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Suécia

As desvantagens de se morar nas gringa

Antes de me mudar pra valer para a Suécia, eu me achava “sabida” só porque andei cavocando todas as entradas possíveis no buraco negro da internerds sobre aqui, arranhava um pouco de sueco e também porque tinha vindo pra cá algumas vezes de visita relâmpago.. (sendo que nunca tinha vindo no inverno pra valer.. e até agora não fiquei um inverno se quer aqui).

O resultado? Meio que quebrei a cara no asfalto da BR. E olha isso porque sempre tive o Alexander do meu lado, sendo que ele é sueco e sabe dos paranauê das coisas. É muito diferente quando se muda para um país por tempo indeterminado do que quando se vai só por uma temporada, as pedrinhas no sapato incomodam muito mais.

A minha ideia não é cortar o barato de ninguém mas sim meio que dar um banho de realidade (algo que eu deveria ter tido). Todo mundo sabe que não existe lugar perfeito (por mais que a Gloria Maria tenha tentado convencer geral de que aqui é o paraíso).

E é claro que tem as coisas que valem a pena de ter dado o pé do Brasil. Mas acho que tudo é uma questão fazer um balanço nas prioridades que se têm na vida, porque yes, tudo tem um preço. Essa pequena lista não se trata somente da Suécia e sim da vida na gringolândia em geral. Sobre a Suécia eu falei neste post aqui.

O que eu quero dizer é que muita gente muda para outros pais pensando que vai escapar de todos os problemas, algumas vezes isso acontece mas os problemas se tornam outros. (Até nisso rola um exchange hehe!)

Vou lançar o top 3:

  • o tal do choque cultural

Vixe Maria, muita gente sempre vem me perguntar do tal. E não é uma coisa que vai acontecendo aos poucos até você pensar: pronto, adaptay! Não há ky no mundo que faça a coisa ficar mais fácil, a situação menos embaraçosa. É tipo como um banho de agua fria cada vez que isso acontece. Por exemplo, se você estava acostumado a vida toda a dar beijinho na bochecha das pessoas logo depois de conhecê-las e depois se vê em uma situação em que tal comportamento causa um certo desconforto nas pipol (aqui na Suécia só se beija no rosto as pessoas que tem intimidade entre si.. otherwise, só uma chacoalhada de mão e finito. sem um, nem dois e , muito menos, três beijinhos..).

É tipo, tentar cortar um comportamento que já é automático na gente e tentar substitui-lo por algo totalmente estranho.. e por ai vai. Por mais que você aprenda a língua, viva no pais durante décadas, vai ter uma hora que você não entendeu aquela piadinha interna porque fazia parte de um desenhinho que todo mundo viu menos você.

  • a saudade passa a ser um sentimento constante e dói mais do que você imaginava..

Eu nunca fui muito grudada com a minha família por conta de sempre ter tido formiga na bunda. Mas a gente sempre se reunia quando dava. Desde que eu me conheço por gente sempre queria ¨ir embora, morar algures alem mar¨. Mas eu fui bem na inocência e só queria enxergar o que me convinha sobre morar na Suécia. Morar em uma cidade diferente da sua família dentro do Brasil e se encontrar algumas vezes ao ano é uma coisa mas mudar para um país do outro lado do globo é totalmente outros quinhentos. E daí que quando passou a euforia de ter me mudado e tals, eu me senti como se estivesse dentro de uma bolha extremamente distante do resto de todas as pessoas queridas pra mim. Tipo, em uma outra galáxia. E por mais que exista FaceTime, Skype e a parafernália toda não tem nada nesse mundo que substitua a convivência. Sim, eles sempre vão vibrar com você a cada conquista que você fizer e também vão chorar quando alguma merda acontecer. Mas sempre vai ter nada alem de uma tela na nossa frente. Sem contar a diferença de fuso, a coneção ruim.. E agora, depois que tive o Benji eu sinto uma culpa constante de ter que criar o meu filho longe do resto da minha família. E isso tudo dói, e muito. Pode ter certeza.

  • começar do zero

No começo vai ser assim, a gente é um zé ninguém. Muita gente que era a pica das galáxias no pais de onde veio tem que abaixar a bola. Aqui, por exemplo, quase todo mundo fala um inglês perfeito. No Brasil, como um inglês nos trinques a gente já consegue descolar um trampo já por esses lados isso não é um diferencial. Sempre ter aquele feeling de ser o cego no meio de um tiroteio. Antes de vir pra cá eu estava super empolgada em como iriam ser as, vamos dizer, ¨diferenças¨ no dia a dia. Agora, rola uma certa penação. Uma simples atividade pode virar um projeto de aprendizado gigante (abençoado Google!). Isso leva tempo. E as vezes o sistema é lento! A média de tempo que um imigrante leva aqui na Suécia para conseguir um emprego na área, falar sueco fluente, ter um certo ciclo social é de 5 anos!

 

Eu acho que esse é o lado negro da moeda. Mas a gente tem que dar o cara a tapa e ver como se sai nisso tudo.. e estar preparado para o que pode vir, né non?

