus baby boys. Outro chegando super pintoso em cima de uma bicicleta linda com cestinha, super bem vestido. Todo mundo muito bem resolvido e feliz. 

Foi ali mesmo que resolvemos ficar.  incrível, você sente uma felicidade muito intensa, as cores vibram. É um desfile de cores, elas nunca fizeram tanto sentido. Você se sente muito conectado com a natureza, é uma coisa mucho louca mesmo. Eu via a grama se mexendo, coisas pulsando, mas tudo com uma energia positiva. E a gente tinha ataque de risos igual retardados. Foi super. Tabus a parte, a vida é muito curta e complexa pra ficar estabelecendo regras sem muito sentido. Eu super quero ter essa experiência com meus pais, principalmente com a minha mãe. Teve uma hora, não sei se era porque eu ouvia uma música oriental no iphone mas eu fui transportada a uma canoa no meio de um lago muito calmo, e eu vestia um daqueles chapéus vietnamitas e estava sentada nessa canoa com alguém que parecia ser um sábio chinês com bigodinho branco no estilo e tudo, e ele me dava chá. E foi tão real. Era uma sensação tão pura, tão boa. Enquanto isso, o Alexander me dizia que tava dentro de um video game.. HAHAHAHA! Depois a gente resolveu ir pra uma volta (quando sentimos que podíamos andar sem nenhum problema!), o percurso que era pra ter sido super rápido ficou longo. Paramos em uma ponte para observar girinos, a gente ficou tanto tempo ali apreciando aqueles pequenos seres vivos que até sentimos que já éramos tão próximos. Foi lindo. E deu pra sentir que as pessoas passavam tentando achar o que era tão interessante que a gente estava olhando! Com todo meu coração, eu definiria esse dia com essa trilha sonora:
 
 
E além de tudo, você não fica morto, seu cérebro funciona, você raciocina normalmente, tem uma energia para conquistar o mundo correndo. 
 
 
Eu tive que voltar no mesmo lugar um dia depois do louco louco melo e ir tirar uma foto do que eu tinha visto! Foi tão engraçado ir ao banheiro público do parque (aqueles caixotes móveis), e eu entrei lá morrendo de nojo de levantar a tampa do vaso pra fazer um pipis.. aí quando levanto tá esse lindo sorriso esperando por mim! Achei o máximo! Tudo conspirava ao meu favor nesse dia! 🙂

stroopwaffel: a bolachinha holandesa

Agora, deixando de lado essas experiências um pouco irreverentes, vamos falar um pouco das outras coisas que existem na cidade. A Holanda também faz queijos como ninguém, e existem lojas gigantes onde você pode ir lá na maior cara de pau e quase encher o pandú com queijos para degustação. Rs. E you dont feel ashamed for that! E cada queijo assim: pedaço do céu. Se você for a Amsterdam, não deixe de provar a bolachinha holandesa “stroopwafel”. Ela é recheada de caramelo e é perfeita pra colocar em cima da xícara de chá e esperar amolecer um pouquinho. Fica muito boa! E ah, quase esqueci. A maionese é a melhor do mundo. Absurdamente calórica mas vale cada átomo gordo! Peça uma batata frita com maionese nos quiosques e seja feliz

