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O que você precisa saber antes de visitar o Petar

Em janeiro estivemos no Petar. Pra quem não sabe, o Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR) é bem famoso por suas cavernas ( são mais de 300 catalogadas, sendo que uma delas tem a maior boca de caverna do mundo), cachoeiras e trilhas. Se você curte um mato e recarregar as energias em meio a natureza, esse é o programa perfeito para você! Mas antes de ir para lá brincar de Tarzan e Jane, tem algumas coisitas que você precisa saber antes de visitar o Petar.

Planeje a sua visita

É obrigatório ter um guia para poder visitar o parque. Então para não perder a viagem, já vá com tudo planejado e contate uma agência antes para evitar qualquer perrengue pois pode acontecer de na alta temporada não ter nenhum livre. Quem nos guiou foi o Cleber da agência Primatas, que por sinal, super recomendo. Pra se ter uma ideia, eu tive uma crise de pânico e jurava que ia morrer e foi ele quem conseguiu me acalmar 😅

Além de contatar um guia, é cobrado uma taxa de R$ 13,00 para entrar no parque e eles só aceitam o pagamento em dinheiro.

O sinal de telefone não pega dentro do parque, então isso é ótimo para se desligar completamente do mundo e estar ali 100% porém é bom ter em mente que se acontecer alguma emergência na trila a busca por ajuda terá que ser feita a pé. Eu só me liguei disso depois de ter feito a trilha mais perregue da minha vida hehe mas sai orgulhosa por ter sobrevivido!

Os núcleos

O parque do PETAR é dividido em quatro núcleos. Na cidade de Iporanga, ficam três: Santana, Ouro Grosso e Casa de Pedra. Já o Núcleo Caboclos fica em Apiaí.

Faz toda a diferença decidir quais você quer ir visitar e o que dá para encaixar no tempo que você irá ter. Cada núcleo tem um nível diferente de dificuldade. O núcleo Santana, onde fica a sede do parque, é o mais popular e também o mais acessível, suas trilhas beiram as margens do rio Betari, um rio de águas bem cristalinas, parece um vale encantado.

Rio Betari no Petar
Rio Betari

O núcleo Santana é fichinha perto dos outros, pois só para se ter ideia, dentro da caverna de Santana tinham até tablados para as pessoas caminharem. Lá dá para você nadar no rio (eu que nunca curti nadar em rio, acabei entrando nele por conta da água ser clarinha), fazer um piquenique, tomar banho de cachoeira e explorar as cavernas.

Dos quatro núcleos, nós tivemos a chance de visitar dois deles: o de Santana e dos Caboclos.

Nós alugamos um carro para poder ter mais liberdade e ir parando pelo caminho. A estrada que liga Iporanga a Eldorado é de terra e corta a Mata Atlântica. Pode acontecer de ela ficar interditada quando chove muito e há risco de desmoronamento. Tinham alguns trechos em que a estrada era super estreita e lá embaixo tinha um penhasco maravilhoso, meu anjo da guarda fez bastante trabalho extra nessa viagem 😅

Como foi a nossa experiência

Caverna do Diabo

Eu nunca tinha entrado em uma caverna antes e a sensação que tive quando se está dentro de uma é que você está acessando um mundo paralelo. É um mix de encanto com mistério. No caminho para o Petar, paramos na Caverna do Diabo que fica na cidade de Eldorado e é a maior caverna do Estado de São Paulo.

Tivemos a baita sorte de chegar quase na hora em que estavam fechando o parque e ainda conseguimos entrar. Lá a visita também é guiada e, como chegamos por último, acabamos tendo um tour vip e pudemos aproveitar para escutar os barulhos que acontecem dentro da caverna. Normalmente, os tours são de 12 pessoas.

A caverna é enorme e tem uns salões gigantescos maravilhosos. Foi muito tranquilo de andar dentro dela pois era tudo bem plano e tinham até escadas em alguns trechos. Esse bebezinho rochoso tem a idade estimada de mais de 2 milhões de anos! A caverna tem uma extensão de mais de 6 km mas somente 600 metros são abertos a visitação. Vale super a pena ir até lá, mesmo para quem não está acostumado a andar muito e/ou é claustrofóbico (ou tem medo do coisa ruim pois garanto que a visita a caverna será mágica e ela está mais para divina do que qualquer outra coisa).