E um outro dia eu volto para contar o lado cor de rosa de morar nas zoropa, nas gringa, em geral. Ogay?!

Suécia

As coisas que eu mais detesto na Suécia (um post patrocinado pela tpm)

Oi, pipol. Esse post eu dedico a todas as pessoas que pensam que a Suécia é um país de conto de fadas. O Shangrilá na Terra. (eu já tive essa ideia, mas ela não durou muito tempo não). Vou aproveitar a minha tpm para convencê-los. E antes que vocês venham com pedradas para cima de mim, eu já digo: tem sim coisas que eu gosto nesse país esquecido do mundo mas isso é assunto para outro momento, outro humor. Okej.

Vem cumigo!

  • Os banheiros públicos – ou a falta deles

Se há uma coisa que me deixa muito puta da vida aqui são os banheiros da rua. Eu penei quando estava grávida. Banheiro em todo lugar aqui é pago. A tarifa varia de 5 a 10 coroas suecas (+- R$2,00-4,00). E Maria mijona que sou.. já viu! Pode ser em qualquer lugar. Num Mc Donalds da vida (as vezes eles te dão moeda para usar), em um shopping (acho muita sacanagem ter que pagar para usar o banheiro do shopping!) ou num beco fim de mundo. E detalhe, nem sempre essa taxa que pagamos para usar o banheiro é garantia de limpeza. Já fui em cada um boca de fumo! Para poder usar você joga moedas dentro de uma caixa que fica do lado de fora da porta. As vezes tem algum filho de deus que quando termina de usar o banheiro segura a porta para você poder usar e fazer sua tão esperada necessidade. Isso é uma boa forma de burlar o sistema e ajudar um ao outro a não pagar a maldita taxa! Você acha justo estar fazendo compras num shopping no centro da cidade e ter que pagar para usar o toalete? E se do nada surge um piriri doido e você não tem uma moeda no bolso, comofas? E nem sempre os cafés e restaurantes tem banheiros, aí você tem que recorrer aos públicos e pagar por isso. E aqui não tem banheiro nos metrôs, o que acho um absurdo-mudo! A gente paga, no mínimo, 25 coroas a viagem de metrô, as estações são lindas e tudo mais mas experimenta só pegar um elevador e morrer intoxicado por cheiro de mijo! Cada vez eu me supero mais em poder segurar a minha respiração.

  • Cada um por si

Bom, aqui é muito comum o povo bater a porta na sua cara. Ninguém a segura para você poder passar (raramente, rolam exceções). Seja você uma uma top model, um cadeirante, uma grávida de 7 meses. Tanto é que tem aqueles botões para a porta abrir automaticamente. Mas vem cá, se você tá passando pela porta e vê que tem um ser humano atrás de você e a porta tá fechando, o que custa usar 5 segundos do seu precioso tempo e segurar a porta? Não vai cair a mão.

Tem um troço muito estranho na língua sueca que é falta de educação (entre mil aspas) pedir “com licença”. Aqui é visto como se você estivesse “invadindo”o espaço do indivíduo. Vê só. Então o que acontece? O povo se comunica com…. o olhar. Eles ficam em cima de você, no metrô, wherever where you are, olhando pra tua cara pra você dar espaço. Eu não saio até me pedirem com licença. Todo mundo que visita a Suécia pensa que aqui é o reino da educação, bibibibóbóbó mas experimenta morar aqui e cair na selva no dia a dia pra você ver.

  • Não tem fila e assentos preferenciais.

Você pode estar numa fila no supermercado com 30 pessoas a sua frente, você com uma barriga quase explodindo que ninguém vai te dar lugar (as vezes, obviamente, surge um humano e te dá passagem). Quantas vezes no ônibus/metro/whatever eu tive que pedir para a criatura me dar lugar para sentar, isso quase dando barrigada na pessoa. Acho que essa história de que todo mundo tem que ser tratado como igual tem um certo limite. Uma coisa que sempre acontece no metro é a pessoa botar a mochila ao lado para evitar que alguém queira sentar do seu lado. Serião, gente, lembra dos “Ursinhos carinhosos”? Então, aqui é a terra do coração gelado.

  • O governo sustenta os cachaceiros!

É deprimente ver um monte de bêbado velho acabado perambulando pela rua sem nenhuma perspectiva de vida. E o sistema paga tudo. Pela bebida, pela casa, pela comida.. por tudo.