Bom acho que os dois grandes perigos da cidade são: você ser atropelado por uma bicicleta ou você cair em algum dos canais. Deve-se levar em consideração que as pessoas não estão muito sóbrias (ou você não está) e os ciclistas andam iguais malucos fugidos do hospício, e outra se você cair em algum dos canais é bem difícil você conseguir sair de lá porque não tem degraus e a água é mega gelada, mesmo no verão.
Não tive muita vontade de entrar no Rijksmuseum, onde tem muito Rembradt e Van Gogh. Eu  tive overdose de arte depois do Louvre. E eu me interesso mais por arte moderna.. aí demos um pulo no Stedelik Museum. Deu pra ver obras do Roy Linchestein, Warhol, Cobra, esses caras. E um pouco de design. Foi lindo.
Ficamos 10 dias em Ams e nos últimos 4 dias eu tentei entrar na casa da Anne Frank sem sucesso por causa das filas gigantescas. (por conta de os cartões terem sido roubados, não dava nem pra comprar bilhete online). Mas no penúltimo dia liguei o dane-se e acampei lá. Demorou quase 2 horas. No andar debaixo tem uma sala interativa com um video sobre a segunda guerra. Aí depois só resta subir as escadas estreitas, e a casa estava tão entupida de gente que era preciso esperar parada nos degraus das escadas… um pouco de pânico pra quem tem claustrofobia…Não é permitido tirar fotos dentro da casa, nem dar de espertinha com o celular. Nada. A gente passa pela estante falsa (que é a original) para poder entrar no anexo. Os móveis foram removidos, mas ainda é possível ver as colagens que a Anne tinha no quarto dela. Mas não deu pra captar muito a atmosfera do ambiente por conta do monte de gente que tinha lá dentro.
Acho que é isso o que eu tenho pra contar!
um beijo psicodélico!
devaneios viagem

Parrí (ou pra chorá?)

 Bom, para variar, aconteceram um milhão de coisas novas nesses últimos meses. Tô me sentindo igual cachorro quando cai de caminhão de mudança e mal sei por onde começar! Vamos dar nomes aos bois!
  • faz quase 4 meses que me mudei pra Suécia (o que já parece uma eternidade pra mim!)
  • Dei um pulo em 3 grandes capitais que eu não conhecia antes: Paris, Amsterdam e Oslo
  • Comecei meu curso de língua sueca
  • tô grávida, xenti. WHAT?!!!!!
Bom, eu quero falar de tantas coisas que vão render assunto pra manga. Mas vou tentar ser breve nos assuntos. (porque são coisas que eu não posso deixar passar batido!)
 

Paris
 Bom, que todo mundo fala que Paris é linda e romântica, a gente já tá careca de saber. Mas só indo até lá pra saber o quão estressante aquela cidade pode ser! Acho que a gente gastou mais tempo dentro do metrô gigante de Paris do que na própria cidade. A gente ficou na casa de um amigo do Alexander, na L’île de Saint Denis, no norte da cidade. A casa dele não ficava tão longe do centro, mas a gente gastava tanto tempo dentro do metrô sendo arrastado pela multidão sem fim de pessoas correndo pra lá e pra cá, de enlouquecer. Era pura via sacra chegar ao centro da cidade. a gente tinha que andar até o trem pra pegá-lo até a estação, de lá a gente ia para o metrô e se perdia nas linhas gigantes e imensas. Sem contar naquele cheirinho clássico de cc coletivo!

     O bairro em que ele morava era meio que o gueto organizado de Parrí, era um antigo bairro muçulmano. Tanto é que um dia a gente foi tomar café por lá, e eu pedi pra usar o banheiro do lugar. O-key. Ficava lá no fundão, dentro de um corredor gigante, sem luz.. aí tive que usar a lanterna do celular pra saber onde eu tava e descobri que o banheiro era *muslin style*, ou seja aqueles que só tem um buraco no chão.
 