Um dos salões da Caverna do diabo

Para visitar o parque você paga R$30,00, sendo que, metade é da entrada e a outra metade é do monitor.

Glamping Mangarito

Bom, nós ficamos hospedados no Margarito Glamping, uma pousada muito gracinha que fica no meio da mata atlântica, então ar mais puro não há. Ela também está bem ao lado da sede do Núcleo Santana.

Só sei que foi muito maravilhoso poder voltar a noite depois de ter passado um dia inteiro se estropiando no meio da floresta e ir dormir nessa cama de princesa. Eles tem até uma jacuzzi do lado de fora e servem caipirinhas com nomes de estalactites e estalagmites (depois desse rolê você vai sair bem sabido sobre o que é o quê).

A cama em que eu dormi igual uma princess
Café da manhã da realeza

Como nós só tínhamos dois dias inteiros para aproveitar o parque, dei a liberdade para o nosso guia escolher um roteiro bem legal que encaixasse no nosso tempo. No primeiro dia iríamos para o núcleo dos Caboclos visitar as cavernas Teminina e no segundo faríamos o núcleo Santana.

Caverna Teminina

Acordamos 5:30 da manhã para conseguirmos ir até a cidade de Iporanga encontrar com o nosso guia. A estrada até lá é tensa e bem perigosa.

Rodovia estadual de Eldorado. Sim, esta é uma rodovia estadual e não o caminho da roça!

A caverna da Teminina fica bem longe do centro de Iporanga e longe das cavernas mais turísticas do núcleo Santana. No dia em que fomos, fiquei sabendo que éramos só nós três no núcleo inteiro. A trilha é pauleira, é uma das mais difíceis, só perde para a da Casa de Pedra. Para fazer ela toda são estimadas 6 horas de trilha mas nós acabamos fazendo em 9.

Foram nove horas dentro da mata fechada, no-ve horas. Sabe quando você vê aqueles morros na estrada no meio da mata, então eu perdi as contas de quantos morros desse tipo nós subimos e descemos. O ar estava super úmido, eu que raramente transpiro, fiquei pingando. A mata era super densa e qualquer hora poderia aparecer um bichin para dar as caras (ou nos comer haha).

Eu realmente não sei como consegui fazer a trilha da Teminina pois passamos por paredões com penhascos, descemos segurando cordinhas e beiramos precipícios várias vezes (eu esqueci que eu tenho um certo medo de altura). Tinha chovido no dia anterior então tudo estava bem enlameado e bem mais difícil, me senti como se estivesse no O Limite.

Olha a cobraaaa!! Não é mentiraaa!

Bem quando eu estava engatinhando tentando subir um barranco todo cheio de lama (este da foto do lado esquerdo aí em cima), o Alex e o guia já estavam lá na frente quando uma cobra aparece do meu lado, na pior hora possível (na verdade, não sei se existe uma hora boa para as cobras aparecerem).

Eu não conseguiria tentar descer de novo porque estava escorregadio e eu tinha demorado uma eternidade para subir aquele lugar, abaixo de mim tinha um precipício e aí a cobra dá as caras bem perto do meu pescoço. Eu gritei tanto mas tanto que acho que ela se assustou mais do que eu. Depois desse episódio, fiquei umas duas semanas sonhando com cobras.

And the perrengue continues…

Para entrar nessa caverna não foi nada fácil, nós tivemos que descer super cuidadosamente um barranco de pedras na escuridão para chegar até as águas rio congelante que passava por dentro da caverna. Eu sempre tive uma certa aflição de entrar em água que não consigo ver bem o que tem dentro, então imagina o meu pavor 😬

Mas essa caverna tem uma coisa que a faz muito especial, dentro de um dos salões dela tem um chuveiro natural. Para poder chegar até até lá tivemos que passar por um vão rochoso no meio da água.