  • Não poder beber nenhuma cervejinha na rua (ou qualquer outro bons drink)

Essa é sofrida, gente. Aqui na Suécia o povo perde o controle na bebida, e por isso o governo resolveu ser radical e proibiu que se consumisse qualquer tipo de bebida alcóolica na rua. O que eu acho disso? Uma chatice aguda. E vem cá, de nada adianta.. porque o povo sai para as festas tudo super mamado (o povo enche a cara brutalmente, não tem essa de esquenta alegrinho em casa não.. aqui é bem mais hard core) E daí como é que você vai socializar com alguém em alguma festa que mal consegue se sustentar nas próprias pernas? E ah, bebidas com teor alcoólico acima de 3,5% são vendidas em lojas que pertencem ao governo. (o systembolaget). É o único lugar em que você vai conseguir encontrar algo para beber e eles tem um horário bem restrito. Tipo, não abrem aos domingos e aos sábados eles fecham as 15:00. Então, pensa, vai que surge a ideia de fazer um jantar com os amigos e você não tem nada em casa pra servir de bebida para eles. Aí o que você faz? Serve fanta uva? E ah, um bom drinkizinho numa balada qualquer aqui você desembolsa no mínimo 100 silvias! No-mí-ni-mo! Tendeu? Deu pra sacar que aqui não é muito o país da diversão, né, gentis.. e sim da depressão hihihiih

hoje eu tô com a macaca.. então vamos aproveitar! 🙂

  • O frio

Isso é o que mais me ferra a vida. Sim, coração. Eu era igual a você e adorava o friozim brasileiro. 15º graus lindos marcando nos termômetros, aquela vontade de nunca sair debaixo das cobertas, estourar pipoca, tomar um chocolate quente e ver um filme a tarde inteira forever and ever. Sim, eu gostava disso e me agradava muito mais do que um calor melequento de 38º. (mas depois que morei no Rio, as minhas ideias mudaram! :)) Só que, experimenta aguentar um frio de congelar os ossos por, no mínimo, 6 meses. Ter que sobreviver sob camadas e camadas de roupas, luvas, cachecol e gorro e aquelas botas pesadas. E ai se você esquecer de botar alguma dessas coisas, você congela. Aqui é “normal”o povo ficar trilouco e dormir na rua e morrer congelado. Acordar de manhã e ver que tá fazendo, tipo, -13º graus lá fora e que você tem que sair porque a vida continua, né, rapeize. E é normal a gente ficar feliz quando volta a fazer graus positivos.. +1º..+3º é puro delírio da moçada.

  • A falta de funcionário nas lojas, mercados, restaurantes.. etc.

Aqui para contratar alguém paga-se muito, então o que acontece ou eles dão um jeito e instalam máquinas para o atendimento ou 1 ou 2 pessoas em carne e osso ou.. ninguém! Para comer fora aqui, os garçons são cara de cu (oi, desculpe pelo palavreado!), só vem falar com você uma vez na vida e outra na morte e sem contar que os restaurantes aqui não são baratos (nem que ele seja chinfrim você vai pagar pouco pra comer). E dependendo da onde você que tem que levantar a sua bunda quentinha da cadeira para ir buscar seus talheres, guardanapos e afins. Frentista de posto acho que nunca existiu aqui, você mesmo enche o tanque do seu carro e paga com cartão. Não rola aquela coisa de tar perdido e parar num posto para perguntar o caminho para os caras de boné. Outra coisa, são poucos os lugares em que se aceitam dinheiro.

  • A falta de espontaneidade

Pra quem não sabe, os suecos são mais pontuais que os ingleses (se é que isso é possível). Eu costumo brincar com o Alexander que quando os suecos tem algum compromisso, eles costumam a chegar 15 minutos antes e ficarem dentro do carro esperando o tempo passar para poder chegar exatamente na hora. Agora é sério. Por um lado é bom, ter tudo meio que sob controle mas vem cá, até pra tomar um simples café com alguém a gente tem que agendar com 2 semanas de antecedência? Aqui não rola aquela coisa de tar todo mundo no clima e fazerem uma festa do nada, só porque pintou um clima, sabe? Esquece, tem que avisar o siclano com 3948938439 dias de antecedência.

  • Agora a coisa mais macabra e odiada de todas: a escuridão

Não é a toa que os suecos fazem iluminarias lindas de todas formas, tamanhos e cores. Aqui em casa a gente até tem uma lâmpada que imita o nascer do sol. Aqui passamos a maior parte do ano com poucas horas de luz, por conta do país estar próximo ao círculo ártico polar. Então quando chega o inverno, o que era para ser Sol aparece as 10 da manhã e vai embora as 3 da tarde. No brinks. E o Sol, assim, não é bem o Sol é mais uma luz de geladeira. Como já disse a minha paisana do blog Uma caipira na Suécia “Suécia e seus 50 tons de cinza” (enganado tá aquele que ainda cai na de que “Suécia, a nação verde”)

E vem cá, acho que o clima e essas chatices todas seriam melhor de se superar se o povo sueco fosse mais receptivo, menos sistemático e mais aberto com as pessoas (mas é o jeitin deles, né.. viver nessa bolha de individualidade, fazer whatsom). Eu também gosto de ter meu tempinho me, myself and I mas tem limites.

Sim, com esse um ano e pouco de Suécia eu virei muito rabugenta. (e pode deixar, que assim que eu tiver com os hormônios mais amigáveis, venho aqui dizer coisas boas da roça gelada!)