Tive que dar uma chacoalhada básica no Alexander para ele ser um turista mais ativo, ele já foi umas dez vezes pra Paris e nunca tinha ido ao Louvre, por exemplo (e nem o amigo dele que nasceu lá e mora há 40 anos!). Bom, eu sou super clichê nessas coisas de visitar os must go dos lugares. Seu corpo fica podre, moído porque você quer ver tudo, quer andar por tudo até anoitecer e quando chega a noite, você quer festar. E como transporte em Paris é caro, forget about getting a cab! O mais em conta é comprar o bilhete de metrô+trem para vários dias. (5d custa €17,50).
E você é obrigado a se virar nos trinta! Quase ninguém fala inglês (ou sabe falar e não quer porque acha feio!), aí você tem que arriscar a falar francês. Trés tenso! Um dia a gente resolveu ficar na rua até mais tarde e pegar o último trem pra casa, só que a gente errou na última estação e tivemos que descer em uma desértica, onde não existia ônibus, taxi, nada! A bosta é que o metro pára de funcionar muito cedo, por volta de meia noite já parou de funcionar.. só nos finais de semana rola uma hora a mais de consolo. Aí tá, a gente olhou no mapa e viu que se a gente fosse andando pra casa iam pegar a gente e vender nossos órgãos pro mercado negro. Mas mesmo assim a gente resolveu ir a pé até onde dava, ficamos mega perdidos. Não passava nenhum taxi, e se passava não parava. Começou a ficar frio, a gente com fome, mal humor até umas horas.. aí veio a polícia parar um carro.. e a gente foi lá tentar falar com eles (rolou mais mímica do que qualquer outra coisa!) JE SUIS TOURISTE, JE SUIS PERDÚ!! ahahah.. enfim, os guardinhas da moto pegaram a lanterna de mão deles e ficaram fazendo ronda pra gente conseguir pegar um taxi! E conseguímos!
Só sei que se tem que ir a Paris inúmeras vezes pra poder curtir a cidade de fato. No começo, obviamente, a gente quer turistar ao máximo, e as vezes é impossível escapar das filas! Eu me informei antes e vi que dava pra entrar no Louvre sem ter que enfrentar aquela fila monstruosa, e o Pompidou também!
Tudo em Paris é imenso, a gente só consegue captar um pedacinho das coisas. O Louvre, por exemplo, é preciso sei lá, anos pra conseguir digerir tudo que tá lá dentro .Ok que dá pra ver todas as obras em uns 4 dias.. mas a maioria das pessoas só vê em um, e no final tá morto e não aguenta mais ver arte pela frente. “Oh! Uma múmia de 2938294839 anos atrás. Le-gal”,
 
O caso Mona Lisa
Bom, eu tenho que falar sobre isso. Ela é a musa da arte. Na verdade, eu acho que existem quadros muito mais interessantes e bonitos do que ela.. mas ela é famosa pela polêmica que gera. Enfim, ela é a mais cobiçada pra ser vista no Louvre. Todo mundo fica lá em uma sala gigantesca tentando encontrar o melhor ângulo para poder fotografar o quadro (que é bem pequeno, por sinal!). Eu cansada com essa história toda, propus fazer um top less pra animar o dia haahahahaah.. “já que tava lá sem fazer nada!”. Só que na hora, deu um certo cagaço, obviamente, por que tem uns seguranças perto da Mona e eles podiam muito bem me botar pra fora (eu ainda queria ver a Venus de Milo, sascoisa). A gente só queria bater uma foto pro álbum de família e dar no pé. Foi questão de 2 segundos, abrir a blusa, clicar e fechar. E detalhe que tinha uns mulequinhos bem ao lado do Alexander.. eu falei pra ele “there are children here!” Ele não tava nem aí e começou a ficar p, ai resolvi deixar de cu doce e fazer logo a foto 🙂
Nosso plano era fazer todo o percurso até Varsóvia e de lá voltar pra Suécia, mas naquela muvuca de entra e sai de trem, um elemento* muito mão leve roubou a carteira do bolso do Alexander. Aí zicou legal, cartões, identidade/carteira de motorista.. os tickets de trem, dinheiro, tudo lá! Aí gente viu a viola em caco e teve que ficar dependente do western union pra sacar dinheiro (o que demorou pra gente poder pegar). Sem contar que a taxa de saque era alta (€60) e a gente pegava quantias razoavelmente altas, o que nos dava uma certa paranóia do tipo  “onde vamos guardar?”..Também tínhamos trazido muitas coisas nas malas, não cabia mais nada dentro delas.. e acabamos gastando mais do que o planejado. Aí assumimos que não estávamos devidamente preparados pra seguir a viagem até o final.. depois de Amsterdã ainda faltava Berlim, Cracóvia e Varsóvia.. Aí achamos melhor desistir e fazer isso mais pra frente com mais planejamento. 
Fica uma bela dica pra você seguira na lata: nunca, mas NUNCA mesmo, vá a Paris turistar durante o verão! Tudo fica absurdamente lotado – sem contar que faz um calor do cão também! E por conta disso a gente acaba se frustrando e cansando de ver gente pela frente! Vou dar um exemplo, a gente foi visitar o Palácio de Versalles (ele fica a 20km da cidade – pra não dizer na puta que pariu..), pra entrar não tem como escapar da fila kilométrica no sol (sem exageros!). Mesmo tendo comprado os bilhetes antes.. tem que ficar lá fritando no sol movendo a 2km/h. Aí não parou por aí, a gente entrou no castelo e tava uma sauna lá, pior do que metro da Sé em horário de pico, tinham japoneses sendo cuspidos pelas janelas. O que era pra ser curtido acabou virando tortura. Aí a gente optou em ir lá fora nos jardins, que eram maravilhosos e que fizeram valer a pena a nossa ida até lá.. apesar de tar um calor do cão! (e eles serem enoooormes). E os sanduíches que vendiam lá dentro era  mais pão do que qualquer outra coisa.. um panini por €8 recheado quase só por ar. Acho que calor só é bom quando se está na praia de bikini, caso contrário, a gente tem que ficar correndo do sol.
Confesso que pirei muito mais quando consegui achar minha loja favorita (a Forever 21, que ficava lá nos cu dos Judas de Paris) do que a Torre Eiffel! haaaaa