Infelizmente, eu não tirei fotos do chuveirão porque era um breu danado lá dentro e a minha câmera nessa hora estava na bolsa do Alex que estava perdido na escuridão hehe. É só dar jogar no Google “Caverna Teminina chuveiro” aí se você quiser ver.

Depois que saímos da caverna, eu já estava zerada de bateria porque tinham sido muitas emoções. Aí tivemos que subir todos os paredões que descemos e voltar para o sobe e desce de morros. Eu estava bem exausta já, pensando que ia acabar logo mas aí meu guia disse que ainda faltavam aproximadamente 3 horas de caminhada. Para a minha tristeza, ele não estava de zoeira.

Bom, como você já deve ter tido uma ideia, esta foi uma trilha super difícil e longa. Eu não tinha o preparo suficiente para ela e eu sou do tipo que não gosto muito de ficar passando por precipícios tendo que segurar nos galhinhos que estão no chão confiando que eles iriam me aguentar. Mas aí depois de tudo, conseguimos voltar para o nossa pousadinha (claro que com um pouco mais de perrengue porque ainda tinha aquela estradinha mara que a gente tinha que passar por mais de uma hora no pula pula dos buracos). Me afundei naquela jacuzzi, eu não sentia as minhas pernas.

Núcleo Santana: o vale encantado do Petar

A trilha do dia seguinte foi super Nutella comparada a da Teminina. Fomos para o Núcleo Santana. Estranhei ver tanta gente e barulho porque até então tínhamos tido exclusividade nas cavernas que tínhamos passado.

Uma formação de cristais very biltiful dentro da caverna de Santana 👍🏼

A caverna de santana é bem pop, até o Hermeto Pascoal gravou um videoclipe dentro dela utilizando as próprias formações da caverna para fazer músicas. Isso foi muito criticado depois porque uma batidinha na formações da caverna pode quebrar uma coisa que demorou milhões de anos para se formar.

É um mundo oculto e um tanto frágil que existe submerso nas cavernas.

piscininha natural do Betari
Interior da Caverna do Couto, que fica no Núcleo Santana (dá só um close nas pessoas ali embaixo, parecem formiguinhas 🐜🐜🐜).

O que levar

Pensa que você está indo andar no meio de mata fechada, então o ideal é ir o mais protegido possível porque já vai preparando o seu psicológico pois podem aparecer uns bichinhos peçonhentos pelo caminho. Não precisamos levar capacetes porque o nosso guia nos emprestou mas é bom poder levar uma lanterna extra. Fora isso, traga bolsa impermeável, lanches e água suficientes para as trilhas , repelente, protetor solar, uma calça bem fechada – lembre-se de que as cobras adoram uma canela, então leggings não é uma boa.

O ideal é ir com um sapato antiderrapante e que seque rápido pois tem trilhas que você tem que passar por rios. Leve um repelente bem bom, mas bem bom mesmo, daqueles que só de olhar a embalagem os mosquitos já morrem. É sério, os pernilongos não dão trégua e te picam até pela calça. Protetor solar e também um chapéu que fique bem preso a cabeça.

E se você for fazer as trilhas mais hard cores, tipo a da Teminina e Casa de Pedra, não seria exagero usar uma proteção de canelas. Eu falo isso porque a mata é super fechada e a qualquer hora pode aparecer uma cobra afim de te almoçar.

Cachoeira queda do meu deus

Na volta por Eldorado, paramos para dar um tibum na Cachoeira Queda do Meu Deus. Ela tem uma queda de mais de 50 metros e quando você dá de cara com ela fala “Meu Deus!” – por isso, o nome. Essa cachoeira é uma propriedade particular, para poder visitá-la, paga-se R$20. Para chegar até ela fizemos uma trilhazinha passando por água, segurando corda, mas foi bem tranquila.

Bom, essa foi a minha experiência geral no parque. A nossa visita foi curta porém intensa. Com certeza quero voltar e poder levar o Benjamin mas dessa vez irei fazer as trilhas mais tranquilas e ficar só de boa boiando ali no Betari. Espero que você tenha gostado da minha aventura 🙂

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