Uma coisa que eu fiquei na cabeça e queria muito ir visitar eram as Catacumbas (mesmo que a versão aberta ao público seja bem turística). Eu achei incrível – e um tanto creepy- a ideia de resolverem colocar os restos mortais das pessoas que estavam enterradas nos cemitérios durante o século XVIII. Fizeram isso por questões sanitárias e de super lotação. Aí resolveram botar as ossadas nos túneis que haviam debaixo da cidade (que tem uma extensão enoooorme!!!!) Os túneis são localizados muito além do que sete palmos de terra. Ficam a 20 metros de profundidade. Falando assim não parecem ser tão profundos, mas eles ficam bem abaixo dos metrôs, por exemplo. Nós fomos no nosso último dia e tivemos que enfrentar uma fila de, sem brincadeira, 3 horas pra poder entrar (já que eles não vendem bilhetes on line). Cômico foi quando eu pedi pra que o Alexander fosse pra fila enquanto eu ia procurar um banheiro, aí quando voltei fui para o começo da fila, ou seja, na entrada das Catacumbas, mas aí quando olho na esquina vejo que o final da fila era lá, ou seja, ela dava a volta no quarteirão! HÁ! Mas acho que vale muito a pena. Acho que foi a maneira mais simples de eu ter tido contato com a morte. Lá embaixo só há silêncio e escuridão. Dá uma certa angústia mas ao mesmo tempo desperta curiosidade. É um mar de ossos gigantesco, e alguns crânios até foram arranjados artisticamente para, tipo, formarem um coração. A conclusão mais simples que se pode tirar é a de que a vida é fugaz demais.

Dicas antes de ir a Paris:
Assista: Paris Je t’aime e 2 dias em Paris (esse filme dá pra captar muito o jeitinho francês!)
Foi aqui que consegui informações valiosas do tipo entrar em museus sem enfrentar filas.. e que moradores da união européia abaixo de 25 anos tem entrada gratuita em vários lugares culturais – tais como Louvre, Pompidou e Versailles.
Acho que é mais ou menos isso.

Aqui vão algumas fotos na cidade da baguete!

um lindo souvenir do Pigalle! 😉
 

 

restaurante da Amelie, fofo dimais.
 
É isso aí. Bisou!